Apenas Por Uma Noite
1 Capítulo único
Linda.
Era assim que ela estava, ou que, pelo menos, parecia estar.
Ali, fitando o espelho, teve certeza de que ainda era uma mulher atraente.
Então por que passara por tudo aquilo? Por que seu casamento de oito anos havia sido um fracasso? Deu tudo o que pode para aquele homem, e no fim tudo virara pó, passado, lembranças.
Bella abaixou a cabeça e quase fraquejou novamente. Tentou impedir as lágrimas de caírem em seu rosto maquiado, mas foi em vão.
Um mês havia se passado desde que tudo acontecera...
*FLASHBACK ON*
Isabella estava colocando seus brincos de pérolas quando o telefone fixo tocou. Apressou-se em seus saltos finos, pois seu marido chegaria a qualquer momento para buscá-la.
Assim que atendeu, ofegou. Era a voz dele.
– Olá amor. Desculpe, mas infelizmente não chegarei a tempo de jantarmos juntos. – sua voz era fria, dura. — Sei que hoje é mais um dos nossos aniversários de casamento, mas... Enfim, desculpe querida.
Bella estranhou a atitude de Jacob Black, ou Jake, um apelido íntimo.
– Por que não virá? – perguntou, triste. Seu marido comparecia pontualmente todas as noites. E naquela noite, em especial, eles haviam combinado de jantar em um restaurante fino e caro.
– Surgiu uma nova reunião. – prosseguiu o rapaz. – Um caso difícil de resolver, precisarei de mais três horas no mínimo. — sabendo que a esposa ia questionar sobre sua alimentação, ele continuou. — Pode deixar, eu peço comida em algum japonês. – uma longa pausa iniciou-se, até que Bella soltou um suspiro pesado.
– Tudo bem. Demore o tempo que precisar. – disse por fim. Sempre era compreensiva mesmo.
– Não saia de casa, está bem? Mande Lilian preparar seu jantar, chegarei a tempo de lhe desejar uma boa noite.
Despediram-se, mas Bella sentia que havia algo errado. Por que Jake havia pedido para que não saísse de casa? Poderia ser paranoia dela, afinal era a primeira vez em todos estes anos de casamento que Jacob desmarcava algum compromisso com ela. Seu escritório de advocacia tomava todo o seu tempo, mas as horas com a mulher eram sagradas, como ele mesmo dizia.
Desanimada e frustrada, Bella seguiu para o quarto. Havia dispensado seus funcionários ao entardecer, alegando que iria jantar fora com o marido e em seguida teriam uma bela noite de amor para comemorarem aquele dia especial. Passava das sete da noite e ela não sabia o que fazer.
Trocou de roupa, tirou o vestido justo e vermelho que usava, colocando uma saia longa preta com uma blusa de corte reto e simples. Teve, então, a ideia de ligar para Alice, sua única amiga e confidente naquela cidade.
Jacob havia pedido para que não saísse de casa, mas ela estava com fome. Além de se sentir sozinha em todo aquele casarão em que morava.
Pegou o celular, discando o tão conhecido número. Quatro toques depois a voz melodiosa e calma soou.
–Bells! Bom falar com você. Como está, sumida?
– Alice. Eu estou... – respirou fundo. – Bem. E você?
–Bem? – perguntou a amiga. Ela a conhecia muito bem. – Tem certeza? Sua voz não parece nada boa.
Por que Bella sentia-se tão angustiada? Como se algo fosse acontecer? Parecia bobagem esse comportamento, apenas porque o marido estava em uma reunião de trabalho que duraria algumas longas horas.
– Na verdade, não. – confessou.– Preciso sair. Beber, jantar, qualquer coisa. – deu uma risadinha baixa, e Alice não estava entendendo nada. – Você já saiu do ateliê?
Alice trabalhava em seu ateliê, era uma pintora renomada e muito talentosa. Vendia quadros caríssimos e de muito bom gosto.
– Daqui a pouco estou fechando aqui. Passo aí e vamos tomar um drink primeiro, ok? Perto de minha casa tem um lugar calmo. Só preciso avisar o Jazz.
– Está certo. – concordou. – Estarei esperando.
Após encerrarem a ligação, a angústia que tomava conta de Bella continuou em seu ser. Iria desobedecer a um pedido de Jake, será que ficaria chateado? Ora, bobagem! Que mal havia em sair para beber um pouco e jantar com uma amiga? Tudo bem que seu esposo e Alice não eram melhores amigos, mas ele nunca tentou nem mesmo a impedir de sair com sua confidente. Até porque não tinha esse direito.
Sentou-se no sofá, a fim de esperar Alice Cullen. Enquanto aguardava, refletia sobre sua vida. Não amava Jacob, casara-se porque gostava dele, e aos 20 ambos eram muito jovens e interessantes. Bella era de Forks, uma cidadezinha pequena e chuvosa dos EUA. Mudara-se para Los Angeles a fim de estudar, deixando para trás apenas seus pais e um casal de tios. Alugara um minúsculo apartamento, começando a cursar Relações Públicas um mês depois. Em uma festa da faculdade, conhecera Jacob.
O mesmo estava na metade do seu curso de Direito, e com seu charme encantador, seus olhos misteriosos e seu corpo musculoso, havia atraído Bella logo de cara. E ela não acreditava em amor eterno, não esperava o “príncipe encantado”. Começaram a sair e a se conhecer. A garota não possuía amigos, apenas Alice, uma jovem que havia se esbarrado com ela pelos corredores de um dos campus. Quando a pequena mulher sorriu para Bella pedindo-lhe desculpas pela distração, a mesma percebeu que ali estava surgindo uma grande amizade. Desde então, não fizera amizade mesmo com ninguém. Apenas com Alice Cullen, sua amiga baixinha e desastrada. Namorou Jake, até que meses depois estavam se casando. Alice foi meio contra, não achava certo. Mas Bella estava encantada, finalmente havia achado um homem lindo, que faria inveja em qualquer mulher. Além de ter excelentes condições de vida.
Durante este tempo, Jacob sempre fora um marido atencioso e rigoroso. Cumpria horários, gostava de tudo no lugar. Eles mudaram-se para uma casa maior algum tempo depois, e Bella sentia-se só. O desejo de ser mãe a consumia, porém seu esposo não podia ter filhos. Era estéril.
O interfone da casa tocou, tirando-a de seus devaneios. Levantou-se e atendeu.
– Pois não?
– Amiga, sou eu! Vem logo que está a maior chuva aqui fora.
– Oh Alie, já vou!
Desligou, pegou um guarda-chuva que havia perto da porta, juntamente com sua bolsa. Apagou as luzes e saiu de sua casa, trancando-a.
Ao ver Alice, sorriu. Ali estava seu porto seguro. Sua irmã, a que não possuía de sangue, mas era de coração com certeza.
– Bells! – a abraçou dentro do carro do jeito que pode. – Estava com saudades!
– Oi Lice. – sorriu amigavelmente. – Eu também. Está linda. O casamento a fez bem hein? – disse rindo. Sua amiga havia se casado há apenas duas semanas.
Alice gargalhou gostosamente.
– E como! O negócio anda muito bom! Acredita que o Jasper já quer filhos? Não vejo a hora de ser mãe de pelo menos uns gêmeos. – seu sorriso era enorme.
Bella nada disse. Apenas abaixou o olhar para suas mãos, que estavam entrelaçadas em seu colo, no banco do carona.
– Desculpe. – murmurou Alice. – Eu realmente não falei por mal. Sei do seu desejo por ter um filho, mas o seu marido infelizmente não pode e...
– Está tudo bem.– interrompeu Bella. – Não tem problema. Eu entendo o lado de Jacob.
A amiga nada respondeu, apenas seguiram pela estrada molhada de Los Angeles. Era meio estranho estar chovendo nessa época do ano. Logo as duas começaram a conversar, e Bella explicou o acontecimento com Jacob. Muitos carros circulavam ao mesmo tempo. Pegaram um trânsito intenso, até que chegaram ao novo local que a pintora havia dito.
Alice deixou o carro próximo à calçada, entregando a chave ao manobrista. Este abriu a porta para Bella, e ela estacou ao ver o carro que havia próximo dali.
Era o carro dele. Do seu marido. Seu Jacob.
Ele não estava em uma reunião?
Ficou olhando aquele Aston preto tão conhecido por aparentemente horas, mas apenas não passaram de alguns segundos. Pelo menos a chuva havia parado, caso contrário estaria encharcada naquele momento.
Alice seguiu o olhar da amiga, e arregalou os olhos em susto.
– Ele está aqui? Como assim ele está aqui?! – inquiriu encarando Bella com a sobrancelha arqueada, do tipo "eu te avisei que ele não presta".
Isabella sabia o que se passava na cabeça de Alice naquele momento. Mas não devia ser nada...
– Vem. – chamou-a. – Vamos entrar pela porta lateral.
Conseguiram entrar pela outra porta do local. Acharam uma mesa mais reservada à esquerda do ambiente, e acomodaram-se. O lugar era quente e aconchegante.
Enquanto isso, os olhos de Bella percorriam o lugar. Nenhum sinal de Jacob.
Alice pareceu esquecer-se do fato por um momento, mas logo em seguida começou a fazer o mesmo que sua amiga. E não obteve sucesso da mesma forma.
– Alice, cadê ele? É o carro dele, eu vi, eu sei! – Bella desesperou-se, apoiando os cotovelos na mesa e colocando a cabeça entre as mãos.
A garota assentiu.
– É realmente o carro dele. Ele tem que estar aqui.
– Mas ele não está. – disse Bella, observando novamente o local com seus olhos aflitos. Haviam casais, crianças, idosos, mas nada de seu marido. – Ou ele está em algum lugar aqui perto, ou estou louca.
Abaixou a cabeça e fitou a mesa em que estavam. Permitiu-se distrair por alguns instantes.
– Olha, vamos tomar um drink, está bem? Quem sabe ele não aparece. – Bella assentiu.
Foram até o bar, uma parte mais reservada que ficava próxima aos banheiros. Sentaram-se e pediram suas bebidas. Isabella estava no terceiro gole quando viu a cena que não gostaria de ter visto.
Perto dali Jacob saía com uma ruiva muito bonita, que possuía pequenas sardas no rosto. Ele a abraçava por trás, e ambos andavam em direção à porta principal. Ela ria como se estivesse estupidamente feliz enquanto ele sussurrava coisas em seu ouvido e mordiscava sua orelha. Como se fosse em câmera lenta, Jacob saiu de trás da mulher e pegou sua mão, beijando-a. A ruiva, então, levantou a cabeça e fitou o moreno. Seus olhos azuis brilhavam intensamente.
Ele tinha uma amante. Ele tinha outra e mentira pra ela.
*FLASHBACK OFF*
Depois daquela horrível noite, Bella havia mudado para casa de Alice e Jasper. Jacob ficou perplexo e em estado de choque ao ver a esposa ali, no mesmo local que ele e sua amante Tanya. Por Deus, com tantos bares e restaurantes em LA, Isabella tinha MESMO que ir parar na sua frente? Ela naquele momento nada disse, apenas fitou o casal com seus olhos castanhos cheios de água, deu um belo e sonoro tapa na cara de seu esposo, puxou Alice pelo braço e saiu, desaparecendo completamente.
Voltou para sua casa, fez as malas e saiu, sem mais nem menos. Quando Jacob voltou lá, era tarde. Ela havia partido. E se ele bem conhecia Bella, sabia que não iria perdoá-lo. Mas a quem ele queria enganar? Isabella era o oposto dele. Davam certo, mas não havia amor, não havia intensidade em nada. Nem nos beijos. Era apenas respeito, desejo e tesão sexual. Até que Tanya apareceu em sua vida, e tudo ficou mais fácil de suportar...
Tentou falar com a esposa por dias. Todos os seus números de celular davam caixa postal. A verdade é que Bella havia jogado todos os chips fora, e comprado outros. Não queria mais falar com Jacob. Não haviam terminado o casamento oficialmente, mas de qualquer forma tudo já havia acabado. E ele sabia disso. Ela mandaria depois um advogado tratar dos papéis de seu divórcio. Deus, há quanto tempo estava sendo enganada? Ela só tinha Jacob. Mais ninguém.
Enquanto Bella estava hospedada na casa de Alice, Jacob procurou a baixinha em seu ateliê. Ela o mandou ir para o inferno, disse horrores, e falou que não sabia aonde Bella estava. Mentiu, é claro. Ordenou que ficasse bem longe de sua amiga, pois ele era um verdadeiro canalha e imbecil por perder uma mulher como a sua ex-esposa.
Bella ficou um mês inteiro na fossa. Mal comia, não saía. Pediu férias antecipadas do trabaho. O trauma foi grande. Jacob era o sol de sua vida, sua fortaleza e alicerce. E de repente tudo estava desmoronado. Não havia amor para que pudesse perdoá-lo, então pra que continuar aquele casamento de aparências? Ela não merecia aquilo, e não precisava continuar passando o que passava.
E até que um dia Alice a convenceu de que elas iriam sair para uma boate, pois seu primo que morava no Brasil havia voltado para Los Angeles. Era uma noite entre amigos dele, e alguns membros da família. Bella inventou tudo: dor de cabeça, indisposição, até cólica. Mas Alice a conhecia perfeitamente bem para saber que eram somente desculpas e mais desculpas. E quando se trata de Alice Cullen, quem consegue detê-la? Ninguém. Nem mesmo sua mãe.
Contrariada, acabou aceitando apenas para não fazer uma desfeita para Jasper e sua fiel amiga. Estava cada vez mais convicta de já estava forte emocionalmente para alugar ou até mesmo comprar um apartamento para si.
Tomou um banho relaxante da cabeça aos pés, deixando a água lavar todas as lágrimas que havia dentro dela. E se permitiu chorar, afinal era o que havia feito durante o último mês. Sabia que Jacob a procurara feito um louco, mas ela não estava nem um pouco disposta a voltar pra ele, a retomar seu casamento. Não queria isso, porque mesmo com toda a tristeza, sentia-se livre, liberta. Uma sensação de paz a dominava. Algo que nunca imaginou que aconteceria longe de Jacob Black, porque, para ela, ele era a sua fonte de paz.
Secou-se, vestiu uma lingerie preta toda rendada, com vários detalhes vermelho sangue. Examinou o closet que continha suas roupas, até que achou uma blusa rosa com detalhes floridos. Lembrou-se de Jacob. Ele havia saído para comprar com ela, era seu aniversário de 24 anos e ela insistia que deveria ganhar algo simples. Ele a presenteou com uma nova aliança, dessa vez de cristal. E, já que ela insistia, havia dado a blusa também. Isabella suspirou. Será que nunca conseguiria esquecê-lo?
VOCÊ NÃO O AMA! – berrava sua consciência.
Sim, ela não o amava. Mas gostava demais dele, e estava acostumada com os seus carinhos, seus beijos, seus toques... Ele fora seu primeiro homem. E único, até então.
Respirou fundo. Não iria chorar.
Revirou novamente o closet, encontrando um vestido preto absurdamente colado ao corpo, que possuía um decote em V e deixava suas costas nuas e as coxas expostas. Um sorriso pequeno surgiu em seus lábios. Espera, há quantos dias ela não sorria assim? Não sabia responder para si mesma. E o mesmo sorriso murchou quando ela pegou a peça em suas delicadas mãos e lembrou que o mesmo não cabia mais nela. Havia engordado, estava tomando anticoncepcionais, não para evitar a gravidez, já que Jacob não podia ter filhos, mas sim porque ela sempre tomou. Meio que uma forma de proteção, ela só não sabia contra a que. Mas não era hora de pensar nele novamente...
Resolveu experimentar. Quem sabe o vestido não servisse? Alice havia dito que ela havia emagrecido. Jasper dizia a mesma coisa. E ela sabia, afinal praticamente não comia, e quando o fazia, eram somente coisas leves e saudáveis. Pensou em ir ao médico. Alice quase a obrigou, na verdade. Porém ela sabia que ela mesma era a causadora de tudo isso... Havia se doado demais em seu fracassado casamento.
Surpreendeu-se ao constatar que o vestido servira como uma luva. O fino tecido marcava sua cintura fina, acentuava suas coxas, exatamente como lembrava. Sorriu novamente. Pelo menos pra alguma coisa esse sofrimento todo servira.
Mais alegre, continuou a sua produção...
Por fim, olhou-se no espelho. A mulher refletida não parecia ela, pelo contrário. Seu cabelo castanho caía em grossas cascadas, tampando um pouco suas costas nuas pelo vestido. Em cima havia uma presilha, prendendo a parte superior e tirando seu cabelo do rosto. Isso favorecia seus olhos, que exalavam luxúria e surpresa quando olhados pelo espelho. As pálpebras estavam marcadas por uma sombra preta, esfumaçada suavemente com um branco bem suave e quase apagado. Era apenas para dar um pouco de cor, de luz ao seu rosto. Sua face rosada continha um pouco de blush, mas só um pouco, já que ela possuía um blush natural quando corava – o que não acontecia há um bom tempo. Passou também pó, corretivo, base e todas aquelas coisas, pra esconder suas olheiras que estavam bem fundas logo abaixo de seus olhos. Seu batom vermelho preferido demarcava cada canto de sua boca carnuda, deixando-a convidativa e ainda mais suculenta. Como um dos mais belos morangos...
Suspirou. Como queria que Jacob estivesse ali. Sem traições, sem mentiras, só eles dois na paz que ele lhe dava...
Quando caiu em si, estava chorando. Tentou evitar que isso acontecesse durante todo esse tempo em que se arrumava, mas, no fim, fracassou. Ela se considerava uma fracassada mesmo. Ainda bem que a maquiagem era à prova d’água...
– Bellita, você já está...? – Alice neste momento entrara no quarto de hóspedes de seu apartamento sem bater na porta. Trajava uma saia de couro com uma blusa de oncinha e saltos altíssimos, até mesmo para Bella. Sorria, até que olhou para a amiga, e seu rosto ficou igualmente triste. Apenas abriu os braços, e Bella foi até ela e se aconchegou em seu ombro.
– Shiii, não chore! Eu sei, deve ser péssimo terminar um casamento, ainda mais de tantos anos! Eu não me vejo sem o meu Jazz e... – a morena soluçou ainda mais ao ouvir aquelas palavras. Alice xingou-se mentalmente por falar de casamento com ela. – Bella, desculpe! – afagou-lhe os cabelos. – O que quero dizer é: ele não te merece! Não merece uma mulher linda e maravilhosa como você! Você sabe disso, não sabe? – Bella assentiu, dando um sorriso fraco. Alice sempre seria Alice, e isso significa dizer que sempre seria aquela que a faria ver uma luz no fim do túnel. E era por Alice que ela estava ali, naqueles trajes, usando aquela maquiagem, tentando se animar e viver como qualquer pessoa que se separa de um homem.
– Agora vamos. – Alie a encarou. – Rosalie já chegou à boate. Ela é a minha cunhada, também é irmã do Jazz. É uma pessoa incrível. Você vai conhecê-la hoje. E ah, minha mãe estará lá também, disse que está com saudades da outra filhinha dela. – Bella riu. Gostava muito de Esme, apesar de quase não vê-la.
Bella não se mexeu, e Alice teve que dar uma sacudida em seus ombros.
– Por Deus, Bells! Vamos! Você está perfeita, finalmente soube se arrumar como uma dama! – isso fez Bella rir de leve, lembrando-se dos tempos em que a amiga a usava como cobaia para deixá-la ainda mais bela. – Vai arrumar muitos homens! – deu uma piscadinha.
Agora sim ela riu pra valer. Homens? Ela acabou de sair de um relacionamento...
– Homens? – inquiriu com a sobrancelha arqueada, enquanto Alice limpava suas lágrimas com o dedo indicador. – Estou indo em consideração à vocês, apenas. Dê-me um minuto, está bem? – a amiga assentiu, já saindo saltitante do quarto. – Obrigada por isso.
Bella olhou-se no espelho pela última vez. As lágrimas haviam desaparecido, apenas a tristeza a dominava. Mas era só colocar um sorriso no rosto e ninguém perceberia. Esboçou um sorriso, e até que deu certo. Sim, ela realmente estava linda.
E tudo isso seria apenas por uma noite...
(...)
Foram todos no Porche amarelo-canário de Alice, só que com Jasper dirigindo. Bella permaneceu quieta no banco de trás durante todo o trajeto, e sua amiga a perguntou algumas vezes se ela estava bem, enquanto a mesma dizia que sim. Jasper vez ou outra procurava pela mão de Alice em seu colo, ao mesmo tempo em que ela sorria e lhe dava a mão, fazendo pequenos círculos com o polegar em seus dedos.
Bella olhou para o exterior da janela, fitando a cidade iluminada. Será que encontraria um amor assim como o de seus amigos? Ela não era assim com Jacob. Não mesmo.
Poucos minutos depois chegaram à uma boate. O local havia sido alugado – e ela sabia muito bem por quem, afinal conhecia os exageros de sua amiga baixinha – apenas para receber o tal primo que viera do Brasil. Nem sequer sabia o nome dele, então o que ela estava fazendo ali mesmo?
– Chegamos! – disse uma Alice feliz e eufórica. – Não vejo a hora de ver o Ed!
– Calma, amor. – seu esposo deu uma risadinha e roubou-lhe um selinho. O que fez Bella sair do carro de uma vez, enquanto Jazz saía também, só que para abrir a porta para sua mulher.
Um letreiro enorme em luz neon vermelha piscava escrito “OUTRAGEOUS” (n/a: pra quem não sabe, "outrageous" em português significa ultrajante, extravagante). Bella olhou pra Alice com a sobrancelha arqueada. Que espécie de nome era aquele? Bem a cara da amiga mesmo.
– Sabe como é. – ela sussurrou, explicando. – É novo e é um lugar que Ed ainda não conhece. Ele conhece quase tudo de Los Angeles.
Deu de ombros, mandando tudo para o espaço. Ela queria era beber e se divertir, se conseguisse.
Alice e Jasper foram cumprimentar uns amigos, e ela estava prestes a ir junto, quando um rosto muito conhecido veio ao seu encontro.
– Vejam só quem está aqui!
– Emmett! – eles se abraçaram. Um abraço de urso, afinal ele era enorme, musculoso e muito maior do que ela. Emmett Cullen era irmão de Alice. E mais velho do que ela.
– Como tem andado essa vida? Já conhece Rose?
– Tudo na mesma e... – ela estava prestes a continuar, e iria dizer que não conhecia a noiva de Emm, quando foi interrompida.
– Bella, minha querida! Que bom te ver! – a mulher sorriu, indo ao seu encontro.
Isabella ficou imensamente feliz ao ver aquela senhora de meia idade ali. Era Esme, mãe de Alice e Emmett.
– Esme! É muito bom te ver também. – se abraçaram. — Como vai Carlisle? Está melhor?
– Oh, Carl ainda está em recuperação. Sabe como é, caiu daquela escada alta, então torceu o pé seriamente e por pouco não fraturou a coluna. Porém, o médico disse que deve ficar em repouso. Eu não ia vir, mas é o meu sobrinho que está chegando, então Carl insistiu que eu viesse. Mas não vou demorar, não costumo frequentar esse tipo de ambiente jovem, sabe, já passei dessa fase. – Esme gargalhou, fazendo Bella rir um pouco.
– Que nada, você está cada vez mais jovem! – deu-lhe um sorriso.
– Obrigada, meu bem. – sorriu. – Falando em jovialidade, onde está Jacob?
Ela não sabia? O sorriso de Bella desmanchou-se. Esme havia tocado em sua ferida.
– E-Eu... Bom, Esme, Jacob e eu estamos... Separados.
Esme levou a mão à boca, em surpresa.
– Oh meu Deus! Querida, me desculpe! Eu não sabia, estava tão ocupada cuidado de Carlisle que não nos falamos por um tempo, não é? – Bella assentiu, de cabeça baixa. – Minha querida, me desculpe mesmo! Eu só tenho que dizer uma coisa...
Bella estava prestes a perguntar o que ela tinha pra dizer, quando ela o viu. Seus passos eram calmos, ele ria olhando para Emmett e uma loira escultural que estava segurando sua mão. Fechou os olhos por um momento, até Alice abraçá-lo como se fosse derrubá-lo. Se não fosse tão pequena e ele tão... Másculo, ela teria conseguido este feitio. Após o abraço, Jasper cumprimentou-lhe com um abraço de homem e leves tapinhas nas costas. Bella viu Alice procurar alguém com os olhos, até que ela fitou-a, sorriu, e então levou o homem até aonde ela estava.
– Mas veja se não é... EDWARD! – Esme deu um pulinho de empolgação, e agora sim Bella sabia de onde tinha saído aquela Alice louca e empolgada. O rapaz deu-lhe um grande sorriso, e a abraçou com força, tirando seus pés do chão levemente. Esme gargalhou, fazendo o casal rir junto.
– Que saudades Esme! – o rapaz falou pela primeira vez ali perto. – Na verdade, saudade de todos!
– Também estávamos. – o sorriso da mamãe Cullen era enorme. Como se estivesse recebendo um filho. – Tantos anos longe e agora finalmente veio morar em Los Angeles. Que alegria!
– Epa, desculpa interromper, mas... Edward, quero que conheça alguém. Esta é Isabella. – Alice apontou para Bella, que abaixou os olhos corando.
– Nossa, que falta de educação a minha! – o rapaz sorriu. – Sou Edward Cullen, muito prazer Isabella...? – estendeu a mão para ela.
– Swan. — pigarreou. — Bella Swan. – esticou a mão para ele de volta. Achou que ele fosse apenas segurar a sua, como um cumprimento, mas não, ele a levou aos lábios e a beijou, sem nunca deixar de olhá-la. Bella ofegou quando aqueles intensos olhos verde esmeralda a olharam com tanta firmeza. Retirou a mão e ele deu um sorriso divertido.
– Bom pessoal... – disse Alice. – Acho que todos já chegaram. Vamos aproveitar porque eu não aluguei esse lugar aqui a toa! – jogou os baixos pra cima, o que fez Esme rir.
– Essa minha filha não tem jeito...
– Ah, mas não tem jeito mesmo, viu sogra! – concordou Jasper, recebendo de volta uma Alice dando língua e logo sorrindo pro esposo.
– Sério que você alugou essa boate? – Alice assentiu . – Cara, você é louca prima!
– Ah, mas ela é mesmo! Essa bobona da minha irmã não bate bem da cabeça, não sei como o Jasper aguenta e... Ai! – Emmett resmungou e coçou o braço, após ganhar um soco de sua irmã.
– Já chega vocês, ok? Eu fiz isso porque estou muito feliz que meu priminho-irmão veio morar aqui! Agora vamos pra pista! – e saiu puxando Jasper, que apenas deu de ombros pra Edward e sorriu.
– Com licença, nós vamos ali falar com os parentes. Divirtam-se! – falou Esme segurando o braço do filho, deixando Edward e Bella a sós.
Silêncio.
Bella olhou para Edward e o pegou a encarando, então desviou os olhos para o chão, para o bar...
– Bom, se não se importa vou pegar uma bebida. – disse depois de certo tempo, olhando de novo aquele par de olhos verdes, que nem um segundo deixaram de olhá-la.
Edward apenas assentiu, deixando-a ir.
Deus, que morena era aquela? Que olhos castanhos mais penetrantes, que boca vermelha mais convidativa... E aquela pele levemente bronzeada? Edward poderia ficar horas e horas admirando a beleza daquela Isabella. Sua prima já havia dito sobre a amiga para ele, e ele havia visto uma foto dela enquanto estava no Brasil. Mas nem de longe imaginou que ela fosse tão perfeita como estava vendo há poucos segundos.
Edward estava encantado.
Perto dali, Bella segurava um copo de tequila. Que coisa mais ridícula tornara-se a sua vida. Antes saía com Alice e Jasper sim, mas com Jacob também, então eram dois casais, e ela não precisava ficar sobrando. E olha só, foi morar na casa do casal, e se sente como a filha caçula deles.
Bella estava desgastada. Essa era a verdade.
Virou o copo de tequila com tudo, sentindo sua garganta arder. Foda-se, quem se importava com ela? Ninguém. A única pessoa que se importava — ou parecia se importar — havia desaparecido de sua vida da maneira mais trágica. Sempre havia pedido a Jacob para que não a traísse, tinha pavor a isso, é um desrespeito, uma falta de caráter! Ele brincava dizendo que a carne era fraca, e agora ela percebia que poderia até ser uma brincadeira, mas tinha um fundo de verdade. E que verdade! Há quanto tempo estava sendo traída? Dias, semanas, meses, ou pior, ANOS? Não, não podia ser! Não teve nem coragem de perguntar a ele, a resposta doeria demais.
Pediu mais uma tequila ao garçom, que a colocou no balcão e ela virou com tudo. E assim foi... Por fim, pediu duas doses de vodka. Não sabia quantas tequilas havia bebido, talvez quatro? Não saberia dizer. Após tomar a segunda dose de vodka sozinha, sentiu alguém chegando perto dela, por trás.
– Bella, não que eu tenha algo a ver com isso, mas... Não acha que está exagerando?
A voz era suave. Doce. Melodiosa. A mesma que havia escutado há minutos antes, e que era de certo homem de olhos verdes.
Virou-se. Edward estava lindo. Na verdade, ele era lindo. E ela percebeu isso desde quando o viu entrar pela porta daquele lugar. Sua camisa social azul escuro contrastava com sua pele branca, e definia todos os músculos do seu abdômen e dos braços. Bella almejou poder passar a língua por toda aquela extensão... Desceu os olhos rapidamente, constatando que ele usava uma calça social preta, e sapatos de couro também pretos.
Então ela olhou a mais bela paisagem. Os olhos dele. E que olhos! Verdes, brilhantes, intensos e interrogativos. Nunca, em toda a sua vida, imaginou ver olhos tão lindos. Alice tinha olhos cor de mel, Jasper castanho como os seus, Esme do mesmo tom de Alice, e agora... Edward. Aquele Edward. Ah, como ela queria poder tocar aqueles cabelos lisos desgrenhados, desarrumados e que ao mesmo tempo davam a seu dono um ar de sexo. Ele exalava sexo.
– Bella? – estralou os dedos em sua frente suavemente. – Você está bem?
Poxa, tudo estava tão bom... Ele tinha mesmo que chamá-la?
– E-Estou. M-Me deixe beber!
Droga de gagueira! Ou era embriaguez?
– Não Bella, você não vai mais beber. – ele falou calmamente, uma palavra de cada vez.
Ela franziu o cenho. Como assim aquele estranho não ia deixá-la beber?
– Eu PRECISO beber! Droga! Por que ninguém me deixa viver a minha vida?! – quase gritou.
Edward arregalou os olhos em choque. A morena em sua frente estava quase chorando, sua voz entregava isso.
– Precisa? Por que você precisa?
Bella precisava desabafar. Não se fazer de inocente, mas sim desabafar. Apenas isso. A bebida entra e as verdades saem, não é mesmo?
– É uma longa história... – disse baixinho, olhando o copo que pousava em cima do balcão.
Edward girou o banco em que Bella estava, de modo que ficasse de frente pra ela. Novamente os olhos se encontraram, e a mulher teve que se controlar para não agarrá-lo ali mesmo.
– Acho que tenho tempo. – Edward brincou olhando o relógio localizado em seu pulso esquerdo, e depois deu uma gargalhada suave.
Bella apenas sorriu. Depois contou tudo o que passara: o início do casamento com Jacob, de como se davam bem, depois de como ele foi pensando em trabalho e trabalho, de como ele era com ela... Terminou sua narração contando sobre a traição, sobre como ela vivera oito anos com um completo desconhecido, que no fim das contas nem sequer a respeitava. As lágrimas chegaram com força, e no final de seu discurso ela chorou. Envergonhada, mas chorou.
Edward nada disse enquanto escutava a morena. Mas vê-la chorar despertou dentro dele um sentimento de repulsa por esse cara. Que homem faria isso com aquela mulher maravilhosa?
Ela permaneceu de cabeça baixa, imersa em seus pensamentos e lágrimas. Edward levantou a cabeça dela com um dedo, segurando o seu queixo. Bella olhou pra ele sem entender, mas deixou o dedo dele pousar em sua bochecha, limpando o seu choro, a sua dor. Após fazer isto, suas mãos afagaram suavemente as bochechas dela, que neste momento já estavam pra lá de vermelhas. Edward ficou maravilhado com aquilo. Uma característica tão simples, mas que a deixava tão única...
– Linda... – ele sussurrou. Seu hálito fresco bateu no rosto de Bella, que entreabriu a boca como que para ter um pouco dele em si.
Ela ia falar alguma coisa, mas ele não deixou. Como que por magnetismo, foi se aproximando cada vez mais dela, como se um imã o atraísse. Algo muito forte o prendia àquela mulher.
Os narizes se tocaram. Bella suspirou com a sensação. O perfume dele era tão bom! Ela não pode senti-lo quando o cumprimentou, porque não deram beijinhos ou abraço. E agora, ali, tão perto dela, o frescor de menta dele inundava seus poros, misturado a um cheiro cítrico, que ela não sabia dizer exatamente de que era.
Edward colocou uma mecha de cabelo dela atrás de sua orelha. Ela sorriu um pouco com esse gesto singelo. Ele olhou-a intensamente, como se perguntasse se a podia beijar. Não queria aproveitar-se de seu momento de fraqueza, não queria que ela pensasse mal dele. Eles nem se conheciam...
Bella, entendendo o recado, nada disse. Apenas agiu. Aproximou os lábios dos dele, e num segundo estavam se beijando. Era um beijo calmo, como se fosse o primeiro beijo dos dois. E, de certa forma, era. Os lábios se roçaram suavemente, se acariciando como plumas. O cheiro de Edward se intensificou em Bella, e ela suspirou, fazendo Edward colocar a língua em sua boca. Quando as línguas se tocaram, a morena quase entrou em combustão. Seu gosto era ainda melhor que havia imaginado. Suas línguas dançaram um ritmo delas. Eles se beijaram lentamente, como se cada um quisesse memorizar cada detalhe da boca do outro. Estava tão bom ali... Bella sentia-se imensamente feliz. Por que nunca havia dado um beijo assim tão... Verdadeiro?
Separaram-se com singelos selinhos. A cabeça da morena girava, e ela não sabia se era alguma reação à Edward, ou se era efeito da bebida. Mas ela estava sóbria o suficiente para poder aproveitar aquele momento, e com certeza o eternizaria na memória. Sendo assim, sorriu. Um sorriso sincero, talvez até o mais sincero de toda a sua vida. Edward sorriu de volta. Ficaram assim por um tempo, nariz com nariz. Não era preciso nenhuma palavra, o momento em si dizia tudo. Eles não sabiam nem qual música tocava naquele momento; era como se estivesse desconectados do mundo durante aqueles instantes.
Separaram e se encararam. Ambos sorriram.
– Fala ai Edward, quanto tempo cara!
Que voz era aquela? Era uma alucinação? Não é possível que depois do melhor beijo da sua vida, ela fosse ouvir a voz dele...
– JACOB! – Edward levantou-se de seu banco e cumprimentou a pessoa.
Não, não era possível!
Bella permanecia de costas para a entrada, ou seja, Jake ainda não havia visto seu rosto.
– Bom ter você aqui, cara! Vamos pegar uma praia qualquer dia desses, como nos velhos tempos! – sua voz era pura empolgação.
– Com certeza, Jake. Vim pra ficar, o Brasil é ótimo, tem excelentes praias e tudo o mais, mas meu lugar é perto dos meus amigos e da minha família. – deu uma pausa, e Bella podia jurar que ele estava sorrindo. – Ora, mas essa é a sua esposa?
Jacob gargalhou.
– Não cara, eu me separei. – riu de novo. – Essa é Tanya Denali, minha nova... Mulher.
A dor foi demais pra Bella. Ouvi-lo rir de tudo, apresentar a nova MULHER dele, estava acabando com ela.
Isabella girou-se lentamente no banco, e assim estava atrás de Edward. Jacob conversava ainda animadamente com o amigo, mas no momento em que a encarou, seu maxilar travou. Tanya arregalou os olhos.
– Jake, esta é Bella. – continuou Edward, sem ter notado nada.
– Muito prazer, Jacob Black. – falou Bella. Sua voz era puro nojo e desprezo.
– Mas o que está havendo? – perguntou Tanya.
– Como assim? – quis saber Edward.
– Isabella, o que você faz aqui? – Jacob estava irado.
– O que está acontecendo?! – Edward quase gritou ao ver a reação do amigo.
Bella deu uma gargalhada. Nunca rir havia sido tão bom como naquele momento. Respirou fundo, levantou-se, olhou Tanya dos pés à cabeça e finalmente explicou:
– Edward... Jacob é o cara da minha história. O cara que fez tudo aquilo comigo.
Edward deu um passo pra trás. Como assim seu amigo de anos era o ex-marido daquela mulher? Puta que pariu!
Alguns segundos se passaram. Ninguém sabia o que dizer.
– Eu... Eu vou embora! Ligue-me, Edward.
E Jacob saiu sem olhar pra trás, com a ruiva em seu encalço.
Bella sorria vitoriosamente. A dor ainda a angustiava sim, mas era menor. Alice tinha razão, sempre teve razão: Jacob não prestava. E agora, mais do que nunca, ela percebia isso. Um mês havia se passado e ela somente chorava, enquanto Jacob deitava e rolava com a biscate.
– Me desculpe por isso, Bella... Eu não podia imaginar... – sussurrou o lindo homem de olhos verdes.
– Tudo bem. Não importa. – deu de ombros. Não lhe importava mais. Jake trocou seu casamento por um caso qualquer, e, no fim das contas, quem se livrou dele havia sido ela, e não o contrário.
– Como não importa? Você estava chorando há minutos atrás! – Edward passou a mão no cabelo, nervoso. Era muita falta de sorte que aquilo estivesse acontecendo.
– Edward, eu sofri, sofri mesmo, mas passou. Eu sei que nunca amei Jacob, ele nunca me mereceu, e sabe por quê? Porque ele merece essas piranhas que ele fica ou sei lá mais o que, e não uma mulher como eu. Consegue entender?
– Eu concordo! – respondeu rápido. — Concordo plenamente.
Bella arqueou a sobrancelha. Como assim ele concordava, se nem sequer a conhecia?
– Concorda?
– Sim. – suspirou. – Alice sempre me falou de você. Uma vez mandou-me uma foto sua por e-mail, e eu vi o quanto você era linda. Claro que ela sempre falava as suas qualidades, o seu jeito meigo, doce, apesar de ser casada, na época. Achei que nunca teria chances.
Bella sorriu. Então ele estava interessado nela esse tempo todo?
Edward a beijou novamente, com a mesma intensidade de antes. Depois ambos esqueceram o ocorrido e foram dançar. Bella conheceu Rosalie, havia adorado a loira, noiva de Emmett. Algumas pessoas mais velhas da família Cullen estavam indo embora. Esme despediu-se um tempo depois, porque afinal estava tarde. No fim, ficaram apenas os dois casais, juntamente com Bella e Edward.
Eles já haviam se beijado várias vezes na pista de dança. Alice deu muitos gritos histéricos e alegres quando viu a cena, nunca imaginou que Bella aceitasse ficar com seu primo assim, mas tinha esperanças, afinal ele era um homem incrível. Emmett fez inúmeras piadinhas pervertidas, dizendo que Bella agora era oficialmente da família e que Edward ia deixá-la mais pervertida do que já era. Todos ficaram completamente felizes pelo mais novo “casal”. Mesmo nem eles sabendo disso.
Alice e Jasper permaneceram dançando juntos na pista, Rose e Emmett haviam ido namorar um pouco em algum lugar escuro da boate... Enquanto Bella rebolava loucamente na frente de Edward, e ambos não aguentavam mais. O desejo estava mais do que óbvio ali.
– Vem. – a morena o puxou pela mão pra uma sala que havia ali. O bom era que ninguém havia reparado isso.
Entraram na sala, que não possuía nada mais do que uma mesa e algumas poucas cadeiras. Devia ser uma sala para reuniões improvisadas.
Ambos olharam-se. Bella estava nervosa, mesmo um pouco alcoolizada. Nunca havia transado com nenhum outro homem além de Jacob.
Edward a encarou com desejo. Aquela mulher era tudo o que ele sempre quis. Em todos os sentidos.
Isabella fechou a porta, passando a chave. E foi o que bastava para Edward a imprensar contra a parede, roçando seu membro já excitado contra suas nádegas. Bella, como boa provocadora que era, empinou a bunda pra trás, fazendo um grunhido escapar da garganta de seu homem. Ele virou-a para frente com força, fazendo os corpos se chocarem. Beijaram-se com velocidade dessa vez, a necessidade e a excitação eram maiores do que a vontade que tinham de serem delicados um com o outro. Não havia necessidade disso. Bella puxou os lábios de Edward com os dentes, e ele em troca chupou a língua dela quando ela colocou-a em sua boca. A calcinha de Isabella quase nem existia mais a essa altura, de tão molhada que estava.
Edward beijou o pescoço dela, chupando cada pedacinho exposto. Sim, ficariam marcas, mas no momento nenhum dos dois estava ligando pra isso. Beijou o colo dela, quase chegando aos seios. Tomou cada um em suas mãos, mesmo por cima do vestido. Bella gemeu baixinho e esfregou uma perna na outra, e quando Edward viu essa reação, apenas subiu as mãos por dentro do vestido, apertando as coxas torneadas dela. Deu beijos no local, fazendo-a arrepiar e ansiar pelo o que estava por vir.
Quando viu a sua intimidade completamente depilada e o seu mel escorrendo de tanta lubrificação, não se controlou. Arrancou com força a calcinha de renda preta que ela usava, lambendo toda a sua extensão. Bella gemia feito uma louca. Como era possível alguém ser tão bom nisso? Quando foi que Jacob a chupara mesmo? Poucas vezes. Geralmente era ela que o chupava...
Edward subiu de uma vez o vestido preto dela, encarando com mais saliva na boca o sutiã igualmente rendado. Tirou-o e tomou de vez cada seio. Enquanto chupava um mamilo de cada vez, seus dedos entravam e saíam de dentro da vagina de Bella com a maior facilidade. Isabella gemeu alto, e percebia que podia gozar a qualquer momento. Ela estava apenas de saltos, completamente nua, enquanto ele ainda estava absolutamente vestido. Então, foi desabotoando a camisa social dele, jogando-a ao chão, junto com as suas peças. Não eram necessárias palavras neste momento. Suas mãos e bocas diziam o quanto eles queriam um ao outro. Edward desabotoou a calça, jogou os sapatos longes, pegando Bella de vez e a carregando, novamente apertando-a contra a parede, mas desta vez deixando cada perna dela de um lado.
– Diz Bella, diz como você quer! – ele sussurrou com a voz rouca de desejo.
– Fundo, bem fundo, quente e duro... – ela ousou falar palavras obscenas, e foi o que restava definitivamente para Edward a penetrar.
De início ela gritou, nunca havia feito um sexo assim, tão... Selvagem e com tanto desejo. Depois o beijou com tanta força que poderia sair sangue de ambos os lábios. Edward começou a se movimentar, ao mesmo tempo em que Bella arranhava suas costas com suas unhas grandes e bem feitas. Edward a carregou, colocando-a em cima da pequena mesa. Continuaram aquele movimento gostoso de vai e vem. Bella gemia loucamente, balbuciando palavras desconexas e apertando os cabelos de Edward entre seus dedos, dando beijos em seus ombros. Este, por sua vez, levou seu polegar até o centro de Isabella, esfregando com força seu clitóris. Ela gritou seu nome, e se não fosse a música na boate, com certeza todos teriam ouvido, mesmo com a porta da sala fechada.
Finalmente começaram a sentir aquela sensação gostosa de formigamento atingindo o baixo ventre de ambos, e sabiam que o ápice do prazer estava perto, cada vez mais perto...
– Edward, eu vou... – Bella sussurrou, mordendo os lábios com força e tombando a cabeça pra trás.
– Isso, goza pra mim, vem comigo...
Bella mordeu o ombro de Edward com toda a força que tinha, e seu corpo explodiu em várias sensações ao mesmo tempo, amolecendo em seguida. Segundos depois sentiu o líquido dele derramando dentro dela. Estavam ofegantes e completamente suados. Permaneceram abraçados por mais algum tempo, até logo depois Edward dizer:
– Foi incrível. Nunca senti algo assim.
Então havia sido incrível para ele também? Porque ela pensava a mesma coisa naquele exato segundo.
Os dois ficaram em pé, nus, um olhando o corpo do outro.
– Eu... Eu digo o mesmo. Edward, eu não sei o que estou sentindo, mas...
– Bella, eu estou encantado por você. — ele falou sem conseguir segurar as sinceras palavras. — Diria até apaixonado. Nunca senti algo assim apenas ao olhar uma mulher, e te ter agora foi... Maravilhoso, indescritível.
Isabella olhou-o em choque. Ele, apaixonado por ela?
– Para mim, nós não fizemos só sexo. – ele continuou. – Fizemos, acima de tudo, amor. Sei que é precipitado, nos conhecemos hoje, pode parecer uma besteira! – ele riu nervoso. – Mas eu só preciso de uma chance. Me dá uma chance de te fazer mulher, Bella? Eu quero ter uma vida com você, se não der certo, paciência, mas eu preciso tentar, entende? – ele respirou fundo. – Eu não posso te deixar escapar!
Ela sorriu lindamente, enquanto se aproximava dele.
– Sim. – sussurrou, olhando em seus olhos com fervor. – Eu te dou uma chance. Vamos tentar. Edward, em apenas uma noite você me deu tudo! Me escutou, me aconselhou, me ajudou. – ele riu. – Me deu paixão, me deu prazer. Era pra ser apenas uma noite, não era?
– Talvez. – ele disse com um sorriso misterioso.
– Pois bem. – ela sorriu largamente, abraçando-o e lhe acariciando os cabelos levemente dourados. — Vamos tentar, não há mal algum, não é?
Ele deu um sorriso torto.
Tentar uma vida com Bella seria perfeito, e o que dependesse dele, com certeza, ele iria fazer para vê-la feliz. Era para ter sido apenas uma noite, mas foi tão intenso, tão mágico e verdadeiro, que poderia até ser que eles não dessem certo, mas o que eles precisavam, antes de tudo, era tentar. Para que essa noite se estendesse para quem sabe... Um bom tempo.
Sim, isso parecia perfeito para eles.
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