Apenas mas uma de amor

14 Jacob- Manhã turbulenta


Notas iniciais
Voltando a atualizar, será que ainda tem leitores?

Quando cheguei em casa, a noite já estava avançada. A lua cheia iluminava a fazenda, banhando os campos com uma luz prateada, enquanto o som dos grilos preenchia o silêncio. Subi as escadas da varanda, lembrando-me do jantar na casa de Renesmee.

Eu ainda podia ouvir sua risada suave, ver a forma como ela ajeitava os óculos ao falar com seus pais. Havia algo nela, algo tão genuíno e puro, que fazia meu peito se apertar de uma forma boa. Ela era diferente de qualquer pessoa que eu já tinha conhecido, e isso me atraía de uma maneira que eu não sabia explicar.

Eu sorri, lembrando de como ela quase derrubou o copo de suco ao tentar me servir. Sua inocência era encantadora. Quanto mais eu conhecia Renesmee, mais eu me sentia envolvido, como se cada pequena peculiaridade dela tivesse o poder de me desarmar completamente.

Mas minha tranquilidade não durou muito. Quando cheguei à varanda, vi Leah encostada na parede, braços cruzados, me esperando. Ela parecia tão à vontade quanto sempre, mas havia algo no brilho de seus olhos que indicava que ela tinha algo a dizer.

— Então, o Black finalmente volta — Leah começou, erguendo uma sobrancelha. — E deixa eu adivinhar, você estava na casa da sua ruivinha, não é?

— Não é da sua conta, Leah — respondi, cruzando os braços.

— Ah, mas é claro que é. Você acha que pode me ignorar e focar nessa garota como se eu fosse descartável?

Franzi a testa. — Do que você está falando?

Ela deu um passo à frente, seu olhar sério. — Não finja que não sabe. Eu não vou ficar assistindo você se jogar aos pés dessa menina como se ela fosse tudo o que importa. Você não pode simplesmente apagar tudo que já aconteceu entre nós.

Soltei um suspiro pesado. — Leah, eu não estou tentando apagar nada. Mas você sabe que nunca foi... isso. Não era assim pra mim.

— Mas era pra mim! — ela rebateu, a voz levemente embargada. — Você acha que é fácil ficar do lado de fora, vendo você se perder por ela, enquanto eu...

Ela parou, respirando fundo antes de continuar. — Você sabe que ela não entende o mundo como a gente. Ela é só uma garota, Jacob. Você acha que isso vai ser suficiente?

Olhei para Leah por um momento, deixando suas palavras pairarem no ar. — Talvez ela seja só uma garota — concordei, minha voz calma. — Mas ela tem algo que você nunca teve, Leah. Ela me faz querer ser melhor.

Leah ficou em silêncio, sua expressão fechada, e por um momento, pensei que ela fosse explodir em raiva. Mas então, ela apenas balançou a cabeça e deu um passo para trás.

— Você é um idiota, Jacob — murmurou, antes de virar e descer as escadas da varanda.

Fiquei parado ali, observando enquanto ela desaparecia na escuridão da noite. Meu coração ainda estava agitado, mas não por Leah. A única coisa que parecia ocupar meus pensamentos agora era Renesmee.

E eu sabia, com uma clareza que me assustava, que eu faria qualquer coisa para protegê-la.

Entrei em casa sentindo o calor familiar que sempre preenchia o ambiente. A sala estava iluminada, e o som do jogo de futebol americano vinha da televisão, onde meu pai, Billy, estava sentado em sua cadeira de sempre. Ele estava concentrado, com os olhos fixos na tela, enquanto Rachel e Rebecca conversavam animadamente com minha mãe, Sarah, que organizava algo sobre a mesa de centro.


— Quem tá ganhando, velho? — perguntei, deixando minha mochila no chão.

Billy não tirou os olhos da TV. — Seahawks, por um touchdown.

Me aproximei, ficando ao lado dele para assistir. — Uau, esse quarterback é rápido. Acho que ele merece um contrato melhor depois dessa temporada.

— Merece, mas duvido que ele consiga — Billy respondeu, com um meio sorriso. — O técnico é teimoso, igual você.

— Ei! — protestei, rindo. — Só sou teimoso quando tenho razão.

Billy revirou os olhos, mas eu sabia que ele estava achando graça. — Vai lá ajudar suas irmãs antes que elas te arrastem pelos cabelos.

Olhei para Rachel e Rebecca, que já me encaravam, esperando.

— Jacob! — Rachel chamou. — Anda logo aqui, temos perguntas.

Suspirei, mas cruzei a sala e me juntei a elas ao redor da mesa. Minha mãe estava dobrando algo que parecia um guia ou panfleto, enquanto Rebecca anotava em um caderno.

— Vocês estão conspirando de novo? — perguntei, fingindo desconfiança.

— Estamos planejando o churrasco do final de semana — Rebecca explicou. — E aí, como foi a sua noite?

Minha mãe ergueu os olhos do que estava fazendo, claramente interessada na resposta, enquanto Rachel já abria um sorriso provocativo.

— Foi boa — respondi, tentando não parecer óbvio. — Renesmee vai vir à fazenda no final de semana.

Houve um breve silêncio, seguido por um coro de vozes femininas.

— O QUÊ? — Rachel quase gritou. — Finalmente, Jacob!

— Então é sério? — Rebecca perguntou, com um brilho curioso nos olhos. — Você e a “ruivinha de trancinhas”?

Minha mãe sorriu de lado, como se tivesse entendido algo que nem eu havia percebido ainda. — Isso é ótimo, Jacob. Ela parece uma garota adorável.

Eu cocei a nuca, tentando parecer despreocupado. — Estamos só fazendo um trabalho pra escola. Não é nada disso que vocês estão pensando.

Rachel bufou, claramente não acreditando. — Ah, claro. Trabalhos escolares sempre envolvem trazer a garota pra fazenda e impressionar os pais.

— Rachel, chega — minha mãe interveio, mas estava sorrindo. — Deixe seu irmão em paz.

Rebecca riu. — Eu só espero que ela goste de churrasco.

— Ela vai gostar — garanti.

Mesmo com toda a provocação, não consegui evitar um sorriso ao pensar em Renesmee andando pela fazenda, descobrindo um pouco do meu mundo. Talvez elas estivessem certas. Talvez eu quisesse mesmo impressioná-la.

Vesti meu uniforme no vestiário, ajustando as luvas enquanto ouvia as risadas e conversas dos outros jogadores. A energia no ar era elétrica, mas eu estava focado no treino. Saí para o campo e me juntei ao time. O técnico estava no centro, passando instruções com a prancheta na mão.

— Jacob, você está na linha defensiva como de costume. Tom, quarterback no ataque. Quero ver dedicação, e nada de confusões, entenderam?

Assentimos e nos posicionamos. Minha responsabilidade como defensive end era clara: proteger o campo e evitar avanços do quarterback adversário. No início, as jogadas fluíram bem, e eu bloqueei duas tentativas de avanço de Tom com facilidade.

Mas ele sempre tinha que abrir a boca.

— Ei, Black! — Tom chamou, com aquele tom de voz que já indicava provocação. — Como vai o seu projeto de pica-pau?

Ignorei. Não tinha tempo para suas piadas idiotas.

— Sério, cara, aquela garota que você anda rondando parece um desenho animado. As penas vermelhas dela — digo, o cabelo — brilham tanto que cegam a gente. E aqueles óculos? Meu Deus, parece que ela comprou numa feira de antiguidades.

Meu maxilar travou.

— Cala a boca, Tom — rosnei, me reposicionando para a próxima jogada.

Mas ele não parava. — Tô só brincando, Black. Mas, sério, ela parece um pica-pau tentando estudar física. Deve ser divertido assistir você atrás dela, tipo um cachorro atrás de um pássaro.

Aquilo foi a gota d’água. Deixei minha posição e caminhei até ele, meu sangue fervendo.

— Fala de novo, Tom. Só mais uma vez — desafiei.

Ele sorriu com desdém, claramente achando que estava no controle. — Você não aguenta a verdade, não é, Black? Ela é só uma nerd de cabelo vermelho que...

Antes que ele terminasse, meu punho encontrou seu rosto. O som do impacto foi alto, e Tom caiu no chão, surpreso.

O campo ficou em silêncio. O técnico correu até nós enquanto os outros jogadores se afastavam.

— Mas que droga é essa? — o técnico gritou. — Black! Tom! Pra sala da diretora, agora!

Tom se levantou, esfregando o maxilar com um olhar cheio de raiva. — Você vai se arrepender disso, Black.

Eu o ignorei, ainda furioso, e segui na direção do prédio principal. Sabia que haveria consequências, mas naquele momento, só conseguia pensar em como eu jamais permitiria que alguém falasse assim de Renesmee.

Jacob

Estávamos sentados na sala da diretora, frente a frente com a senhora Margaret Hensley, uma mulher de cabelos grisalhos impecavelmente presos em um coque. Seus olhos, sempre sérios, me encaravam como se pudessem ver direto na minha alma.

Ela cruzou as mãos sobre a mesa e começou:

— Senhores, vamos falar sobre as regras do Roosevelt High School. Elas existem por um motivo, e a principal delas é garantir respeito e segurança. — Ela ajustou os óculos e olhou diretamente para mim. — Então, senhor Black, pode começar explicando o que aconteceu no campo hoje.

Respirei fundo, tentando controlar a raiva ainda latente.

— Diretora, Tom estava fazendo piadas ofensivas sobre uma aluna, Renesmee Cullen. Ele a chama de nomes depreciativos e faz comentários maldosos com frequência. Hoje ele passou dos limites, e eu não aguentei ficar calado.

Ela franziu a testa, sua expressão dura como pedra.

— É verdade, senhor Evans? — perguntou, virando-se para Tom.

Ele jogou as mãos para o alto, com um sorriso cínico.

— Diretora, eu só estava brincando. Black que não sabe levar na esportiva. Além disso, eu nem falei nada tão sério. Ele é quem perdeu o controle.

Senhora Hensley ergueu uma sobrancelha, claramente não impressionada com a tentativa patética de Tom de se justificar.

— Brincadeiras de mau gosto não são algo que toleramos aqui, senhor Evans. — Sua voz cortava como uma faca. — E, infelizmente para você, os pais da senhorita Cullen já entraram com diversas queixas sobre ataques e bullying. Agora, finalmente sabemos quem está por trás disso.

O sorriso de Tom desapareceu.

— Mas, diretora... Eu...

— Sem desculpas, senhor Evans. Suas ações são inaceitáveis. E você, senhor Black... — Seus olhos voltaram para mim. — Foi nobre da sua parte tentar defendê-la, mas não tolero violência, não importa o motivo. Você deveria ter vindo até mim ou outro responsável em vez de resolver com as próprias mãos.

Assenti, mantendo o olhar fixo nos dela.

— Sim, senhora Hensley. Entendo.

Ela respirou fundo, consultando alguns papéis na mesa antes de anunciar a sentença.

— Tom Evans, você está suspenso por um mês. Jacob Black, uma semana.

— O quê? — Tom gritou, levantando-se. — Isso é injusto! Ele me socou!

— E você provocou, senhor Evans — retrucou a diretora, impassível. — Sua suspensão reflete o histórico contínuo de reclamações contra você

Nesse momento, a inspetora bateu na porta e entrou com um sorriso nervoso.

— Diretora Hensley, a senhora Black chegou.

Senti um frio na espinha. Claro que minha mãe tinha que saber disso. Levantei-me, tentando parecer confiante, enquanto Tom continuava resmungando.

Minha mãe entrou na sala como uma tempestade silenciosa. Sarah Black tinha uma presença que comandava respeito, e eu sabia que estava prestes a enfrentar o peso total disso. Mantive a cabeça baixa, envergonhado.

— Diretora Hensley, bom dia— ela começou, sua voz firme, mas educada.

— Senhora Black, obrigada por vir tão rapidamente — respondeu a diretora, gesticulando para a cadeira ao lado. — Seu filho esteve envolvido em um incidente hoje no campo.

— Estou ciente — minha mãe disse, lançando um olhar que me dizia que a conversa continuaria em casa. — Mas gostaria de entender exatamente o que aconteceu.

A diretora explicou tudo em detalhes: a provocação de Tom, as ofensas contra Renesmee, e como eu tinha reagido. Minha mãe ouvia com atenção, seus lábios apertados numa linha fina.

— Diretora Hensley, entendo sua posição em relação à violência — começou minha mãe. — Mas quero deixar claro que meu filho não é uma criança problemática. Ele reagiu a algo que já deveria ter sido resolvido há muito tempo. Esses ataques contra a senhorita Cullen são inaceitáveis, e Tom Evans deveria ser expulso.

A diretora suspirou, parecendo mais cansada do que irritada.

— Senhora Black, entendo sua preocupação. Estamos lidando com isso da melhor maneira possível. A suspensão de Tom é apenas o primeiro passo, mas expulsá-lo exigirá mais evidências concretas.

Minha mãe não parecia satisfeita, mas assentiu.

— Espero que isso seja resolvido. Renesmee Cullen merece estudar em paz, e nenhum aluno deveria ter que se defender sozinho.

— Concordo — disse a diretora. — Espero que Jacob use esse tempo para refletir também.

Minha mãe lançou outro olhar na minha direção antes de se levantar.

— Vamos, querido.

Saímos da sala em silêncio, mas assim que estávamos no corredor, ela começou:

— Agora me explique direito. Por que você brigou com aquele garoto?

Respirei fundo, sabendo que precisava ser honesto.

— Mãe, Tom vive atacando a Renesmee. Ele a chama de nomes horríveis, faz piadas sobre os óculos dela, até comparou ela a um pica-pau hoje. Não aguentei.

Ela parou de andar, me olhando nos olhos.

— E a escola nunca faz nada.

— Não. Os pais dela já reclamaram várias vezes, mas ninguém acusa o Tom.

Minha mãe suspirou, balançando a cabeça.

— Vou falar com os pais de Renesmee. Isso não pode continuar. Ele deveria ser expulso.

Continuei andando ao lado dela, sentindo-me um pouco mais leve por tê-la do meu lado. Quando chegamos ao pátio, meu coração disparou.

Lá estava Renesmee, esperando com Rachel e Rebecca. Ela segurava os livros contra o peito e me olhava com uma mistura de preocupação e timidez.

Rachel sorriu ao me ver e disse:

— Olha quem veio te salvar, Jake.

Renesmee corou, e um sorriso pequeno apareceu em seus lábios.

— Você está bem? — ela perguntou, com a voz suave.