Apenas Juntos
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Notas iniciais
Nathaniel temia que todos soubessem de alguma forma o que estava rolando entre os dois. Mas obviamente não tinha como descobrir sem que eles falassem algo. Então o dia passou tranquilo. Dessa vez no almoço, Castiel ficou no refeitório e eles almoçaram juntos, conversando normalmente, como colegas de trabalho.
— Ah, estou vendo que vocês estão se dando bem — disse Sra. Mila sentando-se em uma mesa perto. — Fico feliz.
Nathaniel sorriu, e Castiel ficou sem entender.
...
Ao chegar em casa, se jogou no sofá, cansado. Castiel foi ao banheiro. Sentiu algo mexer em seu bolso, e pegou seu celular. Júlia estava ligando.
— Alô?
— Oi, Nath, você sumiu! Não deu mais notícias, comecei a ficar preocupada.
— Nos vimos domingo, Júlia. — Riu suavemente.
— Eu sei, mas mesmo assim! Você precisa me manter informada todos os dias... — Ela ficou quieta por alguns segundos. — Nath?
— Sim?
— Aconteceu alguma coisa.
— Aconteceu? — zombou.
— Para de graça! Aconteceu sim! Sua voz está diferente.
O que tem de errado nessa garota? Ela sempre adivinha tudo. — Aconteceu tanta coisa que nem sei por onde começar — Riu de si mesmo.
— Pois pode começar a pensar por onde vai começar.
Castiel saiu do banheiro e sentou-se junto ao Nathaniel, o olhando. — Quem é? — perguntou, mesmo sabendo a resposta.
— Quem está aí com você? — Júlia perguntou curiosa.
Nathaniel riu. — Júlia — disse ao moreno. — Castiel — disse no telefone.
Castiel deu de ombros, apesar de ainda sentir um pouco de ciúmes.
— O QUÊ? NATHANIEL ACHO BOM VOCÊ ME EXPLICAR TUDO AGORA MESMO.
Nathaniel caiu na gargalhada. Até Castiel não conseguiu segurar o riso, tamanho o berro de Júlia. — Se acalme. Por que não vem aqui hoje?
— Agora?
— Sim.
— Só se o Castiel não me enxotar.
Ao ouvir aquilo, riu. Se aproximou do telefone. — Não vou te enxotar desde que se comporte.
Júlia ficou em silêncio.
Será que ela ficou chateada?
Antes de Nathaniel perguntar, ela começou a rir, e o fez relaxar os ombros.
— Espero não chegar aí e pegar os dois se comendo.
— Não vai. — Nath riu. — Prometo.
— Tudo bem. Quero uma janta bem especial. Já, já chego aí. Tchau.
— Tchau. — Desligou.
— Vou perder horas que poderia estar te abusando. — Castiel fez cara de tédio.
— Você vai ter todo o tempo que quiser depois. — Nathaniel o puxou, roubando um beijo. — Não a trate mal. Ela me ajudou de verdade quando você foi embora. Ela não é um risco para você.
Castiel o olhou. — Não vou tratá-la mal. Mas não tem como não ter ciúmes.
— Com certeza ela vai querer ser sua amiga também. Dê uma chance, tá bom?
— Tudo bem. — Suspirou.
Nathaniel levantou e foi para a cozinha. Escolheu o que ia fazer para o jantar e fez até uma pudim de leite de sobremesa. Castiel o ajudou. Depois de uma hora, a campainha tocou. Nathaniel pegou as chaves e foi abrir o portão. Júlia pulou e o abraçou com força.
Fechou o portão e os dois entraram. Ele já estava vendo o desastre que seria.
Júlia andou até Castiel e o abraçou bruscamente, se pendurando nele. Castiel ficou com os braços suspensos e olhou para Nathaniel com os olhos arregalados. O outro o incentivou, e ele acabou cedendo, a abraçando de volta.
Ela sorriu. — Fico feliz que tenham parado de graça.
Castiel parecia sem graça. — É... Eu também.
— Agora pode me contar. — Foi até Nathaniel e o puxou para seu quarto, para ter um pouco de privacidade.
Eles se sentaram na cama, e Nathaniel começou a contar tudo desde o começo, primeiramente perguntando até onde ele tinha contado a ela. E contou todo o restante. Dava pra ver como ela estava feliz por eles. No final, eles se abraçaram e voltaram a cozinha. Castiel estava emburrado.
Júlia deu um tapinha em seu ombro. — Pronto, devolvido. Relaxa aí que vocês se comem por mais tempo do que isso.
Castiel não tinha mais nada a fazer, a não ser rir. Enquanto jantavam, conversavam, riam e Júlia berrava as vezes. Mas era o jeito dela.
Depois da sobremesa — que Júlia comeu três vezes — os ajudou com a louça. E depois, se despediu, abraçando os dois fortemente. E foi embora.
...
— Não foi tão ruim, não é? — Nathaniel aninhou-se no ombro de Castiel, já na cama.
— Não, não foi. Eu sei que ela é legal. Hoje me senti mais confortável com ela.
— Eu percebi. Ela gosta de você. Só quer o melhor pra nós.
— Eu sei. — Bagunçou os fios loiros do parceiro com a mão. — Queria perguntar uma coisa.
— Pergunte.
— Quando percebeu que sentia algo por mim?
Ele pensou. — Não sei exatamente. Eu não tinha reparado, mas quando você marcou de sair com uma garota, eu me incomodei um pouco. E quando você voltou mais cedo, e explicou o porquê tinha chego cedo, eu me senti feliz. Você tinha dito que não estava afim, mesmo ela se abrindo completamente para você. Eu não sabia, mas fiquei feliz. — Riu, sem jeito. — E a primeira vez que você me beijou, quando estava bêbado, me deixou bem confuso. Mas eu gostei. Relutei com aquilo, em aceitar que tinha gostado... E fiquei mais confuso com seu ataque de ciúmes no bar, no show do seu amigo. Tudo por causa da Júlia.
— Não era só por causa dela. — Riu.
— Não?
Balançou a cabeça. — Eu não te contei, mas naquela noite, enquanto eu estava longe de você, muitas garotas perguntavam se você era solteiro e se tinha como eu te apresentar a elas.
As sobrancelhas dele se levantaram. — Sério? E o que você falava?
— Eu falava que você já estava com alguém. Mas a medida que vinham outras eu fiquei irritado e sai de lá.
— Por isso você quis ir embora cedo.
— É... Não conta para ninguém. — O cutucou, rindo.
Ele sorriu. — Não vou contar.
— Bom, continue.
— Ahm... — Pensou. — Ah sim, depois do show. Fomos a praia e você me pegou desprevenido. Quando estávamos sentados na areia, depois de entrar no mar, eu senti uma eletricidade entre nós.
— Eu também. Por isso te beijei... Foi mais forte do que eu.
Nathaniel sorriu. — Antes disso, eu fiquei com vários pés atrás, porque Júlia tinha me dito que você era conhecido por não ficar muito tempo com a mesma pessoa. Então depois do beijo da praia, eu ainda não queria aceitar que tinha gostado, e também não queria ter esperanças...
Castiel virou, e o olhou. — E agora? Você ainda tem medo de aceitar?
Ele pensou. — Talvez.
— O que quer que eu faça? Para você aceitar?
— Não sei. — Deu risada. — Eu só queria saber uma coisa. Aqueles dois vídeos que você postou no seu facebook... Tocando sua guitarra e cantando...
— Sim — disse rápido. — Era para você. Mesmo sabendo que você não veria, eu queria postar.
— Mas no primeiro você disse que era para Dragon.
Revirou os olhos. — Até parece. Só disse aquilo para o pessoal não comentar de que eu estava cantando para alguém. Mesmo que não tenha funcionado muito... Mas como você viu?
— Pelo facebook da Júlia... Viu? Ela nos ajudou bastante.
Ele riu. — É, estou vendo... Quer que eu ponha no facebook que estou com você agora?
— O quê? Não. Para quê?
— Talvez assim você acredite. Ou quer um anel de compromisso?
— Anel? Com certeza alguém na escola suspeitaria.
— Foda-se o pessoal da escola. Não ligo que eles descubram ou que esfreguem na cara deles. Quero saber de você. Quero saber se você ainda tem medo de aceitar.
Sorriu. — Depois disso tudo? Não, não tenho medo de aceitar. Já aceitei. E se você der algum tipo de mancada, a Júlia fará justiça por mim.
— Claro. — Deu risada e o apertou contra si. — Então posso trazer minhas coisas?
— Sim. Dessa vez elas não precisam ficar nas caixas atrás do sofá.
— Ainda bem... Então talvez teremos que comprar um guarda roupa maior.
— Por mim tudo bem. Veremos isso. Algo mais?
— Você vai ter que me ajudar a vender algumas coisas, tipo móveis, panelas, sei lá.
— Você vai acabar fazendo uma venda de garagem.
— É uma boa ideia.
— Primeiro se preocupe em trazer tudo pra cá, depois vemos isso.
— Eu sei... — O beijou.
Nathaniel retribuiu o beijo e se aconchegou nos braços de Castiel. Dragon e Branca entraram no quarto, e subiram na cama, deitando nas pernas de ambos.
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