Apenas mas uma de amor
53 Jacob- Hope
A sala de ultrassom tinha um clima peculiar, uma mistura de expectativa e calma. Renesmee estava deitada na maca, sua mão apertando a minha enquanto o médico preparava o equipamento. Eu me sentia nervoso, mas não deixava transparecer. Estávamos ali para ver nossa filha – ou filho – pela primeira vez.
O obstetra, Dr. William, um homem de expressão serena e voz tranquilizadora, começou a examinar Renesmee.
— Tudo está progredindo bem, Renesmee — disse ele, com um sorriso. — O bebê parece saudável e com um bom desenvolvimento.
Nessie olhou para mim, seus olhos brilhando de emoção, e eu senti meu coração acelerar.
— Isso é ótimo — murmurei, ainda absorvendo tudo.
Dr. William virou-se para nós após alguns minutos de análise.
— Com base nas condições da placenta e no histórico médico de Renesmee, já posso adiantar que será necessário um parto cesárea.
Renesmee assentiu, com um sorriso sereno.
— Tudo bem. O que for melhor para o bebê.
Eu apertei sua mão, admirando sua força e tranquilidade.
— Vocês gostariam de saber o sexo do bebê agora? — perguntou o obstetra, sua expressão ligeiramente divertida, como se já antecipasse nossa resposta.
Renesmee me olhou, um sorriso curioso brincando em seus lábios.
— O que você acha, Jake?
— Acho que não consigo esperar mais um segundo — brinquei, tentando esconder minha ansiedade.
Dr. William riu e voltou a atenção para a tela. Ele apontou para uma área específica.
— Aqui está. Vocês estão esperando uma menina.
O ar pareceu sair dos meus pulmões, e por um momento eu fiquei sem palavras. Uma menina. Outra menina.
— Jake... — Renesmee sussurrou, seus olhos cheios de lágrimas enquanto olhava para mim.
Eu me inclinei, beijando sua testa.
— Uma menina, Ness. Vamos ter outra filha.k
Ela riu, enxugando as lágrimas.
— Aurora vai ficar tão feliz.
— E nós também estamos — acrescentei, minha voz embargada pela emoção.
Dr. William sorriu, claramente acostumado com cenas como essa, mas ainda assim respeitoso com o momento.
— Parabéns a vocês dois. A pequena está forte e saudável, e isso é o mais importante.
Eu olhei para a tela, vendo o perfil da nossa bebê, e tudo pareceu fazer sentido. Com Nessie ao meu lado e agora outra filha a caminho, eu sabia que, apesar dos desafios, estávamos construindo algo incrível.
A caminho do quarto de Aurora, eu sentia uma mistura de emoção e expectativa. Renesmee apertava minha mão, e trocávamos olhares cúmplices, ainda absorvendo a notícia de que estávamos esperando outra menina. Quando abrimos a porta, fomos recebidos pelo sorriso radiante de Aurora, que estava sentada na cama, com Alice ao seu lado, segurando um caderno de desenhos.
— Finalmente! — Aurora exclamou, batendo as mãos na colcha. — O que o médico disse? Como está o bebê? É um menino ou uma menina?
Nessie riu, indo direto para a cama e se sentando ao lado da filha.
— Calma, pequena, uma pergunta de cada vez!
Eu me aproximei e sentei no braço da poltrona ao lado.
— O bebê está ótimo — comecei. — E nós descobrimos que é uma menina.
Aurora soltou um grito de felicidade, seus olhos brilhando de entusiasmo.
— Uma menina? Eu vou ter uma irmãzinha?
Renesmee assentiu, sorrindo.
— Sim, minha pequena. Você vai ter uma irmãzinha.
Aurora levou as mãos ao rosto, rindo, antes de soltar:
— Então ela vai se chamar Hope.
Eu arqueei uma sobrancelha, surpreso.
— Hope?
Aurora balançou a cabeça afirmativamente, com um sorriso seguro.
— Sim, porque ela já é a melhor irmãzinha do mundo. Ela vai me ajudar a ficar boa.
Eu senti um nó na garganta, e Renesmee levou a mão ao peito, os olhos marejados.
— Aurora... — Nessie começou, sua voz embargada. — Você tem razão. Ela é a nossa esperança, assim como você sempre foi.
Aurora estendeu os braços, e eu não consegui segurar mais. Me aproximei, envolvendo minha filha e minha esposa em um abraço apertado, enquanto as palavras dela ecoavam em minha mente.
— Vocês são as minhas meninas — murmurei, segurando as lágrimas. — E eu faria qualquer coisa por vocês.
Renesmee beijou o topo da cabeça de Aurora, sussurrando:
— Você já é a melhor irmã mais velha que ela poderia ter, sabia disso?
Aurora riu, enxugando as lágrimas com as costas das mãos.
— Porque ela já é muito amada — respondeu, com uma simplicidade que aqueceu meu coração.
Aquele momento foi mais do que especial. Ele nos lembrou que, apesar de todas as dificuldades, estávamos cercados pelo que realmente importava: amor e esperança.
...
Os últimos meses em Amsterdã foram uma mistura de esperança e tensão. Aurora teve uma nova recaída, deixando todos nós apreensivos. O quadro dela se tornou mais delicado, e o tempo parecia se arrastar enquanto aguardávamos o nascimento de Hope. Daniel e o hematologista já estavam prontos, esperando para realizar o transplante assim que Hope nascesse.
Renesmee estava no quarto, sentindo as contrações se intensificarem. Ela respirava fundo, tentando manter a calma. Eu estava ao seu lado, segurando sua mão, quando a porta se abriu e o Dr. William entrou com um sorriso tranquilizador.
— Está na hora — anunciou ele, olhando para Renesmee. — O bebê está pronto para vir ao mundo.
Renesmee olhou para mim, seus olhos brilhando com uma mistura de nervosismo e emoção.
— Jacob, você vai estar comigo, não vai?
Eu me abaixei, segurando o rosto dela com ambas as mãos.
— Sempre, Nessie. Não há lugar no mundo onde eu preferiria estar agora.
Dr. William sorriu, ajustando o estetoscópio ao redor do pescoço.
— O senhor está confirmado para participar do parto?
Assenti com firmeza.
— Com certeza. Não vou perder esse momento por nada.
Uma enfermeira entrou, ajudando Renesmee a se preparar. Ela olhou para mim enquanto a colocavam na cadeira de rodas, sua expressão suavizando apesar da dor.
— Jake... — começou, sua voz baixa, quase um sussurro.
Me abaixei mais uma vez, pressionando um beijo contra sua testa.
— Você é a mulher mais incrível que eu já conheci — murmurei, a voz embargada. — E nós vamos passar por isso juntos. Hope já é nossa pequena guerreira, e ela vai trazer a cura que nossa família precisa.
Os olhos de Renesmee se encheram de lágrimas.
— Eu te amo, Jacob. Não sei o que faria sem você.
Sorri, tentando conter a emoção.
— E eu amo você, Ness. Você é minha força. Agora vá lá e mostre para nossa filha de onde ela herdou toda essa coragem.
Ela sorriu, apertando minha mão uma última vez antes de ser levada para a sala de cirurgia. Eu fiquei ali por um momento, respirando fundo, deixando a esperança inundar meu coração. Aquele era o início de um novo capítulo para nossa família. E eu faria tudo ao meu alcance para garantir que ele fosse repleto de amor e vida.
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