Apenas mas uma de amor

57 3°Fase- Renesmee- A vida em Seattle


Cinco anos se passaram desde aquele dia em Amsterdã, e agora nossa vida se dividia entre os desafios de criar duas filhas incríveis e administrar carreiras exigentes. Morávamos em Seattle, em uma casa acolhedora no mesmo bairro onde cresci. Jacob era um juiz respeitado, e eu trabalhava como pediatra em um hospital local.

Hope, nossa caçula, tinha quatro anos e era a cópia fiel de Jacob. Não só na aparência, mas também no temperamento: determinada, energética e um tanto teimosa. Aurora, por outro lado, estava com 13 anos e atravessando a fase turbulenta da adolescência. Frequentava o Roosevelt High, a mesma escola onde eu e Jacob estudamos. Isso nos trazia boas lembranças, mas também significava lidar com as dores de cabeça típicas dessa idade.

Era uma manhã típica de semana. Eu colocava torradas no prato de Hope enquanto ela tagarelava sobre seu projeto de arte na escola. Jacob folheava um jornal enquanto bebia seu café, e Aurora descia as escadas com o celular na mão, o rosto franzido de sono e irritação.

— Bom dia, Aurora — eu disse com um sorriso, tentando contornar o humor dela.

— Aham — ela murmurou, puxando uma cadeira e largando o celular na mesa.

— Aurora, isso é jeito de responder à sua mãe? — Jacob perguntou, com o tom mais firme.

Ela revirou os olhos. — Eu só tô cansada.

— Estar cansada não é desculpa para ser grosseira — Jacob continuou, largando o jornal e olhando diretamente para ela. — Nós te ensinamos melhor que isso.

— Tá bom, desculpa — Aurora respondeu, claramente sem vontade.

Eu suspirei, tentando manter a calma. — Eu entendo que você esteja cansada, filha, mas precisa aprender a lidar com isso de uma forma mais educada.

Hope, do outro lado da mesa, parecia alheia à tensão, ocupada lambendo a geleia da torrada antes de comê-la.

Jacob se inclinou um pouco na direção de Aurora. — Quero que peça desculpas de verdade para sua mãe. Não é assim que tratamos quem cuida de nós.

Aurora suspirou profundamente, mas finalmente olhou para mim. — Desculpa, mãe. Eu não quis ser grossa.

Sorri, aceitando o pedido. — Tudo bem, amor. Mas, da próxima vez, lembre-se de que um "bom dia" educado faz toda a diferença, mesmo nos dias difíceis.

Jacob voltou a beber seu café, mas lançou um olhar de alerta para Aurora, que começou a comer em silêncio.

Hope, aproveitando a pausa, ergueu sua mãozinha. — Mamãe, eu posso levar mais uma torrada pra escola? É que a Emily quer experimentar a minha geleia preferida.

Não pude evitar rir. — Claro, minha pequena. Mas termine essa primeiro.

Jacob relaxou novamente, e o clima da mesa voltou a ser leve. Ainda que os momentos de tensão fossem inevitáveis, éramos uma família unida, aprendendo a cada dia como crescer juntos.

...

Jacob terminou o café e pegou as chaves do carro, chamando Aurora com um tom brincalhão.


— Vamos, mocinha. Hora de enfrentar mais um dia no famoso Roosevelt High. — Ele sorriu, ajustando a gravata casualmente.


Aurora revirou os olhos, levantando-se sem pressa. — Não sei quem sofre mais, se é você tentando ser engraçado ou eu por ter que ouvir isso todo dia.


Eu ri da troca entre eles enquanto limpava os restinhos de geleia do rosto de Hope. — E você, senhorita, está pronta para sua escola?

Hope, sentada na cadeira, estava terminando de lamber os dedos melados de geleia. — Papai, eu não vou com você? — perguntou, olhando para ele com os olhinhos brilhantes.

— Não hoje, docinho. Você vai com a mamãe para a escola dos pequeninos — Jacob respondeu, abaixando-se para beijar a testa dela.

Aurora suspirou, cruzando os braços. — Pai, você tem que parar com isso. Ela já vai ficar mimada!

Jacob, fingindo ignorá-la, abraçou Hope com exagero e deu um beijo sonoro na bochecha dela. — Mimada? Minha princesinha merece todo o amor do mundo.

Em seguida, se virou para Aurora, segurando o rosto dela com as mãos. — E você também merece muito amor, até mesmo no auge da adolescência rebelde.

Aurora bufou, mas o canto dos lábios dela formou um sorriso. — Tá bom, pai, mas só porque a Hope está olhando.

— Só por isso, né? — Jacob respondeu, abraçando-a rapidamente antes de abrir a porta.

Enquanto isso, eu já colocava Hope na cadeirinha do carro, ajustando o cinto de segurança com cuidado. — Prontinho, minha flor. Agora é hora de ir pra escola e mostrar pra Emily sua geleia favorita.

Hope sorriu, animada. — Sim, mamãe!

Eu sorri, observando a cena, enquanto ajustava o espelho retrovisor para manter um olho na Hope. Momentos como aquele, tão simples e cheios de afeto, eram os que mais preenchiam meu coração.

Hope assentiu com entusiasmo, ainda com um brilho nos olhos. — Tô pronta, mamãe!

Jacob se aproximou de mim e segurou meu rosto com ternura. — Espero que seu dia seja tão lindo quanto você.

Ele inclinou-se e me beijou suavemente.

— Argh! Pai, por favor! — Aurora exclamou, correndo até Hope e cobrindo os olhinhos dela com as mãos. — Não olha, Hope! É nojento!

Hope gargalhou, tentando afastar as mãos de Aurora. — Para, Rora! Mamãe e papai estão se beijando!

Jacob se afastou, rindo, enquanto Aurora continuava a dramatizar. — Não acredito que eu tenho que presenciar isso. Vocês dois precisam de limites!

Eu revirei os olhos de forma divertida

— Tá vendo, Hope? Sua irmã está na fase difícil. — Eu ajustei o cinto enquanto Hope ria.

— Rora é engraçada! — Hope respondeu, ainda se divertindo com a situação.

Jacob abriu a porta do carro e olhou para Aurora com um sorriso brincalhão. — A gente só faz isso pra te provocar, princesa. Um dia você vai entender.

— Espero que não — Aurora resmungou, mas não conseguiu conter um sorriso enquanto entrava no carro.

Com Hope segura na cadeirinha, fechei a porta do meu carro e vi Jacob acenando pela janela quando passou ao nosso lado.

— Tchau, docinho! — ele chamou para Hope.

— Tchau, papai! Tchau, Rora! — Hope gritou, acenando com entusiasmo.

Aurora olhou para o pai com um sorriso mal disfarçado. — Espero que você saiba que acabou de embaraçar a gente de novo, pai.

— É meu trabalho, filha — Jacob respondeu com um tom bem-humorado, fazendo-nos todos rir enquanto seguíamos para mais um dia de rotina com as alegrias e os desafios de nossa família.


Ao estacionar diante da escola infantil, desliguei o motor e me virei para Hope, que ainda brincava com uma boneca na cadeirinha.

— Pronta, minha pequena?

— Sim, mamãe! — ela respondeu com um sorriso contagiante.

Soltei o cinto de segurança dela, tirei-a da cadeirinha e a coloquei no chão. Segurando sua mãozinha, caminhamos juntas até a entrada da escola.

A professora, uma mulher de sorriso caloroso chamada Sra. Turner, já estava à espera das crianças.

— Bom dia, Hope! — cumprimentou a professora, abaixando-se para ficar na altura dela.

— Bom dia! — Hope respondeu alegremente.

Ajoelhei-me ao lado de Hope, ajustei seu cabelinho e lhe dei um beijo na testa. — Seja boazinha, tá bom? Mamãe volta pra te buscar mais tarde.

— Tá bom, mamãe! Te amo!

— Também te amo, meu amor.

Ela me deu um abraço apertado e correu em direção à sala com a professora. Fiquei observando-a por um momento antes de voltar ao carro.

Enquanto dirigia pelas ruas de Seattle, não conseguia evitar um sorriso. A cidade parecia mais vibrante naquele dia. O céu estava limpo, e os arranha-céus brilhavam sob a luz do sol. Meu coração estava cheio de gratidão por tudo o que tínhamos construído como família.

Quando cheguei ao hospital, entrei rapidamente e mal tinha tempo de tomar um café quando a recepcionista me chamou.

— Dra. Cullen, temos uma emergência na sala de trauma.

Deixei minha bolsa no armário e troquei de roupa rapidamente, colocando meu jaleco e prendendo os cabelos com um elástico. Com passos apressados, entrei na sala de emergência.

Um menino pequeno estava deitado na maca, com um dos braços imobilizado e um arranhão feio na testa. Uma enfermeira, Mary, me entregou a ficha enquanto eu avaliava rapidamente a situação.

— O nome dele é Ryan Willows. Ele tem 4 anos e foi vítima de um atropelamento. Parece estável, mas tem suspeita de fratura e laceração profunda na perna direita.

Ajoelhei-me ao lado do garoto, que me olhava com olhos assustados e brilhantes.

— Oi, Ryan. Eu sou a Dra. Renesmee. Vou cuidar de você, tudo bem?

Ele não respondeu, mas assentiu com um movimento quase imperceptível. Enquanto o examinava, notei um pequeno sinal próximo à orelha esquerda, algo que me fez parar por um instante. Era idêntico ao sinal que Jacob tinha no mesmo lugar.

Sorri brevemente pela coincidência, mas logo voltei minha atenção ao trabalho. — Mary, precisamos preparar o pequeno Ryan para uma cirurgia. Vamos corrigir a laceração e garantir que a fratura não tenha complicações.

— Certo, doutora. Vou providenciar tudo.

Voltei-me para Ryan e segurei sua mãozinha com cuidado. — Você é muito corajoso, sabia? Vou te ajudar a ficar bom logo.

Ele me olhou com mais confiança, e senti um calor especial no coração enquanto seguíamos com os preparativos para ajudá-lo.