Já se passaram mais de dez anos e ainda me sinto assim... Desde a queda de Dalmasca, desde que me escondi do meu passado obscuro, desde que me uni a pessoas desconhecidas para obter a restauração do Reino de meu pai e derrotar o maior Império de Ivalice. Passo as noites contando as estrelas, tentando encontrar-lo nelas, passo os dias tentando me perdoar por não ter feito nada para impedir-lo.

No começo, nossa união era mais símbolo da união militar entre Dalmasca e Nabradia, mas agora ele me faz uma falta tão grande que sinto como se nada mais pudesse me satisfazer além da presença dele. Todas as noites fico olhando do alto do palácio as pessoas que caminham nas ruas, os casais apaixonados e quando deito em minha cama só... Sinto falta dele.

O único que posso conversar a partir destes dias sombrios é ele... Vaan Ratsbane, o mesmo garoto franzino que me ajudara a reconquistar Dalmasca, que me ajudara de tantas formas possíveis. Vaan agora era um conhecido pirata, sua nave era um modelo tão ágil como o de Balthier, o que o deixou conhecido nos céus caçando criaturas por toda Ivalice junto do Clã Centurio e a mando de Montblanc.

Penelo sempre o aguardava no Aeroporto em Rabanastre junto de Tomaj seu companheiro, eles não estavam casados ainda, mas planejavam fazer-lo em breve. Eu ficava a esperar o retorno dele todas as manhãs... Ele me lembra muito Rasler, ele me deixou apaixonada... A Rainha de Dalmasca Ashelia B\'nargin Dalmasca apaixonada por um Pirata do céu que ela conheceu quando este tinha menos que 19 anos.

Não o vejo direito faz dez anos. Ele passa pela cidade de vez em quando, posso ver-lo de longe ou quando estou junto de Ondore, Jugde Basch e às vezes a própria Penelo. Nesse mesmo instante senti que não posso perder mais uma chance de ver-lo... Preciso agir rápido para que possa reencontrar-lo.

-Basch... – resmunguei próxima ao que outrora fora Capitão de Dalmasca e agora é Judge e protetor do Imperador Larsa – preciso de um favor.

-favor? – indagou ele – que tipo de favor?

-preciso ver Vaan Ratsbane neste instante – eu disse apavorada

-ele fez algo errado? Agiu indevidamente como um pirata Mi Lady?

Respirei fundo antes de responder para Basch – não. De forma alguma, apenas preciso ver-lo – respondi caminhando de novo para a sala do trono – e é para agora Jugde.

-sim Mi Lady – disse Basch indo para o Aeroporto.

Naquele momento meu coração estava a mil, comecei a recordar os momentos que passei com Rasler. Lembro-me da vez que meu pai e o pai dele armaram um falso seqüestro para que Rasler pudesse me resgatar e assim pudéssemos nos apaixonar e firmar a aliança entre os reinos... Nenhum de nós sabia o que eles haviam planejado e ele me resgatou... E eu me apaixonei...

Senti o mesmo naquele esgoto quando fugia dos soldados Arcades, Vaan me resgatou acompanhado de Fran e Balthier, naquele tempo me chamava Amalia... Uma pessoa sem esperança, sem amor e sem nada a esperar além de vingança. Agora tudo mudou para mim... Amalia estava morta e Ashelia pode retornar ao trono de Dalmasca... Mas do que me adiantou recuperar Dalmasca se não existe razão plausível de se viver?

Passaram-se dez anos desde que tudo Dalmasca caiu... Estou com 29 anos, mas quando me olho no espelho ainda vejo aquela mesma garota boba e apaixonada de antes — será que ele ainda é o mesmo dos meus sonhos? – eu me perguntava sem saber ao certo, na verdade, eu estava louca para rever-lo.

-Mi Lady, Vaan Ratsbane está aqui para ver-la – disse uma das Damas do Palácio.

Eu desci apressadamente para ver Vaan... Já faz tanto tempo, a saudade estava consumindo meu coração, tomando minha alma. A memória de Rasler não havia desaparecido totalmente de mim, eu ainda pensava nele, mas... Conhecer Vaan mudou minha maneira de pensar.

-Mi Lady – disse ele se ajoelhando.

-sem formalidade jovem Vaan – eu disse eufórica – levante-se... Faça-me companhia esta noite...

Basch me olhou como se eu tivesse dito algo ambíguo. Naquele momento entendi que precisava definir o que faríamos de tão importante.

-é... Eu queria que você jantasse comigo esta noite – murmurei gaguejando – você sempre vem até Rabanastre e nós nunca tivemos uma grande chance de se encontrar assim... Sabe.

-eu compreendo Mi Lady... Eu fiquei distante por muito tempo, mas agora isso irá mudar, prometo...

Tomei a mão dele na minha e o levei a um aposento aconchegante.

(...)

-então quer dizer que eles retrocederam? – eu indagava em uma divertida conversa na mesa de jantar.

-sim, Rozarria preferiu ficar neutra... O Imperador deles estava todo sensível quando eu e Balthier demos uns “trampos” pelas terras deles...

-e como ele está?

-está melhor, e mais velho... – ele respondeu – ele de certa forma envelhece mais rápido que ela.

-não creio que ela vá deixar-lo – resmunguei – ou deixaria?

-jamais... Balthier é o mesmo teimoso de antes... Imagine ela tendo de cuidar de um teimoso velho... – disse ele em meio a uma risada – não, não...

Eu sorri para Vaan e fiquei olhando fixa nos olhos dele.

-e você princesa?

-eu? Eu o que?

-nunca mais se casou, nem procurou um Rei para Dalmasca — ele disse bebendo um pouco de vinho – por que escolheu a solidão?

Eu sorri envergonhada, fiquei vermelha – não encontrei o amor Vaan... E agora estou sozinha...

-você sozinha... – ele murmurou – você é linda... Tudo o que um homem procura...

? – indaguei olhando para ele.

Ele toca o meu rosto levemente, suas mãos passavam devagar pela minha pele e tocavam meu cabelo. Ele me olhava com firmeza – você é linda como antes... – coloquei minha mão sobre a dele e fechei meus olhos, meu rosto ficava vermelho e por um instante meus olhos se abriram para ver o rosto dele, seus cabelos que agora estavam maiores passando dos ombros.

-você se importa comigo? – perguntei a ele

-sempre Mi Lady... Sou um servo de Dalmasca.

-não dessa forma.

Ele demorou poucos segundos para responder – sim...

Ele se aproximou devagar do meu rosto, nossos lábios se tocaram devagar e nossos rostos ficaram próximos um do outro por pouco tempo – eu estava louca para te ver... – murmurei – já faz tanto tempo Vaan...

Ele me beija, naquele instante senti nossos lábios um no outro e um sentimento tão forte que pulsava ardentemente em meu peito. Eu estava perdidamente apaixonada por Vaan. Ele me tomou em seus braços, eu pulei no seu colo e ele me abraçou com força. Eu o beijava apaixonada e escorei-o na parede.

-te amo Vaan...

Ele sorriu para mim, senti naquele instante que estava apaixonada novamente. Vaan me segurou em seus braços e carregou-me até o quarto. Depois de tantos beijos eu retirei parte das minhas vestimentas, retirei a camisa de Vaan e novamente o beijei. Ele me jogou na cama e se deitou sobre mim, beijando-me.

Senti-me a mulher mais feliz do mundo naquele singelo instante, o garoto que ma ajudara a recuperar meu trono retornou para mim depois de tantos anos... Mas será que ele retornaria e viveria ao meu lado se eu desejasse? Eu conseguiria manter o Pirata dos céus em meus braços? Ao meu lado?

Ao fim estávamos abraçados, um nos braços do outro frente a frente.

-Vaan... – sussurrei – estava louca de saudades de você...

Ele sorriu e disse – nem sei como dizer... Também estava...

-por um momento pensei que... Você... – fiz uma pausa e respirei fundo

-eu?

-escolheria Penelo... Não sei...

Ele sorriu ligeiramente e disse – por um tempo eu escolhi... Mas não sou um homem de ficar parado em um lugar só... Amo ser um Pirata... É tudo o que me lembra Reks, sem contar nosso “Parentesco”.

-sei... – eu disse triste olhando para o lado.

-o que houve?

-você logo desaparecerá novamente e me deixará sozinha... – murmurei – não quero que você se vá...

-não posso deixar os céus Ashe... – disse Vaan – eu amo ser o que sou...

-mas e por amor Vaan?

-Ashe...

-não diga mais nada... – murmurei com lágrimas nos olhos – eu me apaixonei Vaan... Não é fácil como parece.

-eu sei Mi Lady...

-não me chame de Mi Lady... Sempre foi Ashe... A sua Ashelia.

-eu sei Ashe... Perdoe-me...

-queria passar todos os dias ao seu lado... Todos os dias da minha vida! Vaan... Fique... Seja o meu Rei... Mais do que tudo, que você não seja simplesmente o Rei de Dalmasca, mas que seja o meu... Meu Rei – eu disse desesperada.

Vaan se levantou e sentou-se na beira da cama com as mãos em seus longos cabelos loiros, sentei-me ao lado dele e beijei suas costas e depois sua nuca passando minhas mãos leves pelos cabelos dele. Ele ficou pensativo naquele exato momento. Naquele instante muita coisa se passou pela minha cabeça... Os momentos das lutas contra os Arcades... Quando Dalmasca caiu, lembrei-me do grande sofrimento meu.

Eu apenas não havia pensado que ele também sofreu, os pais morreram na cidade por causa de uma peste e o irmão foi morto pelo Judge Magister do Império, todos nós sofremos nossas perdas, mas... Eu não queria aceitar mais essa perda... Perder Vaan era inaceitável para o meu coração apaixonado. Ele sofria em pensar em perder o amor da minha vida novamente.

As imagens de Rasler Helios vinham na minha mente em ondas... A dor que eu senti foi uma dor sem igual, em um instante o conheci e ele salvou minha vida. Casamos-nos e ele faleceu depois de um mês... Rasler não merecia morrer daquela forma, mesmo que tenha morrido para defender Dalmasca, ele não merecia de forma alguma... Agora... Eu sofreria indefinidamente se Vaan partisse.

Pela manhã tudo estava mais calmo. Eu acordei devagar e vi que Vaan não estava na cama, levantei-me e me vesti apressadamente e fui atrás dele. Vaan estava no topo do castelo, no lugar na qual Rasler e eu conversamos pela ultima vez... Naquele instante percebi que talvez nosso amor fosse impossível.

-bom dia princesa – disse ele vindo e me abraçando, dispondo sua cabeça acima da minha, escorei minha cabeça no peito dele para escutar seu coração – estava aguardando você acordar...

-oh Vaan... – murmurei com uma voz carinhosa – pensei que você tivesse ido embora...

-não, ainda não... É Primavera Princesa Ashe... Até mesmo piratas sossegam por um tempo – disse ele com as mãos leves em meu rosto, fixei meu olhar nele com lágrimas nos olhos inconsolada sem saber se ele seria como uma breve estação... Logo passaria... – o que abate o seu coração Ashelia?

-pensar que você pode estar aqui hoje e amanhã em qualquer lugar sem ser ao meu lado – eu respondi colocando a cabeça sobre o peito dele – não dá pra te perder... Já faz dez anos Vaan... Desde que você me salvou naqueles esgotos, lembra? Os soldados Imperiais me matariam naquele instante se você não tivesse me salvado, pude saltar em seus braços e finalmente me sentir segura...

-lembro-me bem daquele instante Ashe...

-ou quando fomos atacados em Giruvegan pelo Doutor Cid? O Sun Cryst explodiu e quem se opôs a energia para me manter viva?

-eu...

-não dá pra viver longe de você agora Vaan... E agora que tudo está em paz, por que não ficamos juntos? Por que só a guerra nos uniu? Por que a paz também não pode fazer-lo? Por que não ficamos juntos?

-você faz muitas perguntas... – disse ele em meio a um riso meigo – Ashelia... Sou como um vento, ele pode estar em qualquer lugar... E ser Rei... Ashe... Não sou nenhum Rei, sou uma pessoa simples...

Eu soltei-o naquele instante e olhei firme para ele – se você não quer ficar Vaan Ratsbane... Fique a vontade... – eu disse me retirando – espero que você encontre nessa sua vida o que procura...

Eu me retirei e fui para meu quarto. Chorei amargamente o dia inteiro, senti um aperto sem igual em meu coração que me consumia de uma forma desesperadora... Aquela dor parecia não querer passar de nenhuma forma possível... Estava completamente sem amor naquele instante... Não sei o que se passava na cabeça de Vaan, mas... Fosse o que fosse ainda sim me fazia sofrer como ninguém nesse mundo...

(...)

-não o deixe tratar-la dessa forma Mi Lady – disse Felícia, uma das garotas nobres do palácio de Dalmasca – exija que ele se retrate a você!

-não posso obrigar-lo a ficar aqui Felícia – eu resmunguei entristecida – serei mais uma Rainha de Dalmasca e quando eu falecer... Deixarei meu trono para alguém... Não sei quem...

-anime-se Lady Ashelia! Você é uma Rainha!

-sou sim – eu disse me levantando e caminhando para a janela que mostrava a cidade – sou a Rainha mais infeliz que já existiu nesse mundo... Meu querido pai sofreria nesse momento se pudesse me ver...

-ele diria que você apenas precisa ter paciência...

-sofrer por amor não é o que eu exatamente planejava...

-ninguém planeja isso – disse Felícia – vá até ele Ashe... Fale com ele... Se ele te amar, ele deixará tudo para estar ao seu lado... Tudo Ashelia Dalmasca, tudo!

-será? – indaguei insegura – não quero ter esperanças como uma tola.

-você não é tola – ela me disse colocando a mão no meu rosto – você está amando, o sentimento mais puro e belo que eu já conheci.

-obrigado Felícia... Deu-me esperanças...

-é... Espero que essas esperanças dêem certo...

-eu também...

(...)

Tudo estava inquieto aquela noite. As horas passavam-se relutantes de uma forma que eu ficava ansiosa em ver o novo amanhecer. Fiquei sentada nos jardins do Palácio junto de Felícia quando o Capitão dos Cavaleiros de Dalmasca Ffarael surgiu do nada – Mi Lady, Vaan Ratsbane deseja ver-la.

Imediatamente levantei e fui conduzida pelos meus soldados até o salão de visitas. Vaan estava em pé com as mãos em seus cabelos e muito bem arrumado. Fiquei pasma naquele momento, mas ainda sim mantive a calma.

-o que desejas?

-precisava lhe falar... – disse ele vindo com suas mãos ao meu rosto quando eu o repreendi.

-não sou nenhuma meretriz para que você me toque assim – murmurei – sou a Rainha de Dalmasca e você me deve respeito!

-o que houve Ashe?

-Mi Lady... Por favor.

Ele ficou pasmo naquele instante, eu estava sendo evasiva ao extremo, Vaan não sabia o que dizer, senti nos olhos dele que aquilo se tornou confuso para ele.

-então é assim... – ele resmungou como se em sua mente as imagens nítidas dos velhos tempos em que andamos na obscuridade matando criaturas, salvando pessoas e recuperando o nosso lar – se você deseja que apenas as boas lembranças do Partido fiquem... Pois bem... Perdão Mi Lady...

Ele se retirou apressadamente indo na direção do Aeroporto enquanto eu chorava amargamente a dor de não poder ter-lo ao meu lado. Felícia se aproximou devagar e me abraçou. Chorei no ombro dela amargamente – logo o dia vai amanhecer Mi Lady... Você precisa descansar.

-e se ele partir? – eu perguntei sem saber o que na realidade estava perguntando.

-agora nada pode impedir-lo mais...

Voltei a chorar... Assim deveria ser a minha vida?

(...)

Pela manhã, pedi para q Ffarael arrumasse uma dúzia de cavaleiros para acompanhar-me até o Aeroporto. Eles guardaram a minha carruagem enquanto nos aproximávamos do Aeroporto. Eu entrei devagar observando as pessoas que me reverenciavam e sorriam para mim, pessoas simples de Dalmasca... Pessoas boas.

Aproximei-me de uma das moças que trabalhavam no local e perguntei – preciso saber sobre Vaan... Vaan Ratsbane .

-Mi Lady! – exclamou ela – Vaan... Esse Vaan partiu ontem pela noite, não disse ao exato aonde ia, mas ele me deu uma noção...

-que lugar? – perguntei ansiosa.

-a Costa de Phon...

(...)

“A Rainha Ashelia B`Nargin Dalmasca precisou se retirar para a Costa de Phon para decidir assuntos importantes sobre os caminhos que devem proceder daqui em diante. Nosso povo está livre e em paz, o glorioso Reino de Dalmasca novamente crescerá não em terras, mas em glória e em paz, como deve ser... A Rainha se ausentará por dois ou três dias e nesse meio tempo o Primeiro Ministro Montblanc cuidará dos assuntos a serem tratados, agradecimentos, Ffarael – Capitão dos Cavaleiros de Dalmasca”.

Edito Real

Ali estava eu novamente, a velha e aventureira. Pensei que de certa forma para Vaan a Costa de Phon fosse simbólica, lembro-me que para chegar à cidade de Arcades atravessamos toda a extensão norte de Ivalice e quando chegamos a Phon, tudo foi um alivio. Phon é um paraíso onde se reúnem colecionadores, amadores, amantes das artes e da musica e ficam todos a beira do mar observando o sol poente.

Quando chegamos ao lugar lembro-me que tínhamos escapado do Leviathan não fazia mais de dois dias, estávamos de certa forma perdidos e ali encontramos certo refugio na qual permanecemos por dois dias. Eu fiquei junto de Vaan, Balthier, Penelo, Fran e Basch, todos os membros do partido que estava destinado a recuperar a honra de Dalmasca.

Ficamos à tarde inteira todos sentados na areia observando e aguardando ansiosos o sol poente... Lembro-me que indaguei a Vaan sobre a sua capacidade de poder ver Rasler. Ele não sabia o porquê de também ter-lo visto, ficamos a brincas na areia, depois de dois anos fugindo eu me sentia jovem novamente... Já faz dez anos que isso aconteceu e ainda sinto aquela mesma areia quente, aquele mesmo sentimento de paz que a nossa união trouxe.

Pedi para que Ffarael permanecesse junto com os outros e fui até o Bangaa Monid, um velho amigo que nos ajudou em várias de nossas caçadas – Monid... – murmurei baixinho. Ele se levantou e me olhou e naquele instante ele me reconhecera.

-Ashelia! Minha querida! – disse ele me abraçando – como vai?

-tudo bem meu amigo... E você?

-melhor do que nunca estive... Apenas um pouco velho e cansado, mas isso a gente resolve.

Eu sorri para ele e perguntei – você sabe sobre Vaan?

-sim... – respondeu ele – estava sentado na areia até agora.

-em que lugar?

-embaixo daquele mesmo rochedo em que vocês ficavam antes de se tornarem importantes – disse ele em meio a uma gargalhada – ele está, porém com o semblante muito abatido, creio eu que são coisas do coração... hehe, coisas que ele não fala para os amigos...

-compreendo... – sussurrei – pois bem Monid... Foi ótimo poder rever um amigo tão bom e tão antigo quanto você.

-o mesmo minha querida Ashe – disse ele fazendo sinal de reverência.

Sai naquele mesmo instante para o lugar que me fora indicado. Vaan estava sentado na areia com a cabeça baixa e o corpo molhado, eu corri para ver-lo e quando me aproximei ele olhou assustado – o que houve? Você aqui Mi lady?

-sim seu bobinho – disse ela – perdoe-me Vaan...

-pelo que?

-por ter dito aquelas coisas horríveis... Você não precisava ouvir aquilo... – eu disse tomando ar – estou disposta.

-disposta?

-disposta a deixar o trono de Dalmasca para seguir-lo...

-não acho que é uma boa idéia – disse ele levantando-se – você é a única filha do falecido Rei Raminas... Não pode deixar Dalmascas para seguir o meu egoísmo.

-egoísmo ou não... Não dá mais... Eu te amo.

Ele me abraçou e disse – Eu resolvi deixar essa vida...

-que vida?

-vida de Pirata... Percebi que quando o verdadeiro amor bate a porta... Devemos abrir a porta e deixar muitas outras coisas que fazíamos no passado... Para poder amar... Se entregar...

-oh Vaan... – resmunguei abraçando ele com um “biquinho” meigo, ele me beijou e me segurou forte em seus braços, levando-me para o mar, na qual relembramos os velhos tempos de paz... Relativa paz pode definir. Amor, amor eterno.

(...)

“O Reino inteiro está em festa. O povo comemora o casamento da Rainha Ashelia B`Nargin Dalmasca com o mais temido de todos os caçadores do Clã Centurio, Vaan Ratsbane. O casamento irá ocorrer na Capela de Occuria em Rabanastre, o Povo está convidado para celebrar juntos o casamento e a coroação de Vaan Ratsbane como Rei de Dalmasca e representante do nosso país ao lado da nossa amada Rainha na Aliança de Galtean”. – Primeiro Ministro Montblanc.

-Você, Rainha Ashelia B`Nargin Dalmasca, aceita esse homem, Vaan Ratsbane? Para amar e respeitar, na saúde a na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?

-sim... – respondi olhando firmemente para os olhos dele, ele estava usando uma armadura real dourada belíssima, ele estava deslumbrante.

-e você, Lorde Vaan Ratsbane, aceita essa mulher, Ashelia B`Nargin Dalmasca? Para amar e respeitar, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?

-sim.

-pode beijar a noiva.

Nós nos beijamos apaixonados, o sonho fora realizado e agora a festa em Rabanastre era grandiosa. O Imperador Larsa Solidor compareceu juntamente do Judge Basch Fon Rosemburg. Balthier e Fran também estavam ali junto de Penelo e Tomaj. A coroação aconteceu e Vaan foi declarado Rei de Dalmasca.

-amo você Ashelia – disse ele com a mão em meu rosto.

-eu também... Muito mesmo Vaan.

Por mais que os anos se passem, que as pessoas mudem muitas coisas em nossas vidam jamais irá mudar. Nosso amor, amor pelos nossos amigos, irmãos, esposos... Esposas... Ivalice contemplará uma era de glória. E não apenas Ivalice, o meu amor por Vaan agora era mais forte do que tudo nesse mundo, passar minha vida e envelhecer ao lado dele era o que mais me importava. Depois de tudo o que passei, pensei que coisas boas não aconteciam, mas hoje sou levada a crer que esses pequenos e meigos milagres... De Fato... Acontecem...

FIM

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