Apenas Carnal.
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Ela estava mais aliviada em estar tudo bem com ele, mas não entendia o porquê, afinal, ela mal o conhecia, e mesmo se importando muito com as pessoas, achou estranho esse seu comportamento com Sam, era como se ele fosse seu melhor amigo... Ou até mais que isso.
Depois de duas musicas, eles pararam e voltaram para o bar, Kristin acabou não se contentando somente com o coquetel de 500 dólares. Decidiu pedir a boa e pura Tequila, Sam, ficou com seu Magie Noir.
Tomou a dose de uma só vez, fazendo uma careta, não estava acostumada a tomar bebidas puras, olhou para Sam, e corou, ele a olhava de uma forma penetrante, e até analítica.
–O que foi? – ela balbuciou, tentando chamar sua atenção.
–Estou tentando entender, como uma garota como você, vive uma vida tão complicada.
–Como você sabe sobre minha vida?
–Ontem à noite, conversamos muito, sobre muitas coisas.
–Sobre o que, por exemplo? – Kris já estava ficando preocupada, nem se quer conseguia imaginar as idiotices que fez ontem à noite. – Aliás, que tipos de loucuras eu fiz, ou disse ontem a noite?
Ele colocou o copo no balcão, e deu uma risada divertida. Kris já estava ficando incomodada com o jeito debochado dele. Mas antes que dissesse algo, ele a puxou gentilmente pela mão e a levou em direção a pista de dança, Kristin ia protestar, ainda não tinha terminado com seu copo de Tequila.
Estranhou quando eles passaram direto pela pista, e ele já estava perto da saída, cumprimentou os seguranças da boate, e eles estavam fora da boate quando ela conseguiu perguntar.
–Onde estamos indo?
–Calma você vai já saber.
Pararam para atravessar uma rua, chegaram do outro lado, que era um pracinha cheia de jardins e arvores, parecia um pequeno bosque.
–Dançamos muito ontem, quase duas horas seguidas, então você disse que ia vomitar, e eu te trouxe para cá para tomar um ar fresco.
–Não me lembro dessa parte.
–E como lembraria? Estava quase dormindo. – Nessa hora ele percebeu que não tinha soltado a mão dela, e os dois estavam passeando como um casal de namorados largou sua mão, um pouco constrangido com isso. – Então nos sentamos aqui. – ele apontou para um banquinho de praça, que estava no meio de suas arvores largas e de galhos compridos. – E... você vomitou no seu vestido, isso foi engraçado.
–Está brincando né? – Por favor diga que está? Ela completou em sua mente.
–Não verdade, eu estava com uma garrafinha de agua na mão e você usou para se limpar e...
–Vamos pular essa parte?
–Ok. Depois você se sentiu um pouco melhor, respirou um pouco e começou a chorar.
–A chorar?
–Sim, então você começou a desabafar, falou sobre sua vida, sobre seu filho, Luka no nome dele não é? Me contou sobre seu marido, e... Você tentou... – sua voz falhou na ultima parte, Kris o olhou e ele estava com os lábios comprimidos, como se quisesse falar algo, mas não sabia se devesse. – Bom, você deve saber o que estou falando.
Demorou um bom tempo para Kris entender, no começo sua mente pensou coisas despudoradas, como tentar agarrá-lo e beijá-lo. Mas quando deixou as safadezas de lado se tocou de que era bem pior, ela tinha lhe contado sobre sua tentativa de suicídio. Fechou os olhos, franzindo o cenho, em total reprovação e vergonha disso.
–Você deve achar que eu sou do tipo que tomas remédios tarja preta para dormir né? – Tentou metaforizar, se lembrando em seguida que ela realmente tomava tarja preta para dormir.
–Não necessariamente, você um pouquinho louca. – ele a olhou, lhe lançando um olhar gentil e amigável, esse era seu olhar natural. Kris já achava aquilo um charme. – Mas de um jeito bom.
Ela sorriu e se sentou no banquinho da praça. Perguntou-as mais uma vez o que estava fazendo alí. Apesar de tudo era uma mulher casada e tinha um filho, não era mais menininha de balada. E estava agindo como uma naquela hora. Sam se sentou ao seu lado.
Patrick podia ser um canalha, mas ela sempre dizia que jamais desceria de nível e o traísse como ele já fez e talvez ainda faz. Sempre quis se mostrar diferente, se mostrar uma pessoa de classe que não se submetia a esse tipo de papel.
Seu pensamento mudou quando sentiu uma mão tocando na sua. Olhou para Sam, assustando-se em ver o quanto ele estava perto, se prendeu em seu olhar como se tivesse sido pega em uma armadilha, e naquela forma ficou imóvel, sem reação, e o único pensamento que se passava em sua cabeça era o quanto era bom e excitante o perfume dele.
–Você ainda não me respondeu. – ela pode sentir o hálito dele, um misto de menta e álcool, que a fez sentir calor. – Como uma garota como você, vive uma vida tão complicada?
–Como assim uma garota como eu? – perguntou, curiosa.
–Uma garota como você não devia derramar lágrima por homem nenhum, pois pode simplesmente escolher com qual ficar. – sabe aquele sorriso bobo e derretido de mulher ao receber um elogio? Kristin quase deu um desses. Mas sabia que ele estava apenas sendo gentil.
–E que tipo de homem se interessaria por alguém como eu? – seu tom dessa vez foi apenas um sussurro, pois já estava de desvencilhando sob o olhar tão envolvente dele.
–Alguém como eu. – respondeu, de uma forma monótona e decisiva.
Ela tentou responder, tentou ao menos pensar em responder, mas já era tarde, a boca de Sam já cobria a sua. Os lábios dele pressionando o dela, de uma forma calma e carinhosa, a fez destruir qualquer barreira, qualquer opinião e qualquer filosofia de vida. E simplesmente se entregou.
Ela separou seus lábios, dando permissão para ele aprofundar o beijo, que só tentou fazer isso quando ela se moveu, como se pedisse permissão. Isso envolveu Kris em uma sensação do qual há muito tempo não sentia, um beijo que era uma leve pressão passou a ser intenso e erótico, Sam explorava cada pedaço de sua boca, sugava sua língua, tentava mostrar o quanto estava faminto por ela, e beijava de uma forma que levaria qualquer pobre mortal a completa loucura.
Separou os lábios dos dela somente para que ela pudesse respirar, o que Kris já fazia com dificuldade, descendo seu beijo para seu pescoço, a mão agarrou sua nuca com firmeza, a trazendo para mais perto de si. Enquanto a outra explorava o resto do corpo dela, deslizava por suas pernas, apertava seu quadril. E Kristin apenas suspirava ofegante, gemendo baixo, há quanto tempo ela não se sentia tão excitada assim? Há mais de um ano, era a resposta.
E essa secura em que estava foi a que a fez perder o controle, quando se deu conta, ela estava sentada em seu colo, com cada perna em um lado de seu quadril, e desta vez ela era quem o atacava, o beijava ferozmente, uma mão apertava sua nuca, entrelaçando com os cabelos que iam até o pescoço que ele tinha, os puxava de leve, enquanto a outra apertava o musculo rígido de deu braço. Ele a apertava contra si, para que ela sentisse a ereção pulsante em sua calça. E quando ela sentiu, foi que despertou do transe.
–Meu Deus o que estou fazendo? – ela parou de repente, levando as duas mãos a testa, respirava ofegante.
–Kristin? Está tudo bem? – ela olhou para ele, sua boca estava toda manchada com o batom vermelho que ela usava. Ela devia estar da mesma forma, Sam tambem respirava com dificuldades.
–Não, não está. Não acredito que eu fiz isso! O que está acontecendo comigo?
Saiu de cima dele, ajeitando sua roupa e se sentando ao seu lado.
–Por que eu fiz isso? – ela repetia para si, deixando o rapaz um tanto quanto confuso.
–Kristin, está tudo bem. Você não cometeu nenhum crime.—ele dizia, mas ela não parecia escutar.
–Será que estou ficando como Carlie? – parecia que falava sozinha, como se estivesse pensando alto. – Uma mulher tarada que não resiste a homens gostosos? – desta vez ela perguntou olhando para ele, que por sua vez riu divertidamente.
–Quer dizer que me acha gostoso? – perguntou em um tom completamente malicioso.
–Pare com isso Sammy, como se eu não estivesse constrangida o suficiente. – Estava tremula, parecia que realmente estava cometendo um crime. –Vamos voltar, eu... Eu quero ir para casa.
–Se é o que quer. – ele levantou, a puxando pela mão. A conduziu até a entrada sem dizer uma só palavra.
–Ficou chateado de novo? – perguntou por fim, quando voltaram para a pista.
–Claro que não. Por que ficaria?
–Não sei. Só, pareceu.
–Esse é o seu problema. Você se preocupa de mais com as opiniões das pessoas, está o tempo todo tentando agradar, tentando ser legal, tentando ser aceita.
–E qual o problema disso? Afinal, todos são assim não são? As pessoas podem dizer que não se importam, mas no fundo, elas só são felizes se forem aceitas pela sociedade, como por exemplo, os homossexuais, há tantas campanhas, tanta musica, tantos vídeos na internet, falando, sobre não se importar com a opinião de ninguém, sobre seguir em frente... Mas na vida real não é assim, se se sofrem preconceito, se não são aceitos pela sociedade entram em depressão, se tornam pessoas infelizes e amarguradas. No final todos se importam com as opiniões alheias Sammy. –nessa hora estavam de volta no balcão do bar, Sam prestava atenção em cada palavra em que Kristin dizia.
–Você pensa assim?
–Sim, eu penso assim.
–Você não está errada, apenas confundiu aceitação com respeito. O exemplo que você usou, está errado, os homossexuais não procuram serem aceitos, somente querem ser respeitados. Existe uma grande diferença entre respeitar e aceitar, se você não consegue entender a diferença entre esses dois, você ainda é uma pessoa medíocre.
–Medíocre? Está me ofendendo Sam.
–Sim, medíocre, você é o tipo covarde de ser humano, você se importa tanto com uma opinião por puro medo de não ser aceita, e isso te torna medíocre, por causa desse desejo de ser aceita, de ser querida por todos, de ser amada por todos, de querer ser o centro das atenções.
–Você não sabe nada sobre mim. – retrucou, já estava intensamente irritada com as palavras dele.
–Então me prove o contrario. Mostre-me que você pode ser livre Kristin.
– Você pensa que é o quê, algum psicólogo? Fica me julgando como se me conhecesse a vida inteira, você pensa que é quem?
– Apenas um streeper. – murmurou. Os olhos ganhando um traço de mágoa tomou um gole da cerveja que tinha pedido a Matt, e fitou o chão. – Você está certa, não sou ninguém perto de você, afinal, você é a Sra. Sullivan não é?
Um pedaço das palavras deles, a tocaram como uma nostalgia, como se estivesse em deja-vu. “Não sou ninguém perto de você”, lembrou-se que um dia já havia pronunciado essas palavras, lembrou-se que um dia já se sentiu assim. Quando foi pedida em casamento por ele, ela disse exatamente o que ele disse a ela “não sou ninguém perto de você, afinal você é o Sr. Sullivan”.
Então é isso? No final ela tinha se tornado realmente medíocre e esnobe? Capaz de fazer alguém se sentir inferior? Olhou para ele, que ainda continuava fitando o chão, calado. O mesmo poder de superioridade que pairava de Patrick que fazia automaticamente as pessoas, incluindo ela mesma, se sentirem inferiores a ele, se sentirem um nada. Esse poder havia chegado a ela também? Havia sido contagiada por essa síndrome de deus, como se fosse uma doença? Pensando melhor, no final de tudo isso...
–Você está certo. – completou seus pensamentos com palavras. – eu sou uma pessoa medíocre.
O olhar que antes estava no chão, voltou-se para ela, que mesmo com aquela mágoa ainda traçada neles, prestaria atenção em cada palavra que ele sabia que Kristin queria dizer.
–Eu não era assim, nunca me senti superior a ninguém. – procurou olhar mais profundamente nos olhos dele. Para que ele não só ouvisse, mas que também sentisse que suas palavras eram sinceras. – Você é uma pessoa incrível Sam, você é gentil, bem humorado, e atencioso. Não tinha o dever de cuidar de mim quando estava bêbada, mas cuidou... Você não merece a minha companhia, eu sou uma idiota ingrata. Apenas mais uma dessas peruas egocêntricas que frequentam esse lugar. – Então ela se levantou, abriu a bolsa e tirou dinheiro o suficiente para pagar as bebidas que ambos consumiram e deixou no balcão. – Obrigada por tudo Sammy, mas, isso acaba por aqui.
Com um sorriso tristinho, ela virou-se e saiu dalí, foi em direção a área vip, encontrar com seus amigos, estava com um aperto no coração que não compreendia, era como se um pedaço de si tivesse ficado com ele. Até mesmo uma lagrima desvencilhou em seu olho.
Era como se estivesse dentro de um conto de fadas quando estava ao lado dele, estava com saudades de ser desejada por alguém, de ser ouvida, de ser tocada da forma como ele a tocou. Mas ela precisava sair dalí, precisava ir para sua realidade, não era mais uma adolescente que se derretia por palavras bonitas vindas de um homem bonito. Viveu esse tempo sendo desprezada pelo o homem que sempre amou, mas conseguiu viver, e conseguiu uma pequena felicidade vinda de dentro de si, uma linda criaturinha rosada vinda de seu ventre e isso seria o suficiente, não seria?
Não, não seria, tudo o que pensou, tudo o que acreditou ser a verdade, caiu por terra e virou pó, quando sentiu duas mão a pegando pela cintura e a virando de frente para ele.
E lá estava ela, caindo na armadilha dos olhos dele mais uma vez, aqueles olhos levemente esverdeado, a encarando com tanta luxuria e com tanto desejo que a fez ficar de pernas bambas.
–Eu sabia, que no fundo você era aquela garota que eu conheci bêbada ontem a noite, sabia que você não era como as outras. Eu apenas precisava ter certeza de que você era você.
–E por que? – ela disse, ofegante, qualquer tipo de resistência estava se desmanchando com ele a apertando e amassando daquele jeito.
–Por que quando eu segurei você em meus braços ontem a noite, desde aquele momento... Eu decidi que você seria... minha.
E com essas palavras, toda a força de vontade, todo os escrúpulos, e todo seu raciocínio foram poeira abaixo. Restando apenas a vontade de saber como ele era na cama.
Notas finais
o/o/o/o/o/o/o/o/o/o/o/o/o/o/o/o/o/o/o/o/o/o/o/o/
Vish....
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