Notas iniciais
Ooolá garotas! Tudo bem com vocês? Como passaram o feriado? E o dia dos namorados? Conteeem tudo nos reviews! Espero que gostem do capítulo, boa leitura! Deem uma olhadinha nas notas finais.

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- Você não pode fugir de mim Amanda! – exclamou enquanto eu corria por entre as flores que enfeitavam o gramado.

Soltei uma risada que me fez fraquejar e logo eu era arremessada no chão, ele me prendendo pelos pulsos. Seus olhos transmitiam um sentimento puro que causava grande influência sobre mim.

- Eu sempre te pego. – comentou na curva de meu pescoço depositando um beijo ali.

- Impressão minha ou alguém está sendo muito convencido por aqui? – indaguei puxando seu rosto para cima encostando nossos narizes.

- Toda noite é igual, você correndo e eu te alcançando... Por que sempre correndo meu amor? – um sorriso maléfico apossou-se de seus lábios.

Senti um tremor passar por meu corpo e meu coração disparou em desespero, as mãos de Matthew seguraram mais forte meus pulsos e seus olhos verdes se encheram de ódio, um ódio tão grande que chegava arder minha alma. Comecei a lutar para que me soltasse até que...

Dei um solavanco na cama acordando ofegante e com o coração a mil, Rafa me lançou um olhar assustado enquanto acalmava Luna que berrava em seus braços.

- Nunca amei tanto ouvir o choro da sua filha... – comentei enquanto passava as pernas trêmulas para fora da cama.

- Pesadelo? – perguntou sonolenta e eu temi em responder.

- Não sei ao certo... Era o sonho com o Matt, mas no final, no final ele... Ah, esquece. – suspirei balançando a cabeça.

- Pensei que gostasse de sonhar com ele. – comentou enquanto andava de um lado para o outro no quarto com a filha nos braços.

- Eu também, mas não sei... É estranho. – conclui antes de levantar e seguir para o banheiro.

Passei uma boa quantidade de água nos pulsos e na nuca a fim de me acalmar, e ao olhar no espelho lá estava ele, atrás de mim me observando com o mesmo sorriso... Agarrei a bancada da pia entre os dedos e assegurei a mim mesma que era apenas uma alucinação, afinal nada disso podia ser real certo?

Fechei os olhos e contei alguns segundos, ao abri-los novamente a figura tinha desaparecido, só assim tomei coragem e sai do banheiro, voltando ao quarto onde as duas já dormiam.

O relógio marcava três da manhã e infelizmente a partir desse horário não consegui mais dormir, fechava os olhos e o encontrava me observando, virava de um lado para o outro na cama e sentia como se alguém tivesse se aproximando lentamente... O medo culminava dentro de mim e apenas me acalmei quando os primeiros raios solares entraram pelas frestas da janela.

Peguei o celular no criado-mudo e liguei para uma das únicas pessoas que eu conhecia que estaria acordada há essa hora.

- Uau, caiu da cama? – logo perguntou assim que atendeu ao telefone.

- Mais ou menos isso. – murmurei mordendo o lábio inferior e sentindo uma pontada de dor pelos ferimentos que ali já existiam. – Ei, você podia vir aqui em casa né? Não tem ninguém acordado e eu... – ele não deixou que eu terminasse.

- To indo aí, beijos. – não tive tempo de me despedir a ligação já tinha sido interrompida.

Era incrível o poder de percepção de Fernando.

Provavelmente eu passaria horas tentando decifrar meu sonho com ele até escolhermos um filme e eu tentar assistir sem pensar no mundo a fora... A verdade é que a cada dia era mais difícil prestar atenção em algo que não se referisse a Matt, eu estava tão ligada a ele que meu dia só ganhava significado assim que eu punha os pés dentro daquele quarto de hospital.

Levantei com o peso de tijolos sobre os ombros, a noite mal dormida me causava um cansaço enorme. Andei até o armário e fucei na gaveta a procura de uma blusa para vestir, alcancei, sem querer, uma enorme com o logo grande da banda “H2O”, imediatamente as lembranças me atingiram em cheio. Sorri com o pensamento de como éramos idiotas naquela época...

– Você não gosta de ninguém Matthew!

– Isso não é verdade.

– Ah não? Então me fale uma pessoa que você gosta.

– Eu gosto de você.”

Em meus olhos já se acumulava uma quantidade significativa de lágrimas enquanto minha mente repetia feito um disco riscado sua última frase: “Eu gosto de você”. Aquela pequena lembrança tinha me desestruturado fortemente e antes que o efeito nostálgico passasse, anotei no diário meu breve devaneio.

Era de praxe que Matt não se lembraria de todos os detalhes de nossa “relação” antes que nos entregássemos um ao outro, e talvez fosse bom que eu anotasse pedaços de minha memória naquele pequeno caderno.

Vesti a camiseta da banda, jurava sentir o perfume evidente dele ainda ali, com certeza era coisa da minha cabeça, mas para alguém que tinha visto o suposto “fantasma” de Matthew no espelho durante a madrugada, sentir o perfume em uma camiseta antiga era o de menos.

Continuei com meu short de pijama e por mensagem avisei a Fe que tinha deixado a porta da sala aberta. Primeiro porque não queria acordar ninguém da casa, segundo que eu odiava ouvir o som da campainha e das cachorras latindo alvoroçadas... Na portaria já estava avisado que ele poderia entrar sem ser comunicado, mamãe mesma que considerou isso uma boa opção após o ocorrido com Matt, ela alegava que se caso acontecesse algo comigo Fe era o mais próximo a me socorrer.

Não demorei em ouvir a porta ser aberta, já estava no sofá sentada, assistindo um programa matinal de desenho para crianças. Sorri ele que ainda agradava a as cachorras que pulavam feito doidas em cima do mesmo.

Logo o garoto se sentou ao meu lado e eu o abracei pela cintura, sentindo-me segura e livre de qualquer “mal” ao seu lado. Fernando era capaz de me passar a maior das seguranças apenas com um abraço.

- Agora me conta o que aconteceu de verdade. – pediu enquanto eu me recompunha.

- Tive um sonho estranho.

- Com Matthew certo? – assenti com a cabeça. – O mesmo sonho de sempre no campo?

- Não, sim, mais ou menos... – ele riu de minha confusão e eu pedi silêncio, pois tinha outros dormindo ainda.

- O que tinha de diferente?

- Na verdade, o que tinha de diferente era o tom das palavras dele, ele parecia querer me aprisionar... Dizia que eu não poderia fugir dele. – estremeci só de lembrar brevemente do sonho recente.

- Fica calma ok? – suspirei pesado e observei sua expressão pensativa, como se ele estivesse regulando informações ou algo do tipo. – Eu realmente não devia te dizer isso, sua mãe pediu segredo... – enrijeci quando ele disse aquilo. – Você se lembra dos dias em que eu “passava as noites” aqui e você só me via e descobria isso pela manhã? – afirmei com a cabeça. – Bom, eu te falava que tinha vindo no meio da madrugada por causa dos surtos da minha mãe certo?

- Sim, mas não estou... – ele me interrompeu como se quisesse falar tudo de uma vez.

- Durante o primeiro mês em que aconteceu tudo com Matthew, e logo que você descobriu que ele estava em coma, sua mãe me ligava todas ou a maioria das madrugadas pedindo ajuda porque você não parava de gritar e se esbater na cama. De início nós pensamos que era apenas por causa do choque, do primeiro impacto de ter visto seu namorado naquela condição, mas os surtos começaram a se repetir frequentemente tanto que teve um dia que nenhum de nós conseguiu te controlar e você ficou gritando praticamente por toda a madrugada... Aquele dia em que amanheceu rouca... Você deve se lembrar né? – eu não expressava reação, ainda absorvia todas as informações. Ele tomou meu silêncio como sinal para prosseguir. – Nós até consideramos a ideia de te levar ao médico, mas de repente os “surtos” pararam e pelo visto não retornaram até agora... Mas hoje você me contou esse “pesadelo” e creio que tenho motivos para me preocupar certo? – lágrimas irracionais desciam por meu rosto e ele me envolveu num abraço forte.

- Eu estou ficando louca Fe, além de tudo louca... – murmurei com a voz embargada pelo choro.

- Não diga isso, nunca diga isso ok? – o apertei mais contra mim soluçando forte. – Qualquer problema que estiver acontecendo nós vamos solucionar está bem? Você tem a todos nós do seu lado... – senti o choro cessar aos poucos.

- Por que ninguém quis me contar isso? – perguntei me separando dele e sentindo-me forte suficiente para continuar com a conversa.

- Porque nós sabíamos que o que você já estava passando era difícil o suficiente, não queríamos te preocupar mais ainda. – concluiu enquanto enxugava as lágrimas em meu rosto. – Nós não te falamos nada porque tínhamos esperança de que a gritaria no meio da noite passaria, e passou... – recebi seu melhor sorriso que confortava qualquer um numa situação parecida.

- Eu o vi atrás de mim no espelho essa manhã Fe, isso não é normal. – comentei fixando o olhar num ponto atrás do mesmo

- Ei, olha aqui. – pediu segurando meu rosto pelo queixo. – Você passou por muita coisa esses três meses, é normal que aconteça algo “estranho” de vez em quando... – dessa vez eu o interrompi.

- Mas eu o sentia me vigiando, era como se ele estivesse em todo canto do meu quarto, esperando a melhor hora pra me atacar. – disse desesperada.

- Não encana com isso tá? Só promete que se isso acontecer de novo você vai me falar... – assenti com a cabeça enquanto o mesmo me puxava para mais um abraço. – Eu não vou deixar nada de mal acontecer com você, nada.

Em minha cabeça gritava os milhões de motivos que poderiam ter me apavorado durante a noite do primeiro mês, e se talvez Luna tivesse gritado com mais uma de minhas crises essa noite? Eu não me perdoaria por estar fazendo as pessoas que amo pagarem por minha insanidade...

Martelava dentro de mim um sentimento estranho, receio, insegurança talvez... Mas era agoniante, queimava e ardia, e por mais que o medo tivesse passado e eu me sentisse em perfeita segurança em meio ao aperto de Fernando, ainda assim me sentia exposta.

Os últimos meses tinham servido para que o mundo observasse o que há dentro da Amanda real, a Amanda que sente, que chora, que se deteriora e se acaba com o passar do tempo... Todos em minha volta tinham enxergado que afinal das contas eu era tão vulnerável quanto uma casca de ovo, e que dentro dessa casca existia alguém que nunca tinha se revelado.

Notas finais
Então como vocês podem ver, estou mantendo mais uma linha melancólica pros primeiros capítulos, eu sei que para muitos pode parecer cansativo e chato, mas acreditem é necessário, sei também que o número de reviews pode cair por essa minha atitude brusca de levar a fic para um lado mais dramático, só gostaria de pedir que isso não acontecesse ok? Os reviews de vocês que me incentivam sempre, e eu estou muito feliz com a repercussão que a 2ª temporada da fic teve até agora, espero, com a ajuda de vocês continuar nesse ritmo!
Quanto ao diálogo do pequeno flash de memória da Amanda no meio do capítulo, ele foi retirado do capítulo 13 de USP :)
Bom é isso, espero que tenham gostado e vejo vocês nos reviews! Não esqueçam de contar tudo sobre o dia dos namorados e feirado de vocês ok? Beeeeijos