Aparências
4 Capitulo 4
Notas iniciais
A mulher com rosto de anjo esperava o marido e filha com uma bela mesa de jantar e um sorriso singelo. Assim que eles chegaram, os três puseram-se à mesa e degustaram da deliciosa refeição. Ao final da janta, batidas foram ouvidas na entrada. Surpreendidos com a interrupção, a família entreolhou-se, mas como manda a etiqueta, o homem de sorriso fácil encaminhou-se para a porta e a abriu.
Do outro lado da porta encontrava-se a detetive com olhos de gato e mais cinco policiais, em suas mãos o mandato para a vistoria na casa. Em um primeiro momento, a unica coisa que passou na cabeça do homem de sorriso fácil foi fugir, largar sua esposa e filha e correr para o mais longe que suas pernas o conseguissem levar, mas tão rápido quanto veio, o pensamento se foi pois ele sabia que seria inútil, e acabou por permitir a entrada dos policiais.
Foram longas horas de investigação na propriedade. A primeira arma encontrada foi o martelo da garotinha, o que fez com que fossem algemados. Apos o encontro da primeira arma, a detetive com olhos de gato empenhou-se ainda mais, encontrando assim o porão, local onde os assassinatos ocorriam. Mais instrumentos de tortura foram encontrados, mas nenhum vestígio dos corpos. A detetive tentou força-los a dizer onde estavam os corpos, mas não obteve sucesso. Vasculhou toda a casa sem encontrar nada, o que começou a irrita-la profundamente. Antes de desistir, a detetive com olhos de gato parou de frente para o extenso jardim, admirando as belas flores azuis, quase roxas. Ao aproximar-se um pouco mais das plantas, percebeu que as lindas flores eram, na verdade, uma planta extremamente venenosa, conhecida como mata-lobos na lenda de lobisomens. E nesse momento, sua rápida mente, cogitou aonde os corpos poderiam estar.
O homem de sorriso fácil, a mulher com rosto de anjo e a garotinha foram levados a delegacia para serem interrogados apos terem desenterrado mais de vinte corpos de seu quintal. A detetive resolveu começar pela mulher com rosto de anjo, julgando-a como o elo fraco nesse caso. As perguntas começaram leves, mesmo com a detetive ansiando por chegar logo onde desejava, questionando sobre a relação da mulher com seu marido, se ela sofria algum abuso, se tinha sido forçada a participar, entre outras coisas. Ela respondeu as perguntas superficialmente, confirmando ou negando as situações que a detetive apontava, sempre com um olhar calmo e frio. Quando a detetive percebeu que não conseguiria extrair mais informações da mulher com rosto de anjo, ela partiu para o próximo interrogatório.
A situação com o homem de sorriso fácil não foi muito diferente da esposa. Ele confessou que sentia prazer em causar dor em outras pessoas, e não se importava em sujar suas mãos de sangue. A detetive com olhos de gato ficou abismada com o modo como aquela família agia, como se todo aquele horror fosse algo normal. Ela sentiu nojo deles ao ver o quão sádicos e brutais haviam sido com suas vitimas.
O ultimo interrogatório era o que estava deixando a detetive mais apreensiva. Ela não sabia com agir com a garotinha sentada à frente dela. Respirando profundamente, resolveu começar com as perguntas fáceis, como tinha feito anteriormente. As respostas daquela criança que mal tocava o chão sentada naquela cadeira, foram praticamente as mesmas de seus pais, afirmando que não havia sido obrigada a fazer nada. A detetive com olhos de gato estava cada vez mais horrorizada com a situação, e para finalizar o interrogatório resolveu perguntar aquilo que a estava deixando mais curiosa.
— Por quê? Porque vocês fizeram tudo aquilo?
— E porque não deveríamos ter feito? O ser humano é um animal violento assim como todos os outros, então porque negar essa natureza? Devíamos ter nos deixado impedir por leis que já foram quebradas tantas outras vezes? Nós somos caçadores, detetive, e podemos nos divertir durante a caçada. E acredite em mim, eu nunca me diverti tanto enquanto esmagava a cabeça de todas aquelas presas.
Ao dizer essas palavras seus olhos brilhavam com uma crueldade grande demais para uma garota tão pequena, e seus lábios formavam um sorriso que deveria ser doce, mas que continha muitas entrelinhas.
Essa foi a justificativa de uma garotinha que junto de sua família, mataram em torno de trinta pessoas. Ela possuía um rosto inocente e fora de suspeitas, mas apenas uma espreitada em seus olhos e você via que eles eram tão negros quanto sua alma.
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