Apenas um dia memorável
1 Capítulo Único
O sol brilhava intensamente sobre o céu peculiar de Penguin Village, onde nada parecia seguir as regras da lógica. Arale Norimaki, com seu sorriso habitual, estava ocupada praticando seu hobby favorito: criar caos sem intenção. Ela levantava carros com uma mão, arremessava pedras maiores que casas e corria em círculos ao redor dos animais da vila. Tudo parecia mais um dia comum... até que uma sombra diferente cruzou o céu.
Do outro lado do universo, no tranquilo planeta de Bills, Goku treinava arduamente sob a supervisão de Whis e os comentários críticos de Bills. Com uma série de movimentos rápidos e explosivos, ele tentava aperfeiçoar seu domínio sobre o Ultra Instinct. De repente, Whis interrompeu o treino, olhando para o horizonte com um leve sorriso.
— Goku, parece que há algo interessante acontecendo no tecido do tempo e espaço. — Interessante como? Mais inimigos fortes? — Goku parou imediatamente, animado com a ideia de uma nova luta. — Algo assim... Mas peculiar. Você foi convocado para um torneio interdimensional.
Antes que Goku pudesse processar a informação ou fazer mais perguntas, Whis tocou levemente seu ombro com o cajado. Em um piscar de olhos, Goku desapareceu, deixando Bills irritado com a interrupção do treino.
— Esse Saiyajin nunca para quieto, hein? — resmungou Bills, voltando à sua tigela de lámen.
* * *
Enquanto isso, em Penguin Village, Arale estava no meio de uma de suas travessuras quando notou algo incomum: um vulto vindo do céu. Goku pousou no centro da vila em um estrondo leve, levantando poeira ao seu redor. Ele se levantou rapidamente, esfregando a cabeça enquanto olhava ao redor, confuso com o cenário colorido e surreal.
— Onde é que eu tô? — murmurou ele, coçando a nuca.
Antes que pudesse fazer qualquer outra coisa, Arale apareceu na sua frente em alta velocidade, quase o derrubando.
— Oi! Quem é você? Você parece forte! É um robô? — Arale perguntou, com olhos brilhando de curiosidade, enquanto cutucava o braço de Goku com a força de quem estava testando a dureza de um muro. — Robô? Eu? Não, não, eu sou um Saiyajin! — Goku respondeu, ainda confuso com a situação. — E quem é você?
— Eu sou Arale Norimaki! — respondeu ela com um sorriso, enquanto levantava Goku pela cintura como se ele fosse uma boneca de pano. — Você é leve! Vamos brincar!
Sem dar tempo para explicações, Arale o girou no ar como se estivesse brincando com um bambolê e, em seguida, o arremessou casualmente para longe, fazendo-o atravessar três montanhas antes de cair em um lago distante.
Molhado e atordoado, Goku saiu do lago, olhando ao redor e tentando entender o que havia acabado de acontecer.
— Mas que força é essa?! — ele exclamou, enquanto voava de volta para o ponto inicial.
Arale estava esperando por ele, saltitando de um lado para o outro como se nada tivesse acontecido.
— De novo! De novo! Você voa rápido, mas não é tão rápido quanto eu!
— Espera aí! Você não é uma terráquea comum, né? — perguntou Goku, intrigado.
Arale riu e deu um pequeno salto que a levou a uma altura absurda, pousando com perfeição ao lado de Goku.
— Eu sou um robô superforte que o Senbei construiu! Mas eu acho que ele me deixou um pouquinho exagerada... hehe!
Goku coçou a cabeça, tentando entender como alguém tão pequena podia ter tanta força. Ele estava acostumado a enfrentar adversários poderosos, mas algo sobre Arale era diferente. Sua energia não parecia ameaçadora, e sua inocência tornava a situação ainda mais confusa.
— Você gosta de lutar, né? Eu também! — disse Goku, finalmente recuperando seu espírito competitivo.
— Eu adoro brincar de lutar! Mas ninguém aqui é forte o suficiente para brincar comigo... até agora! — Arale respondeu, estendendo os braços como quem convidava para uma brincadeira.
Goku deu um sorriso largo. Apesar da confusão, ele estava empolgado com a ideia de testar sua força contra alguém tão peculiar.
— Certo! Então vamos ver do que você é capaz!
E assim, em um lugar onde as leis da física eram meras sugestões, começou o encontro improvável entre Goku e Arale. Enquanto o Saiyajin se preparava para o que achava que seria uma luta amigável, ele ainda não sabia que enfrentaria o maior desafio de sua vida: entender a lógica absurda de Penguin Village.
* * *
Depois do início turbulento, Goku e Arale decidiram fazer uma pausa. Eles estavam sentados em um campo florido de Penguin Village, com Goku devorando uma montanha de bolinhos de arroz que Arale trouxera em uma cesta enorme. A calmaria do momento contrastava com o caos de instantes atrás.
— Você é muito forte, sabia? — disse Goku, mastigando com entusiasmo. — Não é todo dia que alguém consegue me lançar daquele jeito.
— Claro que sou! — Arale respondeu, dando um salto no ar e pousando com tanta força que criou uma pequena cratera no chão. — O Akira me fez assim!
Goku parou de mastigar, com uma expressão de pura confusão. Ele inclinou a cabeça para o lado como um cachorro que tenta entender uma palavra nova.
— Akira? Quem é esse? Algum tipo de Kami-Sama?
— Kami-Sama? — Arale riu, cobrindo a boca com as mãos. — Não, Kami-Sama é sério e fala de coisas importantes. Akira é nosso criador! Ele desenhou você também!
— Criador...? — Goku repetiu, piscando lentamente enquanto processava a informação. — Você tá dizendo que eu fui... desenhado?
Arale assentiu vigorosamente, os óculos quase escorregando do nariz.
— Isso mesmo! Ele é um cara muito legal! Adora desenhar robôs, lutas e personagens como você!
Goku coçou a nuca, tentando juntar as peças. Ele já tinha ouvido falar de deuses criadores como o Grande Zen’ō ou os Kaioshins, mas aquilo parecia diferente.
— Então... quer dizer que eu sou tipo um personagem em uma história?
— Exatamente! — Arale respondeu, sentando-se ao lado dele e rabiscando na terra com um graveto. — Nós vivemos no mundo do Akira! Ele decide tudo: quem aparece, quem luta e até quem vence!
Goku franziu a testa, claramente desconfortável. Ele tentou refutar.
— Não faz sentido! Eu tomo minhas próprias decisões, treino duro e...
Arale interrompeu com uma risada tão alta que assustou um grupo de pássaros.
— Claro que você pensa isso! Ele fez você assim! — Ela apontou para Goku com o graveto, como se estivesse explicando algo óbvio.
— Hã? — Goku olhou para o graveto como se aquilo fosse ajudá-lo a entender. — Então tudo o que eu vivi... as lutas contra Frieza, Cell, Majin Boo... até o treinamento com o Whis... era só parte de uma história?
— Sim! Uma história muuuito divertida! — Arale respondeu, balançando as pernas enquanto olhava para o céu. — Mas não fica triste, tá? Você é o favorito de todo mundo!
Houve um longo silêncio. Goku olhou para o horizonte, parecendo mais pensativo do que o normal.
— Então, se esse tal de Akira decide tudo, por que você tá me dizendo isso agora?
— Porque eu achei que você devia saber! — Arale deu de ombros, como se fosse a coisa mais natural do mundo. — Além disso, acho engraçado ver sua cara de "não tô entendendo nada"!
Goku suspirou, desistindo de tentar entender a lógica daquele lugar. Afinal, ele já havia visto coisas estranhas antes, mas aquilo superava tudo.
— Tá bom... — ele disse, cruzando os braços. — Então, se eu sou só um personagem, o que isso significa para a gente agora?
Arale se levantou de um salto, sorrindo como sempre.
— Significa que podemos fazer o que quisermos! E, se você for legal, talvez o Akira faça você vencer a próxima luta contra mim!
— Luta? De novo? — Goku riu, finalmente relaxando. — Certo, mas dessa vez eu não vou pegar leve!
Enquanto os dois se preparavam para mais uma rodada de brincadeiras absurdas, Goku não pôde deixar de pensar que, mesmo sendo apenas um personagem em uma história, ele estava exatamente onde queria estar: vivendo aventuras. E, no fundo, isso era mais do que suficiente para ele.
* * *
A tranquilidade de Penguin Village foi interrompida pelo som de um zunido agudo. No céu, uma nave esférica e brilhante desceu lentamente, emanando uma luz que fez os habitantes pararem o que estavam fazendo para olhar para cima. Goku e Arale, curiosos, levantaram os olhos.
— Uau, parece uma lata de bolinhas! — Arale comentou, apontando para a nave com empolgação. — Não, isso é... — Goku interrompeu, reconhecendo imediatamente a figura que emergia da nave. — Zen’ō-sama?!
A pequena figura do Grande Zen’ō saiu da nave flutuando, com o mesmo sorriso infantil e despreocupado de sempre. Ao lado dele estavam os anjos que o acompanhavam, mantendo a expressão séria enquanto observavam os arredores.
— Oi, Goku! Oi, nova amiga do Goku! — disse Zen’ō, acenando animadamente para os dois.
Arale ficou fascinada.
— Ele é tão fofinho! Posso apertar? — perguntou ela, já estendendo as mãos para pegar Zen’ō.
Goku entrou na frente rapidamente, suando frio.
— Não! Não toca nele assim! Ele é o governante de tudo!
— Governante de tudo? — Arale repetiu, sem entender muito bem. — Ele parece um brinquedo de apertar...
Zen’ō riu, balançando as mãos.
— Tudo bem, Goku, ela pode me apertar!
Antes que Goku pudesse protestar novamente, Arale pegou Zen’ō com cuidado e o apertou como se fosse um bichinho de pelúcia.
— Tão macio! Você é muito legal, Zen’ō-sama!
Zen’ō parecia estar se divertindo.
— Você também é muito legal, amiga do Goku! É por isso que eu vim aqui!
Goku franziu a testa, ainda tentando processar a presença do governante em um lugar tão estranho como Penguin Village.
— Por que você veio aqui, Zen’ō-sama?
Zen’ō bateu palmas, sua expressão animada.
— Porque hoje é um dia muito especial! Quero celebrar os 40 anos do criador de vocês dois, o Akira!
Arale deu um salto tão alto que quase tocou as nuvens.
— Oba! Isso quer dizer que vai ter bolo?
— Mais ou menos — respondeu Zen’ō. — Vamos fazer um torneio! Mas não vai ser de luta... vai ser de brincadeiras!
Goku coçou a cabeça, um pouco desapontado.
— Brincadeiras? Tipo o quê?
Zen’ō sorriu como uma criança que acabou de bolar uma travessura.
— Pega-pega!
* * *
Logo, o campo onde estavam foi transformado em uma arena gigantesca, com obstáculos coloridos e cheios de trampolins, túneis e rampas. Zen’ō flutuava no centro, anunciando as regras com entusiasmo.
— Quem pegar o outro primeiro, ganha! Se ninguém for pego em 10 minutos, eu decido quem é o vencedor!
Goku estalou os dedos, animado.
— Tá bom, parece divertido!
Arale, por outro lado, já estava correndo em círculos, completamente empolgada.
— Isso vai ser muito fácil! Eu sou a melhor em pega-pega!
Zen’ō deu o sinal, e a brincadeira começou.
* * *
Goku começou atacando, utilizando sua velocidade e teletransporte para tentar surpreender Arale. Ele aparecia atrás dela, mas, antes que pudesse tocá-la, ela dava um salto absurdo e desaparecia no horizonte.
— Uau, você é rápido, mas não mais do que eu! — Arale zombava, aparecendo em lugares aleatórios como se as leis da física não existissem.
Ela usava sua força e criatividade de maneiras absurdas. Cavou um buraco gigantesco com uma colher de pedreiro que surgiu magicamente do bolso e fez Goku cair nele.
— Ei! Isso não vale! — gritou Goku, voando para fora do buraco.
— Vale sim! O Zen’ō não disse que não podia! — respondeu Arale, rindo.
Goku começou a levar a brincadeira mais a sério. Ele se transformou em Super Saiyajin Blue, ampliando sua velocidade ao máximo. Por um instante, pareceu que ele estava prestes a tocar Arale, mas ela ativou sua "corrida turbo" e desapareceu em um borrão.
— Você é bom, mas eu sou invencível! — gritou Arale, rindo enquanto corria de costas.
* * *
No final, nenhum dos dois conseguiu pegar o outro. Zen’ō, encantado com a bagunça, interrompeu a partida.
— Empate! Vocês dois são os melhores em brincadeiras!
Arale e Goku se entreolharam, ofegantes, mas sorrindo.
— Você é muito boa nisso! — Goku admitiu, rindo. — E você é o adversário mais divertido que já tive! — respondeu Arale.
Zen’ō, ainda empolgado, distribuiu uma montanha de doces para ambos como prêmio.
— Foi muito divertido! Espero que possamos brincar de novo!
Enquanto Zen’ō e os anjos se preparavam para partir, Goku e Arale sentaram-se em uma pedra, dividindo os doces e rindo das besteiras que tinham feito durante o torneio.
— Você é muito diferente de tudo que eu já vi, Arale — disse Goku, ainda mastigando. — Você também, Goku! A gente devia fazer isso mais vezes!
E assim, o torneio terminou, mas a amizade entre os dois personagens mais absurdamente poderosos do universo estava apenas começando.
* * *
Depois de toda a confusão do torneio, a noite finalmente chegou a Penguin Village. O céu estava pintado com tons de laranja e roxo, e as estrelas começavam a aparecer, brilhando como pequenos diamantes espalhados. Goku e Arale se acomodaram no topo de uma colina, com a vila iluminada ao longe, parecendo um lugar mágico.
Arale estava deitada na grama, balançando as pernas para o alto enquanto desenhava formas no céu com o dedo. Goku, sentado ao lado, observava o horizonte, ainda digerindo tudo o que havia acontecido.
— Então, o que você achou? — perguntou Arale, quebrando o silêncio.
Goku sorriu, mas parecia pensativo.
— Foi divertido. Você é incrível, sabia? Eu nunca vi alguém tão... imprevisível.
Arale riu, rolando de um lado para o outro como uma criança.
— Eu sou assim mesmo! É mais legal quando as coisas não fazem sentido, né?
— Acho que sim... — Goku respondeu, apoiando o queixo na mão. Ele ficou em silêncio por um momento antes de continuar. — Mas, sabe, o que você disse sobre sermos personagens... isso ainda tá na minha cabeça.
Arale se sentou de repente, com um sorriso travesso no rosto.
— Por quê? Você tá bravo com o Akira?
— Bravo? Não... — Goku respondeu, coçando a nuca. — Só tô pensando. Se ele cria tudo, isso quer dizer que todas as minhas escolhas, todas as minhas lutas... não foram realmente minhas?
Arale inclinou a cabeça, tentando entender o dilema de Goku.
— Hmm... acho que você tá pensando demais! Olha só, mesmo que o Akira tenha inventado tudo, foi você que viveu todas essas coisas, né?
Goku ficou surpreso com a resposta. Ele olhou para Arale, que agora estava segurando um graveto e desenhando formas engraçadas na terra.
— Acho que você tem razão. Eu vivi tudo, e isso é o que importa. — Ele riu, aliviado, e cruzou os braços. — Você é mais esperta do que parece, sabia?
— Eu sei! — respondeu Arale, jogando o graveto longe e batendo palmas como se tivesse vencido algum tipo de competição.
* * *
Enquanto continuavam conversando, os habitantes de Penguin Village começaram a aparecer, trazendo comida e se juntando à dupla na colina. Era como se toda a vila tivesse decidido fazer um piquenique sob as estrelas.
Senbei Norimaki chegou carregando uma panela enorme de ramen, suando e reclamando.
— Arale, você nem avisou que ia trazer visitas! Isso dá trabalho, sabia?
— Mas valeu a pena! — Arale respondeu, pulando de alegria. — O Goku é muito legal! Ele voa, luta e até come mais que você!
Senbei bufou, mas logo se juntou ao clima animado.
— Muito bem, Goku, aproveite. Só não destrua a vila, por favor.
— Pode deixar! — Goku respondeu, com a boca cheia.
* * *
Conforme a noite avançava, o clima de festa tomou conta. Arale subiu em um barril e começou a cantar uma música completamente sem sentido, enquanto Goku ria até cair no chão.
— Você tem talento! — ele disse, limpando as lágrimas de tanto rir.
— Eu sei! — Arale respondeu, inclinando-se como se estivesse sendo aplaudida por uma plateia invisível.
Goku olhou ao redor, vendo a vila inteira se divertindo. Apesar de tudo o que havia passado naquele dia – as revelações, o torneio e as travessuras – ele percebeu que havia algo especial em Penguin Village. Era um lugar onde as regras do universo não importavam, e onde a simplicidade e a diversão sempre venciam.
— Sabe, Arale... acho que vou lembrar disso pra sempre.
Ela sorriu, com uma expressão que misturava ingenuidade e carinho.
— Eu também! Você é meu novo amigo favorito!
Eles ficaram em silêncio por um momento, observando as estrelas. A tranquilidade era interrompida apenas pelos sons da festa ao redor.
— Ei, Arale — Goku chamou, pensativo. — Você acha que o Akira tá vendo isso agora?
— Claro que tá! Ele deve estar rindo de como a gente é maluco!
Goku deu uma gargalhada.
— Bom, então espero que ele esteja se divertindo tanto quanto a gente.
E assim, sob o céu estrelado de Penguin Village, Goku e Arale celebraram não apenas a amizade recém-descoberta, mas também o espírito de criatividade e diversão que os unia. Afinal, mesmo sendo personagens em uma história, eles mostraram que o que realmente importa é aproveitar cada momento – por mais absurdo ou surreal que ele seja.
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