Apenas Colegas de Apê
60 Ponto final
Notas iniciais
Contei tudo. Desde a primeira vez que reencontrei o Taylor no McDonald's até hoje. Falei que hoje mesmo descobri que ele e a Stacy são irmãos, falei da Alice, falei tudo o que era necessário pra ele entender bem a história.
– Eu sei que eu errei. Errei feio. Devia ter ficado enrolando o Taylor, até o Steve chegar, mas não sei o que se passou na minha cabeça. Por um momento, até pensei que eu estivesse gostando do beijo, que eu quisesse ele.. mas.. eu não sei. Não sei como pude querer beijar outra pessoa quando tenho o Steve do meu lado. Tinha, na verdade. Eu tentei explicar pra ele, mas ele não quis me ouvir, ficou só lá, me xingando, falando um monte de coisas horríveis sobre mim. Acredite se quiser, mas ele disse que eu podia ter beijado até o Peter sem ele saber. O PETER! Ele é meu irmão!
– O Steve passou dos limites. — ele disse.
– Passou dos limites? Ele esqueceu completamente que essa palavra existia, ele só queria saber de me ofender. Seu lado machista não o deixou nem sequer me ouvir. E quanto ao nosso amor? E quanto tudo que nós prometemos um para o outro, tudo o que vivemos juntos? Ele se esqueceu de tudo. E tudo o que ele falou, me fez perceber que talvez eu não o conhecesse tanto quanto pensava.. — falei alto , e em segida abaixei o tom. — E sabe, isso é horrível. Eu me entreguei à ele, me entreguei completamente. E agora parece que todos os meus esforços foram em vão.. E a culpa é minha.
– A culpa não é toda sua. Você errou mesmo, mas ele tinha a obrigação de te ouvir, pelo menos tentar. Tinha necessidade de te xingar em público? Te chamar de galinha, de mentirosa, de infiel?
– Mas isso não teria acontecido se eu não tivesse beijado o Taylor.
– Eu sei que não. Mas, para de se culpar, isso só vai fazer você sofrer mais. Se vocês se amarem de verdade, nada vai separar vocês. E não importa quanto tempo passe, o amor vai continuar vivo dentro de vocês. Se for pra acontecer, vai acontecer, independente de qualquer coisa.
– Eu amo o Steve. — falei, deixando cair uma lágrima.
– Eu sei que ama. E sei que ele também te ama. Então, fica tranquila, curte sua vida, e eu tenho certeza que um dia vocês se acertam! Fica bem, baixinha. — me abraçou. A cama dele nunca foi tão confortável. Em todas as vezes que estive lá, assistindo um filme, jogando vídeo game, fazendo algum trabalho , estudando para uma prova, ou apenas conversando sobre uma coisa séria ou qualquer futilidade, ela era uma cama normal, mas hoje ela parecia melhor. — E saiba que sempre que brigar com um namorado é só correr aqui em casa que o pudim da minha mãe vai estar na geladeira, a minha cama aqui e meu ouvido todinho pra você! — eu sorri.
– Falando em pudim — me soltei do abraço e olhei pra ele — tem mesmo um na geladeira?
– Tem. Só um pedaço.
– Quem chegar lá embaixo primeiro, come! — disse e saí correndo. Ele me seguiu. Quando eu tô com ele, parece que a gente tem 9 anos. Como eu queria ter conhecido o Liam antes...
O pedaço do pudim não era tão pequeno assim, mas acontece que o pudim da mãe do Liam é tipo, O PUDIM. É simplesmente o melhor.
Sentamos na mesa e comemos juntos. Quando descemos correndo, os pais dele ficaram nos olhando como se a gente tivesse algum problema, mas logo depois fizeram uma cara meio que "Ah, é a Rachel". Os pais dele são muito, muito, muito legais. Já dormi aqui várias vezes e eles sempre foram uns amores comigo.
– Mãe. — o Liam chamou. Ela apareceu na cozinha.
– Algo me diz que vocês querem mais pudim. — ela sorriu.
– Sim, tia ! — falei.
– E essa cara de quem chorou, Rachel? — perguntou.
– Ah... acontece, né. — dei de ombros. O Liam percebeu minha cara de quem ia começar a chorar de novo e disse :
– Mãe, pudim não. Acho melhor você fazer um hambúrguer enquanto eu arrumo umas roupas e uma toalha pra Ray tomar um banho, porque ela precisa descansar. — sorriu, me abraçou de lado e me deu um beijo na bochecha.
– Tá bom, pode deixar. Essa noite teremos uma hóspede.
***
O hambúrguer estava ótimo, e eu estava com uma fome que nem sabia. Comi, escovei os dentes e precisava mesmo dormir.
Achei que não fosse conseguir, que ia ficar chorando e tal, mas não... dormi muito bem, aliás. Acho que estou melhor do que imagino.
Quando acordei, olhei no meu relógio e vi que era meio dia. Ainda bem que não trabalho de domingo, senão eu tava ferrada. O Liam entrou no quarto no mesmo instante.
– Bom dia. — sorriu. Deu um beijo na minha testa e sentou na cama. — Liguei pro Peter, expliquei tudo pra ele e ele disse que iria lá com a Dyl pra pegar tudo seu.
– Obrigada. Você é sempre incrível. Eu devia ter te dado uma chance.. — comecei.
– Nem termina. Eu sei que não daria certo, e eu não quero estragar a nossa amizade por nada.
– Por que sabe que não daria certo?
– Eu sinto isso... mas, só me responde uma coisa, com o mínimo de palavras que conseguir : você se arrepende do que viveu com o Steve?
Vasculhei meus pensamentos. Valeu a pena? Me doar, me dar ,pra uma pessoa durante todos esses meses? Deixar de viver muitas coisas, conhecer muitas pessoas por causa de uma? Eu não sabia no começo, e nem sabia do final, mas com certeza não me arrependo de ter vivido esse tempo com ele. Poxa, eu nunca fui tão feliz. Ele conseguiu isso. E, será que esse é realmente o final? Será que acabou, ou que esse ponto foi apenas pra começar um novo parágrafo?
Eu não sei, e nem quero saber.
Fui feliz com o que vivi, e espero ser feliz novamente com o que virá de agora em diante.
– Não. Nem um pouco.
– Isso que importa. — olhou nos meus olhos. — Agora levanta, dorminhoca.
Levantei. Eu estava com a camiseta e uma bermuda dele. Uma gata.
– Você fica linda com a minha roupa. — inevitavelmente, eu lembrei do dia que eu e o Steve começamos a namorar, eu fui para o Apê e coloquei a camiseta dele do batman.
Por mais que eu tente, eu não vou conseguir esquecê — lo nem tão cedo.. o que a gente viveu foi muito intenso, muito real.
Dói muito imaginar que não haverá um novo parágrafo, um novo capítulo na nossa história. Mas, os livros que li desde muitos anos atrás sempre me mostraram que o ponto final é essencial. Nem sempre sempre é um final.
Às vezes é só uma pausa para o que o futuro nos reserva.
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