Apenas mas uma de amor
62 Jacob- Banco Imobiliário
O mês que se seguiu após a descoberta de Ryan foi um turbilhão de emoções e mudanças. Meu filho agora fazia parte da família Black, e eu estava determinado a garantir que ele fosse recebido com o amor e o respeito que merecia.
Billy e Sarah o abraçaram como se o conhecessem a vida inteira. Minha mãe chorou ao conhecê-lo, acariciando seu rostinho e dizendo como ele era parecido comigo quando criança. Meu pai, como sempre, foi mais contido, mas não escondeu o brilho nos olhos ao ouvir Ryan chamá-lo de "vovô" pela primeira vez. Rachel, minha irmã, também acolheu o sobrinho com carinho, prometendo visitá-lo sempre que pudesse.
Rebecca, por outro lado, não fazia mais parte de nossas vidas. Nosso rompimento foi definitivo, e por mais que isso me machucasse, eu sabia que era o melhor para proteger minha família e manter a paz ao nosso redor.
Renata havia se estabelecido em um apartamento próximo ao hospital para que Ryan tivesse fácil acesso à fisioterapia e ao tratamento necessário. Eu cobria todas as despesas – desde as contas médicas até a escola que Ryan começaria em breve – e me certificava de que nada faltasse ao meu filho.
Apesar de tudo parecer estar se ajeitando, uma sombra ainda pairava sobre minha mente: Ton Evans. Eu não tinha coragem de contar a Nessie que ele estava em liberdade. Não queria tirar sua paz ou fazê-la viver com medo, mas sabia que precisava protegê-la e às meninas sem que elas percebessem.
Naquela manhã, eu estava na minha sala no fórum, revisando alguns relatórios, quando Molly, minha assistente, entrou.
– Senhor Black, a equipe que o senhor estava esperando chegou – anunciou, com um leve sorriso.
Assenti, fechando a pasta à minha frente. – Peça que entrem.
A porta se abriu, e Embry Call entrou primeiro. Meu antigo amigo de La Push sorriu ao me ver, seguido por Brad Fuller, Collin Littlesea e Jared Cameron.
– Jake – Embry cumprimentou, estendendo a mão que eu apertei com força. – Assim que você me falou da situação, vim direto. Não podia deixar você lidar com isso sozinho.
– Obrigado por virem – disse, olhando para os quatro. – Não confio em mais ninguém para essa tarefa. Preciso que vocês protejam Renesmee e minhas filhas. Ton Evans está em liberdade, e, embora eu não tenha contado a Nessie, não quero correr riscos.
Brad foi o primeiro a se pronunciar. – Se ele tentar alguma coisa, nem vai chegar perto delas.
– Estaremos sempre por perto, Jake – Collin acrescentou. – E prometemos que nenhuma delas saberá que estamos de olho.
Jared cruzou os braços, seu olhar sério. – Você sabe que não vamos falhar. Vamos manter sua família segura, Jake.
Embry colocou a mão no meu ombro, seu olhar sincero. – Estamos juntos nisso, irmão. Sempre estivemos.
Aquelas palavras me deram algum alívio. Eu sabia que minha família estava em boas mãos com eles.
– Obrigado, de verdade – falei, olhando para cada um deles. – Isso significa muito para mim.
– Significa muito para todos nós – Embry respondeu. – Você faria o mesmo por qualquer um de nós.
Assenti, sabendo que ele estava certo. Enquanto eles estavam ali, o peso em meus ombros parecia um pouco mais leve. Eu faria qualquer coisa para proteger Nessie, Aurora, Hope e agora Ryan. E, com esses homens ao meu lado, sabia que estava no caminho certo.
...
Cheguei em casa depois de um dia cheio no fórum, com o coração aquecido pela expectativa do almoço que Nessie havia organizado. Era um momento importante, e eu estava orgulhoso da forma como minha família estava lidando com tudo. Hope, com sua inocência e entusiasmo, estava ansiosa para conhecer Ryan, enquanto Aurora, mais introspectiva, também havia demonstrado sua felicidade após conversarmos sobre o irmão.
Assim que abri a porta, Hope veio correndo em minha direção, com o sorriso mais lindo que só ela conseguia dar.
– Papai! – gritou, jogando-se nos meus braços.
Eu a ergui no colo, beijando sua bochecha. – Oi, minha princesinha! Como foi seu dia?
– Foi bom! Eu brinquei muito com a Samanta na escola. Mas agora quero conhecer o Ryan! – disse, quase pulando de excitação.
Ri da empolgação dela, sentindo o calor daquele momento. Passei os olhos pela sala e vi Aurora no sofá, folheando um livro. Caminhei até ela, ainda com Hope no colo, e me inclinei para beijar seus cabelos.
– E você, meu anjo? Está pronta para conhecer seu irmão?
Aurora ergueu os olhos, sorrindo suavemente. – Estou, papai. Acho que ele vai gostar da gente.
– Não tenho dúvidas – respondi, acariciando seus cabelos antes de deixar Hope no chão.
Nessie apareceu na porta da cozinha, linda como sempre, com um sorriso que me fazia esquecer qualquer preocupação. Aproximei-me e a beijei com carinho.
– Tudo pronto? – perguntei, admirando o quanto ela sempre parecia calma e controlada.
– Sim, amor. Eles devem chegar a qualquer momento – respondeu, tocando meu rosto brevemente.
Antes que eu pudesse responder, a campainha tocou. Nessie foi até a porta e, ao abri-la, Renata entrou com Ryan ao seu lado. Ele estava de muletas por causa da perna ainda em recuperação, mas trazia no rosto um sorriso que iluminava o ambiente.
– Oi, Renesmee – Renata cumprimentou, tentando manter um tom amigável.
– Oi, Renata. Que bom que chegaram – Nessie respondeu educadamente, estendendo a mão para cumprimentá-la antes de abaixar-se para falar com Ryan. – Oi, campeão. Está pronto para conhecer suas irmãs?
Ryan assentiu, um pouco tímido, mas claramente feliz. Eu me aproximei e o ajudei a entrar, segurando suas muletas enquanto ele se acomodava.
– Meninas, este é o Ryan – anunciei, com orgulho. – Seu irmão.
Hope foi a primeira a se aproximar, com os olhos brilhando de curiosidade e carinho.
– Oi, Ryan! Eu sou a Hope – disse, jogando os bracinhos em volta dele num abraço apertado.
Ele riu, visivelmente surpreso, mas feliz com a recepção calorosa. – Oi, Hope.
Aurora, mais reservada, levantou-se do sofá e aproximou-se com um sorriso tímido. – Oi, Ryan. Eu sou a Aurora.
– Oi, Aurora – respondeu, estendendo a mão, mas Aurora decidiu abraçá-lo, o que o deixou ainda mais à vontade.
Renata observava a cena com um olhar emocionado, enquanto Nessie sorria orgulhosa ao meu lado. Ryan então olhou para ela, sua timidez momentânea dando lugar a um sorriso doce.
– Oi, tia Nessie – disse, surpreendendo-me com o tom carinhoso.
– Oi, Ryan – respondeu Nessie, ajoelhando-se para ficar na altura dele. – Estamos muito felizes que você está aqui.
Renata, embora um pouco deslocada, olhou para Nessie com um aceno de cabeça e um sorriso educado.
O ambiente estava cheio de uma energia calorosa e acolhedora. Era o início de uma nova fase para nossa família, e, enquanto olhava para todos reunidos, senti meu coração transbordar de orgulho e gratidão.
O almoço tinha sido maravilhoso, e agora eu estava sentado na sala com os três pequenos à mesa, prontos para uma partida de Banco Imobiliário. Aurora já estava decidida a comprar todas as propriedades possíveis, enquanto Hope se empolgava mais em rolar os dados do que em qualquer estratégia. Ryan, mesmo ainda tímido, mostrava um sorriso genuíno, o que me enchia de alegria.
– Papai, você não pode comprar o hotel! Eu ia comprar ele! – protestou Hope, com as sobrancelhas franzidas.
– Ah, é assim? Então acho que vou aumentar o aluguel só para você – brinquei, piscando para ela, enquanto Aurora soltava uma risada.
– Pai, ela vai chorar. Sempre faz isso quando perde – Aurora provocou, mexendo nas suas notas de dinheiro falso.
– Não vou chorar! – Hope protestou, cruzando os braços com um bico adorável.
Ryan, que estava ao meu lado, riu baixinho e olhou para Aurora. – Você já ganhou dele antes?
– Sempre – respondeu Aurora, confiante. – Papai não sabe jogar direito.
– Ei, quem é que comprou o hotel aqui? – retruquei, fingindo estar ofendido, o que gerou mais risadas.
Estávamos todos envolvidos na partida quando Nessie apareceu na porta da sala, limpando as mãos num pano de prato, seguida por Renata.
– Jacob, acho que está na hora – disse Nessie, olhando para os pequenos com um sorriso.
– Já? – Hope fez um bico, claramente contrariada.
Renata olhou para Ryan, que hesitou antes de perguntar, com a voz baixa e esperançosa: – Posso dormir aqui hoje?
O pedido pegou Renata de surpresa, mas meu coração deu um salto de felicidade. Eu olhei para Nessie, que estava tão surpresa quanto Renata, mas logo sorriu suavemente.
– Claro que pode, Ryan – disse Nessie, tranquilizando Renata com um olhar. – Ele pode ficar no quarto da Hope, e eu cuido das medicações dele.
Hope bateu palmas, animada. – Sim! Agora você é meu irmão de verdade!
Ryan sorriu timidamente, mas dava para ver o quanto ele estava feliz. Renata suspirou, mas acabou sorrindo.
– Tudo bem, então. Desde que ele não incomode e não Dr trabalho.
– Ele vai ficar bem, Renata – garanti, sentindo uma alegria que mal conseguia conter. – Ele está na casa da melhor médica que conheço.
Nessie riu, balançando a cabeça. – Vou cuidar dele, afinal é meu paciente mais especial.
Renata relaxou um pouco e respondeu, brincando: – Bem, ele está na casa da médica, acho que posso ficar tranquila.
Ryan e Hope comemoraram, pulando de felicidade. Aurora, mesmo mais reservada, sorriu para o irmão e deu um tapinha no ombro dele.
– Bem-vindo à bagunça – ela disse, com um toque de humor.
Enquanto Renata se preparava para ir embora, eu senti que algo dentro de mim finalmente se ajustava. Ryan não era apenas um visitante. Ele fazia parte de algo maior, algo que estávamos construindo juntos. E, pela primeira vez em muito tempo, senti que nossa família estava completa.
...
Narração of.
Renata entrou em seu apartamento, exausta e ansiosa.
Depois de deixar Ryan na casa de Jacob e Renesmee, o dia havia sido um misto de emoções. Jogou as chaves sobre a mesa de centro e afundou-se no sofá, tentando processar tudo. Seus pensamentos foram interrompidos por um som estranho vindo da escuridão.
– Finalmente em casa, senhorita Renata? – disse uma voz masculina, grave e sarcástica.
Renata deu um pulo, o coração disparando. Olhou ao redor, procurando a origem da voz, até que percebeu a silhueta de um homem sentado em uma cadeira, na penumbra.
– Quem é você? – perguntou, tentando esconder o medo, mas sua voz saiu trêmula. – Como entrou aqui?
O homem inclinou-se para frente, permitindo que a luz da rua iluminasse parcialmente seu rosto.
– Meu nome é Tom Evans. Tenho certeza de que já ouviu falar de mim.
Renata engoliu em seco. Sim, já ouvira o nome. Jacob mencionara aquele homem algumas vezes. Ele era perigoso, e agora estava ali, no seu apartamento.
– O que você quer? – ela perguntou, a voz quase falhando. – Olha, leve o que quiser... dinheiro, joias... eu só peço que não me machuque.
Tom riu, um som frio e intimidador.
– Eu não quero suas coisas, Renata. Quero algo muito mais interessante. – Ele puxou um envelope e o estendeu para ela.
Renata hesitou, mas pegou o envelope com as mãos trêmulas. Ao abri-lo, ela quase deixou as fotos caírem no chão. Seus pais estavam amarrados, com fitas cobrindo suas bocas. A expressão de medo deles a deixou paralisada.
– Não... – ela murmurou, sentindo o pânico tomar conta. – O que você fez com eles?
– Nada. Ainda. – Tom recostou-se, como se estivesse falando de algo trivial. – Mas isso depende de você.
– Eu não tenho dinheiro! – Renata exclamou, desesperada.
Tom balançou a cabeça, rindo de novo. – Não é dinheiro que quero, querida. Quero a sua ajuda.
– Minha ajuda? – Renata franziu a testa, confusa. – Em quê?
Tom inclinou-se para frente, o olhar frio fixo no dela.
– Quero que me ajude a separar Jacob Black da esposa.
Renata sentiu o chão sumir sob seus pés. Ela balançou a cabeça, incrédula.
– Você está louco? Eu nunca faria isso!
– Ah, mas vai – respondeu Tom, calmo e cruel. – Porque se não fizer, seus pais vão pagar o preço.
Renata sentiu as lágrimas subirem, mas respirou fundo, tentando manter a calma. Ela sabia que estava em uma situação terrível, mas precisava ganhar tempo.
– O que exatamente quer que eu faça? – perguntou, a voz quase num sussurro.
Tom sorriu, satisfeito. – Vamos discutir os detalhes, mas tudo o que você precisa saber agora é que Jacob Black e Renesmee Cullen não podem mais ficar juntos.
Renata sabia que estava presa em um jogo perigoso, mas não podia colocar a vida de seus pais em risco. Ela assentiu, engolindo o pânico, enquanto Tom começava a explicar seu plano.
Fale com o autor