Apenas Colegas de Apê
57 Primeiro dia de trabalho com revelações
Notas iniciais
Sábado chegou! Minha ansiedade já estava irritando o Steve, e isso não é uma suposição, ele mesmo quem disse.
– Amor! Não seja assim. Me entenda. Eu tô feliz!
– Mas você tá muito feliz. Não sou obrigado a aguentar gente feliz ,não.
– Na verdade, é. Prefere me ver quieta e triste?
– Quieta, sim.
– Nossa, como você é chato. — bati no balcão e levantei. Quando eu comecei a subir a escada, ele me puxou.
– Eu tô brincando com você. — sussurrou no meu ouvido.
– Isso não muda o fato de você ser o cara mais chato do mundo. — fiz cara feia e virei o rosto.
– Você fica linda brava.
– Eu sou maravilhosa sempre. — brinquei, mas sem rir.
– Que bom que sabe disso. — me disse e deu um beijo na minha bochecha.
– Tenho que me arrumar.
Já tinha tomado banho e café da manhã, só precisava me maquiar, me trocar e sair.
O uniforme é bem simples. É apenas uma camisa polo vermelha, com AML escrito em preto, na altura do peito direito. A tal Gabriela me deu 3 dessas, tamanho M .
As únicas exigências são : calça jeans, sempre; maquiagem discreta e nada de salto. Nada disso me afeta, tirando a calça. Mas eu já sabia que não poderia trabalhar de shorts.
Quando fiquei completamente pronta, desci e pedi para o Steve me levar. E sim, agimos como se nada tivesse acontecido.
Nossas brigas são todas assim. Discussãozinha básica que depois é esquecida. Claro, que já brigamos feio, uma vez, por causa ... daquilo. É, isso mesmo.
A gente namora, e eu preso muito minha moral. Então, não temos uma vida de casados. É muuuito raro eu dormir com ele, é cada um no seu quarto. Uma vez, ele tentou me pressionar, e eu não quis. Ele disse que era homem e sentia falta. E eu disse que o azar era dele, que eu não queria e não ia fazer. Ele se revoltou, e disse que então, arrumaria alguém que fizesse. Depois dessa frase, fiquei quieta e não falei com ele por uma semana. Depois, ele veio me pedir desculpa e disse que não se importava com isso. Que ele me amava e não era por isso que ia deixar de amar. Eu ainda estava brava, mas deixei pra lá. Essa foi a única vez que brigamos feio mesmo.
Cheguei na AML, e me disseram para ficar na área de leitura, que é onde as pessoas costumam pedir ajuda e tal. Fiz isso .
Fiquei zanzando por lá, conhecendo cada seção. Precisava decorar onde cada livro ficava, pra saber quando alguém me pedisse.
A primeira que fui, era de romance. Vi A Culpa é Das Estrelas, Um Amor Para Recordar, Querido John, P.S Eu Te Amo, Crepúsculo, e outros livros que tenho. Também vi alguns que eu queria comprar, e outros que eu nunca tinha visto e gostei da história. Vi a trilogia Divergente, A menina que roubava livros, O Morro dos Ventos Uivantes, Cidades de Papel, Deixe a Neve Cair (esse está no grupo dos que eu necessito levar pra casa hoje), e muitos outros. Era o paraíso. Depois de uma meia hora boiando lá dentro, comecei a ficar entediada.
Todas as outras meninas estavam falando com alguém e eu, falando com os livros. Minha companhia era uma prateleira, e a capa do livro da Peppa Pig me fazia rir. Que bosta.
– Hm.. Será que poderia me ajudar? — uma menina me cutucou. Eu quase a abracei.
– Claro. — sorri pra ela.
– Eu meio que vou ler obrigada, minha mãe quer que eu entre de cabeça nesse "mundo literário". — fez aspas com os dedos. — Então não sei bem o que quero ..
– Olha só que coincidência. Hoje é meu primeiro dia de trabalho e você é minha primeira cliente.
– Isso é bom? — ergueu uma sobrancelha.
– A gente pode fazer ficar. Me fala sobre você. O que gosta de fazer, o que não gosta, e tal..
– Meu nome é Alice. Tenho 13 anos e gosto de coisas diferentes. Gosto muito de esportes, música, filmes de ação.. romance.. tá, eu gosto, mas nada de melação. Entende?
– Sim. E, aliás, já sei o que te recomendar. A Trilogia Divergente.
– Trilogia? Algo me diz que vai me fazer levar logo 3 livros. — diz e eu dou risada.
– É, são três livros. Mas, a gente pode fazer o seguinte : você leva o primeiro livro hoje, e se gostar, leva o resto outro dia.
– Okay. Você é legal.. Como é o seu nome?
– Rachel. E obrigada.
– Okay, Rachel. Tem certeza de que esse livro é bom?
– Sim! Ganhei do meu namorado no meu aniversário e fiquei viciada. É incrível. Vamos lá pegar? — pergunto, e ela assente. — Não sei bem onde ele fica, Alice, mas peço que tenha paciência comigo e me ajude a procurar. — peço.
– Sim, eu te ajudo. — ela sorri. Começamos a vasculhar as prateleiras. Ouço o celular dela vibrar no bolso da calça. Ela pega, olha e sorri.
– Ler mensagem sorrindo.. época boa. — sorrio também. Percebo que ela fica com vergonha. — Ei, não fica vermelha. Foi só um comentário.. quer me contar?
– Hmm.. Será que a gente pode sentar lá? — pede. Puxo o livro da prateleira e a levo até a mesinha.
– Me fala. Quem sabe eu não posso te ajudar? — falo, sentando.
– É que... tem um menino. Ele é mais velho que eu... — hesitou.
– Mais velho quanto?
– Ele tem 18.
– Hm.. mas vocês namoram?
– Ele diz que eu sou a namoradinha linda dele. A gente fica quando se vê, vai ao cinema e tal... mas ele não me deixa contar pra ninguém.
– Alice, isso não é certo. Não deixa ele fazer nada que você não queria, e se acontecer, você tem que contar pra polícia. Você não é mais criança, mas você é menor.
– Eu sei. Olha, ele me mandou outra mensagem. — sorriu. Isso estava começando a me preocupar.
– O que ela diz?
– Que ele foi buscar a irmã dele no aeroporto. Que ele acabou de chegar lá e a Tay, como ele a chama, já foi liberada do reformatório que ela tinha sido colocada por mau comportamento.
– Tay. — sussurro pra mim mesma.
– É. O Taylor a chama assim, eu nem sequer sei o nome dela.
– Ai. Meu. Deus. — agora, eu com certeza estou preocupada. Alguém já entendeu meu raciocínio? O Taylor, meu ex, tinha uma irmã, que ele chamava de Tay. "Tay", é um apelido para "Stacy, e a Stacy que eu conheço, foi manda para um reformatório por mau comportamento.
– O que foi?
– Nada, não. Só me promete uma coisa?
– Tá bom. O que foi?
– Não me esconde nada sobre vocês, tá?
– Por que?
– Ah, porque pode ser que eu possa te ajudar, te aconselhar sobre isso. Você é bem novinha e pode acabar quebrando a cara. Eu gostei de você..
– Ah, tá bom. Conto sim. Agora, eu vou levar esse livro logo antes que minha mãe me proíba de sair de casa.
– Okay. Assim que terminar, volta aqui para me contar se gostou e pegar o próximo.
– Tá bom, Rachel. Obrigada. E boa sorte com os próximos clientes. — sorri e ela foi para o caixa.
Eu fiquei com aquilo na cabeça. Certeza que é o Taylor que eu conheço. E o pior, o a STACY é IRMÃ dele. Talvez aquela implicância comigo não fosse só pelo Steve. Talvez, tenha dedo do Taylor nessa história. Ai, é uma bosta mesmo.
Ele tem 19 anos. A Alice tem treze. Ele, com certeza, está se aproveitando dela. Ela é muito novinha, não vai saber a hora de parar. Eu, realmente, estou muito preocupada com ela.
***
O resto do dia foi bem tranquilo. Atendi umas pessoas que já sabiam o que queriam, nem precisei falar muito. Apenas disse meu nome para que falassem no balcão (é assim que funciona a comissão), procurei o livro, disse se era bom ou não, se já li ou não e pronto.
Falei com algumas meninas de lá, são legais. E no fim do dia, estava cansada.
Cinco horas eu bati o cartão (eu tinha um sonho de falar isso) e fui embora.
No estacionamento, encontrei o Steve.
– Você não vai acreditar. — eu falei. sem nem dizer "oi".
– O que foi?
– Conheci uma menina de 13 anos, a Alice, e ela foi me contando umas coisas e descobri que ela namora o Taylor, meu ex, escondido dos pais.
– Que cafajeste! Nossa, se eu pego um cara desse eu bato TANTO.
– Calma, você não ouviu o pior. Ele tem uma irmã. Eu sempre soube disso. Mac nunca tinha reparado no sobrenome dele, e de outra pessoa. E em como o apelido que ele a chamava era parecido com o nome de uma certa pessoa.
– Já pode ser atriz da novela das nove. Quanto suspense!
– A Stacy. É irmã dele.
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