Apenas Juntos
11 Sóbrio
Notas iniciais
— Você devia parar de beber, já que sabe que passa mal.
— Cala a boca — disse deitando.
— Por que você bebe desse jeito?
— Porquê... porquê...
— Nem você sabe o porquê.
— Não importa. — Colocou o braço na cabeça, cobrindo os olhos.
Nathaniel se sentou ao seu lado, olhando para o mar escuro. Passou a mão pela areia fofinha, se sentindo um pouco nervoso. Olhou para o lado, e viu que Castiel ainda estava com o braço na cabeça.
Voltou a observar o mar. A tanto tempo que morava perto da praia, nunca tinha pensado em ir até lá a noite. Muito menos entrar na água. Parecia estar bem gelada, mas ao mesmo tempo, convidativa. Ele começou a sentir um impulso de levantar, mas se segurou.
Mas espera... Eu sempre reclamei que nunca fiz nada demais, nada que ficasse impregnado em minha memória. Algo que me fizesse rir por mais bobo que fosse...
E naquele mesmo impulso, começou a desamarrar seus tênis. Levantou, tirou as calças e a camisa, os jogando onde estava sentado, ficando apenas de cueca. Respirou fundo, e correu para o mar, parando assim que sentiu a água congelante encharcando seus pés.
Não pare agora. Eu não quero me arrepender de mais uma coisa que não tive coragem. Vai!
Andou mais, tremendo quando o nível da água alcançou suas cochas, mas continuou, e então, mergulhou em uma onda que veio em sua direção. Depois de algum tempo, seu corpo se acostumou com a temperatura, e até parecia que a água estava ficando morna. Nem percebeu, mas estava nadando para longe da praia. Quando emergiu, olhou ao redor e viu Castiel ao longe, agora sentado.
Nadou de volta, e quando saiu da água, se abraçou, tentando se esquentar sem muito sucesso. Correu para a areia, e se jogou ao lado de Castiel, rindo.
— Por que você está rindo? É besta?
— Meu Deus, como você é mal-humorado. Estou rindo porque foi divertido.
— Divertido entrar na água gelada? — questionou descrente.
— Eu devia te jogar no mar, só para ver se as ondas levam essa sua carranca.
Castiel o encarou, o fazendo se assustar. Mas então, tirou sua jaqueta, e levantou, meio tonto, e tirou rapidamente o resto das roupas. Andou para o mar, e sem hesita, mergulhou. Apareceu mais ao longe, e depois mergulhou, saindo e caminhando de volta. Se sentou no mesmo lugar que estava antes.
— Não achei engraçado. — Colocou o cabelo molhado para trás.
— Porque você é chato. Já é naturalmente chato, quando bebe então — ironizou, recebendo um sorriso de deboche.
Os dois observaram o horizonte, lado a lado, mas tinha algo de errado. Nathaniel tinha total consciência de que Castiel estava ali, com seus braços quase se encostando, parecendo que se chamavam, querendo contato.
Nathaniel inclinou levemente a cabeça para seu lado esquerdo, quase sem perceber.
A sensação de magnetismo aumentou e sentiu um leve choque quando percebeu que seus ombros se encostaram, por conta da temperatura. Olhou para Castiel, que o olhou ao mesmo tempo, e como se estivessem esperando por isso, se aproximaram e se beijaram. Começando de leve, mas logo Castiel começou com as mordidas, e a mão na nuca.
Castiel sabia que ainda tinha gente andando na rua, então se limitou a ficar apenas naquilo, o que foi difícil. A cada vez que o loiro parava para respirar, Castiel apertava seu cabelo e o fazia continuar. Depois de ficarem algum tempo nisso, o vento começou a esfriar mais.
Castiel se afastou, resmungando do frio, e procurou suas roupas.
Nathaniel estava se sentindo um pouco confuso. Estava quente, mas também começou a sentir frio, e resolveu se vestir, tentando tirar o máximo de areia grudada no corpo antes. Castiel terminou primeiro e foi para a rua. Assim que terminou de calçar o tênis, Nathaniel foi para perto da moto, e como o outro já tinha subido, pegou o lugar na frente, como antes. Pegou as chaves do bolso e ligou o motor. Voltaram a rua e continuaram o caminho para casa.
Quando chegaram, Castiel desceu e abriu o portão. Nathaniel seguiu para o quintal lateral e deixou a moto perto da parede. Pegou as chaves e entrou em casa. Dragon e Branca vieram recebê-lo.
Notou que Castiel foi direto para o banheiro, então, foi para o quarto, fechando a porta.
Agora não sabia como reagir. Ele estava feliz, mas não sabia se isso iria durar. Não sabia se algo iria mudar entre eles... Afinal, pelo que a Júlia tinha dito, Castiel não ficava com alguém por muito tempo. Nem adianta criar expectativas, mas era complicado. Era a segunda vez que isso acontecia, e ele só fazia isso quando bebia...
Ao ouvir Castiel saindo do banheiro, aproveitou para ir se lavar. Depois colocou sua toalha no varal, e antes de entrar no quarto, viu que a luz da cozinha estava acesa. Foi até lá para apagar, mas Castiel estava lá, agachado, procurando algo no armário.
— Está procurando o quê?
Castiel o notou. — Filtro, da cafeteira.
Nathaniel se aproximou, agachando ao seu lado e tateou dentro do armário. Fez um esforço para não encarar Castiel, já que ele estava o encarando. A respiração dele encostava em seu ombro e o incomodava. Finalmente conseguiu achar a pequena caixinha de filtros, e a passou por cima do ombro para Castiel, e levantou em seguida, indo para a sala.
— Você não quer? — Castiel perguntou fechando as portas do armário e levantando.
— O quê?
— Café? — perguntou com a voz levemente sarcástica.
Parou perto da entrada da sala. — Não, amanhã eu tomo.
Eles se olharam. — ... Então... ok. — Castiel se virou para a pia.
Dando um pequeno suspiro, foi para o quarto. Deitou na cama, junto com Branca e se cobriu. Ficou lembrando da sensação da água batendo contra seu corpo, depois da areia grudando, depois do frio, e do calor ao Castiel se aproximar e o beijar.
Ele tinha bebido... mas estava lúcido. Não era a bebida fazendo aquilo, era ele. Bem, ele não desmaiou dessa vez. está de pé, e bem o bastante pra fazer café sozinho.
Nathaniel pensava em várias coisas, em todos os momentos que ficava feliz pelo que tinha acontecido, sua mente argumentava rapidamente motivos para não se apegar a ideia. Oscilava entre ficar feliz e lembrar que não devia ficar, para não criar expectativa.
Adormeceu abraçando um travesseiro, repassando na mente as sensações daquela noite.
...
Castiel fez seu café e foi para sala, mas parou antes de se sentar no sofá, vendo que Dragon estava deitado na frente da porta do quarto, olhando para ela como se fosse abrir sozinha.
Se aproximou. — Parece que você já me trocou, não é? — Fez carinho nele com a mão desocupada.
Abriu a porta do quarto lentamente, olhando para dentro. Deixou Dragon entrar, e em seguida, o cachorro subiu na cama, deitando ao lado do loiro. Castiel entrou, se aproximando da cama, passando a mão pela barriga do cão, olhando para Nathaniel, que dormia de barriga para baixo com um travesseiro perto do rosto.
O olhando, tomou um gole de café, e logo depois saiu, deixando a porta entreaberta. Sentou-se no sofá e ficou quieto, olhando para o nada, dando esporádicos da bebida quente.
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