Apenas Juntos
9 Evitando
Notas iniciais
A visão de Nathaniel estava distorcida quando abriu os olhos. A luz machucava e fazia com que seus olhos ardessem. Virou de lado, cobrindo o rosto com um travesseiro, e como uma avalanche, todas as lembranças de ontem vieram à tona. Ele se contorceu na cama, tentando impedir que as imagens e sensações passassem por ele.
Um temor passou por ele quando pensou em levantar.
Será que ele está acordado? Será que vai lembrar? O que eu faço?
Branca e Dragon ainda estavam dormindo.
Como é simples a vida de vocês, não é? Não tem que se preocupar com assédios de colegas bêbados... Eu não posso ficar aqui o dia inteiro. Tenho coisas para fazer.
Ele sentou e esfregou os olhos. Olhou o relógio digital no criado-mudo, que marcava oito horas. Levantou, respirou fundo e abriu a porta. Passou rápido para o banheiro. Fazendo silêncio, foi até a sala e olhou para o chão. Castiel estava largado, dormindo profundamente.
Foi pra cozinha, colocou comida pros bichos e fez seu café. O frio na barriga o impediu de comer alguma coisa. Estava sempre de olho no corpo semimorto, vendo se ele se mexia.
Voltou para sala e foi até o sofá, pegando as garrafas que ainda estavam ali. As deixou em cima da pia e quando voltou para sala, viu que Dragon estava cheirando seu dono.
Não, ainda não. Deixa ele dormindo mais um pouco. — Dragon! — sussurrou. — Ei, psiu, Dragon. — Foi ignorado. — Sai daí.
O cachorro deu uma lambida no nariz de Castiel, e Nathaniel segurou a respiração. Castiel apenas se virou para o outro lado e Dragon foi para cozinha.
Nathaniel pegou o cesto de roupa no banheiro e foi para o quintal. Colocou as roupas na máquina e começou a limpeza por seu quarto.
Não tem como eu limpar a casa sem acordá-lo. Ainda mais por causa do aspirador de pó.
Limpou seu quarto, lavou o banheiro, colocou as roupas no varal e quando voltou para dentro, seu coração começou a pular. Castiel estava sentado no chão, com as mãos na cabeça. O loiro não sabia se perguntava se ele estava bem, ou ficava do lado de fora o resto do dia.
Passou pela sala rapidamente e foi para cozinha. Pegou o café que ainda estava quente e colocou numa xícara. Voltou a sala e parou na frente ao mendigo sentado e a ofereceu. Castiel o olhou com cara de dor e pegou, tomando um gole.
— E-eu preciso... — Nathaniel começou, mas o outro levantou a mão, fazendo sinal para parar e apontou para cabeça.
— Fala baixo — murmurou.
— Eu preciso limpar a casa — sussurrou. — Pode ficar no meu quarto, se quiser.
— Ok, valeu — respondeu baixo, pegou seu cobertor e levantou, sem dizer mais nada, e foi para o quarto, fechando a porta.
Respirando fundo, Nathaniel começou a limpeza na sala, passou para cozinha e logo terminou tudo. Fez o almoço, comeu, lavou a louça e nem sinal de Castiel. Resolveu passear com Dragon. Colocou a guia nele e saiu de casa. Andaram um pouco e pararam em uma pequena praça.
— O que eu faço com seu dono? — perguntou a Dragon enquanto se sentava em um banco, que o olhou e se sentou aos seus pés. — Se acontecer de novo acho que vou precisar colocar em prática os golpes que aprendi no boxe.
Ele enrolou o máximo que pôde na rua, mas tinha que voltar. Pegaram o caminho de volta e quando chegaram, já eram cinco horas. Dragon foi beber água, e Nathaniel entrou na sala, onde Castiel estava sentado no sofá, com a TV ligada, com o som baixíssimo.
— Tá melhor? — O loiro perguntou baixo.
Ele balançou a cabeça pros lados, fazendo sinal de “mais ou menos”.
— Não quer um remédio?
— Não, não gosto de tomar remédio sem necessidade.
Quê? — Não seria sem necessidade, você está com dor.
— É uma dor suportável. E vai passar logo.
Não é mais fácil tomar um para a dor passar mais rápido...? Então tá.
Nathaniel foi pra sua escrivaninha, tirou sua pasta de lições e provas da mochila, e começou a corrigi-las.
Acho que ele realmente não lembra do que fez... Porque se lembrasse, já teria tocado no assunto. Ele não tem vergonha de falar esse tipo de coisa.
Suspirou, e tentou ignorar Castiel se mexendo de vez em quando. Algum tempo depois, após ter corrigido umas 80 atividades, se espreguiçou.
— Estou com vontade de comer pizza. — Castiel anunciou, de repente. — Tem algum telefone de pizzaria?
— Acho que tem alguns folhetos no armário da cozinha... Em alguma gaveta. — Se virou na cadeira para olhá-lo.
Castiel levantou e foi até lá, voltando logo com três folhetos na mão, já os folheando. Se sentou de novo. — Que sabor você gosta?
— Qualquer um. — Voltou para os papeis.
— Qualquer um? Não tem uma preferência?
— Não.
— Então se eu pedir uma de 6 queijos você vai comer?
— Sim, só não garanto que vou gostar e comer mais de um pedaço.
Deu risada. — Claro. Até parece que eu ia pedir uma de 6 queijos. Muito queijo para uma comida só.
— Concordo.
Castiel acabou pedindo uma de calabresa e uma marguerita. Apesar de ainda estar meio receoso, Nathaniel se sentou no sofá ao seu lado para comer, enquanto viam TV.
Nada aconteceu daquela vez. Até porque eles estavam bebendo refrigerante, e não bebidas alcoólicas. Nathaniel só prestou atenção em uma coisa. Em como ele se sentia quando estava perto de Castiel. Não ele, mas seu corpo, fisicamente falando. Sentia-se mais alerta, com o sangue correndo mais rápido, e um pequeno calor que ia e voltava, mesmo tentando o controlar.
...
No domingo, o dono da casa acordou as nove horas, tomou café e pegou suas sacolas de pano para ir à feira. Comprou seus legumes, verduras e frutas. Quando voltou, Castiel estava procurando algo na geladeira.
— Onde você foi? — E quando o olhou, percebeu. — Ah, na feira.
— É. – Colocou as sacolas na pia. — Está procurando o quê?
— Só estava pensando no que fazer de almoço.
— Então tem mais opções agora.
Os dois começaram a tirar as hortaliças das sacolas, e depois começaram a cozinhar. Talvez eles se dessem bem para trabalhar em um restaurante. Faziam um bom trabalho cozinhando juntos, e não faziam tanta bagunça.
— Mais tarde... — Castiel começou. — Vai ter um show de um colega. Aquele que eu fui, o ensaio. Hoje é o show. Quer ir?
— Show...? — Fez uma careta.
— Não faz essa cara de nojento. É um show fechado. Não vai ter tanta gente assim. Como você imagina isso? Acha que é um espaço pequeno pra 500 pessoas?
— Sei lá... Mas eu trabalho amanhã, esqueceu?
— Vai acabar cedo. Vai ser legal, vai.
— Tá bom, tá bom. Eu vou.
— Finalmente. — Olhou para cima rapidamente, fazendo graça. – Olha só, senhor, ele aceitou ir. — O outro revirou os olhos. — Você sabe dirigir moto?
— Sei... mais ou menos. — Estreitou os olhos, desconfiado. – Por quê?
— Só para saber. — Deu de ombros.
Isso não cheira bem.
Fizeram o almoço e comeram. Mais ou menos as cinco horas, Castiel começou a se arrumar, e Nathaniel também, já com o estômago agitado.
Antes de sair, verificou se tinha água e comida para os bichos, trancou a casa, e as seis e pouco da tarde, Castiel tirou a moto do quintal. Nathaniel saiu para a rua e subiu na moto atrás do moreno, tentando não ficar muito colado. Em meia hora, chegaram no lugar. Castiel estacionou a moto no terreno ao lado da casa de show, e foram para a fila da bilheteria, que devia ter umas 50 pessoas só ali fora.
Ao chegar a vez deles, Castiel pegou sua carteira e começou a conversar com o cara que estava do outro lado do vidro. Pareciam se conhecer a bastante tempo, e depois de um tempo tirou algumas notas e lhe entregou.
— Você não disse que tinha que pagar pra entrar — resmungou Nathaniel.
— Fique feliz que sou amigo da banda. Vamos pagar metade.
Nathaniel pegou sua carteira e entregou o dinheiro. Pegaram suas pulseirinhas e entraram.
— Tô vendo que tem pouca gente. — O loiro observou.
Era um espaço bem grande. Em frente, lá no fundo, ficava o palco, em um nível um pouco mais alto do chão. Mais para o lado esquerdo, tinha um bar bem grande, e nas laterais do lugar tinham mesinhas altas, espalhadas. Devia ter umas 200 pessoas ali, e já havia uma banda tocando um cover de Foo Fighters.
Castiel chegou perto. — Imagino que você não é de ficar pulando igual um idiota ali na frente — disse em seu ouvido, quase gritando. — Então vamos ver uma mesa.
Nathaniel ficou feliz pelo lugar ser pouco iluminado, assim ninguém veria seu rosto ruborizando ao sentir Castiel falando em seu ouvido.
O outro começou a andar e Nathaniel o seguiu por entre as pessoas. Conseguiram achar uma mesa perto da parede, quase perto do bar. No caminho, Castiel falava ou acenava para várias pessoas. Ele devia conhecer mais da metade do povo dali.
Os dois se sentaram, Castiel falou com as pessoas das mesas dos lados, e depois chamou o garçom, pedindo algo que Nathaniel não ouviu.
— Você conhece todo mundo daqui? — Nathaniel perguntou alto.
— Ainda não, mas hoje acho que consigo conhecer.
Logo, o garçom trouxe duas garrafas de cerveja, e tirou as tampas na hora.
Castiel levantou sua garrafa em direção ao loiro. — A diversão.
Nathaniel riu e bateu sua garrafa a dele, e os dois tomaram um gole ao mesmo tempo.
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