Apenas Juntos
26 Capítulo Extra
Notas iniciais
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— Sim, eles vão tocar. — Júlia dizia no celular com a amiga. — Quê? Mas quem liga para ele? Eu não... Te apresentar? Qual é a sua? Você sabe muito bem que faz mil anos desde a última vez que falei com ele... Não, não! Se você quer dar pra ele o problema é seu, não meu. — Começou a ficar irritada. — Nossa, bela amiga você é. Acho bom não olhar mais na minha cara! — Desligou.
Sua idiota. Eu sei, eu já sabia que ela era galinha, mas não a esse ponto. Cadê a ética? A educação? Se ela quer dar para o Castiel, por que eu tenho que apresentar? Tenho nada a ver com isso!
Desabou em seu sofá, meio triste. Sim, fazia tempo que tinha ficado com Castiel, mas, às vezes tinha uma esperança de que pudesse ficar com ele de novo. Nem precisava falar isso com sua amiga, aquele assunto já estava subentendido. E mesmo assim, ela queria partir pra cima dele. Aquilo não era amizade.
Agora preciso sair. Preciso ir naquele bar. Espero muito que ela não esteja lá, e se estiver, que nem ouse olhar para mim.
...
Júlia chegou um pouco mais cedo do que pretendia. Já tinham pessoas, claro, mas o show iria demorar para começar. Sentou-se em uma mesa do lado oposto ao bar, e pediu uma cerveja. Conforme o lugar enchia e a banda cover começava a tocar, pedia mais uma bebida.
Ela estava sozinha e bebendo. Alguns caras puxavam assunto, mas ela logo dispensava com alguma desculpa. Na terceira garrafa, quase engasgou ao ver quem tinha entrado. Castiel estava ali, bonito, como sempre. Mas ele não estava sozinho. Um outro cara estava com ele. Também era bonito, mas não parecia fazer parte daquele mundo, parecia um pouco perdido, pelo jeito que olhava pelo lugar.
Ela ficou feliz pelo lugar estar pouco iluminado. Com um pouco de sorte ele não a veria ali.
O cara com ele era estanho. Parecia desconfiado até do seu próprio colega. Os dois foram para uma mesa perto do bar, próxima a parede. Castiel falava com várias pessoas, e quando se sentaram, falava com o povo das mesas próximas. Depois pediram algo ao garçom.
Castiel, o famoso. Não seria ele se vários grupinhos não fossem lá puxar o saco. E essas garotas, então? Pelo que estou vendo todas elas olharam pelo menos duas vezes para ele. Tsc. Ele não perderia a oportunidade de ficar com elas. Melhor eu esquecer isso.
Tomou mais um gole de cerveja, e viu que Castiel tinha levantado. Estava falando algo com seu colega. Outra vez reparou que aquele cara era estranho. Afastou-se do mesmo jeito quando Castiel falou com ele.
Será que ele não sabe que aqui precisamos falar perto da orelha ou não escutamos nada?
Castiel se afastou, e um garçom foi até a mesa deles, tirando as garrafas. Um pouco tempo depois, as luzes foram diminuídas, a banda entrou no palco e começaram a tocar.
Ela não desistira completamente da ideia de se aproximar de Castiel de novo. Talvez pudesse apenas “encher o saco” um pouco, para ver como ele a trataria. Talvez conversando com seu colega fosse mais fácil. Júlia se levantou, e foi até a mesa, sentando-se onde Castiel estava a pouco tempo atrás.
Deixou a garrafa na mesa e sorriu. — E aí.
— Olá. — Ele disse, um estranhando um pouco.
...
Eles conversaram por um tempo, e Castiel surgiu do nada. Mas não a tratou como uma velha amiga. Estava irritado — como sempre — mas dessa vez parecia ser diferente.
Nathaniel era legal, apesar de ser um pouco tímido. Mas se deram bem. Ele era uma ótima companhia. Em um momento, viu que Castiel estava no bar, e olhava para eles com uma certa frequência. Não dava para saber por causa de quem ele olhava tanto.
Pouco depois ele se aproximou. — Vamos embora.
— Por quê? — Nathaniel perguntou confuso.
— Agora. — E saiu andando.
Nathaniel suspirou, irritado.
— A gente se vê na próxima, então, Nath. Obrigada pela conversa.
— Claro. Até outro dia. — Levantou-se e saiu.
Tomou mais um gole da cerveja, pensando no que tinha acontecido.
...
Algum tempo depois, estava sentindo-se sozinha. Queria conversar com alguém. Sua melhor amiga era uma vaca, e seus outros colegas não eram de ficar conversando, eles só sabiam falar de festas e de quantas pessoas pegaram. Ela sentiu vontade de falar com Nathaniel. Era quase certeza de que ele era do tipo que gostava de jogar conversa fora. Mas como poderia falar com ele?
O único jeito é pedindo para o Castiel. Por favor, Deus, faça ele me atender.
Não importava quantas vezes ligasse ou quantas mensagens mandasse. Ele não respondia.
Maldito. Você só é legal quando te convêm!
Mas, depois de insistir, conseguiu que ele atendesse. Mas a situação ficou melhor quando o próprio Nathaniel atendeu, disse que tinha atendido escondido. Depois conseguiu arranjar seu número.
Tinha dado umas tretas entre os dois, mas depois passou. Ela tinha certeza que o jeito do Castiel em relação ao Nath era puro ciúme. Muitas coisas aconteceram, e Nathaniel tinha ficado cabisbaixo. Ele disse que sua amiga de trabalho tinha ido embora, e na mesma semana Castiel também foi.
Conforme Júlia convivia com Nathaniel, mais gostava dele. E quando menos esperava, ele resolveu contar que gostava de Castiel.
Claro que não fiquei surpresa, já desconfiava disso. Ele me contou tudo o que tinha acontecido entre eles. E depois disso, senti que nossa amizade ficou ainda mais forte.
Júlia fez seu papel de amiga, tentando fazer Nathaniel se distrair, e até viajaram juntos. Mas, como sempre, tudo voltava, até Castiel. E depois de algum tempo, eles se resolveram e ficaram juntos.
Já estava na hora! Chega de sofrimento. Mas agora, o que vou fazer? Ele vai ficar com o Castiel o tempo todo. Perdi meu lugar.
Antes mesmo que pudesse pensar em ficar triste, seu celular começou a tocar.
— Oi, Nath.
— Ei, o que foi? Aconteceu alguma coisa?
— Não. Por quê?
— Agora é eu que sou o adivinho. Você parece triste. O que foi?
— Bom, basicamente, meu amigo me trocou por uma rola.
Ele segurou um riso. — Júlia, fique onde está.
— Como assim...? — A ligação ficou muda. — Alô? — Ele desligou.
Pouco depois, Nathaniel apareceu em seu apartamento. Ao abrir a porta, ele sorriu e a abraçou fortemente.
— Como você é besta. Não te trocaria nem por mil rolas.
Júlia riu. — Nem por um milhão? — O apertou.
— Não. Por nada.
Ficaram abraçados por um tempo, e decidiram sair. Foram até o shopping. Nathaniel tinha dito que ia comprar cordas para a guitarra de Castiel, já que ele tinha pedido, então foram até a loja de instrumentos musicais. Enquanto Nathaniel ia procurar as cordas, Júlia ficou olhando as baterias.
— Posso ajudá-la?
Júlia se virou, assustada, esquecendo que estava em uma loja. — Não... — Olhou o rapaz. — Só estou olhando... Obrigada.
Com certeza só estou olhando.
O cara tinha a pele pouco mais morena do que a dela, cabelos curtos e pretos, e olhos castanhos. Vestia uma camiseta de banda, calça jeans azul e All Star.
— Se precisa de algo, meu nome é Daniel.
— Claro. — Que sorriso lindo você tem. Preciso disso.
— Achei. — Nathaniel se aproximou, e olhou para Daniel.
Daniel sorriu. — Nathaniel, não é?
— Sim. — Sorriu, e apertaram as mãos um do outro. — Como você está?
— Bem, e você?
— Estou bem. — Júlia olhou para o amigo com cara de “me apresenta para ele!” — Essa é minha amiga, Júlia. — Ela sorriu para ele, sem querer parecer algo forçado, mas na cabeça dela não deu muito certo. — Nos conhecemos no show, na mesma noite que conheci você.
— Ah é? Você estava lá também? — Como não te vi lá, meu Deus?
— Sim. Eu conheço Castiel a um tempo, e lá ele me apresentou o Nathaniel.
— Eu a conheci depois que conheci você. — O loiro explicou. — Bem depois que conversamos.
— Ah sim... — Parecia sem graça e olhou para as mãos dele, que seguravam as cordas de guitarra. — Vão levar mais alguma coisa?
Sim, você.
— Não, só isso. — Nathaniel sorriu.
Daniel os levou até o caixa e recebeu o pagamento. — Vão fazer algo depois daqui?
— Acho que não. — O loiro deu uma olhada rápida para Júlia.
— Querem comer algo? Meu expediente já vai terminar.
— Claro. Vamos te esperar na frente da loja, então.
— Tudo bem. Só vou pegar minhas coisas.
Nathaniel pagou e os dois foram para a frente da loja. Júlia começou a passar os dedos em baixo dos olhos e no cabelo.
— Eu devia ter passado um pouco de maquiagem antes de sair.
— Para de besteira. — Ele agarrou seus punhos. — Você fica linda sem maquiagem. — A soltou. — Gostou dele? — Deu um sorriso malicioso.
— Nath! — Riu, envergonhada, colocando as mãos nas bochechas. — Ele é lindo.
— E ele é muito gente boa. Pelo pouco que o conheci lá no bar, deu para ver que ele é legal.
— Ai, senhor.
Esperaram mais uns cinco minutos, e Daniel saiu da loja com uma mochila nas costas. Foram para a praça de alimentação. Júlia reparou que na mochila de Daniel haviam vários bottons de bandas, e quase todas ela também gostava. Mais um ponto para ele.
Escolheram um lugar para comer, e foram para uma mesa. Conversavam enquanto comiam. Daniel era simpático, brincalhão e bom de papo. Um tempo depois, Nathaniel levantou.
— Já venho, vou ao banheiro.
Júlia o olhou desesperada.
Não faça isso comigo, peloamordedeus!
Ele só riu, e saiu.
Cretino.
Ela não sabia o que falar. O olhava às vezes, mas já desviava para a mesa ou outro lugar.
— Posso falar uma coisa?
Por favor, não me elogie, não acabe com o encanto. — Pode. — Apoiou a cabeça nas mãos.
— Eu tinha te visto naquele dia do show, conversando com o Nathaniel. Na verdade te vi antes de você ir até ele.
— Ah, é? — Sorriu, sentindo seu rosto ferver. Foi tudo o que ela conseguiu dizer.
— Sim. Quando te vi, você estava sozinha. Vi também alguns caras indo até você, mas todos voltavam com cara de decepção. — Deu risada. — Achei que você fosse chata, ou só difícil. Eu queria falar com você, mas me faltou coragem.
— Por quê?
— Porque você poderia achar que eu seria só mais um querendo ficar com você... Quer dizer... Eu te achei bonita mas, queria te conhecer para valer. — Se embaralhou um pouco com as palavras. — Até pensei em ir falar com o Nathaniel, porque aí ele iria nos apresentar, mas também pensei que você poderia ter ficado interessada nele desde o começo.
Coitado. Todo mundo pensou em usar o Nathaniel para alcançar alguém. — Bom, você acabou não indo. — Sorriu, sem graça.
— É... — Também ficou sem graça. — E já tinha te visto andando por aqui... E quando menos espero, você aparece lá na loja.
Tem como não sorrir junto com ele?
Ele deu um sorriso de lado, totalmente encantador. — Será que posso pedir seu número?
Júlia riu, totalmente envergonhada, e balançou a cabeça. Daniel pegou seu celular, digitou alguma coisa e entregou à ela. Digitou seu número e seu nome, salvou o contato e devolveu. Nesse momento, Nathaniel voltou, fazendo Júlia ficar aliviada. Era muita vergonha para aguentar sozinha.
Tempos depois, se separaram e foram embora.
Ela contou para Nathaniel o que tinha acontecido.
— Eu sabia que se saísse ia rolar algo bom. — Ele disse, sorrindo.
— Mas foi muito vergonhoso!
— Mas foi bom, fala a verdade. Se eu tivesse ficado ali vai saber quanto tempo teria demorado pra ele pedir seu telefone.
— Isso é... — Agarrou o amigo pela cintura e o abraçou. — Ai, meu Deus, Nath!
...
Júlia e Daniel conversavam sempre por mensagem, e uma semana depois, Daniel a chamou para sair. Marcaram de se encontrar, e quando Júlia chegou, ele já estava lá.
— Você gosta de flores? — perguntou quando ela se aproximou.
— Não sei, nunca recebi ou comprei flores.
Ele tirou a mão das costas, e mostrou uma pequena margarida a ela. — Não me pergunte o porquê, mas pensei em você quando vi.
Júlia a pegou, sorrindo e corando. — Obrigada...
Colocou a margarida atrás da orelha, e começaram a andar. No final do passeio, pararam em uma ponte para pedestres, toda decorada com flores devido a primavera. E ali foi o primeiro beijos deles.
Eu sempre achei romantismo uma coisa brega. Mas ele fazia tudo parecer suave e bonito.
...
Alguns meses depois
— EU SEI! ME DESCULPA! — Júlia berrava no celular. — Não fica bravo comigo, já estamos saindo.
O apartamento estava uma bagunça. Daniel andava de um lado pro outro procurando seus sapatos, e Júlia tentava fechar seu vestido.
— Júlia, cadê meus sapatos? — Daniel perguntou, rindo da situação do apartamento.
— Como eu vou saber? Não estão na lavanderia?
— Meu Deus, Júlia. — Nathaniel falava no telefone. — Você é uma péssima dona de casa.
— Fica quieto, o Daniel não está reclamando disso!
— Eu acho que ele deveria.
— Não. Ele é tão bagunceiro quanto eu.
Realmente, eles eram um casal bem bagunceiro. Mas combinavam perfeitamente bem um com o outro e com a bagunça.
— Você não é noiva para se atrasar desse jeito. Nós estamos saindo daqui.
— Eu sei. Nós vamos chegar na hora, eu juro.
— Acho bom mesmo.
— Já estamos saindo!
Nathaniel riu. — Tudo bem. Te vejo lá.
Júlia desligou o celular. — Dan, fecha meu vestido, por favor. Achou seus sapatos?
— Sim. — Deu risada. — Estavam na lavanderia. — Fechou o zíper do vestido. — E você está linda.
— Eu sei. Você está muito lindo também. — Deu um beijo nele. — Agora vamos logo.
Saíram de casa e foram até o endereço que Nathaniel havia passado. Subiram as escadas rapidamente e entraram em uma sala. Nathaniel e Castiel estavam lá, de terno, próximo a uma mesa, conversando com uma mulher, atrás dela.
— Finalmente! — Nathaniel a olhou.
— Cinco minutos só. Não nos atrasamos tanto.
— Podemos começar então? — A mulher perguntou.
Todos se posicionaram.
Nathaniel e Castiel trocaram seus votos e alianças, enquanto Júlia chorava de emoção. Eles assinaram os papeis, e logo depois Júlia e Daniel assinaram também, tomando seus lugares de padrinhos. No final, Júlia abraçou Nathaniel com força, ainda com os olhos cheio de água.
— Parabéns, Nath!
— Você está borrando toda a sua maquiagem — disse, brincalhão, a abraçando de volta. — Obrigado.
— Não tem problema, eu não ligo.
— Eu sei que não. — Sorriu.
Júlia abraçou Castiel também, assim como Daniel abraçou o noivo. Depois de lá, foram para um restaurante, e depois, para a casa nova do novo casal.
Era bem maior que a outra, e eles ainda estavam fazendo a mudança. Mas fizeram uma festa apenas entre eles, comendo e bebendo, até os primeiros raios de sol surgirem no céu.
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