Apenas O Tempo Falará...
26 Arya
Notas iniciais
Ela ainda estava magoada com a rejeição do seu ‘irmãozinho’. Ela gostaria tanto de falar o quanto as coisas poderiam se resolver bem caso, bem, na verdade ela não sabia em como as coisas poderiam sequer acontecer, então imagine só acabar bem para ambos. Como explicar para o resto do mundo que os seus sentimentos por Jon eram mais complicados do que pareciam ser? Como pedir ajuda quando se é vigiada por informantes do Rei, que a quer para si? Como deixar de ir ao Norte sem ter que se casar e virar Rainha?
Os métodos estavam praticamente invisíveis. Como poderia sair da situação, ninguém sabia. Mas ao ter que matar aqueles dois homens, esses pensamentos saíram do foco rapidinho. Aquilo ameaçava à Jon e principalmente ela. Sempre soube o que aconteciam com traidores mas nunca se deu conta do que acontecia quando eles ganhavam o jogo dos tronos. Matou-os rapidamente, deu-lhes a Dádiva com apenas quatro movimentos, não havia sido treinada por Jaqen em vão. De certa forma, o jeito que Jon correu até ela e perguntou se estava tudo bem, Arya não soube dizer como, mas o coração acelerou.
Olhos carinhosos, preocupados e protetores.
Jon...
– O que acha que podemos fazer, irmãzinha? – perguntou aproximando-se mais dela, pousando o braço direito em cima do ombro dela. O toque a deixava extasiada, nunca sentira tanta intensidade... talvez pela perspectiva de traição e por, não... por mais nada... – Não estou em alerta por meu pai, e sim por você.
Arya assentiu, ela sabia que o mundo seria cruel com a presença de mais Targaryen ali, pelo menos para com ela. Daenerys não me suporta, Viserys quer me matar, Aegon não parece tão diferente assim. Eu sou e sempre serei uma ameaça aos Targaryen.
Pela primeira vez em sua vida, não queria persistir naquela batalha de ficar em Porto Real. Não queria tornar da sua vida um sofrimento em volta do Trono de Ferro, muito menos ficar dependendo de resultados de sutis e idiotas joguinhos femininos, como teria que agir quando Daenerys estivesse morando na Fortaleza Vermelha. Da última vez, eu e Daenerys nos atracamos que apenas Sor Arthur Dayne conseguiu nos separar. Olhou para o chão, escorria sangue por todo o mármore marfim e logo se imaginou tentando matar Aegon e Viserys, mas ainda sobraria Daenerys.
E Rhaegar.
Eu estou de mãos atadas.
É fugir ou me desgastar.
A lobinha respirou fundo, fechou os olhos e procurou se afastar de Jon. Não conseguia pensar claramente, friamente, quando ele estava por perto, afinal, também estarei deixando-o. Só se...
– O que acha de visitarmos o Norte? – perguntou por fim, pensando que ele iria discutir ou até mesmo descartar aquela ideia logo de cara. Mas a reação foi totalmente diferente, os olhos cinzentos daquele Lobo-Dragão eram compreensivos e astutos, sabia que eu estava propondo uma fuga até as coisas de assentarem – Você sabe que eu não saio daqui sem você.
– Nem eu, irmãzinha – Jon beijou-lhe a testa, abraçando-a mais forte. O coração da pequena loba batia descontrolado, fazendo-a ruborizar. O cheiro de Jon a entorpecia, ficava sem saber como agir quando era afetada por este fator tão complicado de se traduzir racionalmente – Nymeria e Fantasma já estão voltando, não podemos demorar. Pegue apenas o essencial – ele se afastou, olhando ao redor. Seus olhos cinzentos estavam cheios de pressa, fazendo-a sair obrigatoriamente daquele transe em que entrou quando sentiu o cheiro daquele homem tão seguro – Irmãzinha, seja cautelosa. Estarei na passagem da Fortaleza Vermelha em que se chega ao mar, nas praias.
O tempo corria e os dois deram as costas mais que depressa, tinham que arrumar toda aquela fuga. Não era certo fugir mas a pequena loba sentia que corria um perigo maior do que realmente pressentia, assim como Jon também percebera. Enquanto corria até o seu quarto, pensara em como Jon iria abdicar de tudo para acompanhá-la. Ela sabia que era egoísmo pensar desta maneira mas eles prometeram que iriam cuidar um do outro até o resto de suas vidas. Era fácil falar isso há alguns anos...
Agora Arya lutava para sobreviver e Jon, para protegê-la.
Não é hora de pensar nisso, Arya! Tenha foco!
Teve que se esconder quando dois soldados passaram por ela, uma armadura extravagante era o seu ponto defensivo. Eles pareciam estar com pressa, ambos tinham os símbolos dos Martell, o sol sendo perfurado por uma lança. Um arrepio subiu suas costas, era como se aquilo estivesse programado há muitos anos, portanto, a lealdade de Dorne era mais um punhal cravado em suas costas. E pensar que eu gosto de Arianne!
Assim que eles se afastaram, a pequena loba corria como se sua vida dependesse disso, ou melhor, sua vida realmente dependia daquilo. Ela poderia ser morta a qualquer hora, o Rei nem saberia e colocariam como um suicídio ou coisa assim. Estranhou quando viu a porta do seu quarto aberta, fazendo-a erguer Agulha em posição de ataque. Aproximou-se silenciosamente e observou quem estava revirando suas coisas.
Uma onda de desgosto tomou conta de si.
Viserys e Loras Tyrell. Viadinhos.
Ambos pareciam procurar algo, reviraram o baú de roupas de dormir dela e chegaram na conclusão de que não havia nada do interesse deles ali. Independentemente do que estavam procurando, Arya se escondeu até de uma cortina do corredor, Agulha ainda estava erguida e ela não hesitaria em matá-los. Sempre teve vontade disso, afinal.
– Não adianta, aquela vadia não está escondida aqui... – comentou Loras Tyrell, Arya não sabia o que eles estavam fazendo agora pois a cortina não permitia com que enxergasse e seria muito arriscado colocar a cabeça pra fora — ...e temos que achá-la o mais rápido possível, a morte dela selará a aliança entre Jardim de Cima e Dorne.
...?
Minha morte é a aliança de metado do Sul?
Mas ela logo compreendeu...
...Lyanna Stark atrapalhou os planos de Dorne, portanto Arya Stark atrapalhará novamente e da mesma maneira. Já os Tyrell... isso não faz muito sentido, faz?
Ao Loras Tyrell mencionar a Rainha dos Espinhos, a pequena loba teve certeza de que a traição foi muito bem planejada. O problema era o que Rhaegar poderia pensar ao vê-la ir embora junto com o seu único filho. Não acredito que aquele dragão pantomimeiro seja Aegon, mas e se for?
Tantas dúvidas tomavam a mente dela enquanto os dois idiotas iam embora rapidamente enquanto discutiam onde Jon provavelmente estaria. Eles nunca o procurariam apenas os dois, o irmãozinho da pequena loba era feroz demais para um lagartinho e uma florzinha. Verificou o corredor, estava completamente vazio. Não hesitou e correu até o seu quarto, bagunçado como nunca, pegando uma capa pesada de pele de urso e vestiu roupas masculinas que internamente era feita de pelos de ursos. Não se demorou mais de cinco minutos e já estava correndo pelos corredores secretos da Fortaleza Vermelha indo direto até os calabouços para atravessar uma parede falsa, que já verdade era uma porta. Alguns gritos enchiam a Fortaleza Vermelha mas a pequena loba fingiu não escutá-los, já tinha problema o suficiente para bancar uma de heroína. Ela tinha plena consciência de que não salvaria ninguém ali, a não ser ela mesma.
Ao atravessar o corredor do calabouço, ela se assustou ao ver tantos cadáveres no chão manchado de sangue por todos os lados. Algumas pegadas de lobo estavam gravadas por todo lado, então logo respirou aliviada. Escutara passos à sua frente, Jon corria até ela com Fantasma e Nymeria em seus calcanhares. Uma pessoa a mais estava ali...
...Jaqen!
– Está bem? Se machucou? – O Príncipe perguntou preocupado, examinando-a para ver se algo estava anormal. Arya balançou a cabeça e então Jon a puxou até onde Jaqen, que sorria, estava – Temos o Desbravador no mar, temos que ir depressa.
Arya pensou, primeiramente, que iria correr ou usar as próprias pernas. Jon simplesmente a jogara em seus ombros e desceu as estreitas escadas com Jaqen à sua frente. Ela não tinha a mínima ideia de como eles prepararam aquilo tão, mas tão rápido. Sempre cheio de surpresas, e de informações, Jaqen os ajudaria como sempre fez. Provavelmente mudará de rosto após isto.
Entrando em um túnel totalmente escuro e úmido, eles se dirigiram até uma passagem que dava para a base do rochedo em que a Fortaleza Vermelha fora construída. Jaqen havia apagado a tocha, sob a luz da lua e das estrelas lá estavam eles, finalmente fora daquele horror.
– Ali embaixo tem um barco a remo, vá o quanto antes – instruiu o homem sem rosto, piscando um olho para eles.
– E você? – perguntou-o preocupada, afinal, era o seu tutor de esgrima – Eles saberão que você nos ajudou, Jaqen.
– Ficarei aqui, oras – respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo – Alguém tem que mudar de rosto para matá-los.
Ela sorriu, aquela lealdade não tinha como se conseguir nos dias atuais em que a traição corria solta pelo mundo.
– Obrigado, Jaqen – agradeceu Jon, parecia ligeiramente desconcertado – Me desculpe por algumas coisas.
– Siga o que acha que deve fazer, Príncipe – aconselhou estranhamente sábio, logo tirou a espada da bainha – Mas agora está na hora de ir, adeus.
O homem sem rosto deu as costas e voltou para dentro do rochedo, ambos sabiam que muita gente ainda ia morrer naquela noite. Jon deu as costas imediatamente e desceram pelas escadas escondidas esculpidas nas pedras até chegarem ao lado do barco a remo. O mar estava tranquilo, parecia que tudo estava conspirando para a fuga deles acontecer e ser bem-sucedida. Ele a colocou delicamente, sentando-a em uma espécie de banco de madeira. Era pequeno e só tinha espaço para duas pessoas.
Assim que Jon entrara, pegara os remos e se afastaram definitivamente daquele lugar, ele parecia determinado em sair e provavelmente... nunca mais voltar. Pelo menos foi esse o sentimento que teve quando reparou o jeito com que o seu irmãozinho remava, rápido e forte.
Agora só estaria os dois e não foi um pensamento tranquilo.
São tantas coisas em minha mente, não sei com qual lidar primeiro.
– Viu o nosso pai, irmãozinho? – perguntou baixinho, sentia que se fizessse barulho poderiam avistá-los.
– Quando chegarmos no Desbravador, poderemos conversar – respondeu baixinho também, era mais um sussurro – A tripulação em bravosiana e eles não gostam nem um pouco de dragões, não irão contar nada. Fique tranquila, agora tudo ficará bem.
Será...?
(...)
A tripulação estava com medo, era nítido. Pelo menos era o que Arya pensava inicialmente, mas quando descobriu que eram mudos a situação mudou drasticamente. Notou logo que provavelmente aquele navio era de um proprietário de escravos que só nas Cidades Livres se tem, ou seja, não tem a menor simpatia por Daenerys e sua turminha estúpida. O interessante foi pensar que a relação com os homens sem rosto deve ser bem antiga para eles fazerem aquele favor para Jaqen.
Mas eles sentem muito medo de Nymeria e Fantasma.
Lobos odeiam o mar, isso era mais que óbvio.
Era um navio leve e veloz, tinha tudo para finalizar com sucesso a fuga deles.
O problema agora é saber para onde vamos.
Fora colocada na cabine principal enquanto Jon conversar em alto valiriano com o capitão, mostrando-lhe vários dragões de ouro. Arya pegara todas as suas joias, inclusive a tiara de aço valiriano não afiado que sustentava uma rosa de safiras. Nunca teve apreço algum com joias e poderia trocá-las por comida, habitação, tanto faz. Mas tenho que separar as pedras das estruturas, aí durará mais. A cabine, como em todo navio, era estreita e prática.
Um arrepio subiu suas costas e seus mamilos enrijeceram.
Onde Jon irá... dormir... ?
Sentou-se na cama respirando fundo, perguntando-se se aquilo era um pesadelo.
A porta se abriu e revelou um Jon aparentemente cansado embora seus olhos transmitissem segurança e tranquilidade. Ele está tentando de todas formas me deixar calma e ter certeza que o que fizemos foi a melhor coisa para todos.
– Agora podemos conversar? – perguntou curiosa e, ao mesmo tempo, receosa pela situação em que ambos se encontravam: a sós. Isso a excitava e isso a deixava envergonhada.
Jon assentiu, oferecendo comida à ela. Um lindo e dourado peixe frito com batatas, não pensara que estava com tanta fome assim, sua boca salivou quando provou o peixe.
– Acredita que Jaqen já tinha tudo preparado? – ele sorriu, claro que está aos pedaços internamente... – Ele recebera uma informação e não nos informou para não estragarmos o plano, como ele me contou.
Comia lentamente, sabia muito bem como era fácil ficar enjoada em alto mar.
– Não sei porque não estou surpresa com isso – comentou rindo, o seu instrutor de esgrima era definitivamente o homem mais misterioso de Westeros – Eu estragaria esse plano, ficaria pensativa se seria bom nós nos afastarmos de nosso pai. Falando nisso, você o viu?
O olhar de Jon ficara sombrio. Tem algo muito errado no meio, ele deve ter feito algo para que Rhaegar não pudesse nos procurar.
Pelos deuses antigos, o que você fez, Jon?
– Passei em seus aposentos antes de ir – começou a contar após um suspiro triste, o coração da lobinha estava aos pedaços ao ver o seu irmãozinho acabar com a própria vida por causa dela – Ele estava acordado, disse que recebera uma carta de Dorne e que eles estava lá em Porto Real para vê-lo. Ele viu que eu estava preparado para ir embora, a capa, as peles, Fantasma ao meu lado. Ele perguntou para onde eu estava indo e respondi que não voltaria enquanto Viserys e o tal do Aegon morassem em Porto Real, falei que não acreditava naquela história e que o menino é uma farsa.
Arya arregalou os olhos, Jon havia sido tão direto e provavelmente despertara a fúria do dragão.
– E o que ele disse?
Jon tirou a capa e deitou-se na cama, parecia não ter coragem de encará-la.
Ai, Jon... o que você fez?
– Disse que eu estava tirando a chance de ele reencontrar com sua família e colocando obstáculos para a felicidade dele a partir do momento que... – Jon hesitou, assim como o coração da pequena loba — ...percebera que eu não deixaria com que ele chegasse perto de você, falei que você não era a minha mãe para ser usada, falando o nome da minha mãe enquanto... transavam. – Arya engoliu em seco, a estratégia de Jon era fazer Rhaegar o odiar... mas tem um fundo de verdade, pelo menos... – Meu pai se levantou tão rápido que a cadeira caiu para, parecia estar tão enfurecido comigo que logo falou coisas... que não deveria ter falado. Tem certas coisas em uma família que são colocadas debaixo do tapete para ninguém ver, o problema disso tudo é que vai acumulando tanta sujeira que quando é colocada pra fora não permite diplomacia.
Arya preocupou-se, era bem pior do que imaginava. Deitou ao lado do seu irmãozinho, que enlaçou a sua cintura com o braço direito. O coração dela acelerou, tanto pela situação quanto pelo que aconteceu entre pai e filho.
– Me diga, irmãozinho – pediu ao pé do seu ouvido, não entendia na verdade o que estava fazendo ou porque agia daquela forma. Mas porque parece ser tão natural para mim?
Para nós...?
– Sim, te falarei – ele respirou fundo, parecia tomar coragem – Eu matei a minha mãe quando nasci e sempre me senti culpado por isso, toda vez que iniciava este assunto com o meu pai, ele falava que eu fui o melhor presente e que não foi culpa minha porque ela tinha cavalgado por todo o Sul, coisas do tipo. Sempre falava que eu era o orgulho da vida dele, que me criar foi tão recompensante que valia a pena desafiar meio mundo para me ter com ele, nos seus braços. Era o que ele sempre me falava. Agora tive a amarga amostra da raiva que ele sente por mim.
Ela mordeu o lábio inferior, não tinha como aquilo ficar pior...
...ou tem?
O estado em que o seu irmãozinho se encontrava era tão triste que a mesma passou a acariciar o cabelo negro dele.
– Continue – pediu gentilmente não deixando de acariciá-lo.
– Rhaegar falou que eu era um ingrato por todas as coisas que ele fez por mim, — uma lágrima deslizou por sua face, logo Arya a limpou gentilmente – falara que Aegon iria reparar os danos que causei pois a morte da minha mãe foi inteiramente culpa minha e que os sentimentos que eu tenho por minha irmã eram impróprios para a situação, mas como eu deixaria com que meu pai encostasse em você?
O coração da loba estava quase pulando para fora, não conseguia pensar em algo diferente, quero dizer, o que Jon fez?
O que ele está querendo dizer? Que sentimento...?
Não seja estúpida, Arya.
Um nervosismo mesclado a uma timidez a fez recuar a mão que acariciava os cabelos negros do seu tão amado irmãozinho, que fingiu não reparar naquela reação. Ele olhava para o teto e não o desviava pois sabia que ficaria triste ao vê-la recuando.
– Jon, eu... – o que falar?
– Não fale nada, apenas finja que eu não tenho sentimentos por você e tudo se encaminhará melhor do que poderíamos pensar – falou na tentativa de camuflar o seu tom de voz desiludido consigo próprio – Rhaegar disse que fui uma decepção, mas que ele já esperava pois depois de matar Lyanna... qual a felicidade que eu poderia oferecer à ele?
A dor dele a fazia sofrer. Arya não conseguia vê-lo tão triste, tão depressivo... e está tão intenso que não me lembro da última vez que ele ficou desta forma. Algumas lágrimas deslizavam pelo rosto dele e ela logo notou que fazia tanto, mas tanto tempo que alguma lágrimas aparecia naqueles olhos... porque tudo teve que terminar assim?
“Poeira debaixo de um tapete...”
Jon virou o rosto para que ela não reparasse o quanto estava acabado.
– Ele estava com raiva, Jon — ...porque o maldito Rhaegar não ficou de boca fechada?! Arya nunca foi de não gostar do pai de criação, mas nunca o odiou com estava fazendo naquele instante – Falamos coisas idiotas quando ficamos com raiva, lembra de quando nós brigamos da última vez?
Ele revirou os olhos impacientemente.
– Nunca brigamos a ponto de ter esse estrago.
– Então... – ficou em dúvida se chamava o Rei de Rhaegar ou ‘nosso pai’ — ...Rhaegar te deixou ir sem colocar obstáculos?
– Claro que não – respondeu limpando o rosto e se afastando dela, que ficou com a sensação de estar sendo abandonada. Não sabia explicar a sensação de vê-lo sofrer e se afastar, a lobinha tinha tanta vontade de cuidar dele que não conseguiu evitar aquilo pulsar dentro de si – Não vê?
– Ver...? – Arya se calou quando percebeu que o pescoço de Jon estava a marca de uma mão, que havia um corte ali e que havia sido estancado por um pano negro – Por favor, diga-me que só foi aí.
Jon hesitou.
– Não.
Uma raiva tomou conta da lobinha, algo tão selvagem que poderia voltar até Porto Real só para matar o seu pai de criação.
– Jon, — ela se aproximou rapidamente, surpreendendo-o quando começou a abrir uma de suas blusas. O frio estava muito intenso no mar. Ele tentou evitar, segurando as mãos dela – tire isso ou você me obrigará a usar Agulha.
– Não tem necessidade de ver isso – comentou em resistência ao mesmo tempo que desistia de tentar deixá-la na escuridão. Aquilo ali mexeu tanto com Arya que agora era impossível voltar até Porto Real como se fosse a mesma Arya que partiu. Ele retirou as roupas da parte de cima revelando um corte de espada não tão profundo, mas que deixou a loba mais fúria do que estava. – Satisfeita?
Teve que respirar fundo para não voltar até a Fortaleza Vermelha e dar uma espetada com a Agulha naquele idiota do Rhaegar. O coração dela batia fortemente, tantos sentimentos a invadiam que logo ficara confusa no que poderia fazer. Respirou fundo e contou até cinco pausadamente, talvez assim organizaria melhor os seus pensamentos.
– Não voltaremos para Porto Real – ela decidiu firmemente, afastando-se para pegar a água que tinha no jarro de ferro no canto da cabine. Mergulhou um pedaço de pano e torceu-o – Que se dane esse jogo dos tronos, não quero saber mais de ninguém. Cansei de traições, perigos e guerras. Não voltaremos para Westeros. Deite, cuidarei de você.
Ele assentiu claramente surpreso com a decisão dela. Arya também estava surpresa com o seu tom de voz, a verdade era que a raiva atingira o ponto de esquecer todo o seu passado para viver um mundo novo nas Cidades Livres.
Jon deitou-se na cama e Arya se sentou ao seu lado, limpando o corte. Era um homem muito forte e mesmo ferido por aço valiriano, sua estrutura não tremia. Não balançava. Era Jon Targaryen, e não qualquer idiota por aí que se diz do sangue do dragão. O Lobo-Dragão a encarava diretamente e ela pouco ligou.
Ou tentava.
– Não sei como posso agradecer aos deuses antigos por terem te colocado ao meu lado, irmãzinha.
A pequena loba ruborizou, percebera o quanto aquela situação era íntima.
– Não fale assim, a culpa foi minha – comentou sentindo-se exatamente de jeito que falava – Se eu não tivesse ido para a Fortaleza Vermelha...
Jon balançou a cabeça, sentando-se e enlaçando-a pela cintura. A lobinha estava mais vermelha do que antes, deixando o pano molhado cair inconscientemente. As mãos grandes e seguras que enlaçavam a sua cintura também as acariciava, provocando cada vez mais nervosismo nela pois o seu irmãozinho a encarava diretamente e Arya não conseguiu mentir para si dessa vez.
Quero-o, Desejo-o.
Os olhos cinzentos também a desejavam... intensamente. É um dragão e arde como um.
– Quer saber sua culpa? – sussurrou ao seu ouvido, cheirando o pescoço dela, que arrepio violentamente – Quer?
A respiração dela falhava.
– Sim – respondeu fechando os olhos.
– Você cometeu o sério erro de me deixar cada dia mais envolvido em suas brincadeiras de irmã, testou toda a minha paciência ao vê-la sendo desejada por outros, como o meu pai – começou sussurrando em seu ouvido, beijando seu pescoço levemente – Me fez entrar em estado permanente de vigília para te proteger de tudo e todos, me fez sofrer por saber que não seria correspondido por muitos fatores. Quer saber quais são?
Não consigo pensar.
– Sim.
– É incontestavelmente minha irmãzinha, não deseja nenhum tipo de casamento, rejeita homens como se fossem moscas e isso os faz ter a vontade de... – Jon não completou a frase mas ela sabia o que ela estava querendo dizer – Sou um homem, Arya. Se eu pudesse, teria te pedido em casamento na primeira oportunidade que surgisse. Seu cheiro, sua boca, seus olhos e movimentos me fizeram sonhar com o dia em que você poderia ser minha, longe de meu pai, longe de todos. Não consigo negar que você realmente estragou a minha relação com o meu pai embora também não consigo pensar minha vida sem você, suas complicações e esgrima aperfeiçoada. Cabelo escuro, olhos cinzentos e astutos, uma loba completa – a mão dele correu por suas costas, desamarrando a parte de cima de suas roupas – Deixe-me tê-la, só hoje pelo menos.
Arya abriu os olhos, não conseguia pensar em quantos sentimentos contraditórios o seu irmãozinho tão amado passara por causa dela. Nunca pensei...
Jon a encarava diretamente, seus narizes quase se tocavam.
– Nunca pensei que você tinha tanta coisa ocorrendo ao mesmo tempo dentro de si – comentou com o nervosismo aflorado. Tremendo, ela colocou as mãos na nuca dele – Terá algo que o seu pai nunca vai ter.
Ele sorriu, o que também a fez sorrir.
– Pelo deuses antigos, como é bom saber disto.
Seus narizes se tocaram e logo os lábios dele estavam sobre os seus, deslizando lentamente antes de iniciar um beijo mais aprofundado. Como ela nunca beijara, perguntou-se quem ele havia beijado, não sabia muito o que fazer e assim a língua de Jon entrou em sua boca e a guiou para que o beijo fluísse naturalmente. Logo, ele desfez todas as amarras para que ela tirasse a parte de cima da roupa. Afastando-se a lobinha, Jon a analisou com os olhos seguros e cheios de desejo, o que a fez ruborizar violentamente.
– Não olhe – pediu timidamente enquanto ele tirava aquelas camadas de tecido e revelando a pele branca e delicada da pequena loba, que os cruzou os braços para que ele não visse os seus seios.
Os olhos de lobos faíscam como um dragão em chamas.
– Deixe-me vê-la, lobinha – pediu sussurrando ao ouvido dela.
Não consigo resistir, maldito seja!
Os braços dela caíram, revelando seios arredondados em tamanho médio. Os mamilos eram rosa-claro, estavam duros e sensíveis ao toque. Um sorriso satisfeito foi exibido por ele, que os tocou delicadamente fazendo movimentos circulares em seus mamilos. Arya soltou um baixo gemido de prazer, motivando uma reação mais intensa do Lobo-Dragão.
Jon tomou os seus lábios, acariciando sua nuca e com a outra mão em sua cintura. Os mamilos enrijecidos de Arya foram pressionados no peito de Jon. Ele a envolveu em uma abraço apertado que era difícil interromper o beijo e realmente, não é o que eu quero. A pequena loba sentiu uma forte vontade de colocar a sua vida em uma chama bem forte.
Eu me queimaria... assim como Jon.
– Queria tanto que se casasse comigo... – comentou claramente mostrando que não iria abandoná-la de forma nenhuma — ...embora agora seja impossível, só se aceitarmos casar sob crenças esquisitas, como a do tal R’hllor.
Arya riu, não conseguiu evitar pois ele pensava em casamento, algo que nem havia chegado nos pensamentos da lobinha.
– Se acalme, dragão – uma das mãos da menina passaram pelo peitoral definido dele, sorrindo quando chegou até o início de sua virílha. Ele mordeu o lábio observando-a agora com os olhos sorrindo – Acha que é só você que gosta de brincar?
Jon ergueu uma sobrancelha.
– Brincar? – repetiu mas não a deu tempo para pensar em uma resposta. Deitou-a na cama, ficando por cima e acariciando os seios da lobinha com as duas mãos – Eu não brinco.
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