Apenas
1 Capítulo 1
Notas iniciais
POV. Elena
7:33 pm
Estava no meu quarto, com meu diário na mão, frustada, batendo com a caneta na capa verde dele sem ter nada pra escrever, pois, Stefan teve que sair do continente pra caçar porque a fauna aqui em Mystic Falls esta escassa, ele já está fora a dois dias.
8:46 pm
Sinto fome e desço as escadas, indo direto pra cozinha preparando um delicioso chocolate quente.
Quando me viro me deparo com o piano que meu pai e eu tocávamos todas as tardes, ando em direção ao piano coloco minha caneca no aparador ao lado do piano e me sento no mesmo e respiro fundo quando me preparo pra tocar.
Eu estalou os dedos e me posicionei corretamente na banqueta; a partitura já estava cravada em minha memória, e então, meus dedos escorregaram sobre o órgão, enquanto as notas de Inverno por Antonio Lucio Vivaldi começaram a formar a música rápida e incisiva que era.
A campainha tocou.
Eu dei um pulo de onde estava, ficando embaraçada e meio perdida. Jeremy deve ter esquecido as chaves, pensei consigo mesma, correndo até a porta. Ao abri-la, minhas suspeitas se provaram erradas. Me deparando com um lindo par de olhos azuis.
–Damon! -foi a única coisa que consegui pronunciar.
–Olá Elena, pra você também-ele esperou ali, olhando pra mim esperando eu fazer o convite
–O que está fazendo aqui? -Eu sabia que não precisava convidá-lo de novo, pois já tinha feito isso uma vez. Mas mesmo assim, acenei com a cabeça para que ele entrasse. Não queria que ninguém visse nós conversando ali.
–Sabe, fica difícil para eu saber o que você está fazendo quando vem para o andar de baixo -Ele disse, como se nem tivesse ouvido a minha pergunta que acabara de fazer. Damon entrou na casa com seu ar superior.
–Você estava me espionando? -perguntei indignada.
–Não estava te espionando, mas sim vigiando
–Você é inacreditável, Damon -já estava aborrecida com a intromissão de Damon
Ele a encarou, arqueou uma sombrancelha, o deixando ainda mais belo, enquanto respondia- Eu sei
Eu não consegui fazer nada senão tentar esconder um sorriso tímido; eu sabia que não conseguia ficar brava com Damon por muito tempo. eu andei até o piano que ficava na sala ao lado do hall de entrada e pegei minha caneca de chocolate quente, bebericando novamente e a apoiando contra a madeira do instrumento enquanto me viro para encarar Damon.
–Então oque quer? –perguntei suavemente, sem acusações
– Eu sabia que tinha ouvido você tocar -Damon apontou seu indicador em direção ao piano, ignorando completamente a pergunta de Elena, mais uma vez.
–Mas sério, Vivaldi? Por favor, o que aconteceu com o excêntrico e brilhante Ludwig, minha cara?
–Não me diga que sabe tocar –falei esperando uma resposta convencida porque é o Damon
Está brincando? Eu sou o melhor... -ele falou me lançando uma piscadela e um sorriso charmoso
Eu percebi que a conversa havia se desviado totalmente; ele usava as mesmas artimanhas que eu para conseguir o que queria. Eu sempre consegui persuadir as pessoas ao meu redor, mesmo que as vezes, inconscientemente, mas sempre conseguia, e Damon não diferia de mim nesse quesito.
Eu sorri um pouco quando Damon andou até o piano e me enxotou dali, para não atrapalha-lo quando estiver tocando. Eu pousei minha caneca ainda cheia encima de um aparador que estava ali perto e me viro pra vê-lo tocar
–Isso, minha cara é Beethoven.
Molto Vivace, da nona sinfonia de Ludwig van Beethoven foi a escolha dele. Uma ótima escolha, diga-se de passagem. Eu assisti a Damon trançar os dedos em meio as teclas agilmente; eu vi que ele estava se divertindo muito ao fazer aquilo, como se compreendesse o que Beethoven quis dizer quando compôs aquela música. Quando o ato foi chegando ao seu clímax, aproximadamente quinze minutos mais tarde, Eu percebi que seus olhos já estavam fechados, e meus ouvidos absorviam cada nota como uma palavra e cada pausa como um suspiro; nos minutos em que a música estava tocando, eu me fiz e desfiz sonetos em minha mente; senti aromas que nunca havia sentido e fui a lugares que nunca havia visitado, e então, tudo acabou.
Eu abri os olhos, saindo do transe em que eu estava, e lá estava ele, bem em sua frente, a menos de quinze centímetros de distância.
–Você gostou? -ele perguntou com um sorriso convencido e cativante nos lábios. Ele sabia a resposta.
Mesmo com o colar de Verbena, me senti inclinando para ele. Seu cheiro quente, seu hálito gelado, seu olhos hipnotizantes, sua presença...
Recuei um passo e me chacoalhei mentalmente. “Que diabos estou fazendo?”
–Damon, minha tia e meu irmão podem chegar a qualquer momento... –odeio quando não termino uma frase
–Eu posso ouvi-los a cinco quilômetros de distância, se eles chegarem, eu vou...
Eu o olhei atentamente e o vi fazendo o mesmo.
–A não ser que você queira que eu vá. Você quer que eu vá? -enquanto ele falava, Eu senti o hálito de Damon encontrar meu rosto muito gentilmente, e as palavras que deixavam sua boca eram como mais uma composição divina de Beethoven. Eu estava, total e absolutamente, atraída por ele. E pelo jeito, Damon também já sabia disso.
–Não. -Foi a única resposta que eu dei, tentando esconder a vulnerabilidade e espanto em minha voz.
Damon deu aquele sorriso ofuscante dele e andou para frente, me alarmando por um momento, Eu pensara que ele tentaria fazer algo comigo, mas Damon só passou por mim, praticamente ignorando minha presença, e se dirigiu para a cozinha.
–Então, onde está seu amado Sr. Stefan?
Eu soltei o ar, que só agora percebera que estava segurando; girando em seus calcanhares, eu o segui de longe, e sorriu para mim mesma com o jeito que Damon se referia ao próprio irmão. Olhando para dentro da cozinha, eu o vi apoiado em uma bancada que dividia a cozinha; braços cruzados, pernas num ângulo perfeito e um sorriso arrebatador. E pensei comigo mesma “Deus, ele é magnífico”
Já desnorteada, Eu respiro fundo de novo e sigo para tomar um copo de água. Ela virou o copo inteiro antes de olhar para Damon.
–Você realmente não sabe ou está brincando comigo?
–Ah, você sabe, eu estava fora da cidade por alguns dias, não sei se notou -ele falou, dando ênfase à última parte da frase.
–E quando voltei, a casa estava vazia e Stefan não atendia o celular -Ele concluiu disparando um sorriso glorioso.
Eu o calculei, tentando descobrir se ele dizia alguma mentira. Mas ele era impassível em cada palavra, sem deixar nenhum vestígio de qualquer forma de hesitação, excluindo assim, a desconfiança alheia.
–E então você veio aqui para me perguntar onde Stefan estava? -falei arqueando uma sobrancelha e realizando que tinha tocado num assunto que o deixaria deslocado, ou pelo menos, eu pensava que deixaria.
Damon foi rápido em notar que eu sabia e gostava do fato de ele estar ali somente para me ver.
–Ah, você me pegou... -ele disse desencostando da bancada e soltando os braços para os lados, fingindo estar derrotado.
–eu vim aqui para te ver.
Eu sorri, numa clara imitação do sorriso de Damon e relembrei as palavras que ele havia usado mais cedo.
–Eu sei.
Ele estreitou os olhos para mim, contente por mim estar mais a vontade perto dele. Com passos vagarosos e calculados, ele partiu em direção a mim. Eu o fascinava de tantas maneiras que nem ele, experiente como era, sabia como aquilo era possível.
–Mas, -Ela andou em direção a sala do piano, quando o viu se aproximando. -se você quisesse só me ver, podia ter feito isso do carvalho em frente a minha janela que você fica toda vez que está nas redondezas de minha casa.
Damos cintilou seu sorriso marcante e a seguiu de perto.
–Ah, você sabe disso, Eh? -Ele falou não parecendo nem um pouco intimidado ou envergonhado por ter sido descoberto.
–Eu te vi uma ou duas vezes... –Eu me sentei em frente ao piano e o senti parar atrás de mim. Ele estava me observando.
–Hum, mas eu fico lá por que é falta de respeito ir entrando na casa das pessoas sem ser convidado...- Os meus dedos pressionaram algumas teclas em uma melodia dolorosamente doce, e Damon parou de falar nessa hora.
As notas se repetiam dando forma a música; era triste e calma, como um dia escurecido por nuvens carregadas. Eu conseguia imaginar em sua mente um campo uniforme aos arredores de Paris, com sua plantação de lavanda cobrindo o chão com um roxo suave, e o céu triste acima dizendo que o crepúsculo logo engolfaria todos seus sonhos...
Eu parei de tocar, tentando descarregar toda a tristeza que aquela música tinha me trazido e me viro no banco para me levantar; eu fico surpresa ao ver Damon me olhando tão intensamente.
–Mas eu já te convidei para entrar... -Eu falei delicadamente, respondendo ao último comentário de Damon.
Os olhos de Damon se suavizaram significativamente, a ponto de transparecer uma consternação escondida. De início, eu não sabia o que havia causado a mudança na atmosfera ao redor de Damon, mas logo depois que um sorriso começou a aparecer nos lábios dele, de novo, eu pude imaginar o que era.
Confiança. Eu confiava nele.
Eu acabara de dizer que ele estava convidado para entrar na minha casa, mesmo sabendo quem e oque ele era.
Damon deu um passo para frente, trazendo nós dois muito perto um do outro; Eu não recuei, pois sabia que ele nunca infligiria nenhum mal contra mim. Uma mão dele subiu até o meu rosto , e dois dedos caminharam da minha têmpora até meu queixo. O calor emanava nós dois e as minhas bochechas ficaram rosadas, eu estava encabulada por mostrar minha vulnerabilidade tão abertamente.
Em um segundo, a mão de Damon buscava abrigo entre os meus cabelos, e sua boca se aproximava da minha orelha ; seu hálito fazendo cócegas quando ele falava.
–Você toca muito bem -a voz dele estava dois tons mais baixa e sensualmente rouca; as palavras se formavam muito devagar e soavam muito apetitosas.
–Nós devíamos tocar juntos.
Eu recuei muito devagar meu rosto para olhá-lo nos olhos. Eu me lembrei de meu pai e das tardes em que nós dois tocavam juntos, mas não disse nada. Havia uma suavidade nos meus olhos que eu não sabia resistir e muito delicadamente, eu sorri.
Damon sabia que algo passava pela minha mente, mas não ousava perguntar o que era; cabia a mim decidir se queria dividir a memória com ele ou não. Ele não desviou o olhar de mim nem por um segundo, e quando ele viu os meus olhos brilharem e uma lágrima escorrer em minha bochecha macia, ele desentrelaçou seus dedos do meu cabelo e limpou a minha lágrima com um dedo.
–Eu tenho que ir...
–Não... -a palavra escapou pelos meus lábios sem nem mesmo perceber.
Nós ficamos surpresos com o pedido silencioso que a palavra trazia; e então, ouvi a fechadura da sala virar. Olhei para porta e em um piscar de olhos ele estava ali, parado em minha frente com um sorriso fulgurante nos lábios, e no outro, Damon desaparecera.
Suspirei tristemente, pois apesar de tia Jenna ter acabado de chegar, eu estava sozinha de novo.
–Elena, o que está fazendo parada aí? -eu ouvi a voz curiosa da minha tia.
–Ah, huh, eu- eu ia... -Eu olhei para os lados e vi a caneca de chocolate quente ainda encima do aparador.
–Eu só estava guardando isso aqui. -Eu terminei pegando a caneca e indo até a pia despejar o que havia sobrado dentro da caneca.
–Você está bem? -Tia Jenna perguntou quando me viu passar por ela sem nem olhá-la.
–Hum, sim, claro. Só estou cansada. Vou para a cama agora. Boa noite.
–Tudo bem. Boa noite.
Mentir se tornara algo tão comum para mim, que eu própria estava começando a acreditar nas minhas mentiras. Eu fui direto para meu banheiro escovar os dentes, e me sento um pouco frustrada pensando no jeito que Damon havia ido embora, ou talvez eu só estivesse ficando louca, pois sentia falta de Stefan. Apagou as luzes do banheiro e fui para meu quarto.
Quando acendeu as luzes para seu quarto, Elena sentiu seu coração pular uma batida.
–Damon... -minha voz era de alívio e isso não passou despercebido por Damon que estava deitado na minha cama com as mãos atrás da cabeça, somente seus pés com botas para fora da cama de lençóis brancos
–Pensei que você tinha ido embora...
–Ah não, eu só vou embora quando você me manda ir.
Sorri e balanço a cabeça, fechando os olhos no processo. Damon parecia ter o dom de me fazer rir.
Eu andei até a cama e me sentou do outro lado. Pegando meu diário e caneta nas mãos exatamente onde deixara mais cedo naquele dia; eu os colocou no criado mudo e encostei à cabeceira da cama.
–Posso te perguntar uma coisa? –pergunto já sabendo da resposta.
–Claro. Só não vou dar a certeza de uma resposta.
Eu olho Damon nos olhos e pondero a melhor forma de elaborar a pergunta de uma forma não agressiva.
–Por que você está aqui, realmente? -pergunto numa voz calma e quase distante.
Damon continuou a olhando nos olhos e eu podia ver as pupilas dele dilatando enquanto as engrenagens de seu cérebro trabalhavam uma resposta. Mas o que ele disse não foi tão complexo quanto ela imaginava.
–Porque eu gosto de você.
Fiquei satisfeita com a resposta, e apesar de não saber se era verdadeira ou falsa, eu gosto de pensar que era, de fato. Com o sorriso nos lábios, eu quebrou o contato dos olhos e vejo as horas que são : 02:45 pm. O tempo passara despercebido no momento em que Damon pisara dentro de minha casa.
Eu escorreguei para debaixo dos cobertores fofos; olhando para o teto e com as mãos descansando em meu abdome por cima dos cobertores, suspiro, sentindo-me relaxada. Eu sentia os olhos de Damon em mim; olho para o lado e o vejo tão suspenso quanto eu. Nós nos se olhamos até os meus olhos pesarem com o sono e se fecharem.
Eu senti um dedo passar por entre meus olhos e pela curva de meu nariz, pousando finalmente em meus lábios e então, um hálito gelado contra o pé de seu pescoço.
–Boa noite. -ele disse com sua voz rouca e sensual
–Boa noite Damon...
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