Aparências
5 04. Essa Não!
Notas iniciais
04. Essa Não!
– Acorde, é melhor você ir embora– disse ele.
Guardei meu iPod na bolsa e me preparei para sair. Porém, quando estava prestes a abrir a porta, Justin já o tinha feito por mim.
– Você é um vampiro, por acaso?
– Não, tolinha – ele respondeu com o mesmo ar sombrio de sempre. – Sou pior.
Que estimulante.
– Você vem ou não? – perguntou enquanto disparava pelo corredor.
– Já estou indo, impaciência.
Ele se virou e me encarou. Seu olhar não demonstrava raiva, e sim indiferença. Revirei os olhos e ele voltou a olhar para a frente.
É de se esperar que, 4h após o fim de um show, não houvesse mais ninguém além da equipe que monta e desmonta o palco – e os zeladores, claro. Mas eu esquecera um detalhe: era o Justin Bieber. E, quando falamos dele, as regras mudam um pouco.
Não estou falando de 10, 20 garotas que ficaram 4h em pé esperando o Justin voltar, e sim de MAIS DE CEM garotas. Sinceramente, pensei que às duas da manhã as pessoas estariam em suas casas dormindo.
Claro que, 4h atrás, eu não ousaria pensar nisso. Conhecer o verdadeiro Justin Bieber me fez mudar meus conceitos, pelo visto.
O pior não foi a quantidade de garotas. Era o que elas diziam. Eram apenas 4 palavras, mas muito perigosas:
– JUSTIN, EU TE AMOOOOOOOOO!
Ah, se elas soubessem...
No início, Justin se controlou, mas chegou a um ponto em que ele não aguentou.
– Saia daqui, Natasha – murmurou ele. Como eu não era uma pessoa muito obediente, ao invés de ir embora, disparei pelas garotas gritando:
– SAIAM DAQUI! VÃO EMBORA!
Mas elas não me ouviam. Ai meu Deus, pensei. Se ficarem aqui, nem quero saber o que pode acontecer. Justin já estava com os punhos cerrados. Procurei pela garota que gritava mais alto. Oh, Deus, era a loira com quem fiz amizade! Corri até ela e falei num tom alto o suficiente para ser ouvida:
– Destiny, preciso da sua ajuda!
Imediatamente, ela parou de gritar e perguntou:
– Problemas amorosos? Sorry, honey, mas não entendo de romance.
– Quem dera se fosse isso... Acha que consegue tirar todas essas garotas daqui? Rápido?
– Rápido? Hm... Há um jeito, mas... Por quê?
– Falo para você mais tarde, quando voltar para casa. Mas você e as outras têm que ir embora!
– Oooook...
Destiny abriu a jaqueta e tirou uma arma de lá. Fiquei boquiaberta.
– Ser filha de militar tem suas vantagens. Natasha, apresento-lhe uma nove milímetros novinha em folha.
Ela levantou a arma e atirou em direção à Lua. O estrondo foi tamanho que atraiu a atenção de todos – menos a de Justin, que rosnava baixinho, tentando se controlar.
– Se não quiserem ter um na cabeça, é melhor se mandarem. Podem ter medo: minha ameaça é real.
As garotas gritaram e fugiram em menos de 1 minuto. Olhei para Justin, mas não o vi. Em seu lugar, estava um cara transfigurado, como um zumbi pronto para atacar.
Gritei. Destiny – que não havia ido embora – arregalou os olhos, sem reação.
– E-Esse é o J-Justin?
– Eu i-ia te c-contar...
Ela apontou a arma para ela, que nos encarava com um olhar mortal.
– Não! – exclamou ele. – Nem tente. Não vai adiantar.
– Quem garante que você não diz isso só para se safar? – Destiny tentava parecer fria, mas o tremor em seu corpo e na voz a denunciavam.
Em resposta, Justin puxou a gola da camisa, deixando um buraco de bala no pescoço à mostra. Estremeci.
Destiny abaixou a arma. Justin enfiou as garras – sim, as unhas se transformaram em garras – na coluna que sustentava o lugar.
Havia apenas nós três naquela área. Os demais – incluindo Usher e Scott – assistiam a tudo bem atrás dele.
Ficamos parados ali por vários minutos, a tensão entre nós só aumentando. Quando Destiny abriu a jaqueta para guardar a arma, Justin perdeu o controle.
Aos meus olhos, a cena aconteceu em câmera lenta. Justin investiu contra Destiny, que começou a atirar incessantemente nele. Os tiros o impediram de avançar mais, porém não o mataram. Sequer causaram danos consideráveis. Ele se virou para mim, espumando de ódio e ira. Sem arma nem nada, minha única saída foi sair correndo.
E foi o que fiz. A cada 10s, olhava para trás para ter noção da distância que me separava dele. Ao longe, ouvia os tiros da 9 milímetros da minha amiga, que de nada adiantavam.
– Não adianta correr, Natasha! – rosnava Justin. – Em segundos, você vai virar lanchinho da meia-noite!
Engoli em seco e corri ainda mais rápido.
– Justin! – eu gritava – Pare, por favor! Você não é assim, eu sei disso!
– Engana-se, tola! Esse é o meu verdadeiro eu!
– Não, não é! Eu sei disso e você também sabe! Para!
– Não vou parar até você estar no meu estômago!
Arfei e acelerei ainda mais.
A lua cheia nos observava calmamente enquanto eu fugia de um garoto transfigurado que um dia fora meu ídolo.
Notas finais
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