Apenas Uma Garota
26 Pensando...
Notas iniciais
As coisas estão indo bem. As férias? Quase acabando. Gustavo? Falando com ele todos os dias. Pareço não me cansar.
[...]
Gustavo diz:
Vc não tá com nd
Bruna diz:
Nd haver. Ganho de vc numa boa.
Gustavo diz:
Um dia ainda vo te prova kk
Bruna diz:
To esperando então... kkkk
Gustavo diz:
Chata
Bruna diz:
Nojento
Bobo
Gustavo diz:
Enjuada
Troxa
Bruna diz:
Vai sair ofença se a gente continuar kkk
Gustavo diz:
Kkkk concordo.
Eu preciso ir. Tenho que ajudar minha mãe.
Depois a gente fala.
Bruna diz:
Vai lá.
[...]
Muita coisa aconteceu. Eu mudei. Amadureci. Eu e Gustavo? Parecendo aqueles amigos de infância. Tentando tomar um rumo. As vezes até me descobrindo.
Como nada é previsível, a gente muda. Inesperadamente. As vezes pra melhor, outras vezes pra pior. Mas e aí? Se olhar no espelho e lembrar aquela criança que você era. Será que ela imaginaria como seria agora? Será que tinha noção do que queria? Só dúvidas. Deixando o tempo passar e mostrar o que tem pela frente.
O violão? Tá ali na minha cama. É noite. E o peso do dia e de tudo que você relembra cai. Desabafar. É preciso.
–--
Invernos
Impérios
Mistérios
Lembranças
Cobranças
Vinganças
Assim como a dor
Que fere o peito
Isso vai passar
Também
E todo o medo, o desespero
E a alegria
E a tempestade, a falsidade
A calmaria
E os teus espinhos
E o frio que eu sinto
Isso vai passar
Também
– Será que Deus quer que eu seja feliz Naty?
– Quer sim amiga. Mas precisa esperar.
– Acho que ele não quer. Eu amo ele. Mas não aguento.
Saudades
Vaidades
Verdades
Coragem
Miragens
E a imagem no espelho
Eu nem vi o tempo passar
E de repente chego a assustar
Eu planejei ser assim?
O que houve?
Diferenças, lembranças do passado
Recaem em uma noite de chuvas
Como a dor
Que fere o peito
Isso vai passar
Também
E todo o medo, o desespero
E a alegria
E a tempestade, a falsidade
A calmaria
E os teus espinhos
E o frio que eu sinto
Isso vai passar
Também
Isso vai passar
Isso vai passar
Isso vai passar
Também
Isso vai passar
Isso vai passar
Também
Isso vai passar
[...]
Volta as aulas. Alunos novos. Será que vou acostumar rápido?
– Amiga, temos que planejar o que vamos cantar esse ano. – Naty estava animada.
– Vamos fazer nosso repertório.
[...]
O início das aulas. Agora acostumada com a correria. Tá mais fácil. Fiquei um tempo sem escrever. Já é março!! Como passou rápido. Eu e Naty preparamos o repertório. Amanhã vai ser a nossa apresentação. Ansiosa? Claro.
Tenho ideia de uma pessoa...
Bruna diz:
Gu, vai lá na escola ver a apresentação minha e da Naty.
Gustavo diz:
Uai...claro. Pq não?
Bruna diz:
Legal :)
Gustavo diz:
:)
Bruna diz:
Vou saindo. Só entrei pra te falar isso. BJs
Gustavo diz:
Ok. Até amanhã.
Bem , deu certo. Agora, é só esperar a apresentação.
[...] No outro dia...
– Não é que você veio? – falei indo em direção ao Gustavo.
– Eu falei que vinha uai. – ele me abraçou e me deu um beijo na bochecha.
– Bem, você vai ter que esperar até o almoço.
– De boa. Vou dá um rolé pela escola.
[...]
A apresentação? Um sucesso. Todo mundo gostou. Enquanto eu guardava o violão, Marcos veio falar comigo.
– Bruna, pode me ajudar na oficina de violão?
– Com o que?
– Emprestando o violão.
– Uai- disse rindo- posso. Só que eu vo junto.
– Tudo bem.
– Ficou bom hein?- Gustavo chegou.
– Você viu?- ri
– Então vamos? Vai começar agora. – Marcos interrompeu.
– Vamos.
– Onde?- Gustavo disse
– Eu vo pra oficina dele pra ajudar. Vamos também.
– Tá...
– Naty, vamos lá tá bom?- disse a ela enquanto ela guardava o outro violão.
– Tá bem amiga.
[...]
A oficina era legal. Mas eu não tava interessada. Tava lá so por causa do meu violão. Meu “bebe”. Eu e Gustavo ficamos jogando Fruit Ninja enquanto o Marcos dava sua oficina.
Depois que Marcos e a turma saiu, eu e Gustavo ficamos sozinhos na sala. Quando ele ia embora, fiz cócegas nele. Ele não gostava, mas então revidou. Começamos a correr pela sala. Ríamos como se nada importasse. Era divertido. As vezes sentia uma aproximação diferente, como se ele quisesse algo.
Eu não estava errada. Durante a brincadeira, fomos parar em um canto. Estávamos próximos. Muito próximos. Sentia o ar de sua respiração. Ele entrelaçou nossas mãos. Tentei disfarçar fazendo cócegas mesmo com as mãos do modo que estavam. Foi em vão. Ele me beijou.
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