Notas iniciais
AEEEEW! Demorei mas postei! Digamos que ter uma faculdade, ser líder de turma e ter toda aquela carga sobre mim porque eu também irei apresentar o seminário do semestre, sem falar da formulação dos milhões de artigos! Mas amo a faculdade mesmo assim, tenho um péssimo problema de competição, é um saco mas eu já acostumei. Enfim! Espero que estejam gostando desse Complexo de Édipo abstrato! Obrigada pelos comments! Reviews! Comentários! Peço mais u.u não estou abandonando vocês, ok? HAHAHA Beijos!

Quanto mais lia as cartas de sua mãe, mais Arya ficava com a impressão de que a sua progenitora iria arrancar Jon de perto dela. Várias vezes a Lady Stark escrevia de forma severa quando o assunto beirava ao seu irmãozinho, alertando-a que por trás daquele rosto fraternal poderia haver algo agressivo e não tão fraternal assim. Arya não entendia o que havia de tão errado na sua relação com o seu irmãozinho, tantas vezes sua mãe ficara contra mas... é a pessoa que mais gosto no mundo, o que há de errado com isso?

Era difícil argumentar, afinal, mesmo não conhecendo-a pessoalmente continuava sendo a sua mãe, uma lição que o próprio Rhaegar Targaryen sinalizou bastante para que Arya não esquecesse as suas raízes... maternas. Estava claro para todo o Sul de que o pai de Arya era o Rei, pelo menos era o que a menina-loba sentia ao vê-lo todos os dias no Trono de Ferro. Ela tinha que conciliar vários pontos importantes de sua vida, principalmente ao entrar em um aposento onde o seu pai biológico e o pai de criação estão juntos.

Não posso chamar os dois de ‘pai’ ao mesmo tempo. Seria ridículo.

Causaria um mal-estar, disso ela sabia muito bem.

Largou todos aqueles pedaços de papel, tinha que terminar de se arrumar para o jantar, que promete muita baixaria. Toda vez que Viserys adentrava a Fortaleza Vermelha, já podia saber que Rhaegar e ele entrariam em discussões sem fim sobre vários assuntos, mas o principal deles era a continuidade da dinastia Targaryen. Não é que Viserys não queria dar continuidade...

- Viserys não sabe o que é família ou qualquer sentimento de entrega ao outro sem esperar nada em troca – falou Rhaegar certa vez quando Viserys disse que estava pronto para continuar a linhagem. Fazia dois anos, quase isso, e nada mudou naquele pequeno demônio valiriano.

Arya se vingaria dele hoje, não havia se esquecido. A Princesa Loba nunca se esquece de nenhuma desfeita, sendo muitas vezes comparada com um dragão de três cabeças. Ela gostava mas ficava sem-graça quando alguém comentava algo do tipo, sentia que estava traindo o Norte...

...o Norte me traiu primeiro.

É uma ótima desculpa para fingir que fazia parte do seleto círculo draconiano embora a mesma se sentia culpada por seus pensamentos se direcionarem para Porto Real invés de Winterfell quando tocavam no assunto ‘família’. Nunca foi fácil aceitar esta situação... mas Jon é o meu irmão de alma, há algo mais familiar que isso?

Para a pequena mas forte loba, não havia.

Tantas vezes entrava em contradição quando pensava o que seria o certo a fazer...

...ir até Winterfell ou continuar na Fortaleza Vermelha?

Sentia pena do seu pai biológico, sempre muito atencioso e sábio, os conselhos eram bastante práticos mas ela sabia que faltava algo, talvez a continuidade da relação? Muitos fatores contribuíram para que Arya o enxergasse como mais um tio do que um pai, adquirindo a mesma consciência de Jon, e era exatamente isso que sua mãe, a Lady Stark, a alertava. Arya ainda se lembrava da carta que sua mãe a xingara em demasia ao ficar sabendo que ela e Jon montaram Rhaegal e foram até as Cidades Livres sem avisar a ninguém.

O difícil foi saber do que ela estava com mais raiva:

A fuga, estávamos cansados da putaria que é a Fortaleza Vermelha... ou a perspectiva de imaginá-lo atrás de mim enquanto montávamos o dragão.

Arya não via o que tinha de demais naquilo, mesmo se houvesse alguma suspeita, bem, eram tantas as roupas, as peles... as capas... como poderia ter algo? O problema era que Catelyn não sabia de nada e isso a irritava mais ainda, a escuridão da situação a deixava sem ter o que argumentar. Claro que para evitar briga, o seu pai nortenho ignorava umas coisas, ocultava outras... no mais, não havia nada para se esconder.

Depois eu que tenho olhos maliciosos. Jon é um amor, sempre está comigo e nunca me deixou na mão.

Como ele pode me fazer algo ruim comigo?

Ela se sentia segura perto dele independentemente da intensidade que aquelas íris acinzentadas demonstravam toda vez que ela adentrava a um aposento que ele também estava. Era ciúmes de irmão mas Arya não era estúpida, sabia muito bem que o seu irmãozinho tinha ciúmes do próprio pai, já este sim... potencialmente perigoso. A Pequena Loba percebia a repentina aproximação dele nos últimos meses, muitas vezes deixando alguns afazeres de lado apenas para tomar um chá com ela... quando Jon está treinando ou no Pequeno Conselho. Era algo curioso inicialmente, talvez uma coincidência mas logo a Pequena Loba chegou à conclusão de que as intenções do Rei não eram muito fraternais, disso sim a sua mãe deveria alertá-la... mas ela não sabe. Ela não pode saber, nem mesmo Jon pode ter a certeza de que Rhaegar tem um interesse a mais...

Não que o Rei tenha feito algo com ela, muito pelo contrário pois ele a respeitava inteiramente e sabia o que poderia ou não fazer independente de sua posição como o homem mais poderoso de Westeros. Mas os olhares... ah, os olhares... estes denunciavam a fome do dragão e isso a cercava de todas as formas e impressionantemente fazendo-a se sentir sufocada.

Exceto quando ele passa mal...

Arya já havia percebido, com a ajuda de Jaqen, que as cartas que Melisandre (aquela vadia!) estava enviando não eram tão ingênuas assim. Havia um pó nelas e o seu fiel escudeiro bravoosi logo descobriu que era um pó venenoso e muito usado por mulheres de R’hllor. Jon sabia disto mas a tarefa era de Arya e assim ela estava cumprindo-a com honra.

Se honra significa assassinar os mensageiros...

Mas ela não se importava, não via problema algum em matar quem estava em seu caminho. Tanto os corvos quanto os homens, na maioria das vezes eram homens do mar pois o melhor amigo de Stannis Baratheon era um ex-contrabandista e que todos o chamavam de Cavaleiro das Cebolas. Nada contra, até achava legal a aceitação que Stannis Baratheon teve para com ele... mas Arya não negava que era extremamente útil correspondência marítima. Então nada melhor que revidar na mesma moeda.

Usou veneno, claro que com a ajuda de Jaqen.

Matou todos e pediu uma verificação em todos os navios que estava atracados em Porto Real... claro que secretamente e na calada da noite... Arya sabia ser perigosa quando queria, gostava de penar que se casasse forçadamente poderia degolar o homem antes mesmo de tocá-la... incluindo Rhaegar. Era o seu pai, não o seu amante... mesmo com a desculpa que é um Targaryen. De fato, a Pequena Loba não tinha saída pois não o mataria se ele resolvesse partir para a ignorância, assim como Viserys.

Será se é uma característica dos Targaryen de correr atrás de lobas nortenhas?

Se assustou quando escutou duas batidas de leve na porta do seu quarto, ainda estava arrumando pois não queria sair de qualquer jeito. A primeira coisa que aprendeu em Porto Real era que quanto mais caprichosa na aparência, claro que com a típica originalidade dela, mais conseguiria um respeito... por menor que seja.

Não sou um menino, tenho consciência do meu corpo e de como posso matar outras pessoas.

- Arya? – era Jon.

Ela ainda tinha um espartilho para fechar... mas com Jon não havia problema algum, perigoso seria se fosse Rhaegar.

- Entra e me ajuda aqui, irmãozinho – pediu rapidamente enquanto ajeitava o vestido para que ele não ficasse de cara com o seu corpo nu. Não que isso a incomodasse, só achava que isso iria deixá-lo sem jeito pois o seu irmãozinho sempre foi muito tímido, reservado e recatado.

Entrando lentamente para ver se eu estava vestida decentemente, fechou a porta silenciosamente.

Claro que ninguém pode saber que ele está aqui, o que a fez sorrir divertidamente.

Como sempre, a intensidade do olhar dele assustava... mas ela não era uma menina comum para se assustar com isso.

Jon era um homem-feito, bonito, honrado e inteligente, sabia articular as mentiras do jogo dos tronos com habilidade e gostava de pensar que ele que a protegia o tempo todo. Sim, ele a protegia... mas ela também o fazia.

As noivas em potencial dele nunca esquecem de mim.

Ela adorava infernizar todas elas.

- Está bonita – elogiou com um sorriso descontraído, beijando-a na testa como sempre. O toque dele é tão... diferente – Quer ajuda com o espartilho?

Arya assentiu calmamente, não era a primeira vez que ele a ajudava com os vestidos pois ela nunca gostou de ter criadas por perto, são possíveis espiãs. Virou-se de costas para ele organizar as fitas e usar um pouco de força para fechá-los. Mas, como sempre, Jon nunca apertava pois tinha medo de deixá-la com falta de ar.

- Não vou apertar muito, você vai comer e logo passará mal com essa armadura feminina tão apertada – comentou enquanto ligava as fitas, já Arya se segurava na cama de dossel – Porque quer usar esse vestido hoje? É decotado demais para encarar aquele idiota.

Arya revirou os olhos impacientemente.

- O homem que quer violar uma mulher, Jon, o faz com qualquer roupa, qualquer lugar, qualquer mulher – começou em mais uma de suas lições de feminismo, certa como sempre enquanto aquele homem-feito balançava a cabeça já negando aqueles argumentos – Uso o que eu quiser, Príncipe Lobo-Dragão.

- Só espero que não tenha um quinto homem a tentar violá-la... – porque tenho a impressão que ele estava falando do próprio pai?

Realmente havia ficado um clima esquisito no ar. Tanto ela quanto ele perceberam que ambos pensavam da mesma forma mas nada falavam. É melhor... por enquanto.

- Não irá pois tenho um irmãozinho valente perto de mim – brincou piscando o olho para ele, estava tentando espantar aquele clima desconcertante... nada pior do que o filho sentir ciúmes do próprio pai – Fiquei sabendo que Robb irá se casar com Dany, não sei por qual eu lamento mais.

Jon riu, aparentemente tentando imaginar a situação.

- Dany fica bancando a imperatriz da Baía dos Escravos, lá não tem nada pra ela – comentou com um tom brincalhão, todo mundo conhecia Daenerys para saber que se casar com um homem do Norte era a mesma coisa que entrar para a Cidadela – Claro que meu pai não gostou, então uniu o útil ao agradável. Só espero que o Norte esteja pronto para aguentá-la, não consigo imaginá-la como uma Lady Stark.

Arya ficou séria, chamando a atenção do Príncipe... mas o mesmo ficou calado pois sempre esperava o tempo dela, conhecia-a bem o suficiente para saber que pressão não funciona com a irmãzinha. Eles se conheciam muito bem... bem até demais, como minha mãe fala...

Mas ele me proporciona momento tão bons...

- Quando eu morar lá terei que olhar na cara dela todos os dias... – divagou com um mau humor palpável, ela e a Khaleesi nunca se deram bem o suficiente para dividir o mesmo cômodo por mais de uma hora — ...vai dar confusão, o nariz dela é empinado demais e minha paciência se esgota em questão de segundos. De vez em quando torço para que ela dê uma de rebelde sem causa e continue vagando naquele fim de mundo.

As mãos firmes de Jon contonaram sua cintura para ajeitar mais aquela peça de roupa tão complicada, realmente.... é uma armadura feminina... mas o toque dele, porque estou me sentindo assim hoje? Talvez ele esteja diferente hoje... ou nos últimos tempos...

O que acontece dentro destas muralhas vermelhas?

Arya só não sabia o que sentia quando estava perto dele, não era um nervosismo... ele era o seu melhor amigo mas não deixava de dá-la alguns motivos para enrubescer de vez em quando. Se comportavam com intimidade demais, mesmo depois de crescer os hábitos não mudaram.

- Você não irá ficar em Winterfell – anunciou com os lábios bem próximo da nuca dela, fazendo-a arrepiar completamente pois o seu hálito estava quente... como um dragão... – Meu pai só irá avisar ao tio Ned quando estivermos por lá, digamos que dragões são mais intimidantes quando estão por perto.

Ela travou.

O que falarei para a minha mãe? Para todo mundo lá?

Sentiu alegria e vergonha ao mesmo tempo. Alegria por não precisar seguir aquele destino que fizeram para ela de forma cruelmente fria, e vergonha... por me sentir alegre em abandonar o Norte antes mesmo de conhecer todos ali. Não sabia qualquer era mais forte, talvez a vergonha pois a expectativa que sua mãe e o seu pai biológico colocavam em cima de si era... no mínimo... gigantesca. Eles tem certeza que eu irei morar e serei feliz por lá...

Vergonha, Arya...

Mas pensar que Jon ficaria por perto já era um motivo de consolo para essa vergonha massacrante. O seu coração bateu acelerado ao pensar que poderia vê-lo se casar na Fortaleza Vermelha... com...

Esquece, Arya. Que ridículo, você e sua imaginação burra.

Sua burra.

Burra.

- E assim verei o olhar de todos em minhas costas como se me xingassem de traidora.

Ele terminou rapidamente com o vestido e assim colocou-se em sua frente, olhando fundo em seus olhos e tocando o seu rosto com a mão esquerda. Seu polegar acariciava sua bochecha e, consequentemente, Arya corou violentamente.

Intimidade demais, como Catelyn Stark escreve.

Os olhos cinzentos do Príncipe e herdeiro do Trono de Ferro eram tão profundos que pareciam um oceano calmo e sereno mas com uma tempestade e uma forte neblina que estavam por vir. Jon é o típico Targaryen que merece ser Rei, sempre misterioso, gostava de ocultar os própriso pensamentos e, nos últimos tempos, ocultava-os até de mim, sua irmãzinha.

Jon era aquele retrato, mas ninguém sabe como está a profundidade daquele oceano, ninguém sabia como ali dentro de agitava e nem como poderia ficar furioso após um ódio intenso. Arya sempre teve a impressão de que quando o ódio de Jon é colocado na superfície, uma grande onda se formava e matava diversos marinheiros experientes. Ela tinha a sensação de que quando o ódio dele for ativado inteiramente, não teria dragão para detê-lo.

O ódio dele pulsa... diariamente.

Eu sei disso, mas ele não sabe que eu sei.

Ódio da própria vida, até mesmo de sua existência... e logo se sente envergonhado pois a Rainha Loba morreu por ele, causando a tristeza do próprio pai. Mesmo assim, sei que ele sofre.

Sofre muito.

Tenho tanta pena... não sei como mais te ajudar, meu irmãozinho.

- Não fale assim, Arya – começou em um sussurro, seus lábios se moviam lentamente e eram tão... rosados... assim como Arya sempre pensou em... não, vou nunca pensou nisso. – Me fale o que pensa de mim, por favor. Seja sincera e não se esconda de mim.

Ela engoliu em seco.

- Você é o meu melhor amigo, meu irmãozinho que amo tanto.... – ela travou. Havia uma contradição forte naquela frase. Como poderia amar carnalmente o seu próprio irmão? — ...e é um homem-feito corajoso, inteligente, sensato e estrategista. Será um ótimo Rei, Jon. Não se importe com essas expectativas que esses tolos colocam em você, sei que será um Targaryen digno do Trono de Ferro. Você é digno do Trono de Ferro.

Ele balançou a cabeça, ainda bem próximo à ela.

- Quero que você fale de mim... como homem...

Ela arregalou os olhos, não sabia o que fazer naquele momento. Tantas vezes imaginou aquela loucura com uma dose de... loucura? Mas nunca pensou que poderia ser real, era imaginário... sempre fez parte do seu mundinho interno.

Imaginar é diferente de fazer acontecer, Arya.

Ela sabia disso, sabia muito bem.

Mas o que fazer quando tudo se torna tão paradoxal?

O seu coração batia aceleradamente, sentia a pulsação dentro do seu peito e isso não era bom.

Não posso deixar transparecer.... mas como me esconder dele?

Ele me vê.

Jon me enxerga.

Ele me analisa.

Jon me... enlouquece com suas loucuras contraditórias e paradoxais.

- Homem? – repetiu ainda pensando nas merdas que poderia falar. Ele assentiu calmamente – Porque está me perguntando isso, irmãozinho?

O Príncipe Lobo-Dragão suspirou, dando um passo para trás.

Porque está tão frustrado...?

Seus olhos estão agitados... e quando o mar se agita, Arya, virá uma tempestade violenta.

- ‘Irmãozinho’... – repetiu com um sorriso amargo, deixando-a sem qualquer tipo de rumo — ...como podemos ser irmãos se o seu pai criação está desejando o seu corpo?

Ela não teve muito tempo para pensar, sua impulsividade havia tomado conta dela... e isso não era nem um pouco bom.

- Mas você não deixa de ser o meu irmão mesmo com esse fator ridículo! – exclamou colocando suas mãos na própria cintura já deixando claro que após Jon iniciar aquela discussão, não terá um fim tão fácil. Ele não sairá pela tangente como das outras vezes...

- Esse fator ridículo parece que quer muito te consumar! – insistiu tentando manter a calma, logo se encostou em uma das colunas da cama de dossel. Arya sentia tanta... ela não sabia o que sentia, parecia que estava ocorrendo uma fusão de sentimentos em questão de milésimos de segundos. A cena da pessoa que ela mais ama em um estado completo de ódio e frustração era tão terrível que muitas vezes pensara que apenas ela conhecia o Príncipe Lobo-Dragão – Arya, tem noção do quanto eu abomino o meu pai? Sei que é ruim, ele é o meu pai, meu melhor amigo e sempre me ajudou em todas as coisas que precisei mas... o que você faria nesse caso? Além de tudo, ele está traindo a memória da minha mãe ao querer ficar com você apenas por lembrá-la tão bem.

A lobinha mordeu o lábio inferior, a angústia era impossível de se conter.

Foi então que a lobinha esperta notou o óbvio...

...Jon me deseja.

Ela sentia uma leve coceira entre as pernas, era triste saber o que aquilo significava.

- Eu não vou ficar com ele, Jon – não posso sentir isso... mas Jon já me deseja... ou não? Pode ser apenas uma falha em minha mente, não seria a primeira vez, não é? – Vejo o Rei como o que ele é: meu pai de criação. Nada mais.

Jon ergueu uma sobrancelha, claramente desconfiado.

- Confio em você, mas nele... não nisto.

Arya tinha que regular a sua respiração, ainda tinha que enfrentar Viserys... e Rhaegar.

Jon, Viserys e Rhaegar... não vai prestar hoje.

- Sei me proteger – que coisa mais idiota de se dizer, sua estúpida! Você se proteger contrao Rei? Hein? Jon a analisou agora arqueando as sobrancelhas, claramente questionando a seriedade daquela declaração – Se eu não conseguir, tenho você. Você me ajudaria, Jon?

Ela evitou usar o termo ‘irmãozinho’.

Ele me deseja.

Assim como o pai.

Ela gostava da Fortaleza Vermelha... mas como escapar de todos eles?

Tenho Jon. Nada acontecerá comigo.

Nada.

Ele suspirou, ela sabia que o mesmo estava exausto da rotina... e do ódio.

Os Targaryen são ótimos em alimentar a raiva e preservar o ressentimento, assim é impossível não gerar ódio.

- Estou com você todos os momentos, não se preocupe – falou um pouco mais calmo, abrançando-a carinhosamente e depositando um beijo na testa dela novamente, ele tinha esse costume – Nada irá acontecer, nem que eu tenha que te proteger do meu pai e do resto de Westeros. Não adianta vir com esse papo de ‘eu sei me defender sozinha’ pois isso não dará certo, sabe muito bem disto. Agora... creio que sabe que eu também tenho meus limites, não é?

Arya arregalou os olhos, surpresa.

- Como assim?

Não, por favor. Por favor, Jon, que não seja o que eu estou pensando.

Ele olhou fundo em seus olhos novamente, era fácil para Arya se perder naquele oceano acinzentado falsamente sereno.

Havia uma carga tão intensa entre os dois que ambos esqueceram que tinham um jantar tenso daqui a poucos minutos.

- Sou um homem-feito e insuportavelmente Targaryen, não me tente...

‘...não me tente...’

Jon, e se eu te falar que eu quero ser a sua tentação?

Mas ela não teve coragem de falar isso, então ele simplesmente saiu dos seus aposentos rapidamente e deixando uma jovem extremamente confusa... e excitada para trás.