Notas iniciais
Sim, não é imaginação o título do capítulo! Mais uma vez, dei uma trollada que vai ficar na história do universo das fics de Game of Thrones hahaha mas sério, esse é o plano original da fic, viu? Só tive um tempinho para armar a situação com a Lyanna viva. Enfim, não me matem! Beijos!

Ela virou para o lado, depois virou para o outro. Era uma noite fria de Inverno, mas a Rainha mal sentia o que os sulistas chamavam de ‘Inverno rigoroso’. Aquilo não era nem o dedo mindinho do Inverno nortenho, então não passava de um frio outonal. As cobertas feitas em pele, couro e veludo pegavam todo o corpo do senhor seu marido, com apenas os longos cabelos prateados bagunçados no travesseiro. Lyanna sorriu de lado, era engraçado o quanto Rhaegar ficava mais bonito a cada ano que se passava, e estavam junto há muito tempo.

Mas não era esse o motivo que a fez perder o sono... pela quinta vez naquela semana. Não era porque o Sul estava fazendo de tudo para manter os celeiros do Norte relativamente cheios naqueles tempos difíceis, e muito menos pelas cobranças de tantos famílias importante dos Sete Reinos. Os Martell costumavam encher a paciência através do herdeiro do Trono de Ferro, o filho de Rhaegar e Elia. Os Stark tentavam usá-la. Os Targaryen... bem, ao contrário dos sonhos que a Rainha tem tido, não possuíam dragões e Daenerys ainda morava debaixo do teto da Fortaleza Vermelha.

Esse sonho persistia desde que tivera a sua única e última filha, há cinco anos. Um confusão atrás da outra, envolvendo a menina mais nova de Ned e Jon, sem falar no envolvimento inesperado do Rei no meio daquilo. Disputavam a menina como se fosse um pedaço de osso, criando-a como uma Targaryen.

Mas eu nem sequer conheço-a.

O trato ainda estava de pé para Ned.

“Não misturaremos nosso sangue”.

Para evitar tal coisa, Arya e Sansa nunca foram até a Fortaleza Vermelha conhecer a tia e sua família Targaryen, apenas o bonito Robb que era a cara de um Tully e o próprio Ned com a esposa Tully.

Sentou-se no colchão de penas, não adiantava mais tentar dormir pois o sono não viria de forma alguma. Pegou o robe de dormir e amarrou-o, feito em veludo vermelho e bordas com pele de urso negro, e assim suspirou exausta. Nunca pensou que ser Rainha fosse tão perturbador, as decisões radicais inicialmente a assustaram e o marido teve que fazer um longo trabalho para que Lyanna se sentisse mais à vontade sentada ao lado do Trono de Ferro.

Analisando o luxuoso aposento, cruzou os braços se lembrando de quando quase morrera em seu primeiro parto, quando seu querido e especial primogênito foi apresentado ao mundo. Por algum tempo ficou sem consciência, disse o marido, mas se recuperou quando escutou o choro tímido do bebê. Escutou as cobertas se movimentarem lentamente, revelando um homem extremamente atraente e parcialmente nu. Seus olhos violeta-índigo ainda a enfeitiçava, não era para menos que resolveu jogar tudo para cima apenas para ficar com aquele idiota.

– Ainda está acordada, amor? – ele perguntou ainda sonolento, esfregando o olho esquerdo.

Ela deu de ombros enquanto o admirava, o tempo havia passado... mas não pra ele.

– Perdi o sono – suspirou em voz baixa, conquistando um olhar preocupado do marido.

– Você precisa olhar o que é isso, Lyanna – aconselhou-a mostrando para ela sentar ao seu lado – Venha cá, fique comigo.

A Rainha deitou ao lado dele, sentindo sua cintura ser enlaçada e puxada para perto daquele corpo másculo e atraente que ainda derretia corações por toda Westeros. Mas havia um detalhe em particular: Rhaegar Targaryen era um dragão domado por ela.

– Não quero falar dessas coisas com Pycelle, pelos deuses – começou rindo, sentindo o não mais tão jovem dragão mordendo-lhe o pescoço – É sério, Rhaegar! Não é porque você está com sono que...

Ouviu a risada do homem, que pressionou o membro ereto contra o corpo da Rainha, que sorriu.

Ele sempre acorda excitado.

Não era à toa que tinham cinco filhos e uma filha.

Contando com Aegon.

– Quem está com sono aqui? – perguntou em meio as brincadeiras, mas logo parou e beijou-a brevemente – Não desviarei o assunto desta vez. Me conte, foi aquele sonho em que você morre e eu fico obcecado por sua versão adolescente? Não se preocupe, meu amor, só tenho olhos apenas para quem você queira.

Lyanna sorriu despudoradamente, ambos eram dados a algumas aventuras e realização de fetiches sexuais que muitos achariam promíscuos e impróprios. Mas eles pouco se fodiam para o mundo quando a relação deles estava no centro do assunto.

Na verdade, eles se fodiam muito. Seu sorriso aumentou com tal pensamento.

– É perturbador só de eu ter que morrer, para início de conversa – pensou mais um pouco antes de falar, Rhaegar ainda estava acordando e o céu não parecia estar clareando em meio àquela neblina – Aí só restaram você e Jon. Foi como se eu estivesse montando uma história cheia de horrores, com revoltas que espero nunca ter que ver.

– Elas não acontecerão, querida – tranquilizou-a pela nona vez a respeito daquilo nos últimos dias – Nossa política está firme, nossos filhotes aprenderam bem conosco, Oberyn, Ned e Jon Connington. Jon não subirá ao Trono de Ferro, assim como você pretende, Aegon assumirá a responsabilidade total das coisas quando eu morrer, assim como eu pretendo que seja feito. Nossa pequenina Elliot fará o que bem entender da vida, assim como fizemos com Daenerys. Nossos gêmeos, Rickard e Brandon, são mestres em matar alguém e Jaehaerys faz a parte diplomática parecer brincadeira. Temos uma família próspera, tranquila e sadia, há coisa melhor que isto?

– Talvez eu esteja me preocupando demais, eu sei – falou após algum tempo em silêncio, a família que haviam construído fora cuidadosamente planejada de acordo com a personalidade de cada um deles – Mas o sonho foi tão real que parecia eu mesma, mas... ah, sei lá. É tudo muito confuso, fico muito puta de raiva quando isso acontece e eu acabo não tendo material para analisar após acordar.

– Mas só de ter dragões é pedir o impossível – comentou após beijá-la novamente, apertando-a mais contra si – Mas pense pelo lado bom... não estamos neste seu sonho, não sei o que faria caso você não estivesse mais neste mundo. Construímos tantas coisas juntos que nem parece que saímos de uma tragédia tão traumatizante, não é?

Lyanna assentiu, muitas vezes aquele pensamento passava por sua mente.

– Fico triste porque Ned não nos visita com suas meninas, aí vem essa merda de sonho e me apavora permanentemente – confessou ao pé do ouvido do marido, beijando seu pescoço terminando com uma leve mordiscada – No sonho, pelo menos no que eu lembro, Arya é muito selvagem e até parecida comigo.

– Humm... – Rhaegar puxou-a para cima de seu corpo, posicionando-a exatamente em cima do seu membro — ...poderíamos pensar bastante neste assunto, debatermos e cogitarmos várias hipóteses perturbadoras e surreais, mas penso que poderíamos fazer outras coisas que são bem mais divertidas.

As grandes mãos másculas do Rei desamarraram o robe lentamente, descendo pelos ombros da Rainha e logo deixando-a nua enquanto ele atirava o robe para sabe-se lá onde.

Quem se importa?

Ele agarrou seus seios fartos e acariciou-os sem qualquer relutância ou delicadeza, cortonando-os e massageando seus mamilos rosa-claro, enrijecidos por causa do toque. Lyanna fechou os olhos à medida que Rhaegar intensificava os movimentos, logo posicionando suas mãos em seus quadris fechando as unhas na pele branca da esposa.

O sorriso do Rei aumentou quando escutou-a gemer ao penetrá-la lentamente, deixando-a com boquiaberta e ainda de olhos fechados. A respiração de ambos se acelerava a cada investida feita contra o corpo dela, coordenando o ritmo e gemendo como se não houvessem ouvidos do lado de fora dos aposentos reais.

O casal real sempre teve uma vida sexual muito intensa, movimentada e sem qualquer indícios de frieza ou apatia. Extremamente apaixonados, Lyanna e Rhaegar assumiram uma nova forma de relacionamento que ainda era desconhecida em Westeros, mas assim como as tragédias a partir disto ocorreram, a tendência é acontecer novamente.

(...)

Jon analisava o brilho de Garralonga debaixo da luz do amanhecer do sol, mais um dia com raios solares fracos estava chegando e a visão, ainda que sob a forte neblina da manhã, de Porto Real da sacada de seus aposentos continuava sendo intimidante mesmo com seus vinte dias de nome. Não era o mais velho de todos os filhos, mas sim de todos os filhos de Rhaegar e Lyanna. Agradecia aos deuses o momento que Aegon surgiu, quando tinham por volta de seus dois ou três anos, protegido por Jon Connington e mais um punhado de pessoas que se disponibilizaram ajudar a causa Targaryen... e Martell.

Ninguém esperava que Aegon tornaria Lyanna Stark como uma mãe substituta.

Isso não incomodava Jon, Brandon, Rickard, Jaehaerys ou Elliot.

Muito pelo contrário.

Cada um deles tinha uma personalidade diferente, mas sempre muito competentes em manter o poderio familiar no Trono de Ferro, não permitindo nenhum objeto dispersivo. O que sempre incomodava a todos era a usual presença de um tal sonho tão temido pelo Rainha, despertando curiosidades de todos que sabiam do caso. De certa forma, parecia ser sério porque o que deixa Lyanna Targaryen preocupada...

...é possível deixar a todos nós.

Escutou duas batidinhas na porta, já sabia quem era.

Mamãe.

Era assim desde que Jon se entendia por gente, Lyanna acordava os filhos todos os dias... dependendo de seu humor. De vez em quando gritava, principalmente quando está grávida, e logo se desculpava por isto. Em geral, a Rainha procurava cortar todo o contato formal que o Trono de Ferro consegue proporcionar para com os filhos, fazendo a família se sentar ao redor de uma mesa para tomar o desjejum e contar o que planejavam fazer naquele dia. Até mesmo Daenerys e Viserys eram convidados, embora este esteja casado forçadamente com Arianne Martell, de acordo com os planos de Doran e Oberyn Martell. Já Daenerys não queria nenhum ‘homem para atrapalhá-la’, então matava sua carência com os filhos da Rainha e do Rei.

Tanto eu e meus irmãos, quanto Aegon.

Não era raro vê-la em uma noite de sexo com mais de um deles no aposento. Jon confessava que a vida na Fortaleza Vermelha era extremamente tensa e promíscua durante a noite, principalmente quando se tinha tantos irmãos e apenas uma parente, uma tia que ninguém a considera como uma, do gênero feminino. A primeira vez do Príncipe Lobo foi com ela, assim como a primeira vez de Aegon e dos outros, sempre tão talentosa em tirar a virgindade alheia que provavelmente se sentia orgulhosa de tal ato. Os Príncipes a davam influência enquanto a faziam de... puta particular. Era mais ou menos assim que funcionava, colocando nas palavras mais sórdidas possíveis.

A Rainh adentrou o bagunçado aposento do Príncipe rapidamente, pulando alguns pedaços de vestes jogados no chão e abraçando-o por trás.

Será que ela sabe a respeito de Daenerys?

Aparentemente, não.

Os braços da mãe apertaram seu tronco com força, era incrível o quanto a mãe conseguia ser bruta e agressiva quando queria.

Uma loba de Winterfell legítima.

Com um sorriso de lado, Jon se levantou da poltrona branco-peróla para beijá-la a testa. A mãe era muito mais baixinha do que ele, fazendo com que o topo da cabeça da Rainha alcançasse o peitoral do filho, algo que ela até hoje comentava que o amamentou pessoalmente e que altura não é desculpa para se mostrar superior.

Coisas de mãe.

– Como está o meu lobo hoje? – perguntou, como todo dia o fazia, retirando fios de cabelo rebelde do rosto do filho – Seu pai me falou que você e Aegon irão com ele até Correrio nos próximos dias, mas nenhum de vocês três me pediram autorização.

Loba mesmo.

– Então este humilde servo lhe pede a sua preciosa autorização, mamãe – falou docilmente, como sempre. Por mais que a mãe fosse agressiva, tinha garras e caninos para matar alguém, ainda era uma mulher pequena que sempre precisava de proteção... embora não fosse assim que a mesma gostava de pensar.

– Autorização negada, é claro – a doce Lyanna que rompeu políticas de casamento por toda Westeros passou a ajudar o filho a terminar de se vestir para o banquete do desjejum, como todas as manhãs fazia. Sempre uma mãe muito protetora, coruja e atenciosa, era difícil falar com a própria que Jon já tinha feito vinte dias do seu nome – Mas você ainda não me disse como está se sentindo hoje.

Jon deu de ombros.

– Eu estou bem, na medida do possível – respondeu simplesmente – Mas a senhora que me parece um tanto quanto pálida, talvez tivera outro sonho estranho durante a noite?

O grande segredo de Lyanna Targaryen.

– Sim, mas não comente com seus irmãos – respondeu aparentemente cansada, suas olheiras estavam ligeiramente mais profundas – Não quero que ninguém se sinta incomodado por causa dos meus pesadelos que envolvem minha família, está bem?

Ele ergueu uma sobrancelha.

– O que há neste sonho que a senhora nunca nos conta, mamãe?

O olhar acinzentado, o mesmo que o Príncipe Lobo herdou, o mirou demoradamente. Era como se houvesse uma carga pesada demais só naquele gesto, algo que nem Jon conseguiu transmitir em palavras o que sentiu, era como se a preocupação de mãe estivesse cogitando que os acontecimentos do pesadelo poderiam vir à tona, ou qualquer coisa do tipo. Jon sentiu-se estranho por alguns minutos, rapidamente compreendeu que ele podia ser um dos pilares de preocupação da Rainha.

E ela nunca conta nada.

Mas hoje parecia ser uma exceção.

– Certa vez, justo quando você nasceu, o seu tio Ned me pediu para que nunca misturássemos sangue Stark e Targaryen novamente.

...e tenho duas primas.

– Não creio que... – mas ela não o deixou terminar.

– Se apresse, vou chamar seus irmãos.

Vê-la saindo rapidamente do quarto, praticamente deixando-o a falar sozinho, o fez pensar a respeito dos medos da mãe.

Papai quer ir até Winterfell, não Correrio.