Notas iniciais
Lembrando, embora não mostre claramente, é a ELESIS quem narra tudo.
Boa leitura xP

Após o jantar, estávamos sem o menor ânimo para fazer algo de interessante. A Grand Chase toda estava reunida na sala principal do Quartel. Em um canto, os garotos faziam um jogo qualquer de cartas ao mesmo tempo em que acusavam uns aos outros por trapaças, e no arredor do circulo, as garotas visualizavam e ajudavam-nos a trapacearem – Como no caso de Amy. Perto dali, á esquerda somente se via socos e pontapés e vultos. Eu tentava e conseguia vez ou outra acertar um imortal maldito, um ninja metido e um caçador provocador por comentários indesejados sobre a minha pessoa. Sentadas em um dos sofás que jaziam em meio a toda aquela baderna estavam Arme, que era a única ali a ler pacificamente, Lin e Lire, que gritavam e vibravam a cada coisa que quebrávamos pela casa.

-Ruivinha você é um doce de flor, mas cansei por hoje – Lupus quietou-se sentando ao lado de uma Lin feliz.

-Flor? – Indagou Lass também se sentando em um segundo sofá — Ela lembra uma rosa mesmo. Vermelha, arisca e vermelha.

-Com bastantes espinhos! –Exclamou Sieghart ao seguirmos a ação dos dois irmãos. Deitamos despojadamente o lado do Retalhador, sendo que me apoiei sobre o albino e o saco de ossos sobre mim – Que não deixa ninguém se aproximar ou toca-la.

-Vou tomar isso como um elogio, infelizes.

-Agora que falaram – Dio se juntou a conversa- A Rey me lembra uma cacatua com chifres.

-Como é seu búfalo roxo?

-É verdade! E Arme me faz pensar se ela não é na verdade uma doce uvinha – Ronan comentou levando a mão ao queixo e encarando o teto. A maga ficou tão corada quanto o guerreiro ao pronunciar, não sabia se escondia-se ou agradecia.

Aos poucos os outros membros foram juntando-se a confusão.

-E eu Jin? Com o que pareço?

-A-Amy, a p-perfeição não tem como ser descrita.

-Wow! Que meigo! – Como se fosse um agradecimento, a dançarina pulou em cima do ruivo dando-lhe um beijo na bochecha. Esperei ele desmaiar de novo como sempre faz, porém dessa vez não aconteceu, para meu desapontamento.

-Um dia vamos acabar pegando uma diabetes com essa pegação toda –Eu olhava-os começando a enojar o casal.

-Mari é uma androide – Afirmou Zero, assustando os presentes. Tipo, ele agora a “elogiou”? Esta muito alegre hoje pelo visto.

-Uma linda androide de olhos perfeitos – Galanteou o meu infeliz parente.

-Obrigada – Mesmo que soassem como elogios, Mari continuava indiferente àquilo.

-Você é uma fadinha – Lupus disse por fim, cutucando a bochecha corada de Lin irritantemente.

-Ao contrario de você, seu lobo! – Por mais que ficasse desajeitada com as palavras do caçador, a sacerdotisa parecia não admitir que gostava daquilo.

-Ui! Eu sou um lobo! Quero devorar a vovozinha – Provocou de volta a grisalha. Recebendo como resposta um tapa forte nos ombros.

-Devorar o Sieg? Lupus, pensei que fosse do nosso time – Implicou Lass

-Não sou do time dos emos.

–Sieghart não era do Dio? -Brinquei- Pegador, ein, Sieg?

-Que é isso. Eu sou de todos! O Dio só é meu favorito.

-Meça suas palavras, imortal de merda – Ameaçou Dio — Não ouse me trair.

-Que estória é essa?! – Rey gritou, atacando o asmodiano em seguida.

-E a Lire, Ryan? O que acha dela? – Indagou Amy, puxando o assunto anterior novamente.

-Uma laranja.

-Laranja? – Perguntamos em coro.

-Ela parece uma laranja, oras.

-Eu até entendo a Arme ser uma uva, mas a Lire uma laranja? – Lin estranhou.

-Está me chamando de enrugada, Ryan?

-N-Não! É que laranjas são doces, puras e as flores que surgem nas laranjeiras são lindas! Sem contar que é minha fruta preferida! Se repararem, ela tem toda uma beleza fascinante.

Eu já não sabia se ria da expressão envergonha ao extremo da Elfa e da cara boba do ruivo ou se ficava surpresa pela resposta no mínimo decente dele.

-O-Obrigada, R-Ryan! – As garotas em minha volta tinham coraçõezinhos saindo pela boca pelo momentinho dos dois elfos, até mesmo a Encantrix que parou de “discutir” com o coisa roxa para ouvi-los.

-Ain que lindo! De novo, de novo! – Amy pulava feliz.

-Complexo. Onde aprendeu orelhas pontudas?

-Aprendi o que, Ronan? – Mas ele continuava um tapado.

-Não é por nada não, mas toda essa coisa açucarada me deu um tédio. O que tem pra fazer? – Perguntei. Algo que definitivamente não deveria ter falado.

Jin pulou de um canto no qual estava, e posou no meio de onde estávamos, assustando-nos. Eu nem ao menos lembrava que ele estava ali.

-Estava esperando um de vocês perguntarem!

-Seu maluco! – Arme que quase teve a cabeça pisada na aterrissagem do ruivo, levantou-se com o susto – Quer me matar?!

-Nah, chata, não iria pegar – Jin resolve ignorar os protestos posteriores da “uva” e continuou empolgado – Ei, ei! Estão a fim de jogar algo emocionante?

-Depende, qual sua definição de emocionante? – Dio ergueu a sobrancelha, debochado. Deve ser porque, tal como as refeições prediletas do druida, os jogos sugeridos por Jin são excêntricos e idiotas.

-Vamos, vai ser legal!

-Se diz, prossiga, mas tomara que desta vez realmente seja algo descente, não tenho uma vida toda para desperdiçar – Dio tomou a palavra novamente.

- Velho – Cuspiu Rey, ainda ofendida pelo cacatua.

-Então, já ouviram falar no detetive e o assassino? – Pela resposta unanime de não, seguiu – Imaginei. É o seguinte, é dado o papel de detetive e de um assassino a uma pessoa que participa da brincadeira o resto são as possíveis vítimas. Tudo será decidido por um sorteio e é secreto o papel de cada um.

-Assassino... Homicídio... Vítima... Gostei disto – Rey viajou, olhando acusadoramente o Asmodeus.

Jin coçou a garganta, chamando a atenção para si – Continuando. Vamos todos nos posicionar em um local onde ficaremos andando de um lado para o outro. Quem receber o papel de assassino irá matar os outros ao piscar para a vítima, esta por sua vez deve cair no chão e se sentar, para que percebamos que morreu. E nenhuma vítima pode dizer quem é o assassino, mas os participantes restantes podem mandar códigos, sem pronunciar nada, mas pode ser o assassino se comunicando, portanto, cuidado. A função do detetive é localizar o meliante e ao descobrir deve prendê-lo, e claro o outro pode e deve correr para se proteger da prisão e, bem, se este último tentar matar o detetive ficará ruim para ele, já que este é imune. Alguma pergunta?

-Eu, eu!

-Diga meu amor, digo, minha cara Amy.

-Quando o assassino ganha?

-Excelente pergunta – Ele realmente parece um professor agindo desse jeito, não é? — Há um quarto papel especial, a vítima principal. Quando esta for morta ele ganha; quando ele conseguir ficar trinta segundos fugindo do detetive ou quando restar os três principais no jogo. Ah! A especial também é oculta. Aliás, é proibido dizer quem é quem seja vítima ou assassino. Outra pergunta? – Ninguém mais se pronunciou.

-É uma boa pedida. Gostei desta Jin! – Afirmou Lin, e nós, as garotas, concordamos. Por mais besta que a brincadeira possa ser era realmente interessante – Vamos começar!

-Não esperam mesmo que a gente jogue isto, né?

-Qual o problema Lupus? Com medo de perder? – Aticei.

-Obvio que não. Está certo, eu entro – Bingo.

-Se acha que será legal eu vou também, Arme – Nada contra, mas dá pra ver o Ronan babando de longe pela maga. Como diabos ela não percebe mesmo sendo recíproco?

-É parece divertido – O elfo ruivo chegou por trás de Lire “abraçando-a” pelos ombros, fazendo a Nova, além de avermelhar, encostar-se no peito do outro, e corar mais um pouquinho – Eu aprovo, Lire.

-Eu vou... – Zero disse, lentamente.

O resto seguiu concordando com a cabeça, menos certo asmodiano...

-Ah, vai sim! -... Não que convencê-lo seja uma tarefa difícil para Rey.

Após entrarmos oficialmente no jogo — arrastados pela gola ou não – Mari distribuiu os papeizinhos com a função que teríamos nele. Abrindo cautelosamente o papel percebi ser nada mais que uma possível vítima. O resto fez o mesmo que eu, tentei ver se conseguiu enxergar alguma mudança no rosto de alguém, mas continuaram imóveis, exceto por um.

-Olhem só, tive uma ideia para apimentar as coisas.

-E o que seria, Sieghart?

-No caso da vítima principal, se ela não for atacada ela poderá atacar o assassino juntamente com detetive assim que ele descobrisse quem é.

-É. Não é uma má opção, e deixará as coisas muito mais interessantes – Dio falou, de certa forma, maliciosamente por mais que parecesse normal.

-Muito interessantes...

É oficial, isto aqui vai virar uma guerra.

Não tendo mais sugestões ou reclamações fomos tirar os móveis do meio da sala para que pudéssemos andar melhor por ela. Terminamos de ajeita-la, colocamos-nos em posição e foi dado início à partida.

Primeiramente fui rumo ao norte do local, caminhando vagarosamente vendo os olhares dirigidos a mim e eu devolvendo-os. Formou-se um clima suspeito e investigativo, digamos assim, ninguém queria perder e muito menos eu, por mais que seja apenas uma vítima.

Analisei a face dos presentes para descobrir a identidade de cada um. Bem, seria muito obvio dizer que Sieghart seria a vítima principal pela ideia de fazê-la entrar “melhor” no jogo. Como segunda opção penso que ele saiba que Mari é a vítima e o idiota o ladrão, tendo que em vista que ela precisaria captura-lo, agarra-lo ou outros pensamentos pervertidos. Mas também poderia ser Dio, ele nunca perde a chance de importuna-lo...

Fiquei tão absorta em meus pensamentos e acusações que mal vi um corpo caindo no chão a minha esquerda. Era Lin, a primeira vítima.

Ela fez um biquinho, cruzou as pernas apoiando a cabeça nos braços e soltou um muxoxo irritado por ter sido pega em cinco minutos.

Ok, notas mentais, quem estava próximo: Amy, Mari, Ryan, eu e Rey. As duas primeiras estavam indo em nossa direção – Minha, de Ryan e Rey- e não havia nenhum individuo atrás delas. Sendo assim, a única coisa que posso concluir é que não devo olhar para nem um deles e descartar o resto.

Trinta segundos depois, outro corpo, era Zero. Dos perto de Lin estavam todos menos eu e Ryan, ele estava ao leste, eu ao oeste e elas ao sudeste. Agora então descarto Ryan.

E assim se foram Arme, Sieghart, Ronan e o último Jin.

Eu olhava Lire quando a vi corar e desabar, porém antes disto vi Ryan piscar o olho sorridentemente para ela. Pus a mão na boca, contendo o riso ao ver todos verem a elfa encolhida e megacorada no chão, mas mesmo comigo disfarçando o druida soube que tinha visto-o e resolveu me matar também antes que pudesse “contar” algo. Bom, a partir daí não deu pra segurar mais o riso. As risadas chamaram a atenção de todos e certo druida destruiu-se e, em questão de segundos, Mari chegou por trás e segurou as mãos do ruivo, prendendo-o.

-Você está preso por assassinato e insinuação de romance em locais proibidos.

-O-O-O que? R-Romance em local proibido? – O ruivo tentou desvencilhar-se inutilmente da Tecnomaga.

-Eu vi o sorriso que deu na hora de “matar” sua vítima.

-M-Mas dês de quando é proibido? E eu não fiz nada!

-É o que todos dizem... E não é. Só é legal deixa-los envergonhados – Quem diria, Mari fazendo humor e deixando um pimentão em forma de elfa.

-Aê Mari – Sieghart a cumprimentou, dando-lhe parabéns.

-De nada.

Rey pulou ao lado da Polares que ainda não havia soltado o Druida – O que fazemos com ele, Jin?

-E como assim nós? – Perguntou Ryan – Não me diga que é você a vítima suprema!

-Mas é claro, queridinho, aliás, adorei o “suprema”.

-E não se faz nada, Rey, apenas recomeçamos a partida.

-Que chato, eu queria perguntar algo para ele!

-Se quiser...

-Sério?! Venha vamos dar uma palavrinha aqui, amore – Entusiasmada, a garota carrego-o para um cantinho na sala.

De repente fiquei com dó dele, nem quero imaginar o que essa louca vai fazer com ele. Mas em menos de um minuto estavam de volta, o Druida aliviado e Encantrix sorridente e meio corada.

-Rápido. Já resolveram?

-Foi só uma perguntinha, Jin, sem embolações, mas na próxima não pegarei leve. Se ousar falar algo eu quebro seus ossos, ouviu querido?

-P-Pode deixar.

-Ei, Rey –Sussurrei de modo que só ela me escutou- Que pergunta foi?

-Curiosa, não? –Ela respondeu- Só quis saber se quando brigo com o Dio ele fica emburrado na varanda.

-E é verdade?

-Verdadíssima!

-Mesmo mal para o coitado do Ryan.

-Tudo bem, não pegarei mais leve.

-Podemos continuar ou ainda vão ficar de papinho ai? – Mari chegou a nossa frente com uma caixa onde havia os papéis. Nem ao menos a vi chegar.

-Foi mal – Desculpamo-nos e pegamos um papel em seguida.

“Vítima Principal” Era o que tinha escrito.

Agora as coisas começam a ficar mais interessantes ainda.

Voltamos a andar eu desta vez teria que ser mais cautelosa, não estou muito a fim de perder.

Passaram-se dois minutos até a Rey morrer em minha frente com uma imensa cara de ódio, rangendo os dentes e soltando inúmeras ofensas. Seja lá quem tenha a matado ele seria o próximo morto literalmente, pois verdade seja dita, Rey odeia perder e logo de cara.

Depois fora Arme que estava ao meu lado, em seguida Sieghart também na mesma posição da maga. Lire, Mari, Amy e Lass consecutivamente, todos próximos a mim e o restante começava a me olhar de forma suspeita, espera ai! Estão pensando que sou eu! Quem quer que seja esta querendo colocar a culpa em mim e esta dando parcialmente certo. Eu mato este maldito metido a esperto.

Vamos lá concentra, concentra. Quem estava ao redor das vítimas e que possa ter um bom campo de visão? Ninguém. De suspeito o único é o Lupus que fica olhando ao redor todo santo segundo. Encarei-o e como resposta ele sorriu e ao perceber que não estava sendo observado moveu a boca lentamente ao apontar o polegar para si mesmo:

“Detetive”

Ah. Era ele... Mas como sabe que não sou eu o assassino?

“Principal”

Fiz o mesmo gesto para ele, sendo que não tinha total certeza de que deveria confiar nele.

E depois desta troca de informações vi de relance Dio – Sendo que este estava no mínimo há onze metros de distancia de mim — piscar olho e virar o rosto rapidamente em seguida Zero caiu na minha frente. Então atacava de longe vítimas perto de mim para incriminar-me. A pior espécie de criminoso, porém, admito, bela estratégia.

Olhei rapidamente para Lupus novamente, ele apontou o Asmodiano com a cabeça como se pedisse para eu cerca-lo pela esquerda e ele me acompanharia logo, no lado oposto para encurralá-lo.

Tentei me aproximar sutilmente de Dio, mas sutileza não é comigo, ele percebeu, riu e correu para fora da casa. Fui atrás do animal e os outros começaram a contar os trinta segundos.

-Volte aqui, maníaco!

-Vem me pegar!

O caçador havia sumido, não estava por perto, enquanto eu e o Drakar aproximávamos-nos do local para treinamentos. De longe ouvia-se os gritos de euforia do resto da Caçada.

O infeliz adentrou na área para tiros, passou pelos tiros ao alvo de flechas de Lire e viu em sua frente um muro pequeno que dava entrada a floresta, se ele passasse por lá, adeus. Apressei o passo e fiquei a menos de trinta centímetros dele percebendo minha chegada ele pulou, comigo seguindo o exemplo. Preparei-me para segurar suas mãos a tempo no ar mesmo foi quando um vulto enroscou-se nas pernas de Dio, este por sua vez não conseguiu equilibrar-se direito e agarrou meus braços em uma tentativa em vão de pousar corretamente. Também acabei me desequilibrando e não querendo acabar no chão feito patê virei o roxinho de costas e me apoiei na sua barriga. Resultado: Caímos totalmente desengonçados, rolando uns três metros no chão e descobrimos que foi Lupus que jogou.

E assim seguiu-se durante o resto da noite. Nossas brincadeiras podem ser dolorosas de fato, tanto que acordamos todos com no mínimo arranhões, outros com braços quebrados e eu com o joelho e a cara enfaixados, mas elas sempre seriam perfeitas para nos tirar do tédio.

Notas finais
Eae? Gostaram? Desculpas por erros, não revisei ç.ç Se acharem me avisem! ^^ Aliás, mereço reviews? Diz que sim *-*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!