Apenas Me Ame

3 Capítulo 3


Quando eu olhei pela minha janela percebi que o dia hoje está ensolarado, sempre acho que isso significa que o dia vai ser um dia perfeito.

Enquanto estava tomando meu café da manhã liguei para Yá para contar as coisas, conversamos um pouco e ela voltou a falar para eu ficar calma e relaxar que iria dar tudo certo, e eu realmente queria acreditar nisso.

A casa da minha mãe ficava a mais ou menos a quarenta minutos da minha casa, ela morava em uma área mais afastada, segundo ela era para trabalhar em paz e ter um pouco de calma, nunca questionei isso, na verdade eu até entendia um pouco, se afastar as vezes é bom para manter a sanidade.

Foi só quando eu passei pelo portão da casa que caiu a ficha que eu estava voltando e pensar nisso me dava um pouco de calafrios.

A fachada da casa em que eu cresci continuava a mesma coisa, assim como o hall de entrada, pelo visto a minha mãe não estava muito adepta a mudanças.

—Senhorita Lara é você? — escutei alguém me gritar assim que eu entrei- meu deus, senhoria Lara, você está linda!

—Anna? — perguntei surpresa

Anna era uma das senhoras que trabalhava para minha mãe, elas são bem amigas inclusive, minha mãe ajuda o máximo que pode a família da dona Anna, inclusive paga a escola dos filhos da Anna e tudo.

Foi a dona Anna que ajudou a criar eu e Laisa, já que Luanne e Luisa já estavam trabalhando e mal ficavam em casa e com isso ela ficava comigo e com a Laisa.

Minha segundo mãe tem nome, endereço um avental e uma comida boa.

—A senhorita pintou o cabelo de novo! Não muda mesmo, sempre com mudanças- ela disse me analisando.

—Sempre né, dona Anna, mudança é bom – eu disse a abraçando- aonde está a minha mãe?

—Está no escritório, vamos criança eu te acompanho- ela disse me puxando.

A casa da minha mãe era gigante, lembro que quando começamos a morar aqui eu me perdia várias vezes e tinha sempre que alguém vir me achar.

Quando chegamos no escritório Anna volta a faze o eu ela estava fazendo antes de eu chegar e eu entro no escritório sozinha.

Assim que eu entro eu vejo minha mãe sentada olhando alguns documentos, demora um tempo até ela perceber que eu estou lá.

—Olha só se não é a filha fujona- minha mãe levantou da cadeira aonde estava- decidiu voltar para casa, querida?

—Eu sei que esse seria o sonho senhora Carter, mas isso não aconteceu- eu falei a abraçando

—Eu senti tanto a sua falta, minha querida- ela me abraçava tão forte- você não pode desaparecer desse jeito, assim eu morro de saudade- ela me soltou- vamos senta e me fale o que você anda fazendo.

—A senhora não estava ocupada?

—Nunca para você e suas irmãs- ela disse sorrindo- agora me diz o que você anda fazendo, já faz quase um ano que eu não te vejo.

Está aí uma coisa que é marca desta família: o drama.

—Mamãe deixa de ser dramática, que a senhora me viu a nove meses- revirei os olhos.

—Pareceu uma eternidade, ande querida, me fale eu quero saber de você, pintou o cabelo voltou ao tom natural, ótimo assim fica muito mais bonito.

—Obrigado, mamãe. — Suspirei- bom continuo na editora fazendo a mesma coisa de sempre, eu e a Yá estamos fazendo a mesma coisa de sempre e tudo continua a mesma coisa de sempre.

—Sério? — ela me olha como se estivesse decepcionada- nenhuma festa? Nenhum namorado? Nem um peguete ou algo do tipo?

—Mamãe! Pelo amor de Deus.

Minha mãe como cuida da carreira de quase todo mundo acha que tem o direito de se meter na vida de todos.

—O que? Eu só estou perguntando sobre a vida da minha querida filha caçula, a ingrata que pegou suas coisas e foi viver longe de mim, tenho total direto. — Ela disse se sentido ofendida

—Logico que a senhora tem- quando o drama começa a única coisa que se pode fazer é concorda.

—Além de tudo eu quero netos- ela disse se levantado- alguém tem que dar continuidade a família, infelizmente nenhuma das suas irmãs está pensando nisso, só querem saber de trabalho, trabalho e trabalho, então eu tenho que tentar com você.

—Mamãe eu não tenho nem namorado! Vai fazer isso com a Luanne- pelo amor de Deus, era só o que me faltava.

—Querida eu já tentei, mas como eu disse ela só está pensando em trabalho- ela me olha sorrindo- e a questão do namorado a gente dá um jeito, vai ter vários homens solteiros na festa da sua irmã, achamos um.

—Então mamãe, como anda as coisas por aqui? — mudo rapidamente de assunto antes que ela continua com esse assunto.

Ficamos conversando até a metade da tarde, quando juntamos as nossas coisas e fomos para a casa da Laisa.

Graças a Deus que a casa da Laisa ficava perto da casa da minha mãe, ela morava mais perto das praias, ou seja, para a zona mais rica da cidade, e com isso não levava muito tempo de carro da casa da minha mãe.

Pelo menos a minha bunda não vai ficar quadrada de tanto que eu fico sentada.

Eu fico maravilhada quando passamos pelo portão da casa da minha irmã, eu nunca tinha vindo até aqui, nunca pode quando minha irmã me chamava por causa da editora.

A casa já estava toda decorada para a festa e estava simplesmente incrível.

—Eu nem acredito que você veio- escutei a voz da minha irmã assim que eu entrei em sua casa- achei que você não ia vir, assim como faz com toda reunião de família.

—Luanne?!- perguntei- eu estava morrendo de saudade- eu corri para abraçar a minha irmã mais velha que me recebeu de braços abertos.

—Não parece, não vem ver a gente- ela disse me abraçando de volta- mais que saudade que eu estava de você sua nanica.

Luanne me chama de nanica desde de sempre, quando eu nasci ela já me chamava assim, segundo ela é coisa de irmã mais velha.

—Já parou para pensar que vocês poderiam muito bem ir me visitar também?

—E perder a graça de ficar falando que a senhorita abandonou a sua família? — ela me abraçou mais forte- não mesmo.

Eu ri com o que ela tinha dito, por que elas faziam exatamente isso.

—Vamos, Laisa e Luisa estão no quarto arrumando as roupas para amanhã.

Minha mãe só fez um joinha e um sinal para eu ir depois de falar com Luanne, mandei um beijo para ela e segui a minha irmã até o segundo andar.

Enquanto andávamos íamos conversando sobre as coisas que tinha acontecido quando eu estava longe, ela me disse que tinha sido convidada para desenhar as roupas para a próxima semana de moda em Paris e que estava mais do que animada, e eu fiquei muito feliz por ela, era um sonho que estava se realizando.

O quarto de Laisa era no final do corredor e estávamos no início dela, mas já dava escutar a voz dela e da Luisa, quando nos juntávamos era exatamente assim não temos senso nenhum e falávamos alto mesmo sem se importar com nada.

—Meninas, olha quem eu achei perdida por essa casa- Luanne me puxou para dentro do quarto.

Laisa deu um grito e veio me abraçar correndo, um abraço que eu tratei de responder o mais rápido que eu pude.

De todas as minhas irmãs eu com certeza sou mais próxima de Laisa, acho que era pelo fato de nossas idades serem próximas e que crescemos juntas enquanto vimos nossas irmãs ganhando o mundo.

Era apenas nos duas enquanto nossas irmãs e mãe trabalhavam, ela só tinha eu e eu só tinha ela.

—Isso deve ser uma miragem não é possível — escutei Luisa falar- finalmente resolveu aparecer.

Luisa veio e me deu um abraço por cima do abraço de Laisa para não ficar de fora Luanne também nos abraçou e virou um abraço e acabou virando um abraço em grupo.

—Olha só se não são as minhas lindas meninas- minha mãe disse entrando no quarto.

—Vem para cá também veia- Laisa berro.

—Você vai ver quem é a veia já, já- ela se fingiu de brava- mas eu vou mesmo- e se juntou no nosso abraço.

No momento eu não preciso de mais nada, tudo que eu tenho de mais valioso está dentro desse quarto.

Não há nada que posso substituir esse momento, não há nada que vá me fazer sair daqui, não há nada que vá me fazer ficar longe das minhas garotas, nada vai fazer com que eu fique longe da minha família.