- Quero terminar! -- Eu exclamei ainda mais alto do que já estávamos falando para ela me escutar. Ela me encarou por alguns segundos desconfiada, afinal já tínhamos perdido as contas de quantas brigas tivemos só nessa semana, quando ela capturou em meus olhos toda a firmeza e seriedade que pude transmitir, ela apenas deu um passo para frente, cruzou os braços e disse:

- Vamos conversar depois, quando nós duas estivermos calmas.

- Não, eu quero terminar. Eu sei o que eu estou falando. — Eu disse com todas as minhas forças, com medo de ela perceber que minha voz me traía às vezes. — Não é de hoje que quero fazer isso. Vai ser melhor pra nós, a nossa amizade vai ficar pra sempre, mas do jeito que está, não pode ficar.

- Isso tem a ver com a Camila, não é?! — Ela perguntou fazendo toda a minha ira voltar.

- Não tem nada a ver com Camila, tem a ver comigo, e eu digo que eu quero terminar. — As minhas palavras saíam como furacão e eu podia ver o efeito que elas causavam. Eu respirei fundo e continuei: — Será que você não vê? Será que você não vê que esse seu ciúmes prejudicou toda nossa relação? Que todas as desculpas que você tinha pra desconfiar de mim você arranjou?! E ainda sim, você persiste no mesmo erro, eu não AGUENTO mais isso, essa desconfiança, essas brigas, eu simplesmente não consigo! — Ela apenas me escutava e deixava no canto de seus olhos lágrimas que estavam prestes a cair e junto com as lágrimas, eu também estava prestes a cair.

Ela veio em minha direção, ainda me olhando nos olhos, até que seu olhar me deixou constrangida por ser tão profundo e eu desviei o meu. Ela pegou um de meus braços com a sua mão e a outra ela levou até meu queixo fazendo-me olhá-la.

- Daniela ... — ela começou, fazendo as primeiras lágrimas escorrerem. — Não faça nada que você possa se arrepender depois, amor. Eu sei que temos brigado e sei que eu tenho sido impaciente e ciumenta e peço desculpas por isso, mas pensa bem nisso, eu não quero terminar. Eu te amo!- Ela terminou suas palavras com um meio sorriso e levando sua mão até minha bochecha e acariciando-a.

Por um momento eu pensei em desistir dessa besteira de terminar e me jogar em cima dela, abraçá-la e dizer o quanto eu sintia muito, mas em minha mente só conseguia ver a imagem de nossas brigas e gritarias.

- Não, Bruna, você sabe que não é assim. Você diz isso agora porque está nesse momento \"me arrependo muito\", mas depois que isso passar e seu ciúmes voltar, você vai esquecer dessas palavras. — Ela apenas negava com a cabeça em silêncio enquanto escutava minhas palavras

- Não, não e não. — Ela enfatizava cada não com firmeza, a sua voz era grave e transmitia segurança. — Por que você quer terminar comigo? Você não gosta mais de mim? Porque ciúmes não pode ser motivo pra você terminar 1 ano de namoro.

- Não. — eu afirmava agora com a mesma firmeza que ela, soltei-me de sua mão e andei até o outro lado do quarto. — Não é só o ciúmes, mas é tudo o que ele está causando. Eu não quero me magoar mais, eu não quero te magoar mais, eu não quero brigar...- ela acompanhava cada movimento meu com o olhar.

- Me diz uma coisa com toda sinceridade que você tem... a Camila tentou ou não beijar você? — Quando ela perguntou isso, eu caminhei até a cama e sentei-me, eu sabia que a resposta provocaria uma revolta na Bruna.

- Sim. — eu confirmei em apenas um sussurro. Como previ a raiva tomou conta de seu rosto novamente, suas feições se transformaram.

- EU SABIA! EU SABIA! — ela falava agora gritando ainda mais do que antes. — Aquela safada! Eu te falei, eu te falei! — falava apontando pra mim e cada vez com mais raiva.

- Mas Bruna, ela não conseguiu, eu não permiti e é isso que você tem que saber, você tem que apenas confiar em mim.

´- Não é questão de confiar, Daniela. E sim, que eu falei que ela estava com segundas intenções pra cima de você!

- Como assim não é questão de confiar? Então, você não confia em mim?

- É claro que eu confio! — Ela afirmou levando as mãos à cabeça. — Eu apenas quero te mostrar que eu não sou tão louca assim como você faz parecer.

- Seu ciúme é desnecessário e você sabe disso.

- Eu sei? — Ela perguntou ironicamente dando uma risadinha

- Odeio quando você se comporta assim. É ridículo.

- Ah, então quer dizer que outra tenta beijar a MINHA namorada e eu sou a louca? Senta lá, Daniela!

- Eu não estou nem aí pra Camila, Bruna! Eu tô... Tava com você e você não confiou em mim! Alguma vez eu desconfiei de você?

- Sim! E quando aquele garoto, o tal de Rodrigo veio pra cima de mim? O que você fez?

- Foi diferente! — Eu disse

- Por quê? - Ela me perguntou sentando ao meu lado na cama.

- Porque ele tava realmente disposto a ficar com você, e nós devemos admitir que ele não é dos piores. — ela riu com a minha declaração, aquele risada que eu amava, eu a encarei e quando me dei com seu rosto, pude ver o rastro que as lágrimas haviam deixado em seus olhos verdes e eu simplesmente não pude me conter ao levar minhas mãos em direção aos seus olhos e secá-los. Ela observava cada movimento que eu fazia com atenção. Ao sentir meu toque, ela fechou os olhos e beijou a palma da minha mão esquerda.

Naquele momento eu sabia que não era forte o suficiente pra deixá-la, mas era preciso, eu precisava saber o que era aquilo que nós sentíamos. Mas enquanto eu pensava sobre isso, eu deixava meus dedos escorrerem sobre sua face, alisando suas bochechas, levando seu cabelo pra trás da orelha, descendo meu dedo e desenhando com ele os seu lábios macios. Ela beijava meu dedo com delicadeza e permanecia de olhos fechados totalmente alheia ao que estava ao nosso redor.

- Sabe... — eu comecei fazendo-a abrir os olhos — Quando eu te vi pela primeira vez, eu não pensava que você fosse ser tão importante pra mim.- Ela sorriu pra mim, mostrando todos os dentes brancos e alinhados perfeitamente.

- Isso quer dizer que eu ainda sou sua namorada? — Ela viu minha demora e tirou seu sorriso.

- Não. — Eu finalmente disse. — Pelo menos por agora, precisamos dar um tempo, não sei quanto, mas precisamos.

- Você quer ficar com alguém? — Ela me perguntou, quando ela viu que eu não ia responder, não com palavras e sim com o meu olhar ríspido, ela se consertou. — Desculpa. E você acha que isso é o melhor?

- Sim. — Respondi simplesmente. Ela sabia que por aquela noite bastava, ela apenas se levantou, me deu um beijo na bochecha e se retirou do quarto. Eu apenas assistia a cena meio arrasada e meio aliviada.

No final,eu realmente precisava de um banho e dormir um pouco. E foi exatamente o que fiz.