O treino tinha sido intenso, e o vestiário estava cheio de vozes, risadas e o barulho das chuveiradas. Estávamos todos cansados, mas a energia de vitória parecia correr pelo ar. Eu, Max, e outros garotos do time – Tyler, Ryan, e Chris – conversávamos animadamente enquanto nos trocávamos.

— Esse troféu vai ser nosso, rapazes — disse Tyler, fechando o armário com um estalo.

— Se jogarmos como hoje, ninguém segura a gente — completou Chris, dando um tapinha nas costas de Ryan.

— Só precisamos manter o foco — eu disse, enquanto amarrava os cadarços das minhas botas. — Cada jogo é uma final agora.

Os outros concordaram, trocando piadas e se animando com a ideia de trazer o troféu para casa. Depois de um tempo, eles começaram a se despedir, um por um. Tyler e Chris foram os primeiros a sair, seguidos por Ryan, que ainda ria de uma piada que Max havia contado minutos antes.

Fiquei organizando minha bolsa no banco, colocando tudo em ordem, quando ouvi a voz de Max atrás de mim.

— Jake, posso falar com você?

Virei para encará-lo, surpreso com o tom sério. — Claro, o que foi?

Ele parecia nervoso, coçando a nuca. — Olha, eu só queria... pedir desculpas.


Franzi o cenho. — Desculpas? Pelo quê?


— Por aquela confusão com a Nessie — ele começou, evitando meu olhar. — Eu não sabia que ela era sua... sabe, sua namorada.


Meu peito se encheu de orgulho e alívio ao ouvir isso, mas mantive minha expressão neutra. — Max, não precisa se desculpar. Você não sabia.


— Mesmo assim, eu não quero problemas com você, cara. De verdade — ele continuou, agora me encarando. — Eu também não entendo por que o Tom implica tanto com ela. Parece pessoal, sabe?


Respirei fundo, tentando manter a calma. — Tom gosta de provocar, é só isso. Mas você pode fazer uma coisa por mim, Max?


— Claro, o que quiser.


— Não deixe ele tratar a Nessie mal. Ela não merece isso, e ninguém tem o direito de falar com ela daquele jeito.


Max assentiu, o olhar sério. — Pode deixar. Eu vou ficar de olho. Não vou deixar ele passar dos limites.


Um sorriso surgiu em meu rosto. — Obrigado, Max. Significa muito.


Ele deu de ombros, mas também sorriu. — Nessie parece ser gente boa. Eu quero ajudar.


— Ela é — respondi, sentindo meu peito aquecer com o pensamento dela. — Valeu mesmo, cara.


Max acenou com a cabeça e saiu do vestiário, me deixando sozinho com meus pensamentos. Coloquei a última peça na bolsa, me sentindo um pouco mais aliviado. Talvez as coisas pudessem melhorar para Nessie, afinal.

...

O apartamento estava silencioso quando entrei, um contraste bem-vindo ao barulho constante da escola e dos treinos. Joguei minha mochila no canto e me espreguicei, sentindo o peso do dia nos ombros. Apesar de não ter passado muito tempo com Nessie, almoçar com ela foi o suficiente para melhorar meu humor. Só de vê-la animada com a organização do baile de formatura, já me sentia mais leve.

Eu estava prestes a me jogar no sofá quando meu celular vibrou no bolso. Era minha mãe, Sarah. Suspirei antes de atender.

— Oi, dona Sarah.

— Oi, Querido, não esqueça do compromisso com seu pai amanhã cedo— ela disse direto ao ponto, como sempre.

— Que compromisso? — perguntei, me fazendo de desentendido.

— Os cavalos, Jacob. Os novos animais chegam amanhã à fazenda, e seu pai está contando com a sua ajuda para descarregá-los e ajeitar tudo nos estábulos.

Revirei os olhos, embora ela não pudesse ver. — Ah, isso. Tá bom, mãe.

— Não venha com "tá bom" pra mim — ela retrucou, o tom de quem não queria desculpas. — Você prometeu que ajudaria seu pai.

— Eu sei, mãe, eu sei. Eu vou.

Houve uma pausa antes de ela continuar, mais suave desta vez. — Jacob, eu sei que você e seu pai têm ideias diferentes sobre o futuro, mas ele só quer o melhor para você.

— Eu sei, mãe — suspirei. — Mas assumir a fazenda não é o meu sonho. Eu quero ir pra faculdade, cursar Direito, ser um juiz.

— E eu apoio isso, filho. Mas hoje é só sobre ajudar com os cavalos. Nada mais.

— Certo. Eu vou, dona Sarah. Pode ficar tranquila.

— Ótimo. E não chegue atrasado.

— Tá, tá. Tchau, mãe.

— Tchau, filho.

Desliguei o telefone e me joguei no sofá, deixando escapar um longo suspiro. Claro que meu pai ainda insistia na ideia de que eu assumiria a fazenda depois do ensino médio. Eu entendia a paixão dele pela terra, mas simplesmente não era o que eu queria para mim.

Fiquei ali, encarando o teto, tentando me convencer de que tudo ficaria bem.

Desliguei o telefone, levantei-me do sofá e comecei a arrumar a mochila. Coloquei algumas roupas confortáveis, o par de botas que sempre usava na fazenda e, por último, dei uma última olhada na carta que repousava na minha escrivaninha.

Era uma carta da Harvard. Eu havia sido aceito na faculdade de Direito.

Ser o melhor jogador do time de Roosevelt High tinha aberto portas incríveis, e essa era a maior de todas. Mas eu ainda não estava pronto para compartilhar a notícia. Guardaria esse momento para a formatura, quando tudo estivesse mais claro.

Com a mochila pronta, parei por um momento, olhando pela janela. Meu pensamento logo se voltou para Nessie. Um sorriso involuntário surgiu no meu rosto. Talvez eu pudesse melhorar nosso final de semana. Peguei meu celular e disquei o número dela.

— Oi, Jake.

A voz dela sempre me fazia sentir algo indescritível.

— Oi, gatinha. Liguei para dar boa noite e também para avisar que amanhã não poderei ir à escola. Infelizmente, meus pais pediram para eu e minhas irmãs irmos para a fazenda, e passaremos o final de semana lá.

Senti um aperto no peito ao dizer isso.

— Vou sentir saudade...

Ri suavemente, tentando amenizar o clima.

— Eu também. Mas, pensando nisso, queria saber se você não gostaria de passar o final de semana comigo na fazenda?

Houve um silêncio breve do outro lado da linha antes de ela responder:

— Eu adoraria, mas preciso pedir permissão aos meus pais.

— Posso falar com eles se você quiser.

Ouvi o riso leve dela e imaginei o sorriso no rosto de Nessie.

— Aceito! Mas só poderei ir no sábado, pois amanhã, depois da aula, já terei minha primeira reunião de organização.

— Perfeito! Vou esperar ansioso. Falo com seu pai de manhã. Será um final de semana inesquecível.

— Mal posso esperar — respondeu ela, e dava para sentir sua empolgação.

Depois de desligar, me joguei na cama, sorrindo como um idiota. A ideia de passar o final de semana com Nessie na fazenda tornava qualquer tarefa suportável.

"Um final de semana inesquecível," pensei. E eu faria de tudo para garantir isso.