A semana passou voando. Marcamos uma consulta com a ginecologista obstetra, e eu fiz vários exames para saber como tudo estava. Carlos Daniel me acompanhou em cada passo. Eu estava de quatro semanas; provavelmente engravidei já na nossa primeira vez. Carlos Daniel ficou tão orgulhoso de si mesmo que não consegui parar de rir com a sua reação.


Decidimos dar a notícia a todos no almoço de domingo. Já tínhamos contado a Carlinhos e Lizette que eles ganhariam um irmãozinho ou uma irmãzinha, e a ideia de ter um bebê deixou os dois eufóricos.


— Paulina e eu temos uma notícia para dar — disse Carlos Daniel, segurando minha mão e me olhando com um sorriso radiante antes de continuar. — Vamos ter um filho, Paulina está grávida.


— Ah, eu sabia! — exclamou Rodrigo, com um sorriso largo, olhando para Patrícia. — Até comentei com a Patrícia que Carlos Daniel estava tão cuidadoso com a Paulina, mais do que o normal


— E você tinha razão, Rodrigo — Patrícia se aproximou de mim e me abraçou, seu sorriso iluminando o ambiente. — Fico tão feliz por vocês, Paulina!


— Obrigada, Patrícia! Às vezes parece que estou sonhando — respondi, sentindo a emoção transbordar.


— Parabéns aos papais! — disse Rodrigo, também nos cumprimentando, com o olhar cheio de alegria. — Que esse bebê venha com muita saúde e traga ainda mais alegria à nossa família.


— Obrigado, Rodrigo — Carlos Daniel agradeceu ao irmão, seus olhos brilhando de felicidade. — Eu não imaginava que poderia ser tão feliz assim.


— Tenho certeza que a vovó Piedade já sabia, não é? — Rodrigo disse, sorrindo e olhando para vovó.


— Claro que sim — ela respondeu, olhando para todos e disse alegre. — Fui a primeira a quem contaram.


— E depois a gente, né, mamãe? — Carlinhos disse, sorrindo enquanto bebia um pouco do suco.


— Isso mesmo, meu filho.


— Tomara que seja uma menina pra brincar comigo — Lizete disse, pensativa, fazendo todos rirem com seu jeitinho.

- Ah dona Paulina, — Adelina disse abraçando eu e Carlos Daniel – essa casa está tao cheia de alegria e vida desde de que aceitou o pedido do senhor Carlos Daniel. Que essa criança traga ainda mais felicidade para todos.

- Muito obrigada Adelina – agradeci retribuindo seu caloroso abraço

Recebemos abraços e felicitações de todos os Brachos e empregados; todos estavam radiantes com a notícia. O clima era de celebração, e a mesa estava repleta de risadas e conversas animadas.


Nos dias que se seguiram, a rotina começou a mudar. Carlos Daniel se tornou ainda mais atencioso, sempre perguntando como eu estava me sentindo e se precisava de algo. Na fábrica, todos nos felicitaram pela notícia. Sentir aquele amor e paz em meu coração me fazia parecer flutuar.


Agora, mais que nunca, tinha a plena certeza de que nasci para ser mãe, esposa, ter uma família.


- Paulina, você já conseguiu dar a noticia de sua gravidez a Filo? – Celia perguntou enquanto esperava eu assinar alguns documentos

- Ainda não Celia, — disse a olhando – você sabe como é difícil conseguir ligar para a vila

- Eu sei bem Paulina, — ela disse conferindo tudo, Celia estava se saindo muito bem como secretaria – eu ate imagino como ela vai ficar feliz quando souber que vai ter um netinho, porque você sabe que ela te ve como uma filha ne Paulina!?

- Eu sei sim, e ela é tao importante pra mim como uma mãe – sorri imaginando, Filó sempre esteve comigo e minha mãe, em todos os momentos desde que consigo me lembrar, ela estava la – Eu quero que ela venha morar aqui Célia, ela pode morar comigo, acho que a vovó não se importaria

- Aposto que não, — ela riu — mas você sabe como Filo é, ela não aceitaria morar naquele palácio

- Bom, não sei, mas se ela se sentir melhor podemos ver uma casa confortável, ou um apartamento – disse me levantando dando a volta mesa

- Não sei não heim Paulina, você sabe que eu chamei ela pra vir morar comigo, disse que tinha alugado um apartamento bom, que agora com o salario que ganho aqui conseguiria manter nós duas, mas ela não quis de jeito nenhum

- Ela é teimosa que só – falamos juntas e rimos alto

- Quem é teimosa além de minha esposa adorada? – Carlos Daniel disse entrando na sala e indo ate mim

- A senhor Bracho, estávamos falando da Filo, — Celia disse juntando os papeis – Paulina ainda não conseguiu falar com ela

- Por falar nisso, estava pensando em um coisa minha vida – ele disse me olhando nos olhos – lembra que disse que queria ir ate a vila que cresceu? O que acha de irmos no fim de semana? Assim damos a noticia pessoalmente a dona Filomena

- Hummm, boa ideia heim senhor Bracho... — Celia sorriu e saiu da sala nos deixando a sós

- O que acha meu amor? – ele perguntou me levando ate o sofá para nos sentarmos – Esta se sentindo bem para viajar por alguns dias?

- Bom... eu... – disse o olhando ainda surpresa, eu sentia muitas saudades d lugar que cresci, e senti um frio na barriga ao imaginar como seria estar de volta depois de tanto tempo

- Se estiver cansada para viajar podemos ir depois Paulina — ele acariciou meu rosto

- Não, eu estou bem Carlos Daniel, — sorri pegando sua mao – você sabe. Mas ir assim tao em cima da hora?

- Será apenas alguns dias amor, eu já falei com Rodrigo e Veronica, não temos muitos pedidos para próxima semana e acabei de vir da produção já temos duas cargas adiantadas, Osvaldo me mostrou o estoque, temos matéria prima suficiente para funcionarmos por um bom tempo

- Eu estou com tanta saudades da Filo.

- Eu sei disso Lina, — ele beijou minha mão que entrelaçada na sua – você não para de falar na sua amiga desde que descobrimos nosso bebezinho. Sei que ela é muito importante pra você

- Ela é sim – disse com os olhos lacrimejando

- Então esta combinado, fim de semana vamos para Cancun

- Eu não vejo a hora Carlos Daniel – disse dando um beijo forte em sua boca -

Carlos Daniel sorriu, seus olhos brilhando de felicidade, e me abraçou com força. A ideia de viajar para o lugar que eu tanto amava, e principalmente de estar com ele lá, fazia meu coração bater mais rápido. Não sabia como Carlos Daniel reagiria ao ver o lugar simples e humilde que eu vivia, por mais que já houvesse lhe contado tudo sobre minha vida antes de Paola aparecer, não era a mesma coisa. Mas de certo modo estava muito feliz de poder voltar.

Eu fechei os olhos e sussurrei para meu coração “mamãe estou indo pra casa”