Apanhador De Medo
18 Stevenage
Notas iniciais
Onde vocês estão?
Joshua perguntou no celular com Rebecca, Azazel dirigia o carro olhando atentamente a estrada para Stevenage, uma cidade há alguns quilômetros de Londres. Rebecca bufou, os dois haviam achado melhor sair cedo e sozinhos para interrogar o Dr. Harrison, que descobriram no dia anterior que era um professor aposentado da faculdade de Oxford. Eles evitavam falar nisso, mas não sabiam se podia confiar em Joshua para uma missão que envolvesse Ivan.
– A caminho de Stevenage... – diz a ele observando os carros na estrada.
– Cretinos! Por que me deixaram de fora da diversão? – reclama com o sotaque inglês carregado.
– Você estava dormindo tão tranquilamente que não queríamos acordar o dragão.
– Levou as chaves do meu carro! O que estão escondendo? – silencio. – Tudo bem. Você me conta mais tarde. – diz e desliga o celular.
– Ele vai superar. – ela diz colocando o celular de volta no bolso. – Falta muito?
– Não. – e o silencio continuou. Não sabia como nem quando começaram a ficar sem assunto, só sabia que aquilo era um saco.
– Então, você nunca me contou o que vai fazer quando encontrar seu pai. – começou. Ele a olhou brevemente. Rebecca já estava se conformando que ele não falaria nada, até que ele disse:
– Eu pensei nisso durante 21 anos. Nunca cheguei a uma conclusão. – diz encerrando o assunto. O silencio ficou menos desagradável depois de sua revelação.
Os pensamentos de Rebecca se elevaram novamente para o sonho com Anne. E logo depois o levaram para a Alemanha, há uns dois anos atrás. O ano em que sentiu que esteve o mais perto do que pensava ser inexistente em Azazel.
– Por que procura tanto pelo seu pai? – diz apoiando o rosto em uma das mãos. Eles estavam um de frente para o outro na cama, debaixo dos lençóis. Ele suspirou e olhou para o teto.
– Eu não sei. Acho que só quero descobrir o motivo. — confessou para a morena.
– Do que? – pergunta atenta às expressões dele.
– Tudo. – ele diz voltando olhá-la. – Eu te conto sobre mim, mas não sei quase nada sobre você.
– Você vai saber, eventualmente. – sorri juntando seus corpos novamente.
Era incrível como lembrava exatamente de como ele lhe tocava nas noites que passavam juntos e de como sabia de cor cada parte do corpo dele e vice-versa. Podiam estar juntos se não fosse pela indiferença e arrogância de Azazel. O homem que estava calado até então lhe tocou o ombro a tirando do transe, haviam chegado ao seu destino. Ela olhou para a mão dele tocando seu ombro, se sentindo ameaçado ele começou a afastar a mão, mas Rebecca a pegou antes que estivesse longe de mais.
– Eu estou aqui... Nós vamos achar seu pai, e acabar com os cretinos que querem acabar com a nossa raça. Custe o que custar. – diz o olhando nos olhos. Ela não esperava uma resposta, então saiu do carro, Azazel ficou em transe por alguns segundos mergulhado em pensamentos de culpa, não seria a primeira vez, então os afastou rápido antes lhe consumissem como um vírus, vírus da culpa.
Saiu do carro passando em frente a ele e ficando ao lado de Rebecca, ela encarava a casa de arquitetura antiga, suas mãos estavam no bolso do sobretudo militar. Ela foi à frente e bateu na porta chamando pelo doutor. Ninguém veio atendê-los, mas ouviu um barulho vindo dos fundos da casa, Rebecca apontou um lado e dessa vez Azazel foi à frente em posição de ataque. De repente Azazel parou e levantou as mãos, Rebecca que estava um pouco atrás e quando chegou avistou o Dr. Harrisson com uma arma em mãos apontando para o apanhador. Ele parecia jovem demais para ser um professor aposentado.
– Dr. Harrisson, nós só viemos conversar... – os olhos assustados dele se viraram para Rebecca.
– Quem os mandou aqui? – ela começou a se aproximar vagorosamente. – Fique ai! – ele apontou a arma pra ela que parou, e Azazel em um movimento rápido pegou a arma da mão dele e Rebecca correu para segurá-lo.
– Calminho ai, você tem algumas coisas a explicar. – ela disse segurando as mãos do homem atrás das costas e falando bem perto do seu ouvido. Azazel pôs a arma do lado do corpo e Rebecca o olhou soltar o ar, definitivamente a arma podia mata-lo. – Vamos entrar. – ela disse o empurrando para a porta dos fundos.
– Foi Joel não foi? – ele perguntou enquanto era levado pra sala, Rebecca ficou calada.
O jogou no sofá e tirou do bolso o relatório enquanto Azazel apenas observava.
– Nós queremos saber sobre este relatório. – ela o entregou nas mãos dele. Ele passou os olhos por ele e olhou para os dois, levantou o papel na altura dos olhos e o rasgou ao meio.
– Eu não falar nada pra vocês, malditos apanhadores! – o sangue de Becca ferveu e quando viu estava em cima dele segurando seu pescoço.
– De repente você ficou muito corajoso. – disse apertando um pouco seu pescoço. Azazel apenas observava e checava de vez em quando se havia algum movimento fora da casa.
– Percebi que não tenho nada a perder se morrer. Um de vocês matou minha família inteira! – ele gritou com dificuldade, Rebecca afrouxou a mão em seu pescoço e por fim o soltou. Ela olhou para Azazel procurando uma solução, mas ele estava muito ocupado observando um carro que acabara de parar na frente da casa.
Em um momento de distração não viram quando Dr. Harrisson tirou uma seringa de um de seus bolsos e aplicou no pescoço de Rebecca. Ela bufou e levou a mão ao pescoço, mas antes de enfraquecer e desmaiar nos braços de Azazel, ela levou uma das mãos ao pescoço do doutor e o torceu, acabando com seu sofrimento de anos sem sua família.
– Droga. – diz Azazel segurando o corpo mole de Rebecca nos braços. Checou seu pulso e constatou que ainda estava viva. A segurou nas pernas e nos ombros para carrega-la. Ouviu a batida na porta. Uma. Duas. Pensou rápido e foi para os fundos onde encontraram o Dr. Harrisson, ele deu a volta na casa com cuidado e observou os homens arrombarem a porta e ver o doutor morto no sofá. Correu ao seu carro parado na rua e jogou Rebecca no banco de trás.
– Onde você pensa que vai? – disse um dos homens quando Azazel foi abrir a porta da frente. O outro vasculhava a casa, como ele ou Rebecca devia ter feito. Os olhos do homem se tornaram amarelos e Azazel tentou deferir um soco em seu rosto, mas o lobisomem pegou e seu pulso, obviamente tinha mais força que ele, mas Azazel era mais sagaz. – Calminho ai apanhador. – ele fez a primeira coisa que lhe veio à cabeça enquanto ele lhe virava o pulso, deu uma joelhada nas partes baixas do lobisomem e entrou no carro antes que o outro viesse ao seu encontro. Enquanto partia no carro viu pelo retrovisor o homem ajoelhado no chão enquanto o outro vinha lhe amparar. Azazel gargalhou como Rebecca gargalharia se estivesse acordada no banco do carona.

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