Notas iniciais
Então, adorei escrever a tragédia de Rhaegar, ele vai ficar suuuuper protetor com Jon. Rhaegar ficará tão frio que apenas Jon saberá lidar com ele. Enfim, mas isso eu mostrarei no próximo capítulo. Agora é hora de uma visão nortenha da situação: Catelyn!

O norte ainda era estranho para Catelyn.

Era muito mais frio do que imaginava, as pessoas eram mais quietas e a sobrevivência era mais importante do que qualquer outra coisa. No Sul também se pensa assim, mas no Norte fica tão explícito que, de repente, ela sentiu que não estava em Westeros. A vida ali era dura no Inverno, era cruel escutar tantas histórias de vida mais trágicas do que as outras. Mas outras coisas preocupavam a mais nova Lady Stark, muitas delas envolvendo o nome do seu marido.

Lorde Eddard Stark de Winterfell.

Ela o conheceu no dia do casamento deles, há oito meses.

Foi mais esquisito do que todos falaram. Catelyn sempre foi uma jovem muito prática pois era a mais velha e com a mãe morta há muito tempo, o cotidiano a ensinou a administrar bem o que ela chamava de lar. No caso, Winterfell teria que ser o seu lar.

É o lar da minha família agora.

Ned não era o que se chamava de um conquistador, estava tímido quando a conheceu e de vez em quando hesitava em tocá-la, principalmente no fatídico dia. Catelyn teve que arrumar um jeito para que ele se sentisse à vontade com ela, sendo geralmente o contrário. Mas ela o perdoou. Era melhor ter um marido tímido do que um Robert Baratheon, segundo sempre falam, que já tem bastardos o suficiente para tão pouca idade. Era um desrespeito com a família dele, mas isto era outra coisa.

O seu marido não estava em Winterfell e assim exigiam uma postura condizente com a posição dela em relação ao Norte. Era incrivelmente assustador sair de Correrio como apenas uma lady pronta para tomar conta de um castelo e logo ali, tentando colocar ordem em todo Norte. Ela não sabia como conseguia acordar todos os dias com sua gravidez avançada e ainda tentar resolver todos os problemas por ali. Eram histórias complexas relacionadas à guerra, os camponeses precisavam da ajuda dos vassalos dos Stark para tentarem colher o que restou das plantações nas estufas de Inverno. Catelyn só tinha quinze anos e não via a hora do seu marido chegar para colocar ordem naquilo, proporcionando um descanso para ela.

Era o herdeiro do Protetor do Norte.

Ela sorria sempre que pensava assim, mas logo este sorriso sumia ao lembrar que o seu Lorde Stark estava em um luto grave pela sua irmã, a Rainha do Rhaegar Targaryen. Era tão impossível pensar que tanta coisa mudou em apenas nove meses, toda a configuração familiar dos Stark mudara e até mesmo Lyanna... Targaryen sofreu o destino cruel da cama de sangue. Catelyn tinha medo da cama de sangue, sua própria mãe morreu nela.

Uma morte cruel, sendo mais trágica ainda para Rhaegar Targaryen, que lutou contra toda Westeros para assumir o amor por ela.

Era romântico, trágico e cruel.

Mas do ponto de vista de vários nortenhos, era o castigo dos Targaryen por terem matado o pai e o irmão, Bran, do seu marido. Ela chamou a atenção deles na mesma hora, se Lorde Stark escutasse qualquer indício disto, decapitaria todos ali. Do jeito que contavam, Ned era possesivo quando Lyanna estava no meio da história e não iria admitir qualquer tipo de desrespeito quanto à memória de sua irmã e...

Ned já deixara mais que claro, para todo o Norte, de que seu apoio ao Jon Targaryen era incondicional. A maioria dos nortenhos ficaram chocados com esta atitude, mas todos que conheciam o próprio Ned já sabiam que ele o faria apenas por ser o filho de Lyanna... Targaryen. No caso, o herdeiro do Trono de Ferro.

O herdeiro do Trono de Ferro é o meu sobrinho.

Era tão bizarro pensar assim, logo no Norte isolado, ela, Lady Stark de Winterfell, tinha parentesco direto com os Targaryen. Ela não sabia nem por onde começar o seu raciocínio, afinal, o herdeiro de Winterfell também estava para nascer.

Se for homem, será Robb. Se for mulher, será Sansa.

Mas um homem deixaria o seu Ned feliz, poderia lembrá-lo como que Winterfell ficaria recheado de crianças, netos e bisnetos. Ela prometeu a si mesma que iria dar o melhor de si para povoar a família Stark novamente. Benjen já chegara em Winterfell e logo partira, a Patrulha precisa de pessoas habilosas como ele... o fluxo de selvagens estava intenso e tudo parecia estar pressionando o território nortenho. Ela agradecia o bom senso do seu marido, que não se deixou levar pela teimosia de Robert Baratheon.

Benjen falara que a melhor oportunidade para matar Rhaegar Targaryen e o herdeiro do Trono de Ferro estava naquele momento decisivo. Claro que os dois estavam vulneráveis, é praticamente impossível manter a guarda alta quando o amor da vida dele morre em seus braços, segundo falaram. Ridículo. Uma completa falta de honra, era até desgostoso uma amizade com o seu marido. A honra de um Stark vale muito e não a deixaria de lado tão fácil, para a alegria eterna da mais nova Lady Stark.

Eddard Stark honraria os seus compromissos para com o Rei, o que proporcionou aos Stark alguns benefícios.

Finalmente, acho que posso ter um filho tranquilamente.

Eles poderiam atravessar as Gêmeas, mas devem sempre avisar o que vão fazer e quando poderão fazê-lo. Se atravessassem, teriam que visitar Porto Real para uma ‘inspeção’ do Rei sobre eles, o que significa que Rhaegar Targaryen pretendia um contato direto com o Norte. Alguns falam que é para Jon conhecer a parte nortenha da família, mas também pode ser apenas uma desculpa para ver quais são os pontos fracos dos Stark em sua família.

Mas independente do que pode acontecer no futuro, Catelyn estava tranquila para dar a luz ao seu lobinho. Lobinha. De vez em quando ela pensava que ter uma filha parecida com Lyanna enlouqueceria Ned.

Não sei se é de medo ou felicidade.

A Septã falara que daria a luz na semana que vem, pelo que tinha observado na enorme barriga da Lady Stark.

- A senhora precisará descansar bastante, Lady Stark – recomendou amavelmente. Ela não era tão velha assim, mas parecia ser confiável... não porque também era sulista, mas passava um maior calor do que as nortenhas. Embora tenho que me acostumar com elas – Lorde Stark chegará nos próximos dias, segundo o mensageiro. A Rainha será coloca nas criptas de Winterfell.

Mas o que...?

- O Rei permitiu isto? – perguntou surpresa, os Targaryen não eram famosos pela flexibilidade política, principalmente amorosa.

A Septã assentiu, fazendo um movimento para que Catelyn voltasse a deitar.

A Lady Stark havia sentado na cama de susto, enrolada em muitas peles.

- O Rei Rhaegar Targaryen falou que como uma loba-gigante, a Rainha deveria descansar com o Norte pois aqui é o habitat natural dela, minha senhora.

Catelyn assentiu lentamente, já sentindo outras intenções nesta atitude.

- O que significa que o Rei terá passe livre para Winterfell independente do tempo, da hora e dos acontecimentos daqui... – raciocinou rapidamente, já associando empolgada de que suas filhas não precisarão se casar com os vassalos rudes dos Stark. Minhas filhas mecerem castelo sulistas, com os luxos e uma vida mais leve do que aqui, no Norte... - ...mas compreendo. Seria esquisito me colocar nestas criptas porque não sou daqui.

A Septã assentiu, concordando plenamente com seus argumentos.

- Devemos repousar onde nascemos, Lady Stark

(...)

Ele chegara em Winterfell um pouco depois do parto de Catelyn, que ficou um pouco aborrecida porque o seu Lord Stark atrasara na tentativa de afastar os Baratheon do corpo da irmã mais nova. Mas ela novamente tentou não se aborrecer por conta da Rainha Loba, como toda Westeros a está chamando.

O importante já havia acontecido, ela sobrevivera ao parto, que foi extremamente tranquilo, e já tinha o seu pequeno Robb aninhado em seus braços, deitada na cama e confusa se queria alimentá-lo ou deixava para a ama de leite. Era uma dúvida comum entre mães de primogênitos, afinal, o leite seria da ama de leite e não da Lady do lugar, não é?

Enquanto Catelyn pensava, escutara toda uma confusão acontecendo no pátio de Winterfell.

A Rainha Loba chegou.

Não sairia da cama dela em hipótese alguma, principalmente por causa de Robb, que sorria ao vê-la cutucando-o de brincadeira, agitando uma boneca de palha para que ele tentasse pegar. Era um lobo, mas um lobo com aparência de Tully, deixando-a orgulhosa.

O herdeiro do Protetor do Norte tem as características físicas de um Tully.

Era contraditório, mas ela ainda era muito apegada à truta.

Resolveu que não haveria ama de leite nenhuma para o seu primogênito, ela estava cheia de leite para distribuir e vender. Ajeitando o seu pequeno Robb em seu colo, colocou-o para mamar lentamente pois ele tinha que aprender como ir ali e o que fazer. Um pensamento pegou-a desprevenida.

Quem será que Rhaegar Targaryen colocou para ser ama de leite de Jon?

Enfim, não importava.

O mais importante de tudo foi que Robb aprendeu rapidamente o que tinha que se fazer, lembrando a praticidade dos Stark.

Falando em Stark, ela sabia que o seu marido iria atrás dela.

O que não foi diferente. Pouco tempo se passou quando ela começou a escutar passos apressados pelo corredor e, sorrindo internamente, ficou deliciada com a atitude afobada que Ned estava tomando.

O primogênito...

Duas batidinhas e ele entrou rapidamente.

Ned estava um pouco diferente, notou imediatamente. Parecia ter envelhecido uma década depois que eles haviam se casado, algumas rugas entre suas sobrancelhas estavam bem pronunciadas, os olhos estavam fundos, sua pele estava pálida e ele transmitia um orgulho Stark com uma pitada de desespero contido.

Ele está em luto, Catelyn. Luto pela irmã mais nova que é a Rainha Loba.

Mas ainda sim ele sorriu abertamente ao vê-la com Robb nos braços, já mamando.

Catelyn sabia que ele ficara imaginando o quanto seria bom colocar uma grande família nos salões de Winterfell, assim como antes da família ser desfigurada. Com um homem então... viria cada vez mais rápido, se tornando, talvez, o sonho do seu marido: uma família estruturada, sem chances de algum idiota ir atrás deles e tomar a Stark mais nova, assim como o Rei fizera.

Ned está traumatizado.

Ela sorria timidamente, havia se esquecido que mesmo em sofrimento e luto, o Lorde Stark era intimidante.

E...másculo.

- Minha senhora, perdoe a minha demora.

Voz grave de quem parecia estar com algo entalado na garganta, ou seja, a guerra estava ali, deixando-o ruim consigo mesmo.

Lembre-se do luto dele, Cat.

- Robb estará sempre aqui comigo, iríamos te esperar de qualquer jeito... humm... – dúvidas, dúvidas, dúvidas que apenas uma mãe deve ensinar para as filhas, mas como não lembro da minha... - ...posso te chamar de Ned, como toda a sua família fazia?

Fazia.

Ele assentiu, deixando aquela gafe escapar propositalmente.

De repente, Catelyn se sentiu uma estúpida.

- Somos marido e mulher, Cat – falou como se ela tivesse dez anos de idade, mas com um lado terno que ela gostaria de ver mais nele. Quem sabe depois desse luto, talvez, ele não fique melhor? Eu farei com que ele fique melhor... – Temos um filho, tenho a minha honra. Afirmo-lhe com segurança de que a senhora é a única em minha vida. Sei que esse casamento não era bem o que minha senhora desejava, mas posso te proporcionar tudo que lhe foi prometido pelo meu pai.

Ned...

Catelyn balançou a cabeça lentamente, enrubescendo com o olhar questionador dele, que estava perto o suficiente para tocar em Robb. Um arrepio subiu pela espinha dela, deixando-a excitada. Aquele charme de homem másculo nortenho estava acabando com ela.

- Ned, eu tive a opção de não me casar com um Stark depois da morte de Bran – Catelyn tinha que deixar claro aquilo senão o fantasma de Bran iria ficar sobre o seu já atormentado marido, fazendo-o sofrer mais ainda. Que os deuses te ajudem, Ned... – Sabe que eu tinha mais dois pretendentes, mas escolhi você.

Ele suspirou, parecia que um pesadelo estava caindo em seu ombros e não tinha um método de fuga. Era doloroso vê-lo daquele jeito tão desolado.

- Cat, não precisa falar essas coisas apenas para me deixar bem.

Teimoso.

Robb mamava cada vez mais forte, mordendo o mamilo dela com maior frequência, causando uma expressão de dor no rosto delicado dela. Ned a observou por um momento, sorrindo de lado. Os olhos dele queriam, necessitavam de carinho e atenção, Catelyn poderia dar tudo que ele quisesse.

Lorde Eddard Stark era o marido dela e a mesma faria com que ele fosse um ótimo marido, pai, avô, tio...

Tio...

- Ele é a sua cara, Cat – comentou apreciando o primogênito Stark.

Largue esses problemas, Ned. Aqui é o nosso quarto, nosso território.

­­­- Mas tem a fome de um lobo-gigante – comentou sorrindo, tentando deixar a conversa natural, sem ter que voltar em fantasmas ou gafes idiotas enquanto conversavam de coisas que não tinham a necessidade de serem conversadas. O seu marido ficara mais leve depois disto, aliviando-a.

Ele respirou fundo, acariciando a cabeça do filho deles, concentrado em analisar o seu primogênito.

- Obrigado por não ter me deixado quando teve a oportunidade.

Catelyn analisou os olhos cinzentos dele. O sofrimento dele era tão tocante, ficava com a impressão de que metade da vida dele foi por água abaixo. Essa outra metade se chamava Lyanna, que na verdade era a Rainha do Rhaegar Targaryen e mãe do herdeiro do Trono de Ferro. As partes sempre se separam, como a Septã de Correrio sempre falara com ela.

‘As partes sempre se separam, Catelyn Tully. Só se tem uma coisa por inteiro, se essa coisa for constituída de seu inteiro’.

Ela nunca se esquecera disto.

- Como poderia recusar um jovem tão tímido como você? – perguntou tentando fazê-lo rir, que teve até um pouco de sucesso, mas como ela já pôde perceber o Norte não aprecia tanto o humor como os sulistas o fazem. Pelo menos não agora. É luto, Cat.

Ned deu de ombros, agora já mais leve.

- Não sabia que minha timidez atrairia uma senhora sulista como você – brincou (finalmente!) na tentativa de deixar tudo para trás a partir do momento que criava a sua própria família. Cat sabia que ele estava louco para ter mais filhos com ela. Um pouco sem jeito, ele se aproximou, deixando-a enrubescida, beijando seus lábios levemente. Já se afastando, Ned já respirava de uma forma diferente – Teremos todo tempo para observar o nosso filho, mas por favor, deixe-me tê-la.

Cately se esqueceu de como o Norte era frio. O coração dela batia acelerado na perspectiva de vê-lo sobre ela novamente, penetrando-a e ficando cada vez mais forte, assim como ele se revelou ao transar com ela. Só o fizeram uma vez.

Dizem que nada melhor para aquecer um coração frio do que o corpo de uma mulher. Sim... eu posso proporcioná-lo tudo que ele quiser. Eu serei a única mulher dele, não deixarei com que ele vá se esquentar com outras. Ned é meu, de ninguém mais.

- Terá meu corpo e meu coração quando quiser, Ned – ela sorriu ternamente para ele, que parecia mais tranquilo do que antes quando chegou lá, um pouco desesperado e com uma tristeza palpável mas contida – Mas tenho que terminar de amamentar o nosso filho.

Ele sorriu sem-graça.

Coisas de homem...

- Faz tanto tempo que nos vimos, Cat – começou já com um ar melhor, um ar natural e até mesmo mais tranquilo... ou perto disso. Ela sentiu outra mordiscada no seio, Robb iria realmente ser um lobo daqueles – Acredite em mim, eu gosto de você e te farei uma esposa feliz e completa. Minha senhora merece uma família, pense só, tantos pirralhos correndo pelo salão...

Ela riu dele, deixando-o bem.

Seja jovem, meu lobo.

Mas já era hora de cutucar a ferida dele. Ela precisava saber.

- Faremos uma família encher Winterfell, mas... – pensou bem antes de formular a pergunta, não era lá o que ele conseguiria responder mas ela precisava sanar as dúvidas que cresciam em sua mente. Catelyn não conseguiria esperar. Ele a esperava, observando-a com curiosidade — ...perdoe-me tocar neste assunto, mas teremos contato familiar, como tio e tia, do herdeiro do Trono de Ferro? Um contato direto?

Ele travou.

- Porque me pergunta isto, Cat?

Ela deu de ombros.

- Sou só uma menina e apenas quero saber, com a melhor das intenções, se teremos alguma chance de criar nossas filhas na corte... – respondeu rapidamente, atropelando as palavras e arrancando um olhar surpreso dele. Claro que Catelyn ficou desconcertada, mas não tinha como parar a sua resposta depois de começar a dá-la. Independente da boa vontade dele — ...não casarei nenhuma das minhas filhas com seus vassalos, meu pai sempre me ensinou como se deve fazer ótimas alianças com outras casas por meio de casamentos, assim como o nosso casamento, Ned. Se temos autorização para ir ao Sul, porque não criar nossas meninas, se tivermos, na corte?

Ele respirou fundo, balançando a cabeça imediatamente... mas não parecia surpreso.

Muito pelo contrário.

- Robert prometeu que não viria nas criptas, não faria parte do luto, não incomodaria o Sul e nem se oporia às minhas ordens ou as do Rei... – ele estava hesitante.

Eu não acredito nisto.

- Continue, Ned – pediu firmemente. Foi quase uma ordem.

Ele coçou a cabeça, claro que aquilo estava pesando em seus ombros.

- ...se eu tiver uma filha parecida com Lyanna – terminou já esperando uma chuva de xingamentos de Catelyn... que não veio. Robert Baratheon era difícil de se conter, de se calar a boca, principalmente com a dor de cotovelo que ele tem em relação ao Rei e que toda Westeros está conhecendo. Talvez o próprio tenha concordado com isso, mas Catelyn duvidava muito... Rhaegar Targaryen nunca incentivaria nenhum casamento por aliança, isto já é claro para toda Westeros.

Mas mesmo assim a indignação tomou conta dela.

- Ele já estará velho para se casar com uma filha nossa... isso se tivermos uma filha parecida com a Rainha Loba – argumentou imediatamente, percebendo que ele estremeceu quando ela falou o jeito honroso que toda Westeros falava de Lyanna... Targaryen.

Ele começou a tirar as armas, deixando-as em cima do criado-mudo e deitando na cama logo após. Claro que estava cansado... mas o assunto era mais urgente e ele sabia disto muito bem, portanto ela deixou-o se acomodar para ele começar falando tudinho, detalhadamente.

De-ta-lha-da-men-te.

Nem precisou esperar tanto tempo assim.

- O Rei não sabe de nada, Cat.

- O Rei é contra casamentos arranjados, por isso que colocou Westeros em guerra – reclamou rapidamente, já não tolerando a perspectiva de ver sua filha casando com o homem da dor de cotovelo que Westeros toda já conhece. Não é honroso!

- Ficou definido que se tivermos uma filha parecida com minha irmã, ela se casaria com ele ou com o herdeiro oficial dele, o que está difícil de se achar já que ele tem uns dois filhos lá no Ninho.

Ela revirou os olhos.

- Não deixarei com que filha minha se case com Robert Baratheon, Eddard Stark. – ela estava com muita raiva, não era para menos. O problema é que o próprio Lorde Stark estava indignado com a proposta... mas aquilo traria paz ao norte. O pior de tudo era que ela entendia o ponto de vista tão sofrido do seu marido, por isso respirou fundo para conter a sua agitação – Pode ser com o filho dele, mas não com ele. Por favor, Ned.

- Nem sabemos se vamos ter um filha assim, Cat.

Exatamente... nem sabemos.

- Se tivermos uma filha assim, e ela rejeitar o combinado, o que faremos? – perguntou já alarmada, esse negócio de casamentos arranjados entre os Stark e Baratheon não estão soando bem e Catelyn sabia, simplesmente sabia, que aquilo não daria certo.

- Com o tempo, sei que ele irá por outros rumos pois o amor dele só é paixão... – começou a responder de uma forma tranquila, ou melhor, tentando passar tranquilidade para ela. O olhar dele estava fixo nos olhos de Robb, que eram olhos Tully mas com uma determinação Stark. Vai ser um lobo daqueles... - ...e logo dissipará. Mas como sei que a teimosia é uma característica marcante em sua personalidade, ele ainda vai querer que o sangue dos Stark e dos Baratheon se misture, então é mais que claro que o herdeiro oficial dele, seja quem for, poderia se casar com ela, se a tivermos. Convenhamos Cat, não tem como piorar... mas ela estará sempre perto de casa.

Sim, este é o único fator que me consola. Mas se for igual a Rainha Loba... tem jeito, e muito, de piorar.