Notas iniciais
Heeyyyy

Cris dedicava toda sua concentração as paginas do livro de história, precisava aprender aquilo antes que fosse tarde, ignorando é claro que a prova seria no dia seguinte. Mas, mesmo sentado em um banco isolado no canto do pátio da escola, tinha dificuldades de se concentrar, ainda estava um pouco cismado com tudo.

O loiro ajeitou os óculos que usava apenas para leitura e respirou fundo, precisava de uma nota boa para passar, se ao menos tivesse feito o teste na semana anterior poderia ter mais nota, mas ele sabia que era impossível conseguir só com uma prova, iria reprovar na certa, e a mãe o mataria se soubesse que o filho não passou no primeiro ano do ensino médio por causa de Joseph, claro que a culpa não era do outro, mas a mãe certamente o culparia, afinal ela não havia superado ter visto os dois se beijando no domingo passado, tanto que proibiu o filho de sequer respirar perto de Joseph, o que deixou Cris tão deprimido que ele se isolou no quarto por uma semana, só saia para o que era necessário e ainda assim evitava a mãe, mas isso passou e ele já não parecia sentir falta de Joseph.

— Hey se não é o Criszinho. – Uma voz irritante tirou o loiro de seu mundo interior e o trouxe a realidade, a vida estava bem mais fácil em seu quarto. Levantou os olhos, dando de cara com Edward, a pessoa mais irritante que já conheceu. Aqueles cabelos castanhos e aqueles olhos cor de mel, em outros tempos, acenderiam as chamas da paixão dentro do coração de Cris, mas depois de tudo...

— O que quer Ed? Estou estudando. – Resmungou e recebeu um sorriso soberbo do outro.

— Ora, chorar por causa de seu boy a semana toda te deixou assim tão mal? Pobrezinho, sempre tão NERD, agora ai, estudando feito um louco para passar de ano.

— Me deixa em paz. Não pode parar de me atormentar pelo menos hoje? Céus Ed, sabe como passar de ano é algo importante para mim. Então me deixa. – Cris cruzou os braços e se levantou, encarando o ex-melhor-amigo/ex-primeiro-amor.

— Quer encarar, baixinho? Primeiro aprenda a ser macho e depois a gente conversa. – Ed deu um leve tapa na testa de Cris, pegando o óculos do menor e começando a rodopiar o objeto nos dedos.

— Vou te bater seu- O loiro sentiu a cintura ser segurada por trás e se calou no mesmo instante. A pessoa estava com um livro na mão, e o exibiu para Ed.

— Se não se importa, eu e ele íamos fazer um trabalho juntos agora e ele infelizmente precisa enxergar. – Comentou uma voz masculina e doce, o que fez com que Cris ficasse mais vermelho que um pimentão. Ed sorriu e jogou os óculos para o recém-chegado.

— Claro novato, seja bem vindo a escola. – Dizendo isso do modo mais irônico possível, foi embora, deixando Cris e o desconhecido a sós, só então o loiro percebeu que estava com a cabeça encostada no ombro do outro, que ainda o envolvia pela cintura.

— Ei... Digo, obrigado... Mas... – Resmungou, pegando o óculos e se afastando sem olhar para trás, morto de vergonha. — O que está pensando? O que acha que as pessoas vão pensar de você?

O garoto riu, o que atraiu a atenção de Cris, que o encarou com curiosidade. Se já estava gamado pela voz... O resto então...

O garoto era mais alto que Cris, mas todo mundo era mais alto então não contava, possuía olhos azuis claríssimos, porém intensos, cabelos ruivos naturais, um sorriso rebelde e um jeito meio jogado.

— E dai o que vão pensar? – O ruivo retrucou, retirando um marcador do bolso e dando de ombros, ele marcou uma pagina do livro e o jogou em cima do menor. — Esse ajuda mais, Cristian. Até mais tarde, ainda to a fim de fazer aquele trabalho com você. – Ele piscou, deixando o loiro ainda mais sem graça.

— Cris... Só me chama de Cris. E... Quem é você?

O ruivo riu se aproximando do loiro, — Sou o caos. – E apontou para o marcador. — Até mais docinho.

Ele caminhou para longe de um Cris completamente enrubescido e encantado, o menor não se sentia tão impressionado assim desde que conheceu Ed.

O Caos, sem dúvidas o seu coração estava um caos agora. Ele encarou o livro e sua curiosidade o invadiu, abriu na página do marcador e encontrou uma pequena parte do texto destacado:

“Seja qual for a forma, ele adora a cor vermelha, por isso fique atento a roupa, cabelos e olhos dessa cor.”

Cris sorriu, ainda confuso, e seus olhos se dirigiram ao título do texto.

“O deus egípcio do caos: Set!”

~ ~ # ~ ~

Cris encarava Lucas sem saber o que fazer. O pequeno estava ali a sua frente, o destino os havia unido de novo.

O loiro acariciou o rostinho do menino pela milésima vez, tentando acalma-lo. Estava sentado em sua sala, em um pequeno sofá no canto, o professor que conteve a briga os encarava visivelmente preocupado, mas o pobre coitado parecia mais perdido que tudo, não sabia se tentava separar a briga entre Luna e Max ou se ajudava com Lucas.

— Tudo bem meu pequeno, estou aqui. – Cris sussurrou e recebeu em troca o olhar confuso de Lucas. — Me diz o que te fez chorar assim. O que ele te fez? Vamos, acredite eu entendo.

Lucas começou a enxugar as lágrimas com calma, sem dizer nada, o menino que, segundo o professor, estava tentando bater nele, se aproximou devagar, com a cabeça baixa.

Ele chegou bem pertinho e encarou o vice-diretor com receio. — Desculpa. – Murmurou rapidamente.

— Não é a mim que deve desculpas docinho. – Cris fez sinal para que o menino sentasse ao seu lado, e ajudou Lucas a se colocar em é pé, o pequeno evitava olhar para o outro, o que preocupava o loiro. — Pode começar.

O menino encarou Cris, mas seus olhos passaram para Lucas. — Desculpa. Eu não sabia que ia te magoar. Eu só falei da sua mãe porque o Max mandou.

Lucas olhava para os próprios pés, ainda com os olhos marejados e entre um soluço ou outro, o que deixava Cris de coração partido, porém ele sabia que o resultado dessa conversa só dependeria de Lucas.

O pequeno encarou o colega, ainda soluçando, o outro menino estava sério e havia se levantado, ficando na frente de Lucas. —Desculpa, na verdade eu só queria ser seu amigo. – Ele murmurou de cabeça baixa e Cris pôde ver os olhinhos de Lucas se encherem de um novo brilho, ele se aproximou do outro menino e o abraçou docemente, surpreendendo a todos na sala.

— Eu não vou te abraçar. – Luna murmurou emburrada, ainda encarando Max, que mostrou a língua para a menina no mesmo instante.

Cris novamente estava encantado pelo jeitinho meigo do pequeno, o loiro retirou os óculos prateados e se levantou, sorrindo para o outro professor.

—Imagino que os dois já pediram suas desculpas. — Max e o outro menino permaneceram em silencio, ambos ainda ao lado de Luna. — Ok se insistem em dificultar, os dois ficam de castigo.

— Mas...

— Nada de mais. – Dessa vez quem interferiu foi o professor. — Deveriam seguir o exemplo do Stefan e pedir desculpas.

— Isso mesmo. – Cris concordou, lançando um olhar de apoio ao pequeno que estava escondido atrás de Lucas. — Stefan fez muito bem. Por isso ele não vai ficar de castigo, pode ir pra sala com Lucas e Luna, mas depois eu quero conversar com você ouviu?

Stefan assentiu timidamente, Luna andou até a porta e lançou um olhar vitorioso a Max, Lucas sorriu para Cris da forma mais doce possível e, junto com Stefan, correu para fora.

— Bem acho que eu devo levar os dois rebeldes aqui para a minha sala. – O professor comentou, já puxando os dois para fora. Cris apenas os observou sair e logo tratou de trancar a porta e se sentar no chão mesmo. Pegou o celular e digitou o numero de Set.

Alô! Cris? Tá tudo bem?

Sim querido, eu só queria ouvir sua voz um pouco.” Cris admitiu, sorrindo levemente ao imaginar o ruivo todo preocupado. “Está na empresa?

Não, fofo, estou indo para casa, tive um imprevisto, estou com o pai do Lucas.

Todo animo de Cris pareceu desaparecer. “Como assim com ele?

Ele está sóbrio hoje e quer conversar com você sobre o Lucas, por isso estamos indo para casa, porque eu sei que de lá você não vai fugir.

Quando é que decidiu ir falar com ele? Por que não me avisou? Por que não me disse nada Set?

Porque se eu dissesse você ia se jogar na cama de novo, começar a chorar enrolado no cobertor e ia fazer chantagem emocional até eu desistir.” Cris se conteve para não rir, pois era exatamente isso que ele iria fazer. “Amore confia em mim, eu sei o que estou fazendo. Vou ligar para meu pai e dizer que não vou poder ir a empresa hoje, Juan e Julia vão ter uma crise por causa disso, mas eu me entendo com eles depois

Contanto que Juan não te agarre, tudo bem

Set riu, porque certamente sabia que Juan no mínimo se jogaria em seus braços, mas apesar do jeito atirado, Cris gostava de Juan. “Tudo bem Cris, vou me lembrar da sua recomendação

Ah! E eu encontrei Lucas aqui na escola, vou leva-lo para casa assim que acabar o meu turno.

Que ótimo, vou esperar em casa. Te amo meu fofinho dramático.

Também te amo e eu não sou dramático, bye

“Até mais.”

Cris encerrou a ligação e se levantou, caminhando até sua mesa, a anos começou a trabalhar ali, na escola de sua família, não por causa da mãe, que é uma desnaturada que só vendo, mas por causa do irmão mais novo, que precisava de apoio da família na escola desde que começou a sofrer de surtos de medo quase esquizofrênicos, e como os pais dele viviam ausentes, cuidar da escola foi o jeito que Cris viu de se reaproximar do caçula para ajuda-lo. E claro que o ambiente escolar era o que ele mais amava e adorava.

O loiro suspirou ao ouvir alguém bater a porta, pela pressa já sabia de quem se tratava.

— Pode entrar Henrique. – A porta se abriu rapidamente e Henrique entrou. Um menino de doze anos, loirinho de olhos azuis e um sorriso pequeno e fofo. Ele correu até Cris e o abraçou.

— Irmão! Fiquei com saudade, não veio me ver no domingo. – Ele resmungou, ainda agarrado ao mais velho. — E sábado mamãe me mandou dormir muito cedo.

Cris afagou o cabelo do mais novo com um sorriso, se tinha algo no mundo que amava sem limites, depois de Set, era o caçulinha da família. — O que acha de almoçar lá em casa hoje?

— Adoraria, mas a mamãe vai deixar? – Ele fez uma carinha triste e Cris deu de ombros. — Ok eu ligo pra ela e peço com jeitinho.

Cris apertou o abraço, fazendo Henrique rir. — Agora volte para a aula, que eu sei que você fugiu espertinho. – O menino beijou a bochecha do irmão e saiu correndo, o loiro riu do jeito estabanado do mais novo e se voltou a papelada a sua frente. Havia trabalho a fazer.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Obs 1: Esse Ed é o garoto que contou para Deus e o mundo que Cris era Gay logo após a declaração dele. Obs 2: Eu amo mitologia egípcia então uma hora ou outra ia ter alguma referência kkkk