A sala de ultrassom tinha um clima peculiar, uma mistura de expectativa e calma. Renesmee estava deitada na maca, sua mão apertando a minha enquanto o médico preparava o equipamento. Eu me sentia nervoso, mas não deixava transparecer. Estávamos ali para ver nossa filha – ou filho – pela primeira vez.

O obstetra, Dr. William, um homem de expressão serena e voz tranquilizadora, começou a examinar Renesmee.

— Tudo está progredindo bem, Renesmee — disse ele, com um sorriso. — O bebê parece saudável e com um bom desenvolvimento.

Nessie olhou para mim, seus olhos brilhando de emoção, e eu senti meu coração acelerar.

— Isso é ótimo — murmurei, ainda absorvendo tudo.

Dr. William virou-se para nós após alguns minutos de análise.

— Com base nas condições da placenta e no histórico médico de Renesmee, já posso adiantar que será necessário um parto cesárea.

Renesmee assentiu, com um sorriso sereno.

— Tudo bem. O que for melhor para o bebê.

Eu apertei sua mão, admirando sua força e tranquilidade.

— Vocês gostariam de saber o sexo do bebê agora? — perguntou o obstetra, sua expressão ligeiramente divertida, como se já antecipasse nossa resposta.

Renesmee me olhou, um sorriso curioso brincando em seus lábios.

— O que você acha, Jake?

— Acho que não consigo esperar mais um segundo — brinquei, tentando esconder minha ansiedade.

Dr. William riu e voltou a atenção para a tela. Ele apontou para uma área específica.

— Aqui está. Vocês estão esperando uma menina.

O ar pareceu sair dos meus pulmões, e por um momento eu fiquei sem palavras. Uma menina. Outra menina.

— Jake... — Renesmee sussurrou, seus olhos cheios de lágrimas enquanto olhava para mim.

Eu me inclinei, beijando sua testa.

— Uma menina, Ness. Vamos ter outra filha.k

Ela riu, enxugando as lágrimas.

— Aurora vai ficar tão feliz.

— E nós também estamos — acrescentei, minha voz embargada pela emoção.

Dr. William sorriu, claramente acostumado com cenas como essa, mas ainda assim respeitoso com o momento.

— Parabéns a vocês dois. A pequena está forte e saudável, e isso é o mais importante.

Eu olhei para a tela, vendo o perfil da nossa bebê, e tudo pareceu fazer sentido. Com Nessie ao meu lado e agora outra filha a caminho, eu sabia que, apesar dos desafios, estávamos construindo algo incrível.

A caminho do quarto de Aurora, eu sentia uma mistura de emoção e expectativa. Renesmee apertava minha mão, e trocávamos olhares cúmplices, ainda absorvendo a notícia de que estávamos esperando outra menina. Quando abrimos a porta, fomos recebidos pelo sorriso radiante de Aurora, que estava sentada na cama, com Alice ao seu lado, segurando um caderno de desenhos.

— Finalmente! — Aurora exclamou, batendo as mãos na colcha. — O que o médico disse? Como está o bebê? É um menino ou uma menina?

Nessie riu, indo direto para a cama e se sentando ao lado da filha.

— Calma, pequena, uma pergunta de cada vez!

Eu me aproximei e sentei no braço da poltrona ao lado.

— O bebê está ótimo — comecei. — E nós descobrimos que é uma menina.

Aurora soltou um grito de felicidade, seus olhos brilhando de entusiasmo.

— Uma menina? Eu vou ter uma irmãzinha?

Renesmee assentiu, sorrindo.

— Sim, minha pequena. Você vai ter uma irmãzinha.

Aurora levou as mãos ao rosto, rindo, antes de soltar:

— Então ela vai se chamar Hope.

Eu arqueei uma sobrancelha, surpreso.

— Hope?

Aurora balançou a cabeça afirmativamente, com um sorriso seguro.

— Sim, porque ela já é a melhor irmãzinha do mundo. Ela vai me ajudar a ficar boa.

Eu senti um nó na garganta, e Renesmee levou a mão ao peito, os olhos marejados.

— Aurora... — Nessie começou, sua voz embargada. — Você tem razão. Ela é a nossa esperança, assim como você sempre foi.

Aurora estendeu os braços, e eu não consegui segurar mais. Me aproximei, envolvendo minha filha e minha esposa em um abraço apertado, enquanto as palavras dela ecoavam em minha mente.

— Vocês são as minhas meninas — murmurei, segurando as lágrimas. — E eu faria qualquer coisa por vocês.

Renesmee beijou o topo da cabeça de Aurora, sussurrando:

— Você já é a melhor irmã mais velha que ela poderia ter, sabia disso?

Aurora riu, enxugando as lágrimas com as costas das mãos.

— Porque ela já é muito amada — respondeu, com uma simplicidade que aqueceu meu coração.

Aquele momento foi mais do que especial. Ele nos lembrou que, apesar de todas as dificuldades, estávamos cercados pelo que realmente importava: amor e esperança.

...

Os últimos meses em Amsterdã foram uma mistura de esperança e tensão. Aurora teve uma nova recaída, deixando todos nós apreensivos. O quadro dela se tornou mais delicado, e o tempo parecia se arrastar enquanto aguardávamos o nascimento de Hope. Daniel e o hematologista já estavam prontos, esperando para realizar o transplante assim que Hope nascesse.

Renesmee estava no quarto, sentindo as contrações se intensificarem. Ela respirava fundo, tentando manter a calma. Eu estava ao seu lado, segurando sua mão, quando a porta se abriu e o Dr. William entrou com um sorriso tranquilizador.

— Está na hora — anunciou ele, olhando para Renesmee. — O bebê está pronto para vir ao mundo.

Renesmee olhou para mim, seus olhos brilhando com uma mistura de nervosismo e emoção.

— Jacob, você vai estar comigo, não vai?

Eu me abaixei, segurando o rosto dela com ambas as mãos.

— Sempre, Nessie. Não há lugar no mundo onde eu preferiria estar agora.

Dr. William sorriu, ajustando o estetoscópio ao redor do pescoço.

— O senhor está confirmado para participar do parto?

Assenti com firmeza.

— Com certeza. Não vou perder esse momento por nada.

Uma enfermeira entrou, ajudando Renesmee a se preparar. Ela olhou para mim enquanto a colocavam na cadeira de rodas, sua expressão suavizando apesar da dor.

— Jake... — começou, sua voz baixa, quase um sussurro.

Me abaixei mais uma vez, pressionando um beijo contra sua testa.

— Você é a mulher mais incrível que eu já conheci — murmurei, a voz embargada. — E nós vamos passar por isso juntos. Hope já é nossa pequena guerreira, e ela vai trazer a cura que nossa família precisa.

Os olhos de Renesmee se encheram de lágrimas.

— Eu te amo, Jacob. Não sei o que faria sem você.

Sorri, tentando conter a emoção.

— E eu amo você, Ness. Você é minha força. Agora vá lá e mostre para nossa filha de onde ela herdou toda essa coragem.

Ela sorriu, apertando minha mão uma última vez antes de ser levada para a sala de cirurgia. Eu fiquei ali por um momento, respirando fundo, deixando a esperança inundar meu coração. Aquele era o início de um novo capítulo para nossa família. E eu faria tudo ao meu alcance para garantir que ele fosse repleto de amor e vida.