Apenas Carnal.
30 Capítulo 30
Notas iniciais
Boa leitura meninas! Ate la em baixo!
Colocou a mão junto ao peito, confortando um aperto que se fez ali. Algo lhe dizia por dentro, que a vida de sua melhor amiga jamais seria a mesma.
Ela estava dirigindo em alta velocidade, há mais de trinta minutos, e ainda faltava bastante para chegar ao apartamento dele. Parou em um sinal fechado, olhou para um marcador de data e temperatura que estava na esquina, marcavam 12 graus positivos em uma manhã de sábado.
Aumentou o aquecedor do carro, como se olhar a temperatura lembrasse seu corpo que estava frio, e continuou seu caminho.
Era uma mescla de emoções, nenhuma delas eram boas, era uma mistura desregulada de ódio, mágoas, decepção, dor, angustia, depressão. Isso estava acabando com ela aos poucos, teve que esperar cinco minutos no carro, tomando fôlego e coragem, para enfrentar uma ilusão que se tornou a pior de sua realidade.
-Kristin! Que surpresa! – Jessica a atendeu sorridente, Kristin devolveu o sorriso, em consideração a inocência da menina nessa historia toda.
-Oi Jessy, queria falar com seu irmão, ele está?
-Está no quarto, estudando, sabe como é, provas finais, formatura...
Kristin ignorou suas palavras, estava atordoada de mais para entrar no bom humor inabalável da adolescente. O apartamento era composto de uma sala e cozinha americana, um quarto e um banheiro.
Então ela entrou no quarto de Sammy sem hesitações, ele estava deitado lendo um livro, e tinha mais uma dúzia ao seu redor na cama.
Nota mental inconveniente: ele estava sem camisa e usava óculos de leitura.
Engraçado foi o susto que Sam tomou quando olhou para a sua frente e viu a figura fantasmagórica o encarando como se fosse um estranho, saltou da cama, ficando de pé parado à sua frente.
-Kris... – ele nem sabia o que dizer, pelo o olhar e a aparência dela, não parecia ser nada bom. Ele já tinha entendido que Patrick tinha descoberto tudo sobre os dois. – Ele... Como ele...?
-Sam, você saiu comigo por dinheiro! – não foi uma pergunta e sim uma acusação.
Os olhos arregalados dele somente confirmavam o que ela ainda hesitava em acreditar. O choro que tinha acalmado, mais uma vez tomava conta de si.
-Kristin...
-Eu estava certa no começo não é?
-Kristin me deixe explicar tudo... É uma historia longa...
-Me diga Sammy, eu estava certa desde o começo, a única maneira de um homem olhar para mim era pagando não é?
-Kristin, não me sinto mais assim, eu amo você! Eu não queria ter te conhecido nessa situação, mas foi o que aconteceu. Qual é Kristin, eu sempre... Trabalhei assim... Nunca imaginei na minha vida, que eu fosse amar tanto alguém como eu amo você.
-Por que não me contou? – ela sussurrou, como uma súplica, já estava perdendo as forças até para sentir raiva.
-Eu ia contar tudo a você. Mas você estava tão iludida sobre quem eu era que tive... Medo de contar a verdade para você. Eu fui um covarde Kristin, mas eu nunca senti tanto medo de perder alguém... Desde a morte dos meus pais.
“N.A: Ouvir — If Everyone Cared, do Nikelback, não consegui postar o link do Yotube porque minha net está muito ruim.”
Então dessa vez, ele não segurou, e as lagrimas teimosas, deixaram seus olhos, escorrendo amarguradamente por seu rosto. Ele respirou fundo, e franziu os lábios, numa tentativa de controlar um choro que seria ridiculamente infantil.
-Não queria que descobrisse desta forma... Mas eu ia te contar a verdade...
-Quando você ia me contar? Depois de alguns anos, quando tudo isso parecer uma piada? – ela disse, amarguradamente sarcástica. Ela mesma deu uma risada de seu humor negro. – Você tem idéia de como me sinto com tudo isso? Vocês ao menos pararam para pensar como eu me sentiria, sabendo que minha amiga tem que pagar cinqüenta mil, para um cara se interessar por mim? Pois aqui estou, mostrando a você como me sinto...
Ele se sentou na cama, como se o olhar dela o deixasse fraco, aliás, ele sempre o deixava assim, fraco, propício, mas de uma forma boa, viciante. Mas ali, foi como uma facada em seu peito.
-Me desculpe. – das milhares de coisas que se passaram em sua mente, foi a que achou mais aceitável naquele momento.
-Sammy, o que mais dói, é que eu preferia ter continuado na ilusão, e não saber nada, por que eu vivia um sonho ao seu lado. Eu não queria acordar... Mas me acordaram... – ela deu uma pausa, para tentar acalma seu choro, acalmar seu coração. – Eu não queria saber de tudo dessa forma, por que assim faz todo o resto parecer mentira.
-Mas não foi... Amei você desde o momento em que a segurei nos meus braços... E sempre vou amar...
Ela sorriu, amargurada.
-Patrick me disse a mesma coisa... É incrível como vocês dois são tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão parecidos...
Ele ergueu a cabeça para poder encará-la, e quase não reconheceu a mulher parada em sua mente, que olhar era aquele? De desprezo? De repulsa?
-Valeu à pena? – ela perguntou de repente.
-O que?
- O dinheiro que Carlie pagou a você?
-Se olhasse em volta, perceberia que não estou mais com esse dinheiro.
-Mas enquanto esteve com ele? Enquanto eu não passava de um trabalho para você? Nunca pensei que você desceria tanto assim Sammy...
-Não seja hipócrita Kristin! – ele exaltou, levantando da cama brutamente. – O que eu faço nunca foi segredo para você, sempre saí com mulheres por dinheiro, e você nunca pareceu ligar para isso, por que liga agora que é com você?
-Por que você dizia que me amava, olhando nos meus olhos... Você fazia isso com as outras também? – e mais uma vez ela o desarmou. Mas Sammy não deixou se abater.
- Kristin. – a voz de Sam rouca chegava a ser engraçada, mas ele não controlava mais suas emoções. – Olha para mim, e olha para você... Somos de mundos completamente diferentes. E eu não vou te obrigar a entender por que fiz isso, por que sei que é inútil... Você nunca passou por isso, sempre teve alguém para te ajudar em alguma coisa...
-Nem sempre foi assim Sam, você sabe muito bem que...
-Que você era pobre antes de casar? – ele a interrompeu. – Mas você tinha a sua mãe, que com certeza sempre fez de tudo por você, que sempre te protegeu que sempre cuidou de você. – desta vez ele a desarmou, a respiração dele era rápida de mais para ele raciocinar em suas palavras – Você não sabe o que é ter que proteger alguém, quando é você que precisa de proteção Kristin... O que é ter alguém dependente de você, quando você nem sabe ainda o que é ser independente... Você nunca foi sozinha Kristin, sempre teve alguém por você, sua mãe, seus amigos, até mesmo o seu marido. Então não venha dizer que estou errado, em tentar dar uma vida melhor para aqueles que eu amo...
-Sammy...
-Se fosse você e Luka, você faria diferente?
-Não mentiria pra você, isso eu nunca faria... – ela respondeu prontamente. Enxugando as lágrimas quentes de seu rosto. – Então é isso? Acabou tudo?
Houve uma grande pausa, para que eles se movesses do lugar. Até que ele Fez o primeiro movimento. Respirando fundo e acenando com a cabeça.
-Vai pra casa Kristin... – ele mandou, em um tom completamente diferente. Era algo autoritário, e meio debochado, mas ela sabia que era apenas uma máscara.
-Obrigada Sam... Você cumpriu sua parte no contrato, você me mudou, me fez sentir melhor, me fez ganhar forças e vontade própria, e isso eu não vou esquecer.
E foram suas ultimas palavras, e desta forma saiu do apartamento. Desconsolada, porém revoltada, estava cansada de ser enganada e de ser humilhada, prometera para si mesma que nunca mais em sua vida, se permitiria sofrer por um homem como está sofrendo agora, a dor aos poucos estava endurecendo seu coração. Uma decisão grandiosa e importante se formava em sua mente, enquanto ela caminhava até o carro.
A respiração pesada dele, era mais que eminente a dor que ele estava sentindo, era algo insuportável, lhe causava rancor, ódio, raiva... Todos os sentimentos ruins que a mente pode possuir, se misturavam dentro de seu peito.
Ele precisava aliviar um pouco aquela pressão, faria mal ao seu psicológico, e ele não queria ficar louco às vésperas de sua formatura. O punho fechado batendo contra a porta do roupeiro foi o suficiente... A porta quebrada em um buraco era o que menos importava agora, naquele momento ele só queria aliviar aquela dor, queria arrancar seu coração do peito, queria esmagar seu cérebro, não importava com qual dos dois ele sentia... Só que ria fazer a dor parar, ele não conseguia fazer a dor parar.
-Sammy! O que aconteceu! – Jessica entrou no quarto, assustada com o barulho que tinha escutado da cozinha, Primeiro Kristin passou e nem sequer olhou para ela, depois seu irmão estava naquela situação, só significava uma coisa.
Sam apoiava o braço na parede e com o mesmo escondia seu rosto, ele pareci tentar se acalmar, ou parecia tentar esconder que estava chorando. Ver seu irmão naquele estado era o ponto fraco de Jessica, pela primeira vez ela ficou calada, não ousou comentar sobre nada, nem perguntar, simplesmente atravessou o cômodo e o abraçou, seu corpo pequeno se igualava a de uma criança quando comparado ao dele, seu ombro tão pequeno parecia inútil para alguém daquele tamanho. Ela odiava se sentir assim, tão incapaz de protegê-lo, tão insignificante que mal podia confortá-lo.
Mal sabia que seu abraço era a única coisa que aliviava a dor dele naquele momento.
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Já passava do horário do almoço quando ela chegou a sua casa, ignorou o bom dia de todos os empregados e foi direto para seu quarto. Entrando em seu closet, e alcançando as malas que ficavam nas prateleiras de cima, tendo que ficar nas pontas dos pés.
E ela conseguiu a proeza de derrubar todas as malas no chão, algumas caindo em cima dela, mas nada que lhe machucassem. Pegou as duas maiores e as abriu sobre a cama.
-Não precisa ir embora agora, pode ficar aqui o tempo que precisar. – ele surgiu pela porta, já recomposto do estado que estava pela manhã. Os cabelos penteados, a vermelhidão dos olhos tinha melhorado, estava lindo como sempre conseguia ser, ao contrário dela. Os cabelos emaranhados mal escovados, a deixavam com a aparência de uma bruxa.
-Não vou embora hoje, mas já vou começar a arrumar minhas coisas desde já.
Ela virou de volta para a cama e pensou que ele tinha ido embora, mas ele continuou lá, observando cada movimento que ela fazia.
Ao decorrer do tempo, uma das malas já estava quase cheia, estranhou as roupas que ela tinha escolhido todas antiquadas e simples, logo percebeu que estava colocando somente as roupas que ela tinha antes de se casar.
-Não vai levar nada das roupas novas? – ele perguntou, fazendo-a tomar um susto.
-A maioria não, são todas sofisticadas de mais, não vou ter onde usar isso.
-Decidiu ficar com ele mesmo assim?
-Não Patrick! Não é da sua conta. – ela respondeu rispidamente.
-E Luka?
-Ele vai ter que ficar aqui alguns dias, até eu terminar de montar o quarto dele.
-Já sabe onde vai morar? – ela respirou fundo, ele estava curioso de mais, estava irritante.
-Vou voltar para a minha casa em Albany. Com o dinheiro da herança que minha mãe me deixou vou usar para reformá-la.
-Se quiser eu posso cuidar disso...
-Não! – saiu quase um grito. – O que foi Patrick? Hoje está no seu momento anjinho?
-Minha esposa está indo embora, não tenho o direito de sentir nada?
De todas as coisas ruins, ignorantes, sarcásticas que tinha a dizer, ela preferiu o silencio. E continuou a colocar as coisas na mala.
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Uma tarde inteira, foi o tempo que ela demorou para arrumar metade de suas coisas, não que ela tinha muita coisa, mas só queria ter certeza de que não precisaria ter que voltar para pegar nada. Das coisas que Patrick lhe deu, levou apenas algumas camisas simples, suéteres e calças jeans, nossa, há quanto tempo ela não usa uma calça jeans? Sempre andava de vestidos, saias, sobretudo. Sempre elegante demais. Jóias, levou quase nada, apenas alguns brincos pequenos, e alguns cordões “pingo de luz”.
No outro dia, já estava indo para Albany, de carro, queria cuidar de tudo o quanto antes, a viagem era cerca de três horas de carro, e somente quando atravessou a famosa ponte de Cordas que liga a Ilha de Manhattan com a capital, foi que lhe caiu a ficha do quanto sua vida seria mudada daqui para frente. Olhou para traz por um breve segundo, olhando a estátua da liberdade que, segurando aquela tocha, parecia que acenava dizendo adeus.
Liberdade, ela estava caminhando para a sua liberdade.
Um sorriso no rosto ela se convenceu de que tudo seria melhor daqui para frente.
(continua)
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