Apenas Juntos
5 Por umas semanas
Notas iniciais
— O que aconteceu?
Castiel tirou o braço da mesa e voltou a comer. — O encanamento da casa do meu amigo estourou em várias partes. Alagou a casa toda, e vai demorar uma semana ou mais pra arrumar.
— Você ia para lá essa semana?
— Sim... — Balançou a cabeça, em descrença. — Eu falei para o dono do prédio que ia sair amanhã ou terça. Fodeu tudo de vez... — Vou ter que ficar em um hotel essa semana. Ainda bem que posso deixar Dragon com você.
O que era uma semana ou duas na vida de Nathaniel? Castiel poderia ficar lá, porque quase não o veria, dependendo de quantas aulas tivesse. E ainda teria um cozinheiro de mão cheia durante um tempo.
— Fica aqui, então.
— Quê?
— Não precisa pagar um hotel. Fica aqui essa semana.
— É sério?
— Sim.
Ele largou os talheres de novo. — Você não tá brincando, né? Está tirando com a minha cara?
— Por que eu faria isso?
— Você tá com dó de mim. — Estreitou os olhos.
— Ahn? — Fez uma careta. — Claro que não. Não tem problema nenhum você ficar aqui. Eu fico pouco aqui de semana.
— Tem certeza?
— Tenho.
Castiel suspirou, aliviado e riu. — Você está me salvando demais. Vou te pagar de volta um dia.
— Pode pagar não bagunçando minha casa. — Riu.
— Tudo bem. — Riu também.
...
Castiel ajudou com a louça e voltou para casa, para terminar de empacotar as coisas. Nathaniel deu uma cópia da chave e disse que ele poderia vir a hora que quisesse.
O resto do domingo passou com a ajuda de filmes policiais. Segunda de manhã, foi para aula de boxe, tomou banho na academia e foi direto para escola. Ficou distraído algumas vezes, pensando se Castiel já estava lá, se estava tudo bem, ou se tinha conseguido levar todas as coisas. Alguns alunos até riram da distração dele.
Antes de ir pra casa, quando os alunos tinham ido embora, a professora Lisa bateu na porta.
— Oi, Lisa. — Nathaniel falou arrumando suas coisas.
— Ainda bem, achei que tinha ido embora. — Riu levemente. — A diretora quer dar uma palavra conosco.
— Uma reunião? — perguntou frustrado. — Agora?
— Ela disse que não é reunião, só quer dar uns avisos.
— Ah. — Deu um riso irônico. — Ela sempre quer “dar uns avisos”. — Fez sinal de aspas com os dedos. — E isso dura uma eternidade.
Lisa sorriu, sem graça. — Tem compromisso?
— É, mais ou menos. — Sorriu. — Vamos lá.
Colocou as coisas na mochila e saiu da sala. Foram para a sala da diretora. Quase duas horas depois, as oito e pouco da noite, os professores foram liberados.
Nathaniel já estava um pouco estressado, de ficar lá parado ouvindo várias coisas. Foi para o ponto de ônibus e tomou um susto. Haviam duas filas de pessoas, esperando, e não tinha nem um ônibus parado ali.
— Que ótimo — murmurou para si.
Pegou seu lugar e esperou. Dez minutos depois, um ônibus chegou, e a primeira fila entrou. Ficou parado lá mais cinco minutos e saiu. O próximo demorou mais, e Nathaniel plugou seus fones de ouvido no celular e ouviu música, o que ajudou a sua cabeça parar de latejar.
Três músicas longas depois, outro ônibus chegou, e meia hora depois, chegou em casa. As luzes estavam apagadas.
— Sério que eu me preocupei à toa? — falou baixo, irritado, abrindo o portão.
Escutou Dragon latindo de dentro da casa, e automaticamente sorriu, esquecendo do estresse. Trocou de chave e abriu a porta. Olhou para dentro e viu uma luz vindo da sala, da TV. Dragon veio ao seu encontro, e enquanto fazia carinho nele, acendeu as luzes. Viu algo se mexendo e olhou pra frente.
— Você não estava brincando quando disse que mal parava em casa — disse Castiel, encostando o ombro na parede dos armários da cozinha.
Nathaniel desligou a música e tirou os fones. — Achei que não ia vir. Estava tudo apagado.
— Estava vendo filme.
Os dois se olharam. Nathaniel tirou a mochila, fechando a porta e indo em direção a sua escrivaninha.
— Eu geralmente não chego essa hora. Acabei tendo uma reunião de última hora. — Deixou a mochila em uma das poltronas.
Castiel acendeu a luz da sala, e Nathaniel percebeu que tinham algumas pilhas de caixas de papelão por ali.
— Eu não sabia onde colocar. — Castiel disse se sentando no sofá.
— Tudo bem... Depois a gente arranja um lugar — falou indo para o quarto.
Pegou seu pijama, de calça e regata e foi pro banheiro. Se deu ao luxo de tomar um banho mais demorado e lavou o cabelo. Quando saiu do banheiro, sua cabeça voltou a doer. Estendeu sua toalha no quintal de trás e foi para a cozinha.
Vou fazer um lanche e ir dormir.
— Tem comida no forno. — Castiel disse alto.
Nathaniel abriu o forno e tinha uma penal, com uma mistura cremosa de arroz, frango desfiado e os legumes que tinham assado com o frango. Seu estômago roncou.
— Eu desfiei o frango e coloquei um pouco de creme de leite, e temperei um pouco mais. Não está ruim não.
Nathaniel riu. — Tá, obrigado. — Com certeza não está ruim.
Encheu o prato e esquentou no micro-ondas, e foi para sala. Se sentou na ponta do sofá e começou a comer. Castiel estava sentado no canto, com as pernas esticadas, onde Dragon estava deitado entre elas. Mesmo sendo grande, ele conseguia ser fofo. Os dois combinavam. Parecia que nasceram um para o outro.
— Sua gata não quis sair do quarto, sem ser para comer — falou sem tirar os olhos do filme. — E sim, eu mexi nas coisas, ou eles iam ficar sem comer.
— Tudo bem. E daqui a pouco ela acostuma. Que horas você chegou?
— Acho que era umas quatro ou cinco, não lembro.
— Hm... — Terminou de comer. — Obrigado por ter feito a comida. Minha cabeça até parou de doer.
— De nada. Fiquei meio assim de sair mexendo, mas acabei mexendo.
— Eu nem expliquei as coisas para você, então tudo bem. Agora é sua casa também.
Como pensei. Ganhei um cozinheiro. Pelo menos por esses dias.
Nathaniel deixou seu prato na pia e andou para o quarto.
— Já vai dormir? — Castiel perguntou pausando o filme.
— Vou.
— Onde posso deixar as caixas?
Parou, coçando a cabeça. — Ah... sei lá. Arrasta o sofá e deixa ali entre a parede.
— Ok. — Voltou para frente.
Foi para o quarto, e se enfiou debaixo das cobertas, onde Branca já estava dormindo. Em alguns segundos, apagou.
...
A luz começou a incomodar Nathaniel. Se virou, dando as costas pra janela. Ele tateou a cama, procurando seu celular, mas não o achou.
Levantou em um salto, saindo rápido do quarto. Viu de relance Castiel largado de bruços no sofá, e dois segundos depois viu o chão, tropeçando em algo, fazendo um barulho alto. Levantou e correu pra cozinha como se nada tivesse acontecido. Olhou ao redor e viu seu celular na mesa, ainda com os fones. O pegou, mas não ligava. Estava sem bateria.
Correu pra sua escrivaninha, e olhou o relógio.
— Puta que pariu! Dez e meia! — Correu de volta para o quarto.
— Não sabia que você falava palavrão. — Castiel resmungou, se virando. — Você caiu? – perguntou se sentando, e viu ele se atrapalhando com a roupa que estava trocando, no quarto.
— Tropecei em alguma coisa.
Castiel levantou e viu que seus tênis estavam quase no meio da sala. — Ops...
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