- Cadê ela? — eu perguntei entrando e olhando pela sala assim que a mãe da Priscila abriu a porta pra mim.

- Tá lá em cima, no quarto. O Pedro e uma amiga de vocês estão lá com ela. — ela disse ainda parecendo meio assustada com tudo aquilo. Eu não respondi apenas fui em direção à escada, trilhando o caminho já conhecido. Eu olhei pra trás rápido e não vi a Bruna atrás, mas eu imaginei que ela fosse ficar acalmando a tia Márcia.

- EU NÃO TÔ COM FOME! — eu escutei a Priscila gritando enquanto eu entrava no quarto.

- MAS VOCÊ TEM QUE COMER! — a Amanda dizia no mesmo tom.

- Aí, finalmente você chegou, Daniela. — Priscila disse assim que me viu entrando

- É bom você não ficar muito animada, porque eu vou fazer essa colher atravessar sua garganta. — eu disse pegando o prato de sopa que tava na mão do Pedro e a colher que a Amanda tentava insistentemente dar na boca dela.

- Que amiga você é... — ela disse se afastando quando eu sentei na cama e tentei colocar a colher na sua boca.

- Exatamente. Eu sou a pior amiga desse mundo por querer que você se alimente direito e não desmaie mais por não comer bem.

- Foi só uma fraqueza... — ela começou a argumentar, mas eu fui mais rápida e coloquei uma colher de sopa na sua boca, quando eu coloquei, ela fez cara de nojo e colocou a mão na boca ameançando colocar pra fora.

- Faz isso e eu faço você comer do chão... — eu disse ameançando, e ela tratou de engolir rápido. — Você imagina o susto que eu levei quando sua mãe disse que você tinha desmaiado? — eu perguntei enchendo a colher e dando pra ela, que tentava fugir, mas percebeu que eu não ia desistir, então se rendeu.

- Quanto drama, meu Deus!

- Drama? Você não viu o que eu fiz com a Bruna. Eu gritei o caminho todo até aqui. Não sei como ela não me jogou pra fora do carro. — ela começou a rir

- Eu daria tudo pra ter visto essa cena. Ei, perai, a Bruna tá aí? — ela perguntou olhando pra porta

- Sim. — eu disse fazendo ela comer mais

- Por que ela não subiu?

- Deve ter ficado com a sua mãe. Ela tava nervosa no telefone, você não devia ter feito isso com ela. — eu repreendi

- De repente eu me arrependi de ter pedido pra ela ligar pra você. — ela disse cruzando os braços

- Pena que agora você não pode fazer mais nada. — eu disse debochada

- E a minha mãe que se assustou quando eu coloquei a primeira roupa que vi e saí correndo de casa? — Amanda perguntou fazendo com que todos começassem a rir

- É, eu tive que parar de ver minha série pra vir pra cá! — Pedro disse indo em direção a janela e olhando a rua

- Perdeu muita coisa... — Amanda disse

- Perdi mesmo. — ele disse voltando e parando na beirada da cama.

- Viu?! Comeu tudo! — eu disse colocando o prato vazio em cima do criado mudo ao lado da cama.

- E teve outro jeito? — ela perguntou enconstando na cama

- Na verdade, não. Você não tinha escolha. — eu disse fazendo a Amanda rir

- Vejo que tá tudo bem por aqui! — Bruna disse dando duas batidas na porta e entrando.

- BRUNA! Que saudades! — Priscila disse pulando da cama e indo abraçá-la

- Também! Que susto, hein?! — Bruna disse retribuindo o abraço

- Pois é. — ela disse dando um sorriso travesso

- Eu pensei que a Daniela ia desmaiar dentro do carro também! — ela disse rindo e todos começaram a rir com ela

- É Bruna, que namorada dramática você foi arrumar, hein?! — Priscila disse adorando o sarcasmo

- Poxa, nem me fala! Eu quase bati com o carro e minha mãe deve tá com os ouvidos pegando fogo de tanto falarem mal dela. — mais risos

- Que exagero! — eu disse rindo também

- Exagero? Exagero foi você gritando com todos os outros carros. — ela debochou. — Oi Pedro! — ela disse quando percebeu que ele também estava lá

- E aí, Bruna?! — ele disse sorrindo. Ela olhou pra Amanda, esperou um pouco e abriu um enorme sorriso.

- Oi, Amanda!

- Oi, Bruna! — Amanda disse sorrindo também.

- Vocês estavam aonde quando minha mãe ligou pra vocês? — Priscila perguntou

- Indo pra minha casa... — Bruna respondeu e eu só concordei com a cabeça

- Eu falei que você ia atrapalhar alguma coisa! — Pedro disse fazendo com que a Bruna ficasse sem graça

- Desculpa, não foi minha intenção! — Priscila disse rindo

- Tudo bem. A gente ia ver filme! — ela disse enfatizando a palavra filme.

- Sei bem que filme é esse... — Priscila falou baixinho, mas que deu pra entender e voltando a deitar na cama

- Bom, eu vou pra minha casa, agora que a Priscila resolveu parar de fazer a Bela Adormecida. — Pedro disse dando um beijo em cada uma de nós e indo pra porta. — Se cuida! — ele disse parando e falando pra Priscila.

- Gente, eu acho que eu também vou, minha mãe deve tá em desespero! — Amanda disse repetindo os movimentos do Pedro. — Come direito, Priscila! — ela disse pra Priscila e virando pra Bruna. — Espero que a gente possa se encontrar de maneira decente. — ela disse rindo

- Ah, sim, claro! Em que eu possa ser mais educada, seria melhor ainda. — Bruna disse rindo também, se referindo ao jeito como ela foi indiferente com a Amanda

- Quanto isso, tudo bem, eu sei que você é gente boa. Só ouvi coisas boas de você.

- Que bom, então! — Bruna disse sorrindo

- Tchau, gente! — Amanda disse saindo

- Vocês vão ficar um pouco mais comigo, né?! — Priscila perguntou fazendo cara de pidona.

- Sim. — eu disse olhando pra Bruna. — Você fica também, né amor?!

- Fico. — ela disse pegando a cadeira da mesa do computador e sentando também.

- Bruna, minha mãe tá mais calma? — Priscila perguntou

- Tá sim. Eu conversei com ela e ela disse que ia deitar um pouco no quarto pra ver se acalmava mais.

- Você acha que eu devo ir lá agora? — ela perguntou tirando o lençol e começando a levantar

- Não. Deixa ela descansar um pouco e descansa você também. — Bruna respondeu e a Priscila obedeceu encostando na cama de novo e se cobrindo.

- Agora me fala, como isso aconteceu? — eu perguntei assim que ela se acomodou

- Eu tava com a minha mãe aqui em casa e tava me arrumando pra ir à festa na casa de um amigo meu, aí quando eu desci as escadas eu senti uma tonteira e eu só lembro de gritar minha mãe, quando eu acordei eu estava no sofá e meu vizinho tava aqui, logo depois o Pedro e a Amanda chegaram, aí eu pedi pra minha mãe ligar pra você!

- Eu me assustei quando eu vi \"10 ligações perdidas\" e um número desconhecido. — eu comentei

- É, porque a minha mãe ligou do celular do Fabiano, meu vizinho. — ela explicou

- E seu pai? Sua mãe ligou pra ele? — eu perguntei

- Não. Eu pedi pra ela não ligar. — o pai da Priscila sempre foi ausente e geralmente estava em viagem à negócios, como no momento.

- Por quê? — eu perguntei

- Porque ele fica muito chato quando tem que voltar antes das suas viagens por problemas pessoais. — ela explicou

- Por quê você não me contou que não tava se alimentando direito? — eu perguntei mudando de assunto, quando percebi que aquele a deixava triste.

- Porque não achei que poderia acontecer isso e eu não tenho sentido fome esses dias, então não tô comendo muito bem.

- Foi a primeira vez que isso aconteceu? — Bruna que até então estava só escutando, perguntou

- Sim, foi a primeira vez. — Priscila respondeu

- Tá fazendo dieta? — ela perguntou de novo

- Não. Você acha que eu preciso? — ela perguntou se examinando, fazendo a Bruna rir um pouco

- Não. E eu não perguntei por isso. — ela explicou

Meu celular pra variar tocou, mas dessa vez um número conhecido

- Minha mãe. — eu disse levantando da cama e saindo do quarto pra atender. — Oi mãe. — eu disse assim que eu saí

- Oi filha, você já tá voltando?

- Ainda não.

- Vocês estão aonde?

- Na casa da Pri, ela passou mal.

- Passou mal? O que ela teve? — ela pergunta com curiosidade médica

- Não tá se alimentando bem, aí desmaiou.

- Aí, meu Deus. Como está a Márcia? Ela quer que eu vá aí?

- Não, mãe. Fica calma! Tá tudo bem agora e a tia Márcia tá descansando do susto.

- Fala que eu mandei um beijo e mandei ela se alimentar direito, senão vou ter que bancar a médica chata com ela.

- Pode deixar. Mãe, você se importa de passar a noite sozinha?

- Por quê? Quer dormir aí com a Priscila?

- Sim. Eu quero ter certeza de que está tudo bem com ela.

- Sim, está tudo bem. É bom mesmo alguém ficar com ela.

- Ok, então. Vai trabalhar amanhã? — eu perguntei já sabendo a resposta

- Vou, claro! Folga só foi hoje.

- Cedo?

- 6:00 eu já devo estar saindo.

- Que horror! Bom trabalho, então!

- Obrigada e durma bem!

- A senhora também. Beijos. — eu disse desligando

Quando eu voltei pro quarto, elas pararam de falar na hora, eu até parei na porta quando elas se assustaram

- Que foi? — eu perguntei pra elas que estavam paradas me olhando

- Nada. — as duas responderam ao mesmo tempo, eu apenas fiz cara de desconfiada.

- Na verdade, a Bruna tava me mostrando o cordão que você deu pra ela. — a Priscila tentou se explicar rápido, quando eu olhei pra Bruna, ela apenas confirmou com a cabeça e sorriu.

- Priscila, tudo bem se eu dormir aqui hoje? — eu perguntei vendo que elas não iam me contar

- Sério? Claro que pode! — ela disse animada

- Amor, eu vou ficar aqui com ela, vai que ela resolve brincar de desmaiar de novo! — eu disse sentando no colo da Bruna e dando um beijo no seu rosto.

- Foi só uma fraqueza! — Priscila falou

- Dá no mesmo, se você não sabe! — eu disse fazendo a Bruna rir

- E você falou com a sua mãe? — Bruna perguntou beijando meu braço que estava enroscado no seu pescoço

- Sim. Ah, ela mandou você se alimentar direito! — eu disse olhando pra Priscila

- Putz! Você contou pra ela?

- Sim. Por quê?

- Agora ela vai querer dar uma de médica pra cima de mim. — ela respondeu fazendo um não com a cabeça inconformada

- Mas ela é médica, Priscila!

- Você entendeu o que eu quis dizer, Daniela! Até porque eu sei que você não gosta quando ela faz isso com você. — ela falou certo, eu odiava ficar doente, porque minha mãe ficava toda \"Doutora Cláudia\" em cima de mim.

- Tá, então volte a comer direito! — eu respondi dando língua

- Falou igual minha mãe agora! — ela disse rindo

- Bom, eu vou deixar vocês duas se amando aí e vou pra casa! — a Bruna anunciou

- Já vai? — eu perguntei não deixando ela levantar

- Sim, a mocinha ali precisa dormir! Vê se deixa ela dormir e conversa depois. — ela disse levantando

- Até parece! Eu quero mais é conversar mesmo. — a Priscila disse rindo. — E outra, fica tranquila que eu vou cuidar bem da sua namorada, ela não vai ficar carente!

- Nossa, fiquei até com medo de deixar você aqui agora! — Bruna disse pegando na minha mão e rindo

- Fique mesmo. Porque não sei se você sabe, mas sua amada tem uma paixão secreta por mim, se eu cair matando já era Bruna nessa história! — eu comecei a rir do jeito que ela falava e a Bruna também

- Mas eu pensei que você gostasse de homem! — ela lembrou

- Mas pra não deixar a Dani nesse desejo incontrolável eu viro gay por uma noite! — ela disse rindo

- Vai me trocar, Daniela? — a Bruna perguntou divertida pra mim

- Se ela vier com todo esse charme de \"gay por uma noite\", eu não respondo por mim! — eu disse rindo

- Então, você vai comigo! — ela disse rindo

- NÃO! — a Priscila falou mais alto

- Olha, Daniela, ela tá toda se querendo! — Bruna disse me abraçando

- Dá mole! — Priscila disse piscando pra mim

- Muito boba mesmo! — eu disse rindo

- Já que você vai passar a noite tentando seduzi-la, deixa pelo menos eu me despedir! — ela disse me levando pra fora

- Já volto! — eu disse enquanto saía do quarto.

Eu a acompanhei até a porta sem fazer muito barulho pra não acordar a mãe da Priscila.

- Toma cuidado com essa doida, vai que ela te agarra mesmo! — a Bruna disse gargalhando, colocando as mãos na minha cintura e me puxando pra si

- A minha namorada não vai gostar disso. Eu tenho que me comportar! — eu disse colocando as mãos em volta do seu pescoço e fazendo carinho na sua nuca

- Que bom que você pensa assim. — foram as últimas palavras antes de me beijar, ela me encostou na porta e explorava meu pescoço com os lábios arrancando gemidos da minha boca, ela me beijava com tanta paixão e desejo, eu só queria beijar aquela boca mais e mais. — Não quer dormir lá em casa não? — ela perguntou no meu ouvido

- Que tentação! — eu disse rindo. — Eu juro que eu iria se ela não estivesse desse jeito!

- Que jeito? Ela tá bem! — ela insistiu mordendo a minha orelha, fazendo que eu me arrepiasse toda

- Qual foi a pergunta?

- Não lembro! — ela disse voltando a me beijar. — Tá tarde, eu preciso ir! — ela disse se soltando

- Vai não... — eu disse puxando-a de volta

- Daqui a pouco ela aparece aqui atrás de você! — ela disse rindo

- É, tá certo! — eu disse soltando-a

- Amanhã a gente se fala! — ela disse me dando mais um beijo e indo pro carro

- Dirige com cuidado! — eu disse pra ela

- Agora eu vou conseguir já que você não tá fazendo escândalo! — ela disse rindo

- Ah, tá bom, eu também amo você! — eu disse fazendo careta e ela jogou beijo

Entrou no carro e foi embora.

- Agora me conta, o que vocês estavam falando naquela hora? — eu perguntei assim que entrei no quarto de novo.