Notas iniciais
Olá, caros leitores!
Agradeço de antemão pela atenção e espero que possam aproveitar a leitura como desejam.
Desejo-lhes uma boa leitura.

— Esse plano é horrível. – exclamou o rapaz mais uma vez naquela noite.

— E você tinha uma ideia melhor, Lavi? – Lenalee perguntou pelo rádio comunicador oculto em sua orelha direita. Ao lado desta, Miranda e a nova companheira, Yui, apenas escutavam caladas a discussão de seus companheiros pelos seus próprios comunicadores.

— Seu irmão podia ter outro plano em mente, não? – Kanda se expressou irritado, lutando contra a gravata do traje refinado que usava. Assim como os outros rapazes no recinto, as roupas finas e elegantes pareciam ser necessárias. – Eu não gosto de usar essas coisas ocidentais para eventos especiais.

— Não temos escolha. – Yui respondeu calmamente, observando a paisagem pela janela da carruagem em movimento. – Infelizmente, nossos trajes são essenciais. Precisamos agir naturalmente como se não fosse nossa primeira festa da alta sociedade.

— Mas e se der errado? – Lavi perguntou sem muita emoção.

— Tem que dar certo. – repreendeu a jovem um pouco mais séria. – É a única chance que temos para pegar aquela Inocência.

Ela estava certa. Todos ali sabiam o quanto era crucial o plano ser concluído. Komui devia estar deveras preocupado em recuperar a Inocência, pois nunca houve tantos exorcistas em uma única missão. Contudo, não era para menos. Devido as frequentes movimentações dos Noah e do Conde do Milênio, cada avanço de um dos lados era visto como uma ameaça para o outro. Porém, para alguns dos presentes, a presença de tantos companheiros era um tanto desnecessária... principalmente a de Yui.

Muito provavelmente, Yui seria muito mais aproveitada trabalhando em outra missão do que ali. Ou até mesmo apenas mais 1 integrante da Ordem Negra já fosse o suficiente para aquela tarefa. Ela podia ser nova para eles, mas com os poucos meses e missões que fizeram juntos de sua presença já foram o suficiente para revelar o quanto esta era uma aliada poderosa e competente. Então, se ela estava junto deles, todos entendiam que a situação não era as melhores.

Em frente a uma enorme mansão, carruagens iam e vinham com pessoas de alto calão da sociedade. Assim que as carruagens que continham os exorcistas alcançaram a entrada da residência, os jovens saíram às pressas dos veículos, mas tentando sempre manter a falsa etiqueta que necessitavam naquele lugar. Alguns ajustaram rapidamente dos figurinos enquanto outros já se dirigiam ao interior do prédio. Assim que dentro da construção, logo foram guiados para o enorme e requintado salão de festas, onde dança, bebida e comida se encontravam de forma exuberante. Atentos a cada movimento do recinto e aos detalhes do local, não demorou muito até que encontrassem o que tanto buscavam: O grande cristal fundido no alto da sacada, onde as escadas estavam conectadas para o andar de cima.

— Ali. – Lenalee apontou, referindo-se à joia.

— Mas como vamos pegá-la? – Lavi sussurrou enquanto tentavam se aproximar dos companheiros.

— Tomem cuidado. – Allen ativou discretamente seu olho esquerdo e em seguida completou. – Há vários Akuma de níveis 2 e 3.

— Nenhum nível quatro? – Krory perguntou de olhos atentos.

— Não aqui dentro. — o jovem encarou o companheiro de forma séria, mas visivelmente aliviado com o fato.

— Talvez seja por causa da Inocência. – Miranda comentou, supondo. – Talvez eles não consigam chegar perto dela para capturá-la devido a sua força.

— A Miranda tem razão. – uma voz dentro de Yui ressoou para aqueles mais próximos, causando calafrios aos que ainda não havia se acostumado com aquilo. – Eles não poderão pegá-la até ela sair daquele lugar.

Alguns dos presentes encararam a jovem com olhares tensos. Ainda era muito difícil acreditar que havia uma Inocência consciente. Era, talvez, um absurdo para eles. Yui já não se importava mais com aqueles olhares sobre si, muito menos se incomodava com o fato, pois simplesmente isso deveria ser a reação mais natural àqueles que ouvissem a voz de Soul, sua Inocência. Ela não podia culpá-los de terem aquelas expressões tensas.

— Então, por que estão aqui? – Krory perguntou aparentemente confuso e tentando retomar o assunto prioritário.

— Estão esperando e vigiando, possivelmente. – Lavi deduziu.

— Esperando?

— Um Noah... Ou por nós. – Yui respondeu a Allen e rapidamente seus olhos verdes se tornaram vermelhos intensos, enquanto observava atentamente ao redor, procurando saber onde, exatamente, estavam os monstros do Conde.

— A gente podia destruí-los. – Kanda propôs.

— Isso chama atenção demais. – Lenalee explicou.

— Mas não podemos esperar. – Lavi estava certo. Era muito arriscado perder tempo daquela forma sendo provável que algum Noah poderia estar a caminho. E se isso acontecesse, a situação apenas ficaria pior.

Yui escutava os amigos discutindo seus planos, mas ainda mantinha sua atenção nos Akuma espalhados pelo enorme salão. Eram 6... ou até mesmo 9. Estava um pouco incerto a quantidade, mas a jovem acreditava que fossem bem mais. Rapidamente, ao observar as pessoas dançando tranquilamente, notou que como elas tinham facilidade em se movimentar por toda a extensão do local. E isso havia lhe rendido uma luz.

— Tenho uma ideia.

— Yui? – Miranda olhou para a jovem, acompanhando toda a trajetória desta até um dos rapazes do grupo com extrema clama.

— Aceitaria uma dança comigo? – todos ficaram surpresos ao ver a garota se inclinando formalmente para Allen, demonstrando classe.

— Não é hora pra essas coisas. – Kanda comentou bravo.

— Não controlo apenas o ar e o fogo. O meu poder pode usar e ser transmitido pelas diversas formas de arte como forma de batalha. – Soul comentou. – A dança, no momento atual, é a mais adequada, além de que Yui precisa de um companheiro neste caso em particular ou isso seria deveras estranho.

— Posso usar os poderes do vento para fazê-los ficarem paralisados por, no máximo, 15 minutos. — Yui voltou-se aos companheiros com um leve sorriso em seu rosto. — Farei com que o ar ao redor deles fique tanto denso que não conseguiram se mover, mas pela quantidade espalhada pelo local, eu garanto apenas 15 minutos de duração firme.

— Isso é muito eficaz. – Lenalee sorriu. — Pode dar muito certo.

— Mas por que eu? — o rapaz estava ainda se recuperando da surpresa reação da jovem.

— Um dos fatores está no fato de que você é o mais familiarizado com dança do que os outros... — Yui o encarou tão intensamente que o rapaz teve que lutar muito para não desviar o olhar logo de cara. — Mas o principal motivo fora porque eu quis, Allen. Então, deixa de ser chato. – e com aquelas palavras tão sinceras, o rapaz não pode mais manter a postura e rapidamente tentou ocultar a face avermelhada.

— Se é esse o caso então, vão logo de uma vez. – Kanda disse por vencido. — Deveriam ter feito isso logo.

— Uma boa dança a vocês. – Kyory e Miranda disseram em um uníssono.

— E aproveita garotão. – Lavi sorriu maliciosamente e empurrando o rapaz para mais perto da garota.

— Calado. – Allen ficou ainda mais vermelho.

O casal se aproximou da pista de dança, antes que a próxima música começasse. Ao caminharem até suas posições, ambos puderam notar a densa atmosfera que habitava todo o local, com olhares assassinos dos Akuma e a incrível força que a Inocência tinha à medida que chegavam perto da mesma. Assim que ficaram de frente um para o outro, trocaram singelos olhares para logo posicionarem-se elegantemente, como se simplesmente vivessem fazendo tal ato. A melodia deu seus primeiros toques e assim fora também os primeiros passos suaves, iniciando uma dança delicada e encantadora, como seu os dançarinos flutuassem pelo grande salão. Apesar de Allen nunca ter dançado daquela forma antes, conseguia acompanhar a jovem sem muita dificuldade. Isso a impressionou. Realmente, o rapaz parecia ter conhecimento sobre dança de salão como imaginava... Apesar de não ter imaginado que fosse incrivelmente bom a ponto de manter tal performa. Allen pôde sentir o poder da Inocência de sua companheira, Soul, fluir pelo corpo da mesma, dando a agradável sensação de como estivesse sendo acariciado pela brisa da primavera. Rapidamente, aquela sensação expandiu-se além de seus corpos e passou a alastrar pelo recinto. Porém, o rapaz podia jurar que os Akuma que eram presos com o passar do tempo não tinham a mesma experiência agradável que sentia. Observando os rostos disfarçados das criaturas, ele conseguia muito bem ver expressões de raiva e dor brotando em suas feições.

Yui era uma pessoa incrível...

— Droga. – Allen saiu rapidamente de seus pensamentos e olhou para a jovem.

— O que houve? — os olhos da exorcista oscilaram por um momento e a presença de um suor frio percorrendo seu rosto fora o suficiente para preocupar o companheiro.

— A Inocência está sugando muito poder. – Soul explicou. – Poder até demais. — Allen logo se voltou a grande joia encrustada na construção, notando que a maior parte do poder da companheira era drenada para si. Não apenas ela, mas pode sentir que até mesmo suas forças estavam aos poucos sendo consumidas. — Para Yui, isso complicará muito as coisas. Se isso continuar, teremos menos tempo para prosseguir com o plano.

— Não. — Yui interveio com um olhar sério. — Continuarei nesse ritmo até conseguir afetar a todos os Akuma.

— Percebe como está sendo imprudente? Você não conseguirá manter isso.

— Não me subestime, Soul. — Allen percebeu que a jovem utilizava ainda mais sua energia, para conseguir afetar a todos os inimigos. — Usarei tudo o que tenho para conseguirmos vencer.

— Você não tem jeito mesmo... Bem... Nunca teve.

— Não é hora de você incentivá-la, Soul.

— Como se ela fosse me escutar, Allen... Além disso, está funcionando. Ela está atingindo o resto dos Akuma.

— O máximo que pode acontecer é a duração sofrer alterações. — Yui esclareceu. — Realmente. Essa Inocência tinha que ter esse poder?

— Está vendo apenas o lado positivo. Você pode eventualmente ficar sem poder lutar devia a falta de energia... Talvez até perca a consciência.

— Tudo bem. Agora você está exa... — em um movimento mais repentino durante a dança, a jovem cambaleou, quase parando sobre o chão se Allen não tivesse segurado fortemente.

— Chega. Vamos pensar em outra coisa. — o rapaz tentou permanecer parado, mas a jovem o forçou a continuar a dança que executavam. — Ei. Você está me escutando? Pare. – olhando profundamente os olhos esverdeados da garota a sua frente, a determinação era tudo o que expressavam. Através das luvas que o exorcista usava, o mesmo podia sentir o frio que a pele da companheira tinha.

— Não. – ela sustentava o combate de olhares com o rapaz sem demonstrar fraqueza sequer. – Mesmo ela sugando meu poder, logo tudo estará terminado... Sem contar que...

— O quê?

— Você deve ter percebido também.

— O poder dessa Inocência é a absorção. Ela enfraquece seus oponentes, dando importância àqueles que estão usando seus poderes. Por isso, os Akuma não se aproximaram até agora e por você não está sendo afetado por seus poderes.

— Ela está se alimentando dos meus poderes. Isso é tanto vantagem para nós como para o inimigo.

— Está propondo como neutralizadora da Inocência?

— Propondo não... Estou executando isso.

— Mas e você? – perguntou preocupado.

— Eu ficarei bem... – Yui sorriu carinhosamente. — Estou contando com vocês.

Allen fechou os olhos por alguns instantes, parecendo refletir tudo o que conversaram até o momento. Ao abri-los, Yui pode ver a gentileza e o afeto que os olhos arroxeados transmitiam para si, assustando-a. Rapidamente, um delicado sorriso desenhou os lábios do rapaz e lentamente este fora se aproximando seu rosto aos da companheira. Este meio tempo, o rapaz só consegui relembrar os momentos com a garota. Era impressionante como conseguiam se entender, mesmo sendo apenas alguns meses de convivência. O modo com a amizade deles se estendia era fascinante para o garoto, que nunca imaginou poder sentir aquela inquietude que seu coração sofria toda vez que estavam juntos. Era um sentimento novo, mas ao mesmo tempo adorável. Certamente, qualquer um que soubesse disso lhe zombaria pelo resto de sua vida, mas ele não tinha nenhum ressentimento com isso. Queria estar cada vez mais próximo a ela... Mais que meros companheiros ou amigos... Mas estava cedo demais para isso. Ele sabia disso. Com a boca tão próxima a orelha da jovem, Yui sentiu um excitante calafrio percorrer todo o seu corpo, fazendo com que sua cabeça não conseguisse raciocinar por um instante. A voz rouca e contida de Allen fizeram com que os pequenos pelos próximos àquele lugar erriçassem. Rapidamente, o espanto tomou a face de Yui e, assim que o exorcista afastou seu rosto com um sorriso maldoso, esta o encarou incrédula.

— Hum... Eu vou cobrar isso depois. – Ambos assustaram ao ouvir a voz da Inocência, mas rapidamente suas expressões suavizaram.

Yui deu um pequeno sorriso.

— Eu estarei esperando.

Allen conteve um pequeno sorriso e rapidamente os sons das vidraças se quebrando chamou a atenção de todos os presentes. A noite estava apenas começando.

Notas finais
Caros leitores de todas as idades. Gostaria que, humildemente, deixassem uma palavra a esta escritora que aqui vos escreve. Não é pedir muito um simplório comentário para dar a luz que um escritor necessita.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!