Notas iniciais
Obrigadas pelas reviews (: espero que outros leitores me falam pois aí eu posto mais rápido (:

Ele não queria estar ali.

Rhaegar nunca entendeu o motivo de lutar em um torneio quando não se precisa de ouro, ele se sentia uma marionete sendo controlada pelo pai, como sempre. O Rei queria vê-lo acabar com todos naquele torneio sem sentido, ele queria mostrar que os Targaryen mesmo com uma linhagem limitada ainda estavam por cima da carne seca. Era uma meia-verdade, o seu pai precisava de silêncio e paz, não de demonstrações públicas de afeto no meio de um torneio onde todo o Sul estava.

E também o Norte.

Reconheceu os lobos quando o seu oponente começou a mandar beijos para a única menina do grupo, que parecia ser feita de pedra para não reagir àquilo. Ela nem mesmo acenou, demonstrando que ela não queria estar lá também. Robert Baratheon não parecia ser o tipo que ela gostava.

Eram os Stark de Winterfell e o seu pai precisava deles constantemente para auxiliar o seu governo no Norte, principalmente quando o assunto era a Patrulha da Noite, que o seu tio foi para lá como Meistre. Observou-a por alguns segundos e ela correspondeu seu olhar.

Rhaegar sentiu algo estranho, o olhar dela era gelado como as neves do Norte e sua postura dava a impressão que a própria Muralha estava colocando um pedaço da sua alma nela. Era uma menina ainda, uma menina-loba que tinha uma aparência tão diferente de todas as mulheres que conheceu.

A menina Stark era simples e parecia ser dura e até um pouco selvagem, seus olhos eram assim: duros e selvagens. Não parecia o tipo de menina que gostava de torneios ou até mesmo de homens como Robert Baratheon. Ele reconhecia os outros Stark, um deles era o herdeiro de Winterfell e o outros dois eram famosos por serem ótimos espadachins. Os quatro eram muito parecidos, o que o fez chegar à conclusão que a menina-loba era a irmã mais nova.

Os Stark já não riam ao perceberem que o próprio Rhaegar se pegou admirando-a.

Até ele se surpreendeu com o seu interesse, nos últimos tempos o seu humor e perspectiva de vida estava o deixando deprimido e melancólico, Rhaegar já não conseguia ter uma alegria plena, uma alegria de viver. Seus filhos eram motivo de orgulho, mas será que o orgulho o levava à felicidade?

Ele não se sentia assim, não gostava de ser pressionado. Principalmente pelo seu pai.

Rindo internamente, percebeu que ela estava vermelha e adorável.

O tal do Baratheon se posicionou agressivamente em sua frente, como se estivesse disputando a menina-loba. Que estranho, Rhaegar agora sentia uma necessidade de lutar com ele e vencê-lo.

Robert Baratheon não a teria de forma alguma.

Voltou seu olhar para onde os Stark estavam, mas estes haviam desaparecido e uma fúria invadiu-o, Rhaegar tinha que ir atrás dela para saber qual era o seu nome e o que ela gostava e desgostava, parecendo ser muito novinha e provavelmente... intacta.

Se preparou para a luta determinado em vencer aquele pretendente da sua menina-loba, a Stark era sua pelo menos de pensamento. Também sabia que seria aquele homem que tiraria a virgindade dela, o que enfureceu-o mais.

O dragão acordou dentro de si.

O Baratheon era forte, mas lento e pelo que Rhaegar observou em sua postura, a raiva tirava o seu foco de torneio. Antes era uma pequena disputa por diversão, agora seria uma disputa de território.

Com a mão esquerda roçando no cabo de sua espada de torneio, esperou a hora certa de tirá-la enquanto o seu oponente já estava com o martelo em mãos, como se fosse um touro. Só faltava o chifre, que Rhaegar iria amar ver no topo da sua cabeça.

Em um, dois, três...

Robert Baratheon ousou e logo usou o seu martelo exatamente no peito do Príncipe, que desviou rapidamente enquanto o outro respirava sonoramente. A multidão estava quieta, sentia a seriedade do confronto mas ninguém conseguia falar o porquê. Os Targaryen e Baratheon eram casas ‘amigas’.

Armadura falha. Ela não cobre a exila dele.

Quanto mais ele erguia o martelo, mais o Príncipe observava todos as suas falhas. Seu oponente era alto e musculoso, não sendo tão rápido quanto Rhaegar, embora sua força era imensa e ele não cansava, fazendo com que o homem de cabelo prateado desviasse de todos os seus golpes.

Observe e verá.

Após o sexto golpe, Baratheon já estava sorrindo, mal ele sabia que Rhaegar já tinha estabelecido o seu ataque.

Como esse touro era presunçoso, ele não entendia que para vencer, é necessário recuar para pensar.

Nessa pausa desse sorriso exibicionista que pedia barulho da multidão, o Príncipe tirou sua espada da bainha em um só movimento, demonstrando que agora ele estava pronto. Baratheon sorriu novamente, levantando o martelo mais alto ainda embora Rhaegar seja muito mais alto que ele.

Aerys havia se levantado, estava sério.

Não estou lutando por você, pai.

Avançando até Rhaegar, o touro estava cheio de confiança em destruí-lo.

Calma, calma... agora!

O Príncipe desviou do golpe e quando viu que o seu oponente estava começando a abaixar o martelo para pegar força novamente, Rhaegar golpeou a axila esquerda dele, que caiu de joelhos com o sangue jorrando de dentro da sua armadura. Rodeou-o para ter certeza de onde que sairia o próximo movimento, concentrado em qualquer fator que o pudesse beneficiar.

A multidão estava em silêncio, todos pareciam sentir a tensão da arena.

O olhar de fúria que ele o lançou foi intenso, Baratheon sabia que a disputa era por Lyanna.

O touro cometeu o mesmo erro e Rhaegar golpeou a sua outra axila, impossibilitando-o de levantar o martelo como fazia antes. O sangue jorrava de dentro da sua armadura e, se eles estivessem em campo numa batalha, o Príncipe o deceparia naquele momento de vulnerabilidade. Um Meistre se aproximou e mesmo levando um tapa na cara do perdedor, encerrou a luta com um gesto e a multidão gritou o nome de Rhaegar, para a satisfação do pai que já havia se sentado batendo palmas e com um sorriso brincando em seus lábios. Após muito tempo, Rhaegar sorriu ao ver a derrota do seu oponente.

Mas ele não saiu dali em silêncio.

- Um dia... – ele se levantou com a ajuda de alguns escudeiros, lançando-lhe um olhar de fúria cega e cruel — ...iremos nos confrontar.

Rhaegar assentiu, desafiando-o.

- Um dia, sim, mas não agora.

(...)

O Príncipe estava impaciente pela resposta de Tywin Lannister, a Mão. Não demonstrava naquele banquete que estava entediado e que esperava vê-la lá. Na verdade, Rhaegar detestava situações em que não poderia se ausentar já que o pai passara mal. Ou fingiu que estava passando mal. Remexendo na sua comida, deu graças aos deuses que sua esposa não estivesse ali.

O dito cujo chegou ao pé de seu ouvido rapidamente.

- Brandon Stark ficará para o jantar já que o assunto que o Rei tem que tratar é urgente.

Não era fingimento, realmente havia um problema com os homens de ferro e que Winterfell precisava arrumar uma tropa para ver o que estava acontecendo nas praias do Norte. O problema era que esse assunto era do Rei, não do Príncipe – O Príncipe deseja que eu trate deste assunto?

Óbvio.

- Sim, o Rei precisa de um cuidadoso relatório do herdeiro de Winterfell rapidamente – não era exatamente uma mentira, mas não era uma verdade. Era uma desculpa que tinha um bom contexto para ser colocada em prática o mais rápido possível quanto ele descobriu que os Stark estavam indo embora naquele mesmo dia. A sorte foi que a menina-loba, Lyanna Stark, resolveu enrolar falando que estava passando mal. Rhaegar nunca teve o talento de sorrir como um homem comum, mas dessa vez um pequeno sorriso esboçou em sua face.

Ela queria ficar.

O problema seria se esse motivo se chamasse ‘Robert Baratheon’.

Principalmente agora que ele está machucado, o que também foi outro motivo para sorrir.

Tywin saiu de perto, percebendo que o Príncipe queria ficar sozinho com a sua harpa. Como ele venceu o combate, era hora de coroar a sua rainha naquele recinto. Várias casas estavam jantando, dançando ou conversando uns com os outros, as jovens ficavam sorrindo para ele por causa da coroa de flores que ele tinha que colocar em uma delas. Era desconfortável vê-las assediando-o intensamente com olhares de cobrança. Rhaegar não era muito bom em lidar com cobranças, principalmente quando estas vem de sua própria família.

Procurou a menina-loba pelo olhar, mas ela não estava ali.

Uma jovem dos cabelos dourados chegou perto de si com o nariz empinado, tinha penas na cabeça como enfeite. Era muito bonita e ele já sabia quem era, a Mão do Rei sempre falava com orgulho da sua única filha para o Rei. Era uma indireta.

- Meu Príncipe, — a menina se curvou, mas o próprio ficou procurando Lyanna Stark por todo salão e... achara, fazendo o seu coração acelerar – devo dizer que a vossa senhoria estava magnífico hoje.

Bla, bla, blá... como posso me aproximar dela?

Rhaegar assentiu sem se concentrar na conversinha que Cersei Lannister estava puxando com ele. Tywin Lannister nunca desistiu de colocar a própria filha perto de mim na esperança de ter um bastardo Lannister e Targaryen. Seria o caos.

Os olhos duros e frios da menina-loba se encontraram com os dele, fazendo-a corar violentamente. Estava acompanhada por dois dos seus irmãos: Eddard e Benjen Stark. Tywin Lannister estava resolvendo coisas que não interessava a Rhaegar junto de Brandon Stark em sei-lá-onde. Isso não importava. O Príncipe estava tomando coragem para ir até ela e começar uma conversa no meio de todo mundo mas o impediram, para sua fúria.

- Toque-a, meu Príncipe – pediu Cersei Lannister com um sorriso cheio de intenções.

Rhaegar não precisou pensar muito.

Seria uma maneira de ela prestar atenção em mim e... permitiria que eu mantivesse o contato com ela.

Respirando fundo, ficou chocado quando percebeu que estava nervoso ao pensar que ela estaria julgando-o enquanto tocava a harpa. Sentando na improvisação que fizeram de um trono, todos se calaram quando o mesmo pegou a harpa para começar a canção, geralmente era um acontecimento raro vê-lo tocando em festas da corte ou até mesmo publicamente. Todos que convivem com ele sabem que tinha mais do que aparentava.

Lançou um olhar até ela antes de começar a tocar e Eddard Stark demonstrou o quanto era contra aquele comportamento. Tanto faz. Ele era apenas um jovem que nunca havia se casado para ver o quanto era ruim ser acorrentado por pessoas que você, no caso o próprio Príncipe, não gosta.

Apenas uma canção veio em sua mente.

Era de um camponês que se apaixonou por uma princesa e que os dois haviam passado por várias provações mas que acabaram morrendo no final. Rhaegar sempre se identificara com essa canção, algo vibrava dentro dele e agora com a menina-loba, que para a surpresa dele, não conseguia conter algumas lágrimas discretas mas ele mesmo sabia o quanto aquilo estava sendo importante. Todas as jovens estavam deliciadas mas ele só queria a menina-loba que tinha apenas catorze anos, como ele ficara sabendo antes do banquete.

Quando ele terminou, seus dedos tremiam com a possibilidade de encará-la.

Ela tem catorze anos, não pode me fazer ficar deste jeito. Nenhuma mulher conseguiu, quanto mais uma menina-loba, uma nortenha selvagem. Uma nortenha selvagem, linda e que me enfeitiçou.

Se levantou, com a corte em silêncio e na expectativa, e pegou a coroa de flores que estava ao seu lado do trono. Ele a desejava, era impossível vê-la e não querê-la. Lyanna Stark tinha que ser dele, deveria ser dele, estava no destino dele tê-la perto de si e não ao lado daquele touro Baratheon.

Caminhando lentamente pelo salão, que estava silencioso, passava pelas jovens que tanto esperavam ter aquela coroa sob suas cabeças mas logo se frustravam porque ele passava direto. Principalmente a menina Lannister, que ficara numa expectativa anormal. O coração de Rhaegar batia acelerado a cada passo que dava na direção dela, da sua menina-loba, que o observava com extrema surpresa.

Ela sabia que eu estava indo até ela, que estava no fundo do salão com os irmãos ao seu lado. A expressão facial que seus irmãos me lançaram foi hostil mas nada conseguiu interromper aquele surto emocional que havia tomado conta de si.

Ficando frente a frente com ela, percebeu o quanto era bem mais alto e que seus olhos cinzentos eram mais bonitos e profundos vendo-os de perto. Não era tão frios quanto ele pensava ser, talvez fosse por ela estar em choque.

Ninguém esperava que fosse a menina Stark a ser a escolhida.

- Esta coroa te pertence, Lyanna Stark – falou em voz baixa, apenas para poucos escutarem, e riu internamente quando percebeu que ela estava com o nariz vermelho do curto choro e o rubor intenso em suas bochechas. Colocou a coroa de flores em seu cabelo escuro e selvagem, assim como o Norte, e sorriu discretamente – A primeira coroa da noite para a jovem mais encantadora do salão.

Ela ficou tão atrapalhada que nem sabia o que fazer depois disto, olhando-me nos olhos sem o menor medo da minha linhagem Targaryen. Se dependesse dela, iria ficar sem fazer nada por apenas choque.

Eddard Stark deu um leve toque com o cotovelo nela, fazendo-a acordar.

Linda e atrapalhada. Sei que prefere estar com uma espada na mão do que uma coroa, pelo que sei das nortenhas.

- M-muito o-o-obrigada, Rhaegar... err... desculpe, Meu Príncipe – agradeceu desajeitadamente, a corte inteira a estava observando o desenrolar da situação. Foi nessa hora que Rhaegar viu o quanto o Baratheon e ela são incompatíveis. A menina-loba não tinha jeito para levar uma vida em uma corte como a de Porto Real. Sorte a dela que não more por lá – Muito gentil... err... então... obrigada, né.

Rhaegar sorriu divertido ao ver seus irmãos ficarem sem-graça com a atitude informal dela.

Foi uma surpresa vê-lo sorrir, ele sabia disso. O Príncipe queria sorrir, era impossível não fazê-lo quando se está perto de uma menina-loba como esta.

Ele também sabia que precisava de uma artimanha para manter contato com ela.

- Disponha sempre – e deu as costas com um desejo de pegá-la no colo e fugir dali o mais rápido possível. Não parece ser uma ideia tão ruim.

Ele já sabia o que fazer, não poderia perder a oportunidade. Sabia que não a veria por muito tempo, ou talvez nunca mais, então não conseguiria pensar no futuro e arrepender do que não havia feito. O único motivo que o faz sorrir e ficar feliz pela vida que tinha, por disputá-la, seria por ela que ele queria viver.

Rhaegar Targaryen nunca foi homem de ficar se lamentando por sua vida toda as coisas que não fizera.

Notas finais
E aí?