Havia apenas uma semana que tínhamos chegado em casa, três semanas de casados, três semanas tao intensas e felizes que eu custava a acreditar.
Desde que voltamos de nossa lua de mel queria ver Célia e Filomena, minhas amigas de tao longa data. Mas Filó havia retornado para Cancun, e Célia combinou de ir ate a mansão em sua folga, que seria na próxima sexta, queria tanto conversar com ela, e também queria lhe propor algo.
— Meu amor, eu ja vou indo pra fábrica, Rodrigo e eu vamos aproveitar a tarde para olharmos como esta a produção de nossa nova encomenda. — Carlos Daniel disse me abraçando pela cintura.
— Tudo bem, daqui a pouco a Célia chega, — disse envolvendo meus braços em seu pescoço — só lamento que Filó ja tenha ido embora, queria ter me despedido dela.
— Qualquer dia desses vamos ir visita-la meu amor, — ele me beijou — e aproveitamos pra ter uma segunda lua de mel.
— Ah é!? — disse sorrindo contra sua boca — Acho que é uma excelente ideia.
Trocamos um beijo demorado que me deixou de pernas bambas, Carlos Daniel se despediu e voltou para fábrica, e assim que ele saiu Lalinha entrou.
— Senhora, sua amiga acabou de chegar — Obrigada Lalinha, eu ja vou descer.

— Célia, — falei indo ao seu encontro com um sorriso, ela estava sentada no sofá conversando com vovó Piedade e me recebeu com um caloroso abraço.
— Ah minha amiga, — ela disse se afastando para me olhar com aquele ar divertido de sempre — Paulina... você esta tao linda menina, parece até aquelas modelos de capa de revista.
— Célia... — disse um pouco sem graça enquanto vovó soltava uma gargalhada.
— Dona Piedade, a Paulina sempre fica sem jeito quando a gente a elogia, — Célia disse dando um tampinha em meu braço — fica toda vermelha e sem graça.
— E eu nao sei Celia!? — vovó ainda sorria.
— Aí vocês duas heim... — disse ainda corada enquanto as duas riam.
— Amiga, agora falando sério — Célia me olhou com carinho — você está maravilhosa heim, e nem preciso perguntar como esta porque está estampado aí na sua cara.
— Eu nunca estive tao feliz Célia. — admite suspirando
— Paulina, eu fico tao feliz por você, — Célia segurou minhas mãos — você merece mais que tudo toda essa felicidade nao é mesmo dona Piedade?
— Claro minha filha, — vovó disse se levantando e afagou meu braço — Paulina agora é minha neta, é uma Bracho, e arrisco a te dizer Célia, que eu estou mais feliz que ela, nao imagina o quanto pedi a Deus para que aceitasse ser esposa de Carlos Daniel.
— Vovó — disse com os olhos pinicando, eu sabia o quanto vovó Piedade sofreu com tudo o que aconteceu na família Bracho.
— Você sabe minha filha, — ela disse e sorriu voltando a atenção a Célia — eu vou deixar vocês duas conversarem sossegadas, e você fique a vontade Célia.
— Obrigada dona Piedade — Célia agradeceu sorrindo.
— E você Célia? — perguntei assim que nos sentamos.
— Ai amiga, estou bem, você sabe como sou. — ela sorriu- Estive semana passada com a Filó, ela esta louca pra te ver, e queria ter ficado pra te esperar voltar, mas sabe como ela é, nao consegue ficar longe de casa.
— Eu sei, — sorri — eu também queria muito que ela estivesse aqui, Carlos Daniel disse que logo iremos lá, ele quer conhecer onde cresci.
— Ah, claro que ele quer.
Conversamos durante um bom tempo, Célia havia estado comigo em tantos momentos, e agora era maravilhoso poder a ter por perto. Fomos ate o jardim para aproveitar a tarde fresca, Lalinha nos serviu um lanche.
— Tenho certeza que sua mãe está feliz onde quer que esteja Paulina
— Eu sei, — disse e engoli em seco — eu queria que ela estivesse aqui
— Aí minha amiga, — ela afagou meu braço — ela está, está em você, e está cheia de orgulho da mulher que você é, da mãe que é pra essas crianças...
— Obrigada Célia
— E olha só, você está morando nessa mansão, com essa família que te ama tanto Paulina, e um marido que minha nossa... parece um deus grego e é louco por você
— Eu o amo tanto Célia — disse sorrindo ao me lembrar de Carlos Daniel
— E amiga, — Célia sorriu olhando para os lados e abaixou seu tom de voz — como foi sua primeira vez com o bonitão?
— Célia! — disse com os olhos arregalados e o rosto vermelho, sabia que Célia nao perderia a oportunidade de me encher de perguntas.
— Aí Paulina, ate parece que nao me conhece — ela sorriu alto
— Você faz cada pergunta Célia! — disse a olhando com os olhos arregalados sabendo que ela não me deixaria escapar daquela pergunta.
— Ai amiga, me conta vai. Aposto que ele foi todo carinhoso... Ai Paulina me fala, sabe que nao vou desistir ate você falar.
— Eu sei, — falei sorrindo e suspirei apaixonada — ele foi muito paciente e carinhoso, foi tão maravilhoso Célia, eu nao imaginava que seria assim, foi tudo tão perfeito... jamais pensei amar tanto assim.
— Pela sua carinha aposto que foi maravilhoso mesmo — ela sorriu e continuou — e o coitado do senhor Bracho com certeza ja estava subindo pelas paredes com toda essa espera
—Célia! — a adverti
— E como eu sei que você nao vai me dar mais detalhes sobre sua lua de mel, — ela revirou os olhos- vou ter que me contentar.
— Eu te agradeço — sorri aliviada — Você tem cada pergunta nessa cabeça Célia que as vezes tenho medo de conversar com você.
— Paulina, — ela gargalhou — você devia era me agradecer, sabe que pode conversar comigo sobre qualquer coisa.
— Ai Célia, só você mesmo viu. — falei bebendo um pouco de água — Célia, queria te propor uma coisa, ja faz tempo que estou pensando nisso e espero que você aceite.
— Hmmm amiga, agora me deixou curiosa, o que é? — ela perguntou erguendo a sombrancelha e me encarando.
— Bom, você sabe que os Brachos tem uma empresa de cerâmicas
— Vocês né senhora Paulina Bracho — sorrindo ela me corrigiu.
— É, sim — sorri — e bom, estamos precisando de uma secretária, e eu só consigo pensar em você.
— Em mim!? — ela perguntou espantada — Ai Paulina, sei que você quer me ajudar, mas acho que nao sou qualificada para trabalhar em uma empresa como a sua.
— Ah por favor Célia, — falei revirando os olhos — eu te conheço muitíssimo bem para saber o quanto você é capaz, você é inteligente, esforçada, e é muito comunicativa, e confio em você.
— Ai nao sei Paulina, — disse pensativa — o que os Brachos acharam disso?
— Carlos Daniel e Rodrigo concordam comigo, você irá assumir o lugar da Verônica, ela está muito sobrecarregada com o novo cargo e precisamos de pessoas de confiança, você sabe que ate o Osvaldo está trabalhando la, e ele está se saindo muito bem.
— Bom amiga, eu fico muito grata mesmo por você se preocupar comigo, — ela segurou minhas mãos — e você sabe também que onde trabalho não é lá essas coisas
— Sei sim Célia, — sorri — por isso quero que aceite.
— Bom, sendo assim — ela sorriu- é claro que aceito amiga.
— Ah Célia, — me levantei para abraça-la — eu fico muito feliz.
— Paulina, — ela retribuiu o abraço — você sempre querendo ajudar todo mundo.
— Só as que gosto. — sorri.
— Bom, eu preciso ir agora, ja está ficando tarde e marquei de encontrar um amigo. — ela me abraçou e segurou minhas mãos para me avaliar — E você minha amiga, está linda, e é tao bom ver você assim, feliz e radiante, com esse brilho no olhar, o senhor Bracho é um homem de muita sorte por ter você.
— Tem toda razão Célia — Carlos Daniel disse ao meu lado, só de ouvir sua voz meu coração disparou — sou o homem mais feliz do mundo por ter minha Paulina.
— Oi meu amor, — falei o olhando com um sorriso quando ele me abraçou pela cintura e beijou o alto de minha cabeça — nem vi você chegar.
— Acabei de chegar e vi vocês duas aqui, e vim cumprimentar nossa mais nova colaboradora!? — ele sorriu olhando para Célia.
— Parece que sim senhor Bracho, — Célia sorriu me olhando — nao tinha como recusar a proposta de Paulina.
— Eu fico muito feliz Célia, — falei me recostando em Carlos Daniel — e você pode começar quando quiser, sei que vai precisar organizar algumas coisas primeiro, mas estamos te esperando.
— Muito obrigada gente, — Célia agradeceu sorrindo — mas agora preciso mesmo ir. E olha, ver vocês dois juntos é maravilhoso.
Célia se despediu e Carlos Daniel pediu para que Pedro a levasse em casa.
E assim que ficamos sozinhos Carlos Daniel me beijou.
— Como foi seu dia? — perguntou segurando minha mão e me olhando atento.
— Foi bom, a Célia é uma boa companhia. — disse e o olhei — E como foi na fábrica?
— Tudo certo minha vida, — ele sorriu e contornou meus lábios com a ponta dos dedos me deixando arrepiada — mas agora eu quero apenas te beijar.
Sorri e o puxei para mim.
— Amor, o Rodrigo e a Patrícia nos convidaram para jantarmos em sua casa hoje — ele disse enquanto caminhavamos abraçados para dentro — o que você acha?
— Eu acho ótimo, — falei parando ao pé da escada — estou com saudades da Patrícia, eu não a vi a semana inteira.
— Então vamos subir para nos arrumarmos, — ele disse sorrindo, eu deslizei minhas mãos por debaixo de seu paletó e o abracei apertado — porque nós dois sabemos muito bem que sempre nos atrasamos um pouco para nos vestirmos não é?
— Ah é sim, — sorri e beijei sua garganta, ele estremeceu — sei bem como é.
— Então vamos logo senhora Bracho — me olhou com os olhos negros e subimos para nosso quarto.