Notas iniciais
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Seis anos depois...

A água da chaleira estava fervendo, fazendo aquele barulho agudo e irritante. Xingando a mãe de sabe-se lá quem se levantou da cadeira para colocar a agua na cafeteira e preparar o café.

Não fazia muito tempo que tinha acordado, aliás, nem tinha dormido direito essa noite, as olheiras profundas, os cabelos emaranhados e opacos, o rosto abatido era uma das características da insônia que ela sentia nos últimos meses.

O motivo? Ele. Sempre ele, tinha chegado em casa não tinha nem duas horas, bêbado, o cabelo bagunçado, a gravata frouxa, o terno amarrotado, e aquele cheiro doce de perfume barato de mulher.

Os barulhos de passos na escada a despertou de seus devaneios, a levando a colocar rapidamente o café sem açúcar na mesa. Ele descia, já arrumado para ir ao trabalho.

Era, incrível, e injusto, como pode depois de tanto tempo ele continuar tão lindo e bem cuidado? Não tinha mudado aparentemente nada desde a época que se casaram, a única mudança era um pé de galinha que surgiu em cada lado nos olhos deles que o deixava ainda mais charmoso quando sorria. Patrick já tinha passado dos trinta, mas seu corpo bem definido e seu rosto de garoto o pareciam fazer se mais novo do que Kristin, que nesses últimos tempos já não era mais a mesma; nem fisicamente nem emocionalmente.

Acontece que Kristin deixou de cuidar de sua vida para se dedicar ao seu marido, ela o amava tanto, que se dedicava a cuidar somente dele, tinha deixado a faculdade de medicina, abandonou seu emprego, e com isso deixou de cuidar de seu próprio corpo, depois que seu filho Luka nasceu, ela engordou um pouco, e ficou com um corpo que nem com muita dieta e academia não conseguiu abandonar. Não estava feia, mas ela não gostava do que via no espelho, ela gostava do corpo de modelo que tinha, magrinha, seios médios bumbum bem desenhado, pernas finas, toda roupa que colocava ficava linda. Hoje em dia ela é mais o tipo Christina Aguilera, pois seu filho lhe deu com a gravidez um enorme quadril, coxas grossas e uma bunda que mais parecia uma bola de basquete. Sem falar que uma discreta gordurinha caia para fora da calça quando ela sentava.

--Bom dia. – Patrick disse, tranquilamente. Sentando na cadeira e pegando sua xicara de café.

Kristin o encarou irônica por um tempo.

-- Onde esteve esse tempo todo Patrick?

--Oh, meu pai, essa hora da manhã não. – Ele resmungou para si mesmo, olhando-a com uma cara de ternura forçada. – Meu amor, eu estou com dor de cabeça, ontem eu tive tanta coisa para fazer no trabalho.

--No trabalho Patrick? – Ela elevou sua voz a um oitavo. – Não me venha dizer que estava até às quatro da manhã no trabalho? Você viu a forma como chegou aqui? Você lembra-se disso pelo menos?

-- Está vendo? Por isso eu evito qualquer dialogo com você, sempre que tento ser educado você me vem com pedradas no rosto? Eu acabo de acordar e você já me vem com discussões e gritarias? Assim fica complicado ficar perto de você Kristin.

--Patrick. – Ela abaixou o tom de voz, tentando ser o mais paciente possível. – Você chegou carregado por seus amigos ontem, como você quer que eu acredite que estava no trabalho até àquela hora?

-- Você acha que todo esse luxo em que você vive vem de onde Kristin?

Ela ficou calada, Patrick tinha tocado em seu ponto fraco, e ele sabia muito bem que quando queria calar a boca da esposa era só lembra-la o quanto era dependente dele. Não se contentou em ficar somente na pergunta, e continuou a provoca-la.

-- Você acha que seu carro, essa casa, suas viagens é bancado como? Eu Kristin! Eu trabalho naquela empresa feito um escravo, eu tirei aquela empresa da lama quando meu pai a passou para mim, eu fico dia e noite dando duro para que você tenha essa vida de princesa que você tem! E você como me agradece? Insinuando que eu esteja traindo você? Saindo por ai igual um adolescente e me esbaldando até não me acabar mais? Desculpe Kristin, mas meu trabalho não me deixa ter esses deleites. – Tomou o café em um só gole, levantou-se de forma bruta pegando sua pasta executiva e se dirigindo até a saída.

--Patrick espere! – ela falava o seguindo, ganhando apenas a ignorância dele. – Desculpe!

Não sabia se tinha ouvido, pois no momento em que tinha falado ouviu a porta da frente ser batida com força.

Uma lagrima teimosa caiu de seu olho esquerdo, e tentando enxugar as outras que a seguiam ela subiu para seu quarto, a fim de se recompor, tomou um banho, evitando se olhar no espelho nua, escovou o dente. Maquiou-se para disfarçar seu rosto abatido, ajeitou os cabelos, e dirigiu-se até o quarto de Luka, colocando um sorriso no rosto e sua única felicidade já estava acordada no berço, brincando com seus pesinhos, coçando a gengiva com eles, seu dentinho da frente já havia crescido. O mesmo olhou em direção a ela lhe jogou aquele sorriso enorme, que a fazia esquecer todos os seus problemas e preocupações.

-- Mamamamamamama—Luka disparava no “mama” que sossegava apenas quando Kristin o pegava em seus braços.

Deu banho em Luka, o alimentou e depois desceu, as empregadas da casa já tinham chegado quando ela desceu, ele se dirigiu com o filho para a área da piscina.

Colocou Luka em um cercadinho próximo a espreguiçadeira e se sentou ali.

Era hora de seu rosto desenhado pela maquiagem se desfazer, de quebrar sua rocha e se mostrar a garota que ela realmente era.

Kristin se arrependia amargamente de ter deixado sua antiga vida para viver a vida do marido, e hoje não lhe resta nada, sua mãe, sua única família, tinha falecido há três anos, e Kristin se sentiu culpada por simplesmente tê-la deixado sozinha, por não ter pelo menos contrariar os pedidos da mãe e contratar alguém para ajuda-la em seus afazeres, ou simplesmente cuidar dela. Kristin não tinha mais nada, a não ser essa nova vida que ela vivia, por mais magoada e machucada que ficasse com as palavras rudes de Patrick, ele não deixava de estar certo, ela era completamente dependente dele, financeiramente e como mulher também, ela não podia negar que ainda o amava muito, e acreditava que nas condições físicas que se encontrava jamais arranjaria algo melhor do que Patrick. Estava, acostumada com aquele jeito de viver e acreditava que poderia viver bem daquela forma.

Um pouco distante dalí, nas organizações Sullivan no 89º andar, na cobertura, trabalhava o presidente da filial de Nova Yorque. Ele mexia no notebook, preenchendo as planilhas de lucros do mês, no papel de parede da sua área de trabalho era simplesmente o gráfico do aumento de quase 200% nos lucros da empresa desde que assumiu a presidência, o aumento no valor das ações na bolsa de valores era algo que Patrick esfregava na cara de sua mãe todos os dias, pois assim que seu pai lhe entregou a filial em Nova Yorque, as portas estavam se fechando, e a única saída que sua mãe via, era vender a empresa enquanto ela ainda valia alguma coisa. Mas contrariando a ideia de sua mãe como sempre, ele resolveu investir sua vida para trazer a Sullivan’s Corporation de volta para a listas de potencias americanas.

Em outras palavras, essa empresa era o maior troféu de Patrick, ele vivia para ela e se orgulhava disso. Era sempre seu único pensamento, sua única preocupação, tanto que ele mal lembrava que o primeiro aniversario de seu filho era semana que vem.

Ele soltou um gemido alto, sua secretaria nova finalmente tinha acertado como se fazia direito. Ele olhou para baixo de sua mesa, olhando entre suas pernas, e ela sorria vitoriosa por finalmente conseguir dar prazer ao seu tão amado...

--Chefinho? Está gostoso? – Ela perguntou, tirando seu pênis da boca e o acariciando somente com a mão. Ele a olhou menosprezadamente.

-- Eu já disse que é Dr. Sullivan. Continue desta forma que não vai passar da sua primeira semana aqui Sophie. – Ele disse, voltando sua atenção ao computador.

Ele continuava trabalhando enquanto sua secretaria pessoal tentava incansavelmente faze-lo chegar ao ápice, que precisou de quase meia hora para isso.

Sophie engoliu tudo o que podia, não deixando escapar nada pela boca, pois sabia que se sujasse a calça de seu terno Calvin Klein seria demitida na hora.

Ao terminar seu serviço, Patrick apenas lhe entregou os relatórios para que levasse para os acionistas assinarem. Nem mesmo um olhar dele ela recebeu. Mas não achava isso ruim, ela era uma verdadeira vadia, apenas mais uma para Patrick, mas ela gostava da safadeza de seu chefe, gostava de seu membro grande, duro, em sua boca, ela mal podia coloca-lo na boca, mas se esforçava ao máximo.

Eram quase oito horas da noite, todos seus empregados já saíram há duas horas, ele tinha ficado na empresa, era sempre o ultimo a sair. Ficou por lá até perto da meia noite, depois de tomar dois copos de Whisky Macallan Fine 1926, chegou até seu koenigsegg agera R black, e dirigiu até em casa. Mas não sua casa.