- Toma! — eu disse entrando no quarto com um copo de referigerante, na mesma hora ela levou um susto fechou o celular e me encarou. Eu parei e olhei pra ela espantada por um momento e esperei ela falar alguma coisa

- É, é, obrigada! — ela disse ajoelhando na cama e estendendo a mão

- Você tá de sacanagem com a minha cara, né?! — eu perguntei começando a me irritar

- Não entendi. — ela respondeu tentando fugir, mas eu sabia que ela tava entendendo

- Bruna, o que tá acontecendo? — eu perguntei tomando o refrigerante todo em uma golada, começando a ficar nervosa

- Pensei que era pra mim... — ela disse olhando pro copo vazio

- Bruna, eu tô falando sério. — eu disse já irritada

- Não tá acontecendo nada. — ela respondeu sentando na cama de pernas cruzadas

- Vai a merda que não tá acontecendo nada. — eu explodi

- Daniela, calma, você tá ficando maluca, por acaso? — ela disse começando a ficar irritada também

- Maluca? No começo, eu até pensei que eu poderia estar sim criando coisas na minha cabeça, mas depois de agora... quem era no celular? — eu perguntei apontado pro aparelho agora na cama

- Não era ninguém... — ela respondeu olhando pra baixo

- Ninguém? Quer que eu te mande a merda de novo? — eu perguntei passando a mão no cabelo

- Era sobre o meu cartão...

- Cartão? — eu perguntei não acreditando na resposta

- Sim. Eu pedi revisão de conta e... — eu interrompi

- Você não espera mesmo que eu acredite nessa palhaçada, né?!

- Mas era...

- E por que você desligou o celular assim que eu entrei? Assim como você também parou de falar com a Priscila quando eu entrei no quarto dela ou assim como você atendeu o telefone hoje mais cedo toda estranha.

- É, você definitivamente tá ficando maluca!

- Você tá me traindo? — eu perguntei direta e concentrada em cada expressão que ela fazia

- O que? Claro que não! — ela arregalou os olhos

- Por que o espanto? Aposto que você pensaria isso se fosse ao contrário. — ela não me respondeu, só me olhava e então eu sai do quarto e fui pra sala, eu sentei no sofá com as pernas pra cima e coloquei a cabeça no joelho tentando me acalmar, eu senti uma mão quente no meu braço, mas eu não levantei a cabeça

- Daniela... — ela começou calma, mas eu não queria escutar

- Bruna, por favor, agora não, eu não quero conversar agora! — eu tirei meu braço

- Você tá agindo feito uma criança. — eu soltei uma risada de humor negro

- Criança? Eu não acredito que eu escutei isso...

- É, porque eu não tô entendendo esse drama todo!

- O drama pode acabar se você me falar quem estava falando com você...

- Mas eu já respondi... — ela disse tentando passar a mão no meu rosto, mas eu fui mais rápida e desviei o rosto, ela me encarou confusa

- É sério, Bruna... eu sei que tem alguma coisa errada e eu quero saber o que é!

- Não tem nada errado, amor! — pra mim era o suficiente, se ela não ia me falar nada, eu também não ia, ela esperou e quando percebeu que eu não ia mesmo falar, se levantou e foi pro quarto, depois de uns minutos ela voltou e parou na minha frente já arrumada. — Não vai falar mesmo, então?! — silêncio da minha parte foi o que ela teve como resposta, ela respirou fundo e foi pegar suas coisas ainda em cima do móvel, depois caminhou até a porta, me olhou mais uma vez, eu liguei a tv e fixei meus olhos na mesma e ela foi embora fechando a porta atrás dela.

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- Coitada, Daniela! — Priscila disse fazendo não com a cabeça em reprovação

- Ela já te ligou depois disso? — Amanda que até então estava quieta perguntou

- Sim. Mais de 20 vezes.

- Você não vai atender ou ligar pra ela? — Pedro perguntou também participando do questionário

- Não.

- Você é muito orgulhosa.

- Não, não sou. Mas ainda estou com raiva.

- Raiva de quê? — Priscila perguntou irritada

- Imagina se a sua namorada começa a agir estranho com você de um dia para o outro, literalmente de um dia para o outro e fingisse que nada estava acontecendo...

- Eu não posso imaginar isso, eu sou hétero! — ela disse fazendo Pedro e Amanda rirem

- Você entendeu.. — eu disse ainda séria

- Sim, eu entendi. Mas não acho que ela esteja estranha.

- Desculpa, Pri, mas ela deligar o telefone de repente é estranho sim! — Amanda me apoiou

- Mas ela só disse isso, Dani? Que nada estava acontecendo? — Pedro continou

- Sim, só isso. Eu via nos olhos dela que ela tava mentindo, mas eu não sei o que é. Vocês acham que ela está com outra pessoa? — eu perguntei triste

- Não! — Priscila respondeu rápido e mais alto do que o necessário, fazendo com que nós três e todo resto da turma a olhasse

- Priscila, você tá sabendo de alguma coisa? — eu perguntei

- Não, claro que não! — ela respondeu olhando pra nós três

- Mesmo? Porque se estiver é uma boa hora de me contar, eu tô sem falar com ela! — eu disse pressionando

- Eu já disse, eu não sei de nada! — ela disse cruzando os braços.

- Mas Dani, eu não acho que ela esteja te traindo, ela gosta de você. — Amanda respondeu também estranhando a reação da Priscila

- Eu não sei, Amanda, eu não sei... antes de dormir eu pensei muito e não é possível que não tenha nada estranho!

- Isso é verdade. — ela concordou

O resto da manhã passou rápido, mas ao mesmo tempo muito monótono, quando eu cheguei em casa, fui direto tomar banho e depois almoçar, minha mãe chegou em casa às 20:30, cedo, comparado ao horário que ela costuma chegar.

- Muitas pessoas pra costurar? — eu perguntei assim que ela entrou, fazendo ela rir

- Como sempre, sim! — ela respondeu divertida

Nós ficamos conversando durante um tempo e eu coloquei sua janta, enquanto ela tomava banho, não demorou muito pro telefone tocar

- Alô? — minha mãe atendeu

- Sim, ela está aqui! — ela respondeu olhando pra mim e eu fiz um não com a cabeça. — Só um momento, Bruna! Beijos, querida. — ela disse entregando o telefone pra mim, eu caminhei até o telefone com a mão no rosto, respirando fundo e indo com ele pro meu quarto.

- Fala. — eu atendi fazendo minha voz de \"gelo\" de novo

- Ainda com raiva? — ela perguntou na defensiva

- Sinceramente? A raiva passou, mas essa história ainda não me desceu. — eu respondi sincera

- Amor, você acha mesmo que eu seria capaz de trair você?

- Achar não, mas eu não sei o que pensar...

- Ah, e pensar no pior foi a primeira coisa que lhe ocorreu?

- Sabe como é, nessas horas, a gente sempre pensa o pior. — eu respondi rindo baixinho e isso a animou

- Então, estamos bem? — ela perguntou mais animada

- Você jura pra mim que não tem nada de errado e que não está me traindo com uma outra versão de frodo?

- Eu juro. — ela disse rindo

- Então, tá... — eu me conformei com aquilo

- Você ainda está pensando nessa história.

- Um pouco.. — eu concordei

- Amanhã de noite, eu posso te buscar?

- Pode!

- Aí, fala com a sua mãe que você vai dormir aqui. Traz seu uniforme, tudinho!

- Tá bom. — nós conversamos durante mais um tempo, e eu tentava esquecer aquilo que me atormentava, mas eu não conseguia, eu simplesmente não conseguia.