Apenas Um Pesadelo
18 Capítulo 17
Notas iniciais
Confesso que deu um pouco de trabalho escrever esse capítulo, não sei porque, mas depois de tudo que aconteceu comigo nesses últimos tempos enfrentei uma grande dificuldade de expressar realmente o que queria nesse momento da história... Enfim, espero que tenha ficado claro.
Boa leitura!
p.s. perdoem qualquer erro, ou pelo capítulo "curto".
O sol desaparecia no horizonte e junto com ele levava a vida das magníficas flores e árvores. Uma neblina poderosa começava a me cercar enquanto eu ouvia passos ágeis me cercando, ou melhor, uma pessoa ofegante correndo por entre as árvores secas.
- Matthew? – chamei seu nome juntando a mão contra o peito e sentindo meu coração disparar diante de tanto medo.
Em resposta obtive uma risada alta e amedrontadora. Fechei os olhos sentindo as lágrimas se acumularem na ponta de meus cílios, abracei-me contendo os tremores que passavam por meu corpo. Eu estava paralisada, sem nenhum pensamento me rondando, apenas um desespero enorme e o desejo de que toda a aflição passasse.
- Matthew! Isso não tem graça! – exclamei forte soluçando e caindo de joelhos, já não suportando o peso em minhas pernas.
Mais uma risada assustadora e senti que cada vez ele chegava mais perto, mais perto, mais perto... Até que estava bem atrás de mim, ofegando em minha nuca, com uma das mãos em volta de meu pescoço.
- O que não tem graça doçura? – perguntou rouco enquanto deslizava a mão de meu pescoço para meus cabelos, puxando-os, obrigando que eu inclinasse a cabeça em sua direção. – Olhe para mim, diga o que você vê.
Seus olhos possuíam um tom verde escuro curioso, e enquanto eu tentava identificar o tipo de emoção que transmitia ele me sugava por completo. Arrancando-me a esperança, a perseverança, o amor... Deixando-me oca, uma carcaça sobrevivente, uma alma depressiva onde sentimentos negativam pairavam.
- Monstro. – sussurrei baixinho soltando o suspiro final.
Senti sua mão afrouxar no aperto em meu cabelo e fui arremessada para frente, me curvando sobre meus joelhos. Ele estava de pé e andava em volta de mim como se estivesse decidindo qual seria seu próximo passo.
- Você não tem mais nada agora, está sozinha e ninguém poderá te salvar. – murmurou em meu ouvido agachado bem ao meu lado. – Eu sou o monstro que acabará com sua vida.
Senti mais uma vez sua mão se fechando em torno de meu pescoço, apertando forte e me erguendo do chão. Ele me segurava no alto com o braço estendido observando atento aos meus movimentos de luta inúteis. E quando o olhei novamente entendi que deveria desistir...
Mas eu sempre fui uma pessoa persistente, não desistiria fácil. Segurei com as mãos em torno de seu pulso apertando o máximo que conseguia, rapidamente seus olhos migraram do tom escuro para um mais claro e ele me soltou.
- Isso não acaba assim. – admitiu derrotado enquanto eu o assistia desaparecer em meio a minha visão turva.
Acordei suada com o lençol embolado em meus braços, movimentei-me na cama e notei que estava num quarto conhecido. Lembrando as últimas horas e o último sonho que tinha tido senti o coração apertar e uma vontade de chorar me envolver por completo.
Sentei na cama amarrando os cabelos num coque e mirei a parede branca em minha frente enquanto repetia mentalmente um mantra para não chorar. Eu sabia que após a primeira lágrima derramada não teria nem mais forças para levantar da cama.
Com a pouca coragem que restava tomei impulso e sai do amontoado macio de lençóis, cambaleando um pouco nos primeiros passos em direção ao banheiro e tomando nota que não comia há horas e logo teria uma queda de pressão violenta.
Em frente ao espelho examinei meu rosto magro e as olheiras profundas, eu não dormia direito há meses, não me alimentava direito, e isso tudo era consequência.
Uma pequena voz dentro de mim gritava: “Todos esses meses para agora ele nem saber quem você é”. Tratei de me livrar desses pensamentos enquanto jogava água fria no rosto e molhava a nuca e os pulsos.
- Amanda? – imediatamente virei em direção a quem me chamava.
- Fiquei apagada por muito tempo? – perguntei enquanto secava o rosto e ele riu baixinho andando até mim.
- Algumas horas, mas você estava muito cansada... – ele parou por um minuto notando as linhas expressivas de meu rosto enquanto acariciava meu queixo com o polegar. – Ou melhor, ainda está. – concordei com a cabeça deixando que ele me guiasse até sua cama.
Eu recordava de ter tido um ataque histérico quando Matt disse que não se lembrava de mim, depois estava chorando copiosamente nos braços de Brian... E então, nada.
- Não lembro o que aconteceu depois que...
- A enfermeira te deu um calmante e você dormiu no meu colo em questão de minutos, decidi te trazer para casa porque ficar naquele lugar não iria ajudar. – assenti com a cabeça.
Permanecemos em silêncio por um segundo enquanto eu me mexia inquieta na cama, eu ainda tinha a necessidade de chorar presente e com o moreno ao meu lado ela só se tornava mais forte.
- Se você ainda estiver com aquela ideia idiota de ir embora do país eu juro que... – ele pareceu sorrir por um momento depois me abraçou forte.
- Eu não vou, não posso... Simplesmente não posso te deixar. – suspirei aliviada enquanto sentia seus braços afrouxarem.
- Pelo menos uma notícia boa! Acho que não sou tão azarada afinal. – sua risada ecoou pelo quarto trazendo-me a paz que precisava.
Mais uma vez nos silenciamos, ele mantinha o olhar baixo, confuso, como se estivesse tentando arranjar uma forma de se explicar, uma forma de pedir desculpas... Uma pena que eu não conseguia dizer que já estava perdoado.
- Quando eu estava fazendo o caminho de volta para casa eu não pude deixar de pensar no quanto melhorei ao seu lado... Depois de um tempo na cadeia a gente pensa que não tem mais salvação, e no meu caso, eu tinha em mente que deveria me tornar aquilo que tinha pintado para estar lá dentro. Mas você... Você me fez lembrar que eu nunca fui aquela pessoa, e nem poderia ser. Essa foi uma das inúmeras razões que me fizeram voltar para o hospital, que me fizeram acreditar que eu também podia lutar... – ele parou por um momento, interrompendo seu raciocínio.
Eu ainda custava em acreditar naquelas palavras, não entendi direito o que ele queria dizer com frases como: “eu nunca fui aquela pessoa”, algo não se encaixava... Uma peça faltava para solucionar o complicado quebra-cabeça e pelo visto Brian não estava disposto a me dar essa resposta.
- Enfim, só gostaria que soubesse que não vai se livrar de mim tão cedo. – após a última frase ele soltou um grande suspiro e eu ri fraco me aproximando do mesmo e encostando a cabeça em seu ombro.
- Você acha que um dia ele pode se lembrar de mim? – perguntei irracionalmente, me xingando mentalmente assim que dei conta do que tinha feito.
- Eu conversei com os médicos. – senti seu corpo se mexer desconfortável e me reposicionei na cama de modo que pudesse observa-lo. – Eles disseram que a perca de memória realmente é uma sequela, e se ele poderá recuperá-la algum dia é só uma questão de tempo, ou sorte talvez. Ele pode se lembrar de tudo daqui a uma semana, como daqui dois meses, um ano ou...
- Nunca. – completei sua frase sentindo uma pressão forte no peito e um nó se fazer apertado em minha garganta.
- As memórias dele se limitam há um ou dois anos atrás, logo após a partida de Valary... Você nunca conheceu Matthew daquela forma... Ou talvez sim, no início do relacionamento quando ele ainda tentava te levar para a cama. – segurei a respiração por um minuto estranhando o modo com que ele se referia ao irmão. – Agora você vai conhecer o Matthew de verdade, e é disso que eu tenho medo.
- Como assim Brian? Não estou entendendo... – bufei olhando para o teto e tentando conter as lágrimas que estavam prestes a transbordar. – Desde que Matt entrou em coma você vem escondendo alguns fatos, sempre deixando claro que não tem o direito de contar certas coisas... Eu estou cansada disso! – soltei uma lufada de ar e com ela a primeira lágrima.
- Eu não quero apressar as coisas, não quero que você pense que estou fazendo a caveira do meu próprio irmão. – de repente eu chorava copiosamente.
E não era apenas por ser uma lembrança esquecida para o garoto que amava, mas também por toda essa confusão que pairava. Essa omissão de fatos que Brian fazia querendo proteger-me de algo.
Eu queria gritar que era forte e aguentava saber os podres de Matthew, mas ao mesmo tempo temia saber esses segredos... Tinha medo de descobrir algo que me deixasse pior do que já estava. Por isso, limitei-me em chorar agarrada ao guitarrista.
- Amanhã nós vamos até o hospital antes da sessão de fisioterapia dele, o doutor disse que temos que nos reunir com amigos e familiares mais próximos para explicar a situação... que sofreu um acidente e que não estamos mais na época em que as memórias dele recordam. Você precisa ir também, mas eu vou estar do seu lado o tempo todo. – assenti sem mais forças para debater.
Permaneci mais um tempo em seus braços, de alguma forma me sentia confortável em meio aquela massa ao meu redor, era como se Brian fosse me proteger e apoiar contra tudo de ruim que viesse em minha direção. Com ele eu sentia ainda um fio de esperança, um sentimento forte que me ajudava a lutar mais uma vez contra todos os temores presentes.
Notas finais
E como não respondi os reviews do capítulo anterior ainda, gostaria dizer que li cada um deles e fiquei extremamente feliz com o número de pessoas que comentaram, muito obrigada a todos que acompanham! Eu juro que vou responder cada um com muito carinho, mas vocês sabem, final de ano, provas, medo de reprovar... Difícil conciliar tudo nesse momento kkkkk
Beeeijos da Shadows ;*
p.s http://animespirit.com.br/fanfics/historia/apenas-um-pesadelo-415421
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