Apenas Por Você
11 Capitulo dez - Vamos com calma, preciso pensar
Notas iniciais
O apartamento dele não era muito longe de onde estávamos então não demoramos muito para chegar lá. Quando entramos no elevador, outra garota entrou também, Nakata bufou e eles se encararam friamente, na hora percebi que eles não se davam bem. Ele segurou-se no meu braço e ela revirou os olhos. O elevador parou um andar abaixo do de Nakata e a garota depois de sair olhou novamente para o elevador.
– Mais um é? Tente por favor, não fazer tanto barulho hoje queridinho... Não quero ficar escutando seus gemidinhos de menininha.
– pelo menos eu tenho alguém pra fazer barulho comigo, — ele riu — diferente de você sua putinha mal comida.
Antes de ela responder a porta do elevador se fechou. Paramos em frente a porta do apartamento dele e ele começou a procurar as chaves na sua mochila.
– quem era ela? – perguntei.
– minha vizinha. Nós não nos damos muito bem sabe... – ele pegou a chave e abriu a porta – ela tem raiva porque faço muitas noites e trago caras... Bom... Frequentemente.
–ah...
Entramos por fim em seu apartamento. Não era grande e estava meio bagunçado. A sala e a cozinha eram um mesmo cômodo separados apenas por uma bancada, entre esta divisória havia um corredor com três portas. Ele largou a mochila no sofá e se virou para mim.
– ah... Não perceba a bagunça, eu não venho aqui faz alguns dias e não arrumei muito as coisas hehe
– tudo bem – sorri.
– então... Ali é o quarto, a porta no fim do corredor é o banheiro e a porta a esquerda é o ateliê – caminhamos até ela e do lado, na parede estava pendurada uma chave – é o único quarto da casa que tem chave, porque quando eu faço as festas não quero ninguém entrando aqui.
Era um quarto bem iluminado e cheio de coisas. No fundo, encostado na parede da janela havia uma mesa larga de parede a parede com pilhar de potes de tintas de todos os tipos, canecas cheias de pinceis, lápis, varias embalagens de folhas de todos os tamanhos, e outras ferramentas que eu não sabia ao certo oque eram. No centro do quarto haviam dois cavaletes de madeira, um para telas e outro para folhas, creio eu. Nas outras paredes estavam encostadas varias telas pintadas e varias em branco também, e no teto tinham duas cordas que atravessavam o quarto em X com vários desenhos presos por prendedores.
Comecei a olhar as pinturas e os desenhos enquanto ele se mantinha parado perto do meio da sala. Eu estava muito admirado com o talento dele e não conseguia parar de repetir o quanto ele era bom. Quando o olhei novamente, ele segurava uma tela e colocava-a vidada para a parede.
– que quadro é esse? – perguntei me aproximando
– ah! Não é nada – ele virou-se para mim, bloqueando o quadro – ele ainda não ta pronto e ficou feio...
– deixa disso! – puxei sua mão – deixa eu ver!
Depois de insistir muito ele deixou que eu pegasse o quadro. Era uma pintura e realmente não estava acabada, tinha poucos detalhes comparado as outras que eu tinha visto, mas dava para ver oque era.
–sou eu..?
Ele estava de costas para mim e não pude ver seu rosto.
– não é oque você esta pensando! Num dos últimos dias la na praia eu não conseguia dormir e quis desenhar... você estava ali do lado e a única coisa que eu fiz foi te usar de molde. – ele moveu-se desconfortável – acabei gostando do desenho e quis pinta-lo. Mas só isso.
Não pude me controlar e caminhei até ele e o abracei por traz.
– heh, obrigada! Fiquei muito feliz de você ter me pintado! Ficou muito bom.
Ele se virou para mim com uma cara emburrada, apoiou suas mãos em meu quadril e ficou na ponta dos pés, me beijando, oque foi muito fofo. Fazia praticamente duas semanas que não nos beijávamos e eu tinha quase esquecido como a boca dele era doce e macia. O afastei levemente depois de um tempo.
– vamos assistir algo na tv?
– oi? – ele riu levemente como se não tivesse entendido oque eu tinha dito.
– um filme – me afastei dele e caminhei ate a porta – já que você não aproveitou o do cinema.
– ah...
Caminhamos ate a sala e enquanto ele se sentava no sofá, liguei a tv e peguei o controle me sentando ao seu lado. Quando ia perguntar em qual canal procurar ele tirou o controle da minha mão e se sentou no meu colo.
– eu não quero ver filme nenhum, idiota.
Começou então a me beijar novamente, com suas mãos sobre meu pescoço enrolando os dedos em meus cabelos. Ele sentou no lugar certo, se é que me entende, e movia o quadril de uma forma que poderia me deixar louco. O segurei pela cintura, tentando amenizar seus movimentos pois não queria ter uma ereção naquele momento, e quando minha mão subiu levemente levantando junto um pouco de sua camiseta e tocando meus dedos em sua barriga, seu corpo tremeu e senti ele soltar um som quente, abafado pelo beijo. Naquele exato momento percebi o rumo que aquilo estava tomando e o empurrei de meu colo, me levantando em seguida. Ele, sentado no sofá, com uma cara de surpreso e ao mesmo tempo confuso, me perguntou:
– hey, o-oque foi?
– ah... eu... lembrei que tenho que entregar umas fotos até as oito da noite! Eu preciso ir e terminar de edita-las.
Ele continuou me olhando como se não acreditasse no que eu estava fazendo, e de certo modo nem mesmo eu acreditava.
– você quer que eu te largue em casa ou vai ficar aqui?
–ah... eu vou pra casa – ele se levantou e arrumou o cabelo bagunçado.
Todo o caminho até a casa dele ficamos em silencio e chegando lá demos um pequeno beijo de despedida e fiquei olhando até ele entrar em casa para seguir em frente. Enquanto dirigia pensei sobre todo o ocorrido e percebi que fui um pouco rude, mas não era como se fosse minha culpa. O Nakata, mesmo tendo todas aquelas coisas que me faz acha-lo super fofo, ele ainda é um homem. Beija-lo era uma coisa, mas eu ainda não conseguia me imaginar fazendo algo a mais, sem falar que ele já dormiu com outros caras antes, claro que já quase aconteceu aquela vez dentro do ônibus, onde eu tive uma imensa vontade de fazer isso mesmo, e eu não sei oque poderia acontecer se eu fosse em frente. E se na hora eu desistisse ou percebesse que era algo que eu não queria? Eu tinha que levar as coisas com mais calma e pensar bem sobre isso.
–-x--
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