Apenas mais Uma de Amor
6 Capítulo 6
- Onde você tava? — Priscila perguntou assim que eu coloquei os pés na sala. Eu a encarei sem saber o que dizer, eu não sabia se contava o que acabara de acontecer ou se falava outra coisa, mas como eu sempre fui uma péssima mentirosa, decidi contar. Eu puxei seu braço e a levei pro canto da sala, onde ninguém pudesse escutar.
- Eu fiquei com a Camila! — eu disse em um sussurro
- VOCÊ O QUÊ? — ela perguntou em um tom consideravelmente alto para o que eu estava usando e ficando com a boca muito, mas muito aberta
- Nossa, Priscila, você é tão discreta! — eu disse olhando sério pra ela
- Desculpa, Dani... foi mais forte que eu. Ok! Agora me conta isso direito, por favor?!
- Eu tô me sentindo estranha, eu tô triste pelo que eu fiz. É como se eu estivesse traindo ela.
- Eita, ela beija mal assim? — ela perguntou com sarcasmo
- Aí, Priscila, eu não falei disso! E não, ela não beija mal.
- Ah, Dani, você e a Bruna terminaram, né?! então, não é traição.
- Eu sei, eu sei. Mas foi ontem, sabe... não sei explicar, é estranho pra mim.
- O que você vai fazer? Porque você entende que agora que ela sabe que você se rendeu uma vez, pode acontecer de novo.
- Eu já pensei nisso.
- Tô vendo, pensou tanto que fez isso.
- A culpa não é minha se eu tô triste e ela veio com aquele papo de \"eu gosto mesmo de você\", ela foi sincera, Pri.
- Tá, Daniela, mas agora eu quero ver o que você vai fazer pra sair dessa.
- Obrigada pelo apoio! — eu disse com sarcasmo
- Mas antes de tudo... você quer ficar com ela de novo? — ela perguntou levantando uma sobrancelha
- Não, quer dizer, acho que não. Eu não a vejo dessa maneira, mesmo depois disso, eu só a vejo como amiga, eu tenho carinho por ela, mas só.
- É... bom, fala isso pra ela!
- Eu tentei, mas ela é dura na queda. E ela sabe usar as palavras. — Priscila começou a rir
- A única coisa que eu posso dizer é que você tem que ser sincera com ela e abrir o jogo mesmo e não se render aos encantos da menina. — ela disse ainda rindo
- É o que eu vou fazer. Que droga! Odeio me sentir desse jeito, odeio em sentir culpada assim. — eu disse indo sentar no meu lugar
Depois que eu sentei eu me lembrei que havia deixado a Amanda lá embaixo, quando procurei por ela na sala, eu a encontrei conversando com o Pedro. Eu achei melhor deixá-la lá mesmo.
O que eu vou falar pra Camila? O que eu vou falar pra Bruna? De certa forma, a Priscila tava certa, eu não traí, mas pra mim era como se eu tivesse traído. A Bruna com certeza vai pensar que eu terminei só pra ficar com a Camila, sendo que nunca foi por isso.
Quando o coordenador entrou na sala dizendo que a professora não iria por um problema e que fomos liberados suspirei mais leve.
- Tô doida pra ir pra casa! — eu desabafei quando cheguei perto deles
- Eu também! — Pedro concordou
Quando chegamos lá embaixo, a turma da Camila ainda estava lá, inclusive ela, tinha uma garota com as mãos em volta da cintura dela, e ambas estavam de costas pra mim.
- Ei, antes eu vou resolver aquele negócio, tá?! — eu disse pra Priscila e Pedro
- Que negócio? — Pedro perguntou
- Vem que eu te explico! E você, vai lá! — Priscila disse puxando o Pedro
Eu me aproximei delas, estavam em um grupo, e não viu quando eu cheguei.
- Camila? — eu disse com uma voz não muito alta, mas mesmo assim ela parecia assustada e surpresa, na mesma hora ela se soltou da garota que também se assustou com a reação dela e veio até mim.
- Daqui a pouco eu volto, gente! — ela disse pra eles. — Sentiu saudades? — ela perguntou rindo
- Na verdade, eu quero conversar com você! É a minha vez, né?! — eu disse dando um sorriso amarelo
- Hum... pode dizer. — ela parecia já estar esperando
Ela me acompanhou até o banco que ficava no pátio e sentou comigo.
- O que aconteceu hoje, eu acho que não pode acontecer de novo... — eu comecei
- Não pode ou você não quer? — ela perguntou
- Um pouco dos dois. — eu decidi que se era pra ser sincera, eu seria
- E por quê você não quer? Ainda é por causa daquela história de \"não quero machucar você\"?
- Não é história, Camila... eu não quero mesmo! Eu quero que você entenda que eu amo a Bruna e eu não posso simplesmente fingir que nada aconteceu. — ela me olhava com os olhos apertados, eu sabia que se ela pudesse, ela tamparia os ouvidos
- Sabe, Daniela, eu não sou obrigada a ouvir isso! Mas eu não entendo porque se você gosta tanto dela, por que não está com ela!
- É mais complicado do que parece.
- Com você é sempre mais complicado, né?! Tudo pra você é mais complicado.
- Você não entende.
- Ah, sim, claro. Eu não entendo a vossa majestade. Então por que você não me explica?
- Menos deboche seria bom!
- E menos enrolação também. — ela devolveu
- O que você faria se você gostasse de alguém, mas você brigasse com essa pessoa sempre? — essa pergunta a deixou pensativa
- Se eu gostasse mesmo, eu deixaria as brigas de lado.
- Mas e quando foge do seu controle e as brigas se tornam constantes e banais?
- Continuo dizendo, se eu gostasse mesmo dela, eu lutaria. Claro, se eu fosse correspondida. Eu não tenho experiência com relacionamentos, mas eu sei que se eu gosto de alguém, eu tenho que lutar por isso.
- Você acha que eu fiz errado terminando com ela? — eu perguntei com a voz falhando
- Você tá perguntando pra pessoa errada. Por mais que eu me importe com você, não é com ela que eu quero te ver.
- Me desculpa por isso. — eu disse sincera
- Tudo bem. Eu já esperava isso. — ela disse dando um sorriso triste e se levantando.
Eu voltei pra casa mais confusa do que quando eu fui pro colégio, me concentrar na rua tava mais difícil ainda. Eu me sentia enjoada e mal por tudo aquilo. Muita coisa pra uma manhã só. Que confusão.
Foi quando eu senti algo vibrar na minha mochila e logo depois começar a tocar uma música familiar, então eu abri minha mochila e tateei em busca do meu celular, quando encontrei, vi o número já mais que conhecido e meu coração disparou.
- Alô. — eu atendi com a minha voz fraca e tremendo
- Podemos nos encontrar? Eu quero conversar com você. — ela disse decidida.
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