Estava naquele trem á minha cidade, depois de ter fugido por 1 ano e meio. Era verão, a paisagem de fundo na janela do trem era bonita, as pessoas passavam por mim me encarando por eu ter uma cara feia como meus amigos diziam. Dei um sorriso bobo me lembrando do tempo em que havia fugido. E agora estava voltando para a casa de minha mãe com aquele porco que ela chama de pai.

Chegando, uma garota sentou-se á minha frente, achei estranho. Ela possuía uma expressão estranha, uma mistura de felicidade e solidão. Era branca como a neve. Não reparei muito, apenas acendi um cigarro e ela se incomodou e saiu. Continuei ali até chegar á estação. Saí de lá calmamente, me lembrando daquela cidade não muito grande, e nem muito pequena na qual vivi quase toda a vida. A cada passo pra mais perto de minha casa eu me relembrava das experiências que tive ali, e ficava com raiva ao lembra-las.

Andei por ali pela cidade até o ponto de onibûs, caminhava lentamente e olhando para todos os cantos. Sentei no banco do ponto, coloquei os fones e fiquei ali ouvindo música até o transporte chegar. Eu gostava de música, e só sobrevivi esse um ano e meio porque sabia tocar. Entrei no onibûs e sentei no último banco, na janela. Eu tinha essa péssima mania de ficar olhando os rostos das pessoas e ficar tirando conclusões, as pessoas me olhavam torto. Ás vezes eu faço coisas inúteis e penso em coisas inúteis, e é por isso que não consigo me dar bem em nada.

Desci no ponto que fica á 5 quadras de "minha" casa. Andei mais e bati na porta, minha mãe me recebeu normalmente, pois eu havia avisado que voltaria, mas ela nem se importava muito, porque a primeira coisa errada que fiz foi nascer. É engraçado. Entrei e dei de cara com meu pai que já disse reclamando.

-O que esse moleque está fazendo aqui de novo hein?! — Ele gritava com minha mãe, que já era de costume.

Não dei atenção, apenas fui para meu quarto, e tranquei a porta, ouvia os dois discutindo, mas como sempre, minha mãe sempre cedia depois de uns amassos. Idiota. Meu quarto estava arrumado, espalhei minhas coisas sobre a cama e me deitei logo, pois estava com sono da viagem. Vi um bilhete em meu criado mudo. "Suas aulas começam amanhã, filho, o uniforme está no seu guarda roupa, boa sorte."

Apenas vi o bilhete, suspirei. O colégio daqui é um saco.

Notas finais
Bem, o primeiro capítulo foi mais calmo, serviu só de introdução para o que está por vir. Escola, festas, drogas, brigas... Dependendo dos acessos ela continua em menos de três dias. Obrigado por ler até o final (ou não) ^-^