Notas iniciais
Agora as postagens vão ficar um pouco mais espaçadas. Eu vinha postando um capítulo por dia, mas as aulas na universidade voltaram e não dá mais pra manter esse ritmo, mas vou postar um capítulo novo sempre que possível. Enjoy!

Light havia tirado aquele dia para pensar. Afastado do quartel general da força tarefa não haveriam muitas distrações, e ele poderia pensar com clareza. Um plano já estava se desenhando na sua cabeça desde a prisão de Misa, mas era necessário que ele pensasse em todos os mínimos detalhes. Rem o havia visitado essa tarde e relatou-lhe que fez com que Misa renunciasse à posse do Death Note. Isso o deixou mais aliviado, pois não haveria chance de Misa confessar algo de que não se lembra. Por outro lado, a Shinigami ameaçou matá-lo se ele não salvasse a namorada e além disso, havia a aquela mulher impetuosa que revelou a todos a existência do Death Note. Light não podia compreender como ela conseguiu ir tão longe. E nesse exato momento, L a está confrontando. Será que o detetive irá acreditar mesmo nela? Contra Light, havia o fato de que Misa já mencionara antes a existência de Shinigamis. A seu favor, podia alegar a falta de equilíbrio emocional de uma mulher que acabara de perder o noivo, e se aproveitou disso para criar uma teoria absurda sobre Kira. Mas na verdade, o detalhe que mais chamara a atenção do adolescente foi o fato de Chiara ainda estar viva. Misa, por mais burra que fosse, não cometeria um erro desse tipo, e porque o noivo dela escreveria seu nome errado quatro vezes em um pedaço do Death Note? Talvez...

— Ryuk.

— O que é Light?

— É possível que uma pessoa se torne imune ao Death Note?

— Eu já ouvi falar de casos de pessoas a quem não foi possível matar com o Death Note, mas não foi comigo que aconteceu. Nem nós Shinigamis conhecemos todas as regras do caderno.

Então aquela mulher enxerida poderia mesmo ser imune ao caderno? Considerando-se a morte do noivo dela, talvez a imunidade não viesse de graça. Talvez a imunidade dela tenha custado a vida dele. Se fosse assim, ele jamais poderia testar essa hipótese, sob risco dele próprio morrer. Também não poderia escrever o nome dela em seu Death Note, por que se ela morresse, as suspeitas sobre ele aumentariam. De toda forma, com seu novo plano, o fato de Chiara ter contado tudo já não seria e grande importância.

“É melhor eu me concentrar na execução do meu plano. Se tudo correr como pensei, Ryuzaki será obrigado a me inocentar”.

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Ainda no hotel, preparando a mudança para o novo prédio da força tarefa, a equipe de policiais reagia à notícia de que Chiara iria trabalhar com eles.

— Como assim, Ryuzaki? Aquela mulher entra aqui, fala um monte de absurdos, confessa um crime e você ainda convida ela para fazer parte da força tarefa? – Aizawa estava indignado.

— A senhorita Chiara provou ser esperta e habilidosa. Conseguiu descobrir todas aquelas coisas apenas com seu esforço e inteligência – L respondeu sem olhar para Aizawa.

— Chefe, o senhor não acha inconveniente termos aquela mulher trabalhando no caso Kira? – Aizawa insistiu. Não era exatamente a sua repulsa pela conduta da ruiva que lhe revoltavam, mas sentia-se desvalorizado pelo fato de pessoas não profissionais estarem sendo inseridas na equipe.

— Acho que devemos dar a ela uma oportunidade de nos ajudar e de provar sua teoria – A voz do Sr. Yagami era determinada, como quem está no cumprimento de um dever. Ele fixava seu olhar em um ponto distante, reflexivo – Ela conseguiu informações que nem nós temos. E apesar do que aparentou ontem, não é uma má pessoa.

— Como assim? Do que está falando? – As perguntas começaram a surgir dos outros homens – Aizawa, Matsuda e Mogi, que pouco opinava.

— Light esteve com Naomi Misora no dia em que ela procurou a força tarefa. – Havia um pesar na fala do Sr. Yagami.

Expressões de surpresa tomaram a sala da cobertura de hotel, que estava cheia de caixas de mudanças. Sem mesmo haver tempo para que alguém dissesse qualquer coisa, Light entrou pela porta com cabeça baixa e expressão de sofrimento.

— Ryuzaki, quero que me prenda – Eu posso ser o segundo Kira.

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Sentada em cima de caixas de mudança, Chiara tentava mascar as emoções que sentira nesses últimos tempos. Desde que decidira passar alguns meses no Japão, sua vida mudou completamente. Perdeu a pessoa a quem mais amava no mundo, estava longe dos amigos e não sentia mais vontade de fazer o que mais gostava: tocar piano. Decidiu arriscar a vida e procurar desesperadamente pelas pessoas culpadas pelo nevoeiro de tristeza em que sua vida se tornara. Ela, que até um tempo atrás duvidava da existência de qualquer divindade agora estava perseguindo Shinigamis e cadernos mágicos. Apesar de tudo isso, nesse exato momento Chiara sentia profundamente uma chama de animação. Ela estava empolgada em participar da força tarefa e ansiosa para a mudança. Mas ela não gostava de se sentir assim. Não podia se sentir assim, pois amava Sam e ele havia morrido. Não podia se permitir pensar na imagem daquele detetive misterioso e sorrir nem lembrar dos olhos preto-fosco que pareciam querer impedir que qualquer um lhe enxergasse o interior. Ela não entendia o porquê, mas sentia vontade de pegá-lo pela mão e mostrar-lhe o que o mundo tinha de melhor, o que ela tinha de melhor. Mas ela não poderia se permitir sentir isso.

— Sam, me perdoa? – Ela disse em voz alta para o vazio, que ecoou a angústia em sua voz.

A gata rajada que antes caminhava de caixa em caixa subiu no colo de Chiara e deslizou a cabeça peluda sobre a mão dela.

— Você tem razão, Jezebel. Vamos embora.

Notas finais
Chiara e L sentem algo um pelo outro Chiara e L não aceitam o que sentem