Acordei sentindo a cama vazia, olhei para o lado e nao vi Paulina, rapidamente meus olhos percorreram o quarto e a vi parada em frente a janela, ela estava pensativa olhando a forte chuva que caia la fora. Fiquei a admirando por um tempo, estava envolta em um cobertor e uma linha de preocupação marcava sua testa, me levantei e fui ate ela a abraçando por trás.

— Esta tão linda parada aqui meu amor — falei beijando seu ombro e olhando para seu reflexo na janela, ela sorriu e continuou a olhar a chuva

— Quem diria que iria chover hoje né — disse se recostando em meu corpo colocando as maos por cima de meus braços

— É verdade, — falei enquanto um raio cruzou o céu seguido de um estrondoso trovão — e porque minha amada esposa estava sozinha aqui olhando essa tempestade com o semblante tao pensativo e preocupado?

Ela me olhou pelo reflexo da janela e me encarou por um segundo antes de se virar de frente a mim e segurar em minhas mãos.

— Carlos Daniel, — ela disse olhando no fundo de meus olhos, seu olhar dizia tanta coisa naquele momento que nao consegui decifrar. Amor, ansiedade, esperança, medo...

— O que foi minha vida? — falei preocupado — Aconteceu alguma coisa? Esta se sentindo mal?

— Nao, — ela disse rapidamente balançando a cabeça quando notou que eu estava ficando preocupado e suspirou fundo antes de dizer — eu... bom nao sei como nao percebi antes, mas também esse mês foi tao intenso e ... bem, eu estou atrasada... minha menstruação esta a alguns dias atrasada.

A olhei prendendo a respiração por um instante e a puxei para nos sentarmos na cama, pois de repente senti que minhas pernas nao conseguiriam manter meu corpo em pé

— Paulina!

— Meu amor, eu nao quero criar falsas esperanças — ela disse quando notou a emoção dominar minha voz, havíamos falado do desejo de termos filhos, mas será que seríamos agraciados em tao pouco tempo com esse presente?

— Paulina, meu amor, — falei levando suas maos em meus lábios e beijando cada uma delas — agora que você disse, faz sentindo, estamos casados a um mês e...

— Eu acordei com o barulho dos trovões, e enquanto te olhava, — ela sorriu ternamente — comecei a recordar da nossa lua de mel, da nossa primeira vez em nosso quarto, e... uma coisa levou a outra... percebi que minha menstruação nao veio esse mês, fui ate a janela e enquanto fazia as contas na minha cabeça, acho que foi quando você acordou...

— Meu amor... sera possível!? — falei levando minha mão ate seu ventre

— Carlos Daniel, — ela disse levando as mãos ate as minhas — como eu disse, eu nao quero que tenhamos falsas esperanças... — ela respirou fundo — eu nao tive nenhum sintoma que indicasse uma gravidez, e talvez seja só um atraso normal, estamos casados a tao pouco tempo, é apenas uma possibilidade.

— Bem, nós nao usamos nenhum método contraceptivo, e falta de fazer amor é que nao é. — sorri e ela abriu aquele lindo sorriso que chegava aos olhos — E seus seios estão mais sensíveis e um pouco mais arredondados — disse a observando com amor e ternura, suas bochechas ganharam um leve rubor.

— Sim, estão — ela disse com um sorriso um pouco surpresa — nao sabia que tinha reparado isso Carlos Daniel

— Claro que notei, conheço cada pedacinho de seu corpo — sorri e beijei levemente seus lábios

— Mas você sabe que isso nao quer dizer nada também, pode ser porque talvez esteja perto de descer... a minha menstruação

— Ja sao quantos dias de atraso? — perguntei colocando uma mecha de seu cabelo atras da orelha

— Dez — ela me olhou seriamente, me surpreendi com o fato de nao termos notado antes, Paulina que é sempre atenta a todos a sua volta, mas quando se trata dela fica sempre em segundo plano.

— Assim que essa chuva parar vamos ate um laboratório e você faz o exame

— Eu ja havia pensado nisso, — notei que ela não queria demonstrar, mas estava cheia de esperanças — tem um laboratório aqui perto, podemos ir la.

— Claro amor meu — falei sorrindo nao conseguindo conter o desejo de que o fruto de nosso amor já estivesse em seu ventre

— E se nao for Carlos Daniel? — sua voz saiu baixa

— Temos uma vida inteira juntos meu céu, acabamos de completar nosso primeiro mês casados, temos tempo para termos muitos filhos... pra mim nao será nenhum sacrifício — disse com um riso alto

— Só nao quero te deixar chateado — ela me olhou

— Jamais me chatearia Paulina — acariciei a maçã de seu rosto — mas se não estiver grávida temos que ver o motivo desse atraso, dez dias é muita coisa

— Eu fiz as contas, — ela me olhou cheia de esperanças e seus olhos marejaram — nao quero me iludir, mas é que as chances sao grandes Carlos Daniel... eu posso mesmo estar esperando um filho seu

— E eu nao sei se vou conseguir conter tamanha felicidade — disse dando um beijo forte em sua boca — só a idéia de ja termos nosso bebezinho aqui em seu ventre me deixa imensamente feliz

— Eu também — ela disse sorrindo e uma fina lágrima escorreu em seu rosto — quando notei que poderia estar grávida pensei que meu coração fosse sair pela boca, e de repente o quarto pareceu tao pequeno e tudo parecia girar...

— Porque nao me acordou? — falei beijando sua testa

— Eu nao sei, acho que fiquei assustada com a possibilidade de estar grávida. Mas depois o desejo de que seja mesmo nosso filhinho cresceu dentro de mim, e eu nao sabia se contava ou fazia o exame primeiro — ela me olhou e vi o que ela viu, eu era seu porto seguro, assim como ela era o meu — mas você tem que estar junto comigo, seja qual for o resultado

— Claro que sim meu amor, — a puxei para mim e abracei — desde que nos casamos nos tornamos um só. E as vezes penso que vou explodir de tanta felicidade, e imagina só Paulina, um filho nosso, o fruto de nosso amor, um irmãozinho ou irmazinha para Carlinhos e Lizette

— Eles ficariam tao felizes — ela se afastou de meu abraço para me olhar

— E a vovó Piedade entao — sorri imaginando — acho que sera capaz de dar uma festa para comemorar

— Eu tambem acho meu amor, — Paulina parecia sonhar acordada — e imagino o quanto vai mimado por todos

— Disso nao tenha dúvidas amor meu, — disse acariciando seu rosto — se a vovó Piedade não esconde de ninguém o carinho e amor que tem por você, imagina quando você der a ela mais um bisneto!?

— Ah Carlos Daniel! — ela disse com a voz embargada e as lágrimas se acumularam em seus olhos

— Eu te amo tanto Paulina, tanto — disse puxando ela para um abraço

— Amo você Carlos Daniel — ela disse deitando a cabeça em meu ombro.