Apenas mais Uma de Amor
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Era a décima vez que eu tentava ligar para seu celular e eu escutava aquela voz pra deixar mensagem já que o celular se encontrava desligado.
Já estava ficando agoniada, a Bruna tinha uma “paixão” por esse celular, quer dizer, não saía de casa sem ele, pra onde ela ia o seu fiel companheiro ia junto e ligado, claro.
Eu tentei mais umas três vezes e nada, resolvi deitar um pouco, eu tava cansada, acordei cedo pra ir pra escola.
Só me dei conta de que eu havia dormido quando uma música invadiu o meu quarto, eu não abri os olhos, só comecei a tatear pelo lençol da cama à procura do aparelho que eu tinha deixado em cima da cama, eu atendi ainda de olhos fechados.
- Alô? – a minha voz tava sonolenta ainda, saiu fraca
- Te acordei? – uma voz rouca e baixa me perguntou, no mesmo instante eu levantei e sentei na cama passando a mão no cabelo e deixado-a por lá mesmo.
- Sim, quer dizer, não. Não importa! Você sabia que eu estou tentando falar com você desde a hora que eu cheguei do colégio? – eu perguntei sem dar tempo pra ela responder. – O que aconteceu com seu celular? Melhor, o que aconteceu que você não o deixou ligado?
- RG? CPF? – ela pergunta de deboche, mas sem um tom do mesmo, a pergunta saiu seca e eu esperei sem dar uma palavra. – Meu celular tá desligado!
- Sério? Eu nem tinha percebido. – eu disse com humor negro
- Eu preciso conversar com você. – a voz saiu urgente e preocupada
- Sobre? – eu perguntei mordendo o lábio inferior
-Você vai saber. Posso passar na sua casa mais tarde?
- Claro que pode. Você tá bem? – eu perguntei estranhando o seu tom de voz
- Por quê? – ela perguntou mudando o tom seco para o tom confuso
- Não sei sua voz tá estranha. – quando eu terminei de falar, eu escutei uma voz chamando pelo seu nome ao fundo, imaginei que fosse alguém do trabalho, na mesma hora, ela colocou a mão dificultando qualquer tentativa que eu pudesse ter em escutar.
- Daniela?
- Sim.
- Eu preciso desligar, mais tarde a gente conversa. Beijos. – antes mesmo que eu pudesse responder ela já tinha desligado.
Aquela voz e aquele jeito me deixaram preocupada, mas eu ainda achava que podia ser pela noite anterior, que ela ainda pudesse estar com raiva do acontecido. Eu tentei ordenar meus pensamentos novamente e continuei sentada na cama por mais um tempo.
Eu só reparei que tava com fome, quando eu senti algo roncar dentro de mim e despertei de qualquer tipo de pensamento. Corri pra cozinha e abri o congelador encontrando um hambúrguer congelado, que logo me lembrou minha mãe que não se agradaria de eu trocar uma coisa saudável por isso. Depois de tirá-lo do micro-ondas, peguei um prato e copo de Guaraná, fui me sentar na sala e liguei a TV. Quando eu ia dar a primeira mordida no meu hambúrguer o som do telefone invadiu o ambiente, me fazendo bufar e ir atender.
- Alô? – eu disse com pouca paciência
- Dani? – eu reconheci a voz da minha mãe do outro lado
- Sim, mãe. Aconteceu alguma coisa por aí? – eu perguntei procurando um relógio estranhando a ligação a essa hora.
- Mais ou menos. Queria pedir um favor pra você.
- Diga. – eu incentivei
- A conta de luz vence hoje, eu acabei esquecendo a conta aí, teria como você vir aqui buscar o dinheiro e ir pagar pra mim, filha? – ela disse parecendo distraída
- Ah, claro. — eu disse dando um pequeno sorriso
- Muito obrigada, filha. Você sabe o caminho, né?! – ela conferiu
- Sim, eu sei. Daqui a pouco eu to aí. – eu disse finalizando a conversa
- Tá bom, então. Não esqueça a conta! – ela disse dando risadinha
- Vou tentar. – eu disse rindo baixinho também.
- Beijos. – ela disse desligando o telefone
Eu lembrei que a Bruna passaria lá em casa, mas logo depois pensei que daria tempo de pagar a conta e voltar pra casa.
Fui comer meu hambúrguer que estava morno e fui me arrumar, colocando uma calça preta colada, uma blusa vermelha de manga com alguns detalhes na frente. Só fui dar uma olhada no espelho, passando uma maquiagem mais do que básica, depois indo procurar a tal conta na pasta de contas, assim que achei, guardei as outras, peguei meu celular, minha carteira e as chaves.
O caminho da minha casa até o hospital onde minha mãe trabalha não era muito longe, mesmo tendo que pegar ônibus. Em mais ou menos 30 minutos eu já estava no hospital o qual eu já tinha vindo algumas vezes.
Era um hospital grande e com uma estrutura boa, típico de um digno hospital particular. Quando passei pela porta de entrada, olhei para os lados, indo em direção a recepção.
- Licença? – eu disse para uma moça de cabelo preso que obviamente era a recepcionista, ela estava distraída anotando alguma coisa no caderno e não escutou quando eu falei.
- Posso ajudar? – apareceu mais uma logo atrás dela, com o mesmo uniforme e penteado, só assim a moça que anotava concentradamente, acordou e lançou-me um sorriso meio sem graça, o qual eu retribuí.
- Sim. – eu disse agora me direcionando e respondendo finalmente a pergunta da sua “amiga” recepcionista, ela esperou apenas me olhando. – Eu gostaria de saber onde está a Doutora Cláudia Menezes. – eu disse rindo mentalmente de ter que falar o nome da minha mãe assim
- Eu preciso saber o que a senhorita quer com ela. – ela disse sorrindo
- Ela é minha mãe. Eu fiquei de fazer um favor para ela. – eu disse sorrindo também
- Eu sabia que estava reconhecendo esse rosto de algum lugar. – ela disse chegando mais perto assim deixando uns documentos na mesa e pegando o telefone em cima da mesma. Ela discou um número e falou com o que parecia com a minha mãe. – Ela está no quarto andar, na sala dela. Disse que você pode subir. Sabe onde é? – ela perguntou ajeitando o telefone no gancho. Eu dei um sorriso meio perdida.
- Bom, eu consigo me virar. Obrigada. – eu disse sorrindo mais uma vez pra ela e também para a outra que observava tudo.
Eu fui em direção ao elevador e apertei o botão, olhando a hora no meu celular. Já era 16:24 da tarde. Eu estava concentrada, e levei um susto quando uma mão gelada tocou o meu braço. Virei rapidamente, me afastando inconscientemente daquele toque, assim que vi a recepcionista sem graça pela minha reação, esperei ela falar alguma coisa.
- Eu levo você até sua mãe. Você me pareceu um pouco perdida. – ela disse olhando para o elevador
- Ah sim, obrigada... – eu olhei rápido para o crachá que estava grudado em seu uniforme e lendo o nome: Cíntia Fagundes. E completei minha frase repetindo: — Obrigada, Cíntia. – e sorri, na mesma hora ela olhou rápido para o seu crachá e correspondeu ao meu sorriso.
Cíntia era alta, mais alta que eu pelo menos, tinha uma boa aparência, com seu olhos castanhos bem claros, próximos do mel, cabelos de um tom castanho escuro, eu não poderia dizer exatamente o comprimento, pelo fato de estar preso, mas poderia dizer que estava abaixo do ombro, mas não parecia estar muito abaixo também.
- Você não vai entrar? – eu escutei a sua voz, e percebi que ela já estava dentro do elevador, segurando o mesmo com a mão e tentando entender porque eu não havia entrado.
- Nossa, me desculpe, eu me distraí. – eu disse entrando imediatamente no elevador. Ela soltou a porta e apertou o botão de número 4 e suspirando em seguida. – Deve ser cansativo trabalhar aqui... – eu disse virando para encará-la do meu lado, que assim que sentiu meu olhar virou para me olhar
- Um pouco. – ela disse me lançando um sorriso cansado.
- Imagino. Eu vejo pela minha mãe, coitada, ela chega em casa e às vezes só dá tempo de tomar banho e cair na cama. – eu disse olhando pra frente
- Se eu fico cansada, imagino doutora Cláudia. Ela fica rodando esse hospital o dia inteiro e eu nunca a vi reclamar disso. Ela é uma excelente doutora. – ela disse sorrindo para mim e dando um passo a frente do elevador que agora se abria em nossa frente.
- Sim, ela é. – eu disse sorrindo largamente de orgulho da minha mãe.
Ela trilhava o caminho com facilidade e cumprimentando algumas secretárias e doutores. Eu apenas a seguia e finalmente parou em frente a uma porta amarela, na qual deu duas batidas, e podíamos escutar um “Pode Entrar!” da minha mãe.
- Dani! – ela disse sorrindo deixando suas olheiras à mostra e vindo em minha direção para me abraçar.
- Oi mãe. – eu disse retribuindo o abraço.
- Obrigada, Cíntia! – ela disse sorrindo para alguém atrás de mim e eu virei para encarar a recepcionista
- Obrigada! – eu disse sorrindo da melhor maneira possível, mas ela pareceu ficar sem graça com os nossos olhares e sorrisos.
- De nada, doutora. – ela olhou para mim e começou a frase: — De nada, éé... – eu entendi rapidamente o que ela quis dizer
- Daniela. – eu disse rindo baixinho e ela riu também.
- Bom, de nada, Daniela. – ela disse sorrindo mais uma vez e estendendo a mão para mim, a qual eu peguei e apertei de leve, eu pude sentir de novo a mão gelada em contato com a minha quente, ela rapidamente soltou sentindo meu toque.
- Licença. – ela disse um pouco sem graça e finalmente se retirando.
- Parece que você a deixou sem graça. – Minha mãe disse rindo assim que a porta se fechou
- Quê? – eu disse desviando meu olhar da porta e virando para olhá-la.
- A Cíntia, ela me parecia um pouco sem graça com a sua presença. – ela disse sentando na sua cadeira e chegando-a pra frente com facilidade.
- Por que estaria? – eu disse sentando na cadeira de visita.
- Pergunta pra ela quando descer. – ela respondeu dando ombros, eu apenas levantei uma sobrancelha e esperei ela completar. – Estou brincando. – terminou sua frase piscando pra mim
- Ela me parece bem nova. – eu disse colocando meu celular e as chaves em cima da mesa dela.
- Sim, ela é nova sim. Se eu não me engano, tem 20 anos, mas é muito eficiente e dedicada. Muito inteligente também. – enquanto falava gesticulava com as mãos e com um sorriso no rosto. Eu apenas sorri.
- Bom, cadê o dinheiro? – eu disse me ajeitando na cadeira.
- Ah, sim – ela disse abrindo a gaveta e retirando um envelope de dentro dela, me entregando.
- Só isso? – eu disse pegando o envelope, abrindo-o e colocando o dinheiro dentro da carteira.
- Já falei pra usar uma bolsa. – ela disse fechando a gaveta
- Eu esqueci. – eu disse disfarçando e fazendo careta.
- Sei.
- Vai ficar até tarde hoje? – eu perguntei
- Talvez. Depende do movimento. Mas eu sei que antes das 22h eu não saio. – ela disse passando a mão no rosto.
- Mãe, a senhora precisa de férias. – eu disse tocando sua mão.
- Preciso mesmo. – ela disse pegando minha mão e beijando-a.
- Então, tenta ver com o seu chefe umas férias. – eu disse sorrindo
- Sim, vou ver. Mas enquanto isso o trabalho me chama. – ela disse começando a levantar e eu comecei a levantar também
- A gente se vê mais tarde, então... eu acho. – eu disse indo abraçá-la
- Ok. Tome cuidado na rua com esse dinheiro.
- Pode deixar. – eu disse me virando e caminhando até a porta.
- Filha, obrigada! – minha mãe disse quando toquei a maçaneta.
- De nada, mãe. – eu disse carinhosa sem me virar e saindo.
Eu comecei a olhar pelo enorme corredor, fazendo uma análise de como cheguei até aqui. Finalmente depois de caminhar, avistei o elevador, apertei o botão e esperei.
- Tá me seguindo? – eu escutei uma voz pouco familiar perguntar, enquanto eu olhava para o chão, eu levantei meu olhar devagar e encontrei-a sorrindo.
- Pois é. Acho que esse hospital tá começando a ficar pequeno. – eu disse rindo
- Não vai entrar de novo? – ela perguntou sarcasticamente enquanto eu entrava
- Obrigada! – Assim que entrei apertei o botão que me conduzia a entrada.
- Você tem quantos anos? – eu podia sentir verdadeira curiosidade em suas palavras
- 17. E você? – eu perguntei também curiosa.
- 21. – minha quase acertou, eu pensei na minha cabeça.
Meu celular tocou, e eu dei um pequeno pulo que a fez rir.
- Oi. – eu disse vendo o número
- Onde você tá? – eu escutei Pedro perguntar do outro lado
- No hospital. – eu ia terminar minha frase, mas ele foi mais rápido
- NO HOSPITAL? O QUE ACONTECEU? QUER QUE EU VÁ AÍ? – ele perguntou me fazendo rir e automaticamente afastando o celular da minha olheira por causa de seus gritos.
- Não, Pedro, tá tudo bem. Eu vim buscar um dinheiro pra pagar uma conta que a minha mãe pediu. – eu expliquei ainda rindo um pouco.
- É uma viada mesmo. Por que não falou? – ele perguntou ofegante
- Ei, olha o respeito e outra, você não me deixou terminar de falar.
- Aham. Agora a culpa é minha.
- Sim, mas enfim, a que devo a honra dessa ligação? – eu perguntei debochada e saindo do elevador que se abriu, eu fiz sinal para que Cíntia saísse e saí logo em seguida. Ela se virou para mim e pedi pra Pedro esperar e falei com ela mais uma vez. – Foi um prazer, Cíntia. De novo. – eu disse sorrindo e acenando com a cabeça.
- Sim, foi um prazer. É melhor eu ir. – ela disse apontando com o dedão para o sentido contrário ao meu, eu apenas concordei uma vez com a cabeça e sorrindo ainda.
- Quem era? – Pedro perguntou assim que eu anunciei minha volta.
- É uma secretária do hospital. – eu disse explicando enquanto caminhava até a porta de saída.
- Daniela, você foi pagar conta ou foi conhecer a secretária da sua mãe? – ele perguntou rindo
- Se você não quer que eu desligue o celular nessa sua cara de gay enrustido, sugiro que fale logo o que quer. – eu disse tentando parecer grossa.
- Gay enrustido? Eu sou muito macho, tá bom?!
- Tá, tá. Fala.
- Então miss simpatia, eu tava querendo avisar que nós vamos pra casa da Amanda ver uns filmes, comer umas pizzas e tal.
- Amanhã tem aula. – eu lembrei
- Sim, vamos dormir na casa dela. – ele disse explicando
- Depende da hora, a Bruna vai passar lá em casa. – eu disse acenando para o ônibus
- Vai ser 20:30. – ele disse enquanto eu pagava o cobrador.
- Hum, acho que dá sim.
- Beleza então.
- Quem vai?
- Ué, Eu, você, Pri e Amanda, nada de novo.
- E os pais da Amanda sabem disso? – eu perguntei
- Claro, né Daniela?! Não se esqueça de levar suas coisas. –
- Tá bom.
- Qualquer coisa leva a Bruna também, ela é sempre bem vinda. – ele disse sincero
- Ok, mas acho que ele não está em clima. – eu disse fazendo careta.
- Como assim?
- Ela me ligou mais cedo e disse que quer conversar comigo.
- Sobre?
- Também não sei, disse que eu ia saber na hora. Mas ela me parecia um pouco estranha.
- Hum... Você acha que ela vai finalmente falar sobre o que anda acontecendo?
- Espero que sim. – eu respondi com um pouco de medo
- Boa sorte!
- Obrigada. Pedro, agora eu preciso desligar, cheguei na lotérica. – eu disse levantando
- Tá bom, então. Mais tarde a gente se vê.
- Ok, beijos.
- Beijos. – eu desliguei.
Eu caminhei até a lotérica e me posicionei na fila que não estava muito grande. Fiquei ali no máximo uns 15 minutos.
Quando saí, percebi que eu poderia ir andando pra casa. Olhei novamente pro celular e a hora agora era 18:00.
Eu cheguei em casa e a primeira coisa que eu fiz foi tomar banho e colocar uma roupa normal pra ficar em casa, logo depois fui atrás da minha mochila para começar a arrumar minhas coisas, fui interrompida por um soar de telefone que vinha da sala.
- Oi. – eu disse assim que peguei o telefone
- Dani?
- Oi Amandinha. – eu disse passando a mão no cabelo e jogando uma mecha pra trás orelha
- Tudo bem?
- Sim e com você?
- Também. – ela ficou um tempo em silêncio e continuou. – Éééé, eu to ligando pra te chamar... – eu a cortei
- Pra ir à sua casa daqui a pouco? – ela pareceu surpresa
- Sim. Já tá sabendo? Priscila?
- Não não, Pedro.
- Nossa, ele é rápido! – eu soltei uma risadinha
- Tem certeza que tá tudo bem pelos seus pais? – eu resolvi conferir mais uma vez
- Sim, eles gostam. – ela riu e continuou. – E minha mãe quer conhecer melhor você. Até porque naquele dia você ficou devendo uma visita. Até Priscila já dormiu aqui.
- Ah, é?! Eu não sabia.
- Que minha mãe queria te conhecer ou que a Priscila dormiu aqui?
- Os dois.
- Ah tá. Vai trazer a Bruna?
- Não sei, ela tá vindo pra cá, mas não sei se vai querer ir.
- Hum... – ela continuar, mas o toque da campainha me fez interrompê-la dizendo um até logo.
Eu abri a porta, com um sorriso infantil no rosto.
- Olá. – eu disse dando espaço para que ela entrasse
- Oi. – ela disse entrando e parando ainda próximo a porta
- Senta. – Eu disse pegando sua mão e sentando de frente para ela no sofá.
- Daniela, eu preciso te contar uma coisa. – ela disse com a expressão séria
- Então me conta. – eu disse segurando sua mão com força. Ela respirou fundo e quando voltou seus olhos para mim, eles eram indecifráveis.
- Você sabe que meus pais estão em Los Angeles, certo? – eu apenas confirmei com a cabeça. – Então, esses dias minha mãe me ligou, pra ser mais exata um dia antes da surpresa que você me fez na praia, dizendo que queria que eu fosse pra lá morar com eles.
- E o que você disse? – eu ainda conseguia manter minha voz calma
- Que não, claro. Mas eles não aceitaram, disseram que lá eu tenho muito mais chances de sucesso, que eu posso passar o meu cargo que tenho na nossa empresa, pra alguém de confiança.
- Por isso que você tava desse jeito esses dias?
- Sim. Pra completar, naquele dia que você entrou no quarto era minha mãe dizendo que tava vindo pra cá, pra me levar.
- Ela está aqui no Brasil?
- Sim. – quando ela disse isso eu apertei a minha mão na dela pra logo em seguida soltar aos poucos
- Você vai com ela? – eu perguntei com a voz baixa
- Eu não consigo convencê-la, eu já disse que não quero ir, que tem você, que eu gosto do emprego que eles me deram na empresa, mas eles simplesmente não desistem. Eu não sei mais o que fazer. – ela disse fazendo algumas lágrimas brotarem no canto de seus olhos
- A Priscila sabia disso?
- Sim, quer dizer, eu comentei por alto com ela, mas disse que estava decidida a ficar, ela me apoiou e disse que não te contaria porque não tinha esse direito.
- E esconder de mim, não pode ser direito dela também.
- Calma, Daniela, ela só não queria se meter. Não torna as coisas mais difíceis.
- Já volto. – eu disse saindo indo em direção a cozinha fiquei por lá uns 2 minutos, o tempo de beber uma água e refletir um pouco.
- Me desculpa te contar agora, mas eu não pensei que fosse chegar ao ponto de ela vir pra cá me buscar, até porque eles já me chamaram outras vezes, mas eu recusei e eles sossegaram, mas dessa vez, eles não conseguem esquecer, disseram que eu sou nova e que tenho que aproveitar as chances que me aparecem.
- Eu não posso dizer que é mentira. – eu disse ainda em pé, em frente ao sofá
- Como assim? – ela levantou uma sobrancelha
- Bruna, você só tem 19 anos, seus pais podem muito bem te bancar lá, você poderia ter uma vida maravilhosa, eu não posso ser tão egoísta pra pedir pra você abrir mão disso.
- Mas eu não quero deixar você. – ela disse em um sussurro, eu caminhei até ela e a abracei
- E eu não quero que isso aconteça. Mas o que eu posso dizer? É uma grande oportunidade, amor, eu não posso simplesmente pedir para você desistir.
- Pode sim, me pede. – ela disse chorando no meu ombro e eu podia sentir as lágrimas escorregando pelo meu braço
- Como eu poderia fazer isso? Eu não agüentaria de culpa depois. Ver você feliz, é só isso que importa pra mim.
- Pra eu ser feliz, eu preciso de você. Vem comigo.
- Não é tão simples. – eu disse fazendo carinho no seu cabelo
- Por quê?
- Eu tenho minha mãe, minha vó, meus amigos e meu colégio, eu não posso largar tudo.
- Você pode morar comigo lá, a gente arranja um bom colégio pra você e quanto a sua mãe, acho que ela não se importaria.
- Falando assim, parece fácil, mas nós sabemos que não é.
- Eu não quero ir. – ela disse me abraçando forte, eu tinha quer forte por ela
- Mas o que você vai fazer? Você mesma disse que sua mãe não vai desistir.
- Eu sei que é meu pai quem está por trás disso, ele a convenceu e agora minha mãe tá assim. Mas eu não sei o que fazer.
- Vai. – eu disse segura, eu podia dizer que algo dentro do meu ser falava isso por mim
- O quê? – ela disse me soltando pra me encarar
- Vai, é sua chance. – eu disse limpando a lágrima que escorria no seu rosto
- Mas Daniela... – eu a cortei
- Eu não menti quando disse que seria pra sempre, Bruna, cada palavra foi e é verdade, e se pra provar isso eu tenho que abrir mão da minha felicidade que é você, eu abro.
- Tá terminando comigo? – ela perguntou chorando de novo
- Claro que não, eu nunca faria isso de novo! Digamos que eu estou dando pra você férias de mim. – eu disse sorrindo forçado
- Eu posso recusar essas férias?
- No fundo você sabe que isso é o certo, que você tem que aproveitar essa chance, mas o medo não quer te deixar assumir isso. O medo faz isso com a gente, mas não tenha medo, meu amor, você sabe que você é capaz de qualquer coisa, e se o problema sou eu, afirmo pra você que ninguém jamais vai tirar o seu lugar no meu coração, você foi e sempre será o meu primeiro amor. – eu disse deixando cair uma lágrima e passando a ponta do meu dedo no seu nariz fino
- Me perdoa?
- Eu não tenho nada o que perdoar! – eu disse sorrindo sincero
- Eu estou sendo egoísta!
- Não, não está.
Meu celular tocou e eu fui até meu quarto pegá-lo.
- Oi Pedro! – eu disse passando a mão no rosto
- Dani, você não vem? Já são 20:15.
- Não sei Pedro. Acho que não.
- Por quê?
- Eu posso explicar depois?
- Sim. Bruna tá aí?
- Está. – eu disse voltando pra sala
- Manda um beijo pra ela.
- Pode deixar. Beijos.
- Beijos, Dani. – eu desliguei e ela só me olhava
- Pedro mandou um beijo pra você! – eu disse balançando o celular e colocando- em cima da mesa de centro da sala. Ela sorriu triste.
- Pra onde ele tava te chamando?
- Pra casa da Amanda.
- Você vai?
- Não to no clima. – eu disse fazendo careta.
- Vai se distrair um pouco, amor. Eu levo você. – ela disse levantando
- Não precisa. – ela me calou com beijo apressado, com as mãos no rosto e depois de um tempo, sua língua invadiu minha boca.
- Eu faço questão! – ela disse beijando meu pescoço e passando o nariz de leve, me fazendo soltar um gemido baixo.
- É melhor eu pegar minhas coisas. – eu disse tentando voltar ao meu normal.
Eu segui para o quarto e não demorou para que ela aparecesse e sentasse na cama.
- Vai dormir lá? – ela disse olhando o interior da minha mochila
- Sim. Eles querem ver filme, e sei lá mais o quê.
- Eu não fui convidada? – ela perguntou fazendo beicinho
- Claro que foi. Mas eu pensei que não estivesse com vontade. – eu disse dando um beijo na sua testa.
- Estou brincando. Eu preciso voltar pra casa, minha mãe está lá. – ela disse fazendo careta
- Sua mãe está na sua casa? – eu perguntei parando de colocar o uniforme que estava em minhas mãos
- Sim, algum problema? – ela perguntou rindo baixinho
- Não, é que eu não sabia que ela estava lá.
- Tá sim! Ela queria ver você. – ela disse me dando um meio sorriso
- Claro, por que não?! – eu disse dando ombros.
Assim que eu terminei de arrumar minhas coisas, fui escrever um bilhete pra minha mãe dizendo que eu estava indo pra Amanda.
Chegamos na casa da Amanda bem rápido e ela me acompanhou até a porta.
- Daniela, que alegria te ver novamente! – a mãe de Amanda rapidamente me tomou em um abraço
- É um prazer vê-la novamente também, espero que não esteja atrapalhando nada.
- Atrapalhando? Claro que não, eu queria mesmo te ver novamente. – ela disse sorrindo pra mim e parando os olhos na Bruna.
- Bruna, essa é a mãe da Amanda. – eu disse apresentando
- Olá, prazer! – Bruna disse estendendo a mão
- O prazer é meu. Vai ficar também, querida?
- Adoraria, mas tenho outros planos pra essa noite, quem sabe uma próxima?
- Será um prazer.
- Mãe, quem...? – a Amanda parou na porta quando viu a gente, eu apenas fiz um aceno com a mão e sorri
- Oi Amanda! – Bruna disse simpática
- Oi Bruna, oi Dani! – ela disse sorrindo
- Bom, é melhor eu ir... a gente se fala mais tarde? – Bruna virou pra mim e me deu um abraço
- Sim, me liga! – eu disse dando um beijo na sua bochecha
- Tá bom! Tchau, foi um prazer novamente! Tchau Amanda! – ela disse sorrindo e virando, eu esperei seu carro sair para virar novamente
- Me deixa ajudar você! – Amanda pegou a minha mochila e entrou, só aí que reparei que sua mãe já tinha entrado
- Daniiii! – Priscila pulou do sofá e veio me abraçar.
- Oi Pri! Oi Pedro! – eu disse acenando por cima do ombro da Priscila.
- Resolveu aparecer, é?! – ele perguntou sorrindo
- Pois é! Cheguei muito tarde?
- Já começamos a ver esse filme, mas a Priscila fala mais do que assiste. – ele disse fazendo a Amanda que acabara de chegar rir.
- Vocês só sabem reclamar! – Priscila disse sentando no sofá de novo.
- Eu sei como é! – eu disse rindo também
- Podemos voltar a assistir ou não? – ela perguntou com o controle na mão, então eu me sentei no sofá ao lado da Amanda, que sorriu pra mim assim que eu sentei.
- Estou feliz que tenha vindo!
- É, estou feliz de estar aqui. – eu disse sorrindo também
- Tem certeza que eu que falo durante o filme? – Priscila repreendeu a gente, nós apenas voltamos a atenção pra televisão, e eu sabia que a noite ia render.
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