James preferiu dar um tempo para si mesmo e não lidar com nenhum sonserino em um futuro próximo. Este era um excelente lema de vida e talvez ele devesse adotar para sempre.

Tinha muitas coisas para fazer: uma nova leva de casos novos — não violentos em sua maioria, pelo que era grato — e um sem fim de papeladas para preencher de casos antigos, seus e de Sirius, que sempre levava a melhor em qualquer aposta que envolvesse o perdedor assumindo a tarefa do outro.

Há alguns dias havia se encontrado com Lily, que parecia bem e saudável, o que era tudo que podia querer para sua ex-esposa em uma separação pacífica. Ela havia elogiado a sua aparência também e dito que estava mais tranquila agora que tinha visto com os próprios olhos que ele não havia se metido em confusões e que estava se alimentando bem e usando roupas limpas.

Isso foi um pouco estranho, porque James estava bem certo de que nunca tinha feito o contrário disso, mas não retrucou o elogio meio torto da ex. Ela talvez tivesse essa preocupação porque, quando se conheceram, ele ainda tinha o apoio e supervisão dos pais e de Hogwarts e então havia caído direto na vida de casado com ela.

Essas últimas semanas eram as suas primeiras como um adulto completamente independente e funcional e, uau, ele havia ganhado uma estrelinha dourada por não ter morrido!

Inspirado por Lily, aproveitou para checar como andava Remus e decidiu que lhe daria uma estrelinha de prata, pois o outro maroto parecia ter perdido um pouco de peso, mas podia ser apenas impressão sua. James continuava se revezando com Sirius para dar suporte à Remus, pelo menos na primeira noite de lua cheia, mas averdade é que não estavam se vendo muito mais do que isso.

Por culpa de Remus, claro! Ele, infelizmente, estava sempre muito disponível.

Pagou um almoço para o amigo mais calmo, depois de muita insistência de que ele não podia ficar muito tempo, porque estava atrasado para ir a algum lugar. James o deixou ir, por hora, porque se preocupava com o amigo, mas não era babá de Remus e sabia que ele sabia onde procurá-lo, se as coisas ficassem realmente difíceis.

Havia voltado para o quartel general dos aurores e, quase no final de seu expediente tranquilo, observou Sirius voltar de uma entrevista de rotina, com testemunhas-chave de um caso em que estavam trabalhando, com um sorriso meio esquisito no rosto.

—O que você está aprontando, Pads? —James perguntou sem muita emoção na voz, tentando se concentrar no final do relatório que tinha que terminar de preencher ainda hoje. Não tinha um prazo oficial, mas sentia que se não fizesse hoje, tocaria fogo no pergaminho e não olharia para trás.

—Não estou aprontando nada, pelo contrário, vou resolver uma coisa importante, tirar da minha lista de coisas a fazer, você sabe. —O outro auror respondeu, se sentando desleixadamente na cadeira na frente de James. —Vou levar Reg para fazer a cobertura na marca dele, graças a Morgana!

O maroto sussurrou a última parte, disfarçadamente, mesmo o histórico de seu irmão não sendo um segredo no quartel. James sentiu um friozinho no peito com a menção do nome do sonserino, apenas porque havia sido pego desprevenido. Fazia dias que Sirius não mencionava o irmão, então não esperava que o outro tocasse no assunto assim, do mais completo nada.

Continuou conferindo os documentos a sua frente, porque não estava realmente interessado no assunto, mas continuou a conversa, mais por cortesia ao amigo, do que qualquer outra coisa.

—Ele já sabe o que vai tatuar?

—Não... E é por isso que eu meio que vou com ele, para dar algumas sugestões. Não é como se ele precisasse de mim para segurar a mãozinha dele. —Sirius sorriu com a ideia absurda, depois olhou para James, que estava mais do que disposto a deixar a conversa morrer aí. —Quer vir junto? Mais uma opinião não faria mal a ninguém e não é como se Reg tivesse muitos amigos para opinar...

—Tenho certeza de que Regulus não vai fazer questão nenhuma da minha opinião...

—Bobagem, ele vai ficar feliz! Reg realmente gosta da sua companhia. —Sirius falou displicente, recebendo um olhar cético do amigo. Ele riu com a reação. —Sonserinos são como gatos, se ele não gostasse de você, ele deixaria isso claro!

—Se você diz...

—Sim, eu digo! Termina logo isso aí, vamos sair antes que o chefe chegue e queira que a gente faça hora extra! —Sirius se levantou apressadamente, porque ele parecia ter um radar quando se tratava do chefe dos aurores e suas chegadas repentinas. James riu de leve, fechando a papelada a sua frente, porque não é como se ela não pudesse ser preenchida amanhã, não é mesmo?

—Ok, vamos logo.

***

—O que ele está fazendo aqui?

Essa foi a primeira coisa que Regulus falou para o irmão, assim que viu sua companhia na frente de sua casa. Sirius riu, não levando o tom aborrecido do sonserino a sério. Já James certamente não se importou com a recepção fria, pois imaginou que seria assim mesmo que seria recebido.

—James veio ajudar você a escolher a sua tatuagem nova, então não seja mal-educado, menino! Repita comigo “Obrigado, James, pela ajuda!”. —Sirius falou brincando, em seu melhor tom professoral. Regulus o ignorou completamente.

—Eu já decidi o que eu vou fazer, então você só precisava me dizer o endereço do tatuador, que eu faria tudo sozinho! Eu tenho tudo sob controle. —O rapaz informou seguro, porque havia feito seu dever de casa e trocado alguns galeões por dinheiro trouxa e não iria ficar tagarelando nada que pudesse lhe revelar como um bruxo. O que mais precisava saber?

Sirius não estava muito convencido, mas apontou o caminho com um floreio exagerado. E então engatou em uma conversa sem fim sobre seus planos de viajar pelo litoral norte com sua moto trouxa enfeitiçada. Regulus parecia ouvir com atenção, ao lado do irmão, o que deixou James como a terceira parte do trio caminhando atrás dos dois.

Não se importou com a configuração dos três na calçada, porque sempre que tinha algo a comentar, se inclinava entre os irmãos, usando o ombro de ambos como apoio. Sirius já estava mais do que acostumado com o contato, mas, para Regulus, James fazia questão de dar uma apertadinha extra, só para desconcertá-lo um pouco.

Mas obviamente o sonserino agia como se também estivesse completamente confortável com a situação.

Caminharam tranquilamente até saírem das ruas residenciais trouxas, que estavam acostumados, até uma zona mais movimentada e comercial no centro da cidade. Tendo em vista a situação precária da moradia de Sirius, Regulus não ficou surpreso ao ver que o estúdio de tatuagem era em uma entrada lateral, em um beco muito diferente das lojas decentes da parte principal da rua.

—Ele é muito bom, confia. —Sirius assegurou e Regulus apenas deu de ombros, porque, para o que ele pretendia fazer, qualquer tatuador trouxa serviria.

Porém, no fim das contas, o lugar pequeno estava limpo e organizado, apesar de todos os desenhos e decorações escuras que cercavam a área de trabalho do tatuador. Já o homem em si, era um tipo bastante peculiar, com todas as suas tatuagens a mostra, porém seu tom de voz era simpático e profissional. Regulus foi direto ao ponto com ele.

—Só cubra tudo de preto. Eu quero que dê a volta completa no antebraço. —Mostrou ao homem exatamente onde queria que a cobertura terminasse, sinalizando ao redor de sua marca negra imóvel.

—É uma tatuagem bem bacana essa que você tem aí... Tem certeza de que quer cobrir? —O tatuador avaliou com um certo pesar, porque, para quem não tinha nenhum conhecimento do mundo bruxo, a caveira com uma cobra saindo pela boca parecia bem-feita, seu defeito sendo apenas o fato de que era muito ousada para um jovem de boa família.

—Foi um erro, então é o melhor a se fazer. —Regulus declarou com um tom definitivo, então nem mesmo Sirius pôde discordar. James apenas se apoiou em uma das paredes próxima a saída, com um olhar distante. Sua presença ali era realmente inútil.

—Posso ao menos sugerir que você me deixe estilizar um pouco as bordas? Um retângulo todo negro pode virar um arrependimento ainda mais rápido do que esse aqui. —O homem sugeriu com esperança, porque não queria fazer um trabalho tão feio em um rapaz tão jovem. Não iria insistir, se ele realmente não quisesse fazer nada um pouco mais esteticamente interessante, mas tinha que ao menos tentar.

—Ok, faça o que seu coração mandar, contanto que essa marca aqui desapareça... —Regulus informou simpático e depois assentiu satisfeito com o aceno animado do tatuador.

—Vai demorar umas três horas, mais ou menos e o valor...

—Isso aqui é o suficiente? —O sonserino tirou um maço de notas da moeda trouxa corrente, que fez o homem perder sua linha de raciocínio. Sirius trocou olhares divertidos com James, porque, era assim que Regulus dizia que tinha tudo sobre controle no mundo trouxa?

—É mais do que suficiente, na verdade... Isso aqui basta. —O homem pegou apenas uma pequena parte das notas e devolveu o restante. Regulus parecia insatisfeito com a ação, olhando ao redor, então ficou feliz ao finalmente encontrar uma mesinha de apoio para colocar o resto do dinheiro rejeitado.

—Considere um bônus de Natal. —Falou com um sorriso que Sirius achou fofo, somado a sua atitude generosa, mas, como irmão mais velho, tinha que aproveitar o momento para ensinar algo de valioso para o caçula.

—O Natal só é daqui a dois meses, Reg. Você não pode sair dando dinheiro a pessoas, do nada! —O maroto fez menção de pegar o dinheiro, mas pausou quando o irmão fez um gesto para que ele não tocasse em nada.

—Por favor, não se intrometa nas minhas negociações, Sirius. —O sonserino falou sério com o irmão, depois se voltou mais simpático para o trouxa, que observava a interação com curiosidade. —Mais alguma coisa que eu deveria saber antes de começarmos, senhor tatuador?

—Bem... Na verdade, a recuperação desse tipo de tatuagem é um pouco demorada, leva até seis meses para o processo completo e você vai precisar ter muito cuidado nos primeiros dias, ok? É normal ter algum grau de inflamação e talvez precisemos retocar, dependendo da cicatrização, mas fora isso, é tudo bem tranquilo. —O homem explicou com paciência e Regulus olhou dele para Sirius, com uma sobrancelha levantada.

—Você disse que só ia doer um pouquinho na hora e depois seria como se eu nem tivesse feito nada! —O sonserino sussurrou indignado para o irmão, mas foi James quem o respondeu, enquanto o tatuador preparava os materiais.

—Foi você quem escolheu fazer uma tatuagem toda preta fechando o antebraço! —Ele sussurrou no mesmo tom, mas depois falo com um pouco mais de paciência, ainda baixo. —E não se esqueça de que nossa recuperação e remédios cicatrizantes são melhores do que os dos trouxas!

Bem, ele tinha um ponto. Mas Regulus não iria conceder isso a ele. Olhou para o tatuador, estendendo o braço em sua direção.

—Acho que está tudo bem então, pode começar.

***

Nada estava bem, mas Regulus não iria ficar anunciando sua desgraça aos quatro ventos, porque ele ainda tinha um pouco dignidade.

O tatuador trouxa realmente levou a sério o “faça o que seu coração mandar” porque seu coração o mandou fechar completamente o braço pálido do sonserino, fazendo as bordas da tatuagem parecerem que se tratava de uma tinta, tentando assumir o controle de todo o corpo.

Havia parecido legal quando o homem fez o primeiro esboço e com certeza pareceria ótimo em alguns meses, mas agora era apenas como se o trouxa tivesse servido sua carne para lobisomens comerem de aperitivo. E os lobisomens a cuspiram de volta!

—Você parece meio febril. —Sirius comentou durante a caminhada de volta para mansão Black. Havia sugerido que parassem no pub perto de Grimmauld place para comemorar, mas fora voto vencido. James nem deixou ele tentar argumentar melhor o seu ponto. —A gente pode parar em qualquer rua deserta e te aparatar, se você estiver realmente mal.

—Eu não estou “mal”, estou apenas cansado, você não precisa se preocupar. —Regulus falou com mal humor, mas depois complementou, suavemente. —E já pode ir embora, se quiser. O número doze já é logo ali na outra rua e eu sei que você não tem nenhum interesse em pisar os pés na casa de nossa família.

—Bem, isso não é segredo para ninguém, já que Walburga sempre me faz sentir tão querido em nosso lar, mas se você realmente estiver morrendo, como parece, eu posso ficar. —Sirius se ofereceu com sinceridade.

—Não pre-

—Eu posso ficar. —James interrompeu a resposta de Regulus, pegando os irmãos Black de surpresa. Ele continuou, como se a sugestão não fosse nada demais. —Eu não tenho traumas de infância, pelo menos não nessa casa e certamente a senhora Black não me assusta.

—Ei, espera um minuto! Eu nunca disse que Walburga me assustava! —Sirius declarou, indignado. —Na verdade, foi você quem quase não conseguiu dormir, tendo pesadelos com as cabeças de elfo penduradas e quadros murmurando maldições em seu ouvido.

—Se Sirius não precisa ficar, você muito menos, Potter! —Regulus se apressou a dizer, antes que James tentasse se defender e começasse uma discussão interminável com seu irmão. —Vocês se esqueceram que eu tenho Kreacher para me ajudar, caso eu realmente precise de algo? O que não é o caso, absolutamente, que fique claro.

—Agora eu estou completamente não convencido! James, se você realmente não se importa, eu vou ficar muito agradecido se você tomar conta de Regulus essa noite... Eu fico te devendo essa! —O maroto acrescentou a última parte, enquanto dava tapinhas no ombro de seu melhor amigo. Regulus gesticulou freneticamente com o braço não tatuado.

—Você simplesmente ignorou tudo o que eu disse, Sirius?

—Vou cuidar dele como se fosse meu próprio irmão! —James respondeu com uma falsa solenidade, fazendo uma saudação no estilo militar, o que arrancou um sorriso divertido do amigo e um suspirar pesado do sonserino sendo ignorado e tratado como criança.

Mais uma vez.

—Sendo assim, parto em paz. —Sirius deu seu melhor sorriso completo, um cumprimento militar meio torto, então seguiu seu caminho na direção oposta à mansão Black.

Regulus e James ficaram lado a lado, parados na calçada, vendo o grifinório partir com seu caminhar descolado. Não havia uma única preocupação no mundo por entre aquelas orelhas...

—Você não está convidado para minha casa. —Regulus declarou sem nem olhar para o homem ao seu lado. Retomou a caminhada, antes de receber uma resposta. James apenas sorriu e o seguiu.

***

De fato, a presença de James não tinha sido necessária, porque Regulus trancou a porta de seu quarto firmemente — não que o maroto tenha tentado entrar, longe disso — e permaneceu sem fazer qualquer barulho, até onde o grifinório soube. Então aproveitou o tempo em que esteve lá para apreciar as mudanças na casa, que o outro rapaz já havia feito no seu pouco tempo como senhor Black.

O lugar estava obviamente mais limpo, até mesmo o papel de parede tradicional havia sido restaurado, o que por si só já deu outro ar aos corredores escuros. Ainda parecia uma mansão de uma família puro sangue tradicional, mas havia perdido o ar de degradação quase elegante que tinha assumido nos últimos anos.

As molduras dos quadros pareciam diferentes também, com estilos distintos — entre clássicos rebuscados e mais simples — mas obviamente eram molduras novas, o que pareceu ter deixado os ancestrais Black contentes.

James tinha conhecimento de que os quadros dos bruxos ricos eram muito bem-feitos, não tão bons quanto os dos diretores de Hogwarts, mas com mais personalidade e interativos do que os de bruxos comuns, mas parou na frente do único um pouco diferente dos demais.

O quadro de Walburga Black estava adormecido no momento, mas estranhamente tinha permanecido assim desde sua chegada na casa, então era bem provável que Regulus tivesse conseguido enfeitiçá-la em algum momento das duas semanas anteriores.

Pela primeira vez, James pôde dar uma boa olhada na mãe de seu melhor amigo, já que nem em vida, tão pouco na morte, em seu retrato, havia tido a oportunidade – ou coragem – de ficar frente a frente com a mulher.

Não era uma mulher feia, longe disso, mas isso James já sabia, porque nenhum dos Black parecia conhecer o que era não ter uma aparência clássica e distinta. Walburga Black tinha o nariz reto dos filhos e as sobrancelhas escuras como seus cabelos bem presos, o que lhe dava um ar severo, mesmo adormecida.

Era estranho, mas parecia que Regulus conseguia ter as feições mais delicadas do que a de sua mãe, que era uma mulher, diferente de Sirius, que havia suavizado seus traços marcantes com seu eterno senso de humor duvidoso.

Tentou imaginar como deveria ter sido crescer naquele lugar, com aquela mãe... Não conseguiu ir muito longe na ideia, mas tinha certeza de que não devia ter sido nada fácil. Era ainda mais difícil imaginar como tinha sido permanecer naquela casa sombria, como seus donos anteriores, quando todos – até mesmo a criatividade e sonhos da infância — já haviam partido.

Suspirou pesado, porque essa linha de pensamento não o levaria a lugar nenhum hoje e precisava encontrar um lugar minimamente confortável para dormir. Se dirigiu ao quarto de Sirius, que de todas as opções, ao menos tinha as cores vermelha e dourado, mesmo que provavelmente fosse o cômodo mais empoeirado da casa.

Para a surpresa de James, o quarto estava imaculadamente limpo, talvez até mais limpo do que jamais fora quando o próprio dono morava no lugar. Sorriu para a cena, porque era só mais uma das muitas demonstrações de que Regulus Black não era, nem de longe, o sonserino frio que queria que os outros pensassem que era.

De repente, uma ideia estranha surgiu em sua mente. Podia estar ficando louco e certamente seria um homem morto assim que colocasse em ação aquele pensamento absurdo, mas, por hora, se contentou em apenas ser grato pelo que tinha ao seu alcance.

—Bom trabalho com o quarto, Regulus.

***

No dia seguinte, Regulus estava se sentindo melhor. As poções e unguentos que Kreacher tinha providenciado tinham feito um ótimo trabalho em seu braço, mas estava óbvio que teria que continuar tendo cuidado. Saiu do quarto razoavelmente bem-humorado, até dar de cara com um convidado cuja existência havia esquecido completamente.

—Dormiu bem, Regulus? —James perguntou travesso, aparentando ter acordado a algum tempo. —Sonhou comigo?

—Como Kreacher não te colocou para fora ainda? —Regulus questionou indignado, buscando pelo elfo doméstico, que parecia ter desaparecido do universo.

—Não seja ridículo, é óbvio que ele não me colocou para fora, porque até ele percebeu que você me queria aqui!

Regulus não o respondeu imediatamente, porque talvez tenha dito mesmo a Kreacher que Potter era um convidado ou algo equivalente a isso, então não podia acusá-lo de estar mentindo. O avaliou de cima abaixo, antes de retomar sua postura polida de sempre.

—Já comeu? —Perguntou sem expressão, revirando os olhos para a feição chocada de James. —Eu não sou um anfitrião ruim, ao menos me dê crédito por isso.

—Não, ainda não tomei café, mas... —James fez menção para parar Regulus, que se preparava para chamar Kreacher para servi-los na sala de jantar dos Black. —Espera, eu estava pensando que, talvez, a gente pudesse... Eu não sei, ter um... Encontro matutino, tipo um brunch?

James parecia incerto do que estava dizendo, o que quase fez Regulus pensar em cruzar os braços para encará-lo com mais assertividade, porém pensou melhor e evitou magoar seu braço, ainda em recuperação.

—Você está me chamando para um encontro, Potter? —Era para ter soado debochado, mas acabou saindo mais divertido e curioso do que Regulus queria admitir. E talvez, só talvez, um pouquinho esperançoso.

—Sim?

—Tudo isso por causa de um selinho que eu te dei no outro dia? —Regulus não quis soar desdenhoso, mas era apenas engraçado que uma brincadeira boba pudesse ter desencadeado algo no orgulhoso James Potter.

—Não é por causa do beijo. —O maroto se apressou em dizer, mas logo sorriu travessamente. —Apesar de que não foi nada mal para um iniciante, mas...

—Que seja, Potter! Pegue logo seu casaco, eu conheço um lugar, mas vai deixar de valer a pena se a gente demorar muito para chegar lá. —Regulus disse sem paciência, enquanto ajeitava melhor a manga de sua veste sobre o curativo no braço. James ainda permanecia parado no mesmo lugar. —E então?

—Você vai topar assim, sem drama? Sem dizer o quanto a gente é diferente, que vai ser perda de tempo, pois eu vejo o mundo em preto e branco e você vê tudo em tons de cinza e por isso a gente não tem como dar certo? —James falou tudo em um fôlego só, parecendo aturdido, deixando o outro igualmente desconcertado.

—Não com a fome que eu estou! —Regulus respondeu ainda confuso, depois riu um pouco constrangido. —Você me fez soar tão pessimista... Saiba você que eu sou muito crédulo e adoro primeiros encontros casuais!

—Você gosta?

—Eu adoro, porque geralmente é quando se tem mais empenho de ambas as partes para as coisas darem certo. Contanto que você mantenha essa energia de tentar me agradar sempre, eu não vejo motivo para as coisas não funcionarem. —Concluiu com uma nota mais alegre, fazendo James retribuir o sorriso. —Você melhor do que ninguém devia saber o quão importante é se emprenhar, já que é um homem divorciado.

—Mas o que... Você tinha mesmo que dizer isso? —James questionou indignado, porém não resistiu a risada despreocupada do sonserino. Ele parecia se divertir bastante o provocando. —Só por causa disso, vai ser você quem vai contar ao seu irmão sobre a gente, caso a gente fique sério um dia.

Regulus fechou a cara instantaneamente.

—Lamento te informar, Potter, mas o quer que seja isso que tivemos, acabou de acabar. —O sonserino informou solenemente. James o abraçou pelo ombro, o conduzindo pelo ombro para a escada, com um sorriso divertido no rosto.

—Pelo contrário, meu caro. Para o seu azar, estamos apenas começando...

Notas finais
Bem, chegamos ao fim de mais um conto de ISN, dessa vez eu consegui concluir, mesmo que a fic vá do nada a lugar nenhum, tal qual o metrô de Salvador. Mas eu me diverti escrevendo e tem o que você, Brigadeiro, pediu, então espero que tenha atendido às expectativas! Feliz 2025 e até o ano que vem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!