Apenas confie
8 Epílogo
Notas iniciais
Hinata andava pelas ruas pensativa. Akamaru ainda estava meio agitado e ela não sabia o motivo, até estranhou o jeito dele perante aquele cara, o paciente do hospital. Chegou na floricultura da amiga e logo que entrara a viu sentada no canto da loja fazendo alguns ramos de flores.
— Hinata, já voltou? – Ela brincou com uma risadinha.
— Ah, eu esqueci minhas chaves – Ela sorriu sem graça – E... Ino, onde está meu vaso? – Só agora ela notara que o objeto não estava mais em cima do balcão.
— Vaso?
— Aquele com camélias vermelhas.
— Você não o deixou no balcão?
— Sim, mas...
Fora interrompida pelos latidos descontrolados de Akamaru. Ele olhava para a porta e latia como se quisesse dizer algo. Observando por alguns segundos, Hinata lembrou que ele tivera aquela mesma reação com o paciente do hospital. Tapou a boca estreitando um pouco os olhos, não tinha certeza da hipótese que estava prestes a deduzir.
— Ino, por um acaso veio um cara de muleta aqui?
— Sim – Respondeu – Ele comprou um lírio branco e saiu. Parecia que não era de falar muito.
Claro.
Ino não sabia quem era Kiba, nunca tinha o visto pessoalmente, apenas o fantasiava em sua mente só de ouvir tudo que Hinata lhe contava sobre ele. Ela poderia tê-lo apresentado para a amiga, mas a outra se ocupava tanto com a faculdade que nem sobrava tempo de ficarem juntas de vez em quando.
Desesperada, Hinata saiu correndo da loja. Não sabia exatamente por onde começar procurar, só queria achá-lo o mais rápido possível. Em meio ao choro e a pressa dos passos, ela não pensava em muita coisa. Não sabia o porquê de Kiba não tê-la procurado, ou até mesmo ligado para ela. Por quê a deixara esperando esse tempo todo? Ela realmente não sabia de nada. Só queria encontra-lo e abraça-lo bem forte, ao ponto de não querer soltar nunca mais.
Parou de correr por alguns instantes, ofegante, ela pensou onde ele poderia estar.
[...]
Sentado naquele mesmo banco de madeira, Kiba observava aquela camélia e o lírio em suas mãos. As lembranças do que antes fora um romance na vida dele voltavam aos poucos, causando uma dor intensa no peito. Ele não queria deixá-la, mas agora ela podia enxergar, e ele não podia falar. O assalto lhe resultara em uma perda total da voz causada por um AVC. Ele queria poder contar tudo o que sentia por ela, e agora era tarde, ela nem sabia quem ele era. Tinha medo de ela o rejeitar por sua aparência, ou até mesmo por ter sumido esse tempo todo.
Algumas lágrimas escorreram do rosto melancólico, e uma foi enxugada por ele. Olhou para o lago à frente, o sol se punha deixando tudo alaranjado.
— Kiba.
A voz feminina tão conhecia chegou aos tímpanos, surpreendendo-o. Virou o rosto para encontrar os orbes perolados da jovem parada em pé atrás de si. A face era magoada e a voz era chorosa. Ele levantou e virou-se para ela, pensando em como ela sabia que ele poderia estar ali, justo no local onde o amor despertou em seus corações.
— Eu não te disse antes? – Deixou escapar uma lágrima grossa – A primeira coisa que queria ver quando abrisse meus olhos era seu rosto. – Ela se aproximou, olhando atentamente todos os detalhes daquele rosto que tanto sentiu saudades – Mas, por quê só deixou eu ver eu mesma?
Ele não conseguia falar. Olhava os olhos delas em busca de tentar se comunicar, ela retribuía o olhar, derramando as lágrimas em silêncio.
— Eu sinto muito. – Ele abaixou a cabeça, com certeza ela sabia da sua deficiência – Me olhe – Pediu – Me olho nos olhos.
Ela o abraçou como se procurasse refúgio à muito tempo. Ele retribuiu, apertando-a forte, como se quisesse matar a saudade daquele calor que vinha do pequeno corpo frágil. Um beijo foi selado, e as línguas se reconheciam numa sensação já sentida por ambos. A separação foi lenta, e ao olhar para baixo, Hinata vê a camélia nas mãos dele. Rapidamente retorna o olhar para seus olhos, e recebe junto das belas flores, um doce sorriso.
Aquele que ela tanto queria ver.
— Kiba, senti tanto a sua falta...
“Hinata, eu te amo”.
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~ Fim ~
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