Apenas Um Segredo
1 Got a secret. Can you keep it?
Notas iniciais
O sentimento de culpa é simplesmente horroroso. É uma coisa que te corrói, nunca para de doer. Mas eu consegui me adaptar, graças aos deuses! Demorou bastante tempo, quer dizer, até um ano parece bastante tempo quando se tem quinze anos, mas eu realmente demorei bastante tempo.
Carrego o fardo do me segredo desde os treze anos, as únicas pessoas que sabiam dele estão mortas, o que até é bom para mim, agora elas não podem mais me ameaçar.
Ah, se alguém descobrisse! Aqui no Acampamento, as fofocas correm muito rápido.Principalmente quando quem descobre o segredo é uma filha de Afrodite, elas sim gostam de fofocas! Sim, elas são lindas, mais do que eu jamais serei, quer dizer, por mais que eu seja bonita, nunca serei linda, mas voltando ao assunto, apesar de serem lindas, tem uma boca enorme ( não no sentido literal). Nunca conte segredos para uma filha de Afrodite.
Acho que os semideuses mais confiáveis daqui seriam os filhos de Hades, sempre meio quietos. Mas nosso único filho de Hades é o Nico, que quase nunca está presente. Filhos de Hefesto também são meio confiáveis. E os filhos de Apolo, mesmo que fossem, eu nunca contaria nada para eles. São tão cheios de si, se gabam demais (apesar de serem extremamente atraentes)!
Agora mesmo tem alguns deles conversando e olhando para nós, estou com duas irmãs, quer dizer, meio-irmãs. Eles olham para nós e riem, como se dissessem: 'Ei! Eu posso seduzi-las em um piscar de olhos, só queria que soubessem disso...'. Argh! Arrogantes!
Eu estou encarando-os para ver se eles desencanam mas parece que isso está incentivando-os. Olho para outra direção, para o lago. Alguns semideuses estão remando. As naiades conversam com algumas filhas de Afrodite calouras. Nada de muito interessante.
Olho ao meu redor, muitos, muitos semideuses estão arrumando suas coisas. Hoje é o primeiro dia, deveria estar arrumando minhas coisas também, mas não estou afim.
- Leah! Leah, você está me ouvindo? Leah! — Nicole, uma das minhas meio-irmãs, está batendo palmas na frente do meu rosto.
- Foi mal, eu tinha meio que desligado — respondo
- Você sempre faz isso — Hanna diz, meio chateada,
— Fazer o que? É um dom, muito útil, por sinal.
- Aham — Nicole fala, sem interesse algum no meu incrivelmente maravilhoso dom — Voltando ao que eu estava falando, você já encontrou com a garota nova?
- Qual delas? — faço um gesto com os braços, mostrando o ambiente ao meu redor.
- A filha de Hermes. - Hanna fala, como se fosse obvio.
- Não, ainda não.
- Ela é bonita — Nicole diz com desdém.
- Bom pra ela — eu murmuro.
- E a cama dela é do lado da sua — Hanna fala.
- Sério? Qual é o nome dela — Elas chamaram minha atenção.
- Lia — Nicole fala — Lia Hartmann
Faço de tudo para fingir que aquele sobrenome não significa nada e faço um pequeno gesto com a cabeça. Agora aquele sobrenome ecoa pela minha cabeça: 'Hartmann. Hartmann. Hartmann.'
- Vou arrumar minhas coisas — digo antes de entrar no Chalé 11. Chego na minha cama e logo olho para cama ao lado. Há uma bolsa e mala em cima dela. O nome Lia Hartmann está escrito em um papel pendurado no zíper da mala.
Olho ao meu redor. Estou sozinha. Abro a bolsa e cuidadosamente examino seu interior. Há uma carteira, e dentro dela uma foto. Essa foto sinceramente me perturbou. E muito. Trazia lembranças, lembranças ruins.
- Posso ajudar? — Diz uma menina com a voz doce, atrás de mim.
Me viro e lá está Lia Hartmann, extremamente linda. Droga. Estava tão perturbada com a foto que nem ouvi ela entrar. Droga. As feições de seu rosto não me eram estranhas, tão parecidas com as de...
- Desculpa, desculpa mesmo. Só estava curiosa a respeito da minha nova vizinha de cama — Isso é uma meia verdade.
- Ah, ok — Ela diz meio desconfiada.
- Bem-vinda! Espero que goste daqui — Ok, isso é uma mentira completa.
- Obrigada — Ela sorri, meio desconfiada.
Eu saio do Chalé, mesmo sem ter arrumado as minhas coisa. Simplesmente não suporto ficar no mesmo lugar que ela. Terei que me acostumar com isso, infelizmente.
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Estou muito atordoada, uma nova onda de culpa invade o meu peito. Sinto que vou explodir. Aquele dia volta à tona, isso me incomoda. Preciso contar para alguém. Simplesmente preciso. Preciso. Preciso. Preciso. Se não contar, vou acabar ficando louca. E ficar louca nunca foi uma opção, não para mim.
Vou procurar Joshua, meu melhor amigo e a pessoa em que eu mais confio nesse mundo inteiro. Ele é um filho de Hefesto.
Finalmente o achei, corro e lhe dou um abraço apertado. Ele retribui.
- Senti sua falta — ele sorri.
- Eu também — olho para baixo.
- Tá, o que aflige seu coraçãozinho bipolar, Srta. Parker.
- Eu... eu tenho uma coisa para conta. Promete que nunca vai contá-lo a absolutamente ninguém, sob hipótese alguma?
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