Apanhador De Medo
9 Foco
Notas iniciais

Todos pareciam se divertir durante o jantar, riam e conversavam como velhos amigos. No jantar havia banido o assunto sobre negócios, o que deixou Rebecca mais a vontade. A partir de certo momento Rebecca não conseguiu disfarçar sua cara de insatisfação por estar ali, ela sorria e respondia gentilmente as perguntas que lhe eram feitas. Porém Chester notou o quanto parecia entediada. Ela mantinha sua atenção em uma maça vermelha como sangue no meio da mesa, e levou um leve susto quando a mão gelada de Chester encostou-se à dela, mas o olhou.
– Está bem? – perguntou em um sussurro, bem perto do seu ouvido.
– Estou bem, por que não estaria? – ela respondeu com um sorriso.
Ele se afastou voltando a socializar, assim como ela. O jantar estava encerrado, mas alguns convidados mais íntimos se dirigiam a sala de estar para continuarem a conversar, a banda já havia ido embora e a mansão estava um completo silencio. Rebecca seguia a mesma direção dos outros depois de ter se despedido de algumas pessoas quando Chester a puxou pelo braço, fazendo-a soltar um som de espanto.
– Ei! – ela disse, mas ele a ignorou.
– Você quer mesmo terminar a noite discutindo sobre a economia inglesa? – ele perguntou com o sorriso cafajeste no rosto. Ela não respondeu. – Foi o que eu pensei. – ele a puxou em direção à porta.
– O que está fazendo? – Rebecca se manifestou.
– Nós estamos fugindo. – disse fazendo-a sorrir.
O carro de Chester parou a frente de um pub com iluminação neon, não ficava muito longe de sua casa, o local tinha uma imensa fila, mas devia saber que não iam enfrenta-la. Algumas garotas olhavam com inveja ao ver Rebecca de mãos dadas com Chester, obviamente ele era conhecido por ali. Ele cumprimentou algumas pessoas e segurava firme na mão de Rebecca enquanto andava por entre o amontoado de pessoas na pista de dança.
As pessoas dançavam sob os jogos de luzes com as roupas brilhando na luz negra, as mãos levantadas saudando a musica animada. Algumas dançavam em casal e outras dançavam sozinhas, curtindo a musica de olhos fechados ou lançando olhares para algum interesse romântico. Rebecca deixou Chester a guiar até uma área com sofás vermelhos isolados, na placa leu V.I.P e sorriu de lado quando o segurança liberou a entrada dos dois.
– Chester! – exclamou o homem com o sotaque britânico que Rebecca sempre achara sedutor. Chester ainda estava de mãos dadas com Rebecca quando o homem se aproximou dos dois, ele soltou-a para dar um abraço amigável no moreno. Os olhos azuis do homem alto estavam em Rebecca quando se separou do abraço.
– Liam, essa é Rebecca, minha amiga. – ele a puxou para um abraço lhe dando um beijo na bochecha.
– Prazer. – Rebecca se pronunciou educadamente.
– O prazer é todo meu, pode acreditar. – eles trocarão olhares maliciosos. Chester pigarreou.
– Becca, você quer beber algo? – ele a pegou pelo cotovelo e a levou para o outro lado da área. Ficou de costas para Liam enquanto se servia de um copo de uísque enquanto Rebecca bebia um Martini. – Estou te salvando dele, não precisa agradecer.
– Claro, até por que eu sei muito bem me cuidar sozinha não acha? – ela retrucou.
– Você não entende. Ele só quer te levar pra cama.
– Não vejo o problema se isso é justamente o que quero. Não é como eu quisesse me casar com ele... – Chester suspirou. – Tem mais alguma coisa. O que é?
– Nada importante. Você pode ir lá se quiser. – ele disse mesmo sendo a ultima coisa que ele queria que ela fizesse.
– Seja lá o que você tem contra ele. Eu confio em você. – ela disse fazendo-o sorrir. Colocou a taça na bandeja junto com o copo de Chester que pegara da mão dele. Dessa vez ela pegou na mão dele para guia-lo para fora da área V.I.P. – Vamos dançar! – disse eufórica se misturando entre as pessoas junto com Chester.
Rebecca segurou em seus ombros enquanto dançava, movia os quadris e balançava os cabelos curtos, fazia isso sorrindo sem mostrar os dentes para ele o tempo todo. No inicio de outra musica ela se aproximou mais dele, agora tinha uma expressão enquanto explorava o rosto dele. Ainda não estava embriagada, mas precisava beijá-lo. E o fez, tão abruptamente que Chester demorou um pouco pra reagir, mas segurou na cintura dela.
– Não vai passar disso ok? – ela disse se afastando dele, ele assentiu e a puxou de volta.
A luz do sol bateu no rosto de Rebecca que estava com a cabeça encostada no vidro, apertou os olhos quando os abriu sentindo dor na cabeça. Quando os abriu percebeu que o carro estava em movimento, se levantou encontrando Chester dirigindo o carro, com o cabelo um pouco bagunçado. Ele sorriu. Ela checou se o vestido preto estava em seu corpo, e por sorte estava sã o suficiente para não ter feito nada com Chester, como havia dito que não faria. Colocou o casaco de Chester que estava sobre o seu corpo de lado, no banco estofado.
– Bom dia! – Chester disse estranhamente eufórico, talvez não tivesse bebido tanto para ter ressaca.
– Bom dia. – Rebecca respondeu com a voz arrastada. – Por que não voltamos pra sua casa?
– Eu achei melhor te levar para casa de Azazel, pra não ter que enfrentar a fúria de Carmen. – explicou. – Está bem? – ele a olhou pelo retrovisor, com a cabeça apoiada nas mãos, puxou os cabelos para trás e assentiu.
– Estou horrível não é? – ela perguntou o olhando.
– Você continua linda com essa cara de ressaca. – disse-lhe.
– Você é um cavalheiro, Sr. P. – ela encostou a cabeça no vidro de novo olhando para o lado de fora como uma criança.
Perguntou-se se seus sentimentos por Chester poderiam passar de algum afeto fraternal um dia. Mas era muito cedo pra isso, tudo havia acontecido rápido demais. Agora só o que queria era um banho e algo para sua dor de cabeça passar. Quando chegaram a casa de Azazel, Chester desceu do carro para ajuda-la a sair do mesmo enquanto ria de como estava debilitada.
– Por que você não está tão mal quanto eu? — perguntou com um pouco de indignação.
– É outra vantagem de ser um vampiro. – disse a puxando do carro. — Parece uma adolescente que teve seu primeiro porre – ele disse gargalhando.
Depois que saiu do carro ela se soltou dele e passou a andar do seu lado até a porta.
– Cala a boca. – o repreendeu, mas também ria. Ela abriu a porta adentrando no hall de entrada, Chester ficou na soleira da porta, com as mãos para trás. – Obrigada.
Ele apenas assentiu e se aproximou para lhe dar um selinho e ela deixou que o fizesse, e o puxou para um beijo mais longo. No fim sorriu e fechou a porta. Virou-se para o homem parado perto do corredor ainda com o sorriso, agora um pouco malicioso, sabia que ele tinha assistido ao beijo.
– Hey Azazel! – disse apenas e se apressou em subir as escadas, rindo consigo mesma da cara de Azazel, que apertou o punho atrás das costas e respirou fundo.
Rebecca retirou a presilha brilhante emaranhada no meio de seu cabelo e a colocou em cima do criado-mudo ao lado do celular que tirou do bolso do vestido preto. Alcançou o fecho do vestido que ficava do lado e o tirou, jogando em cima da cama, ficando apenas com as roupas intimas. Passou a mão pelos cabelos, totalmente sem cachos a essa altura e foi em direção ao banheiro. Quando se levantou da banheira seus dedos estavam enrugados, talvez tivesse fechados os olhos por alguns minutos e tirado um cochilo com seu corpo imerso pela água com sais de banho que deixou sua pele com cheiro de lavanda.
Vestiu-se com um hobby e saiu do banheiro a procura de uma roupa nas que estavam espalhadas pelo quarto desde ontem à noite, xingou Azazel mentalmente por não ter empregadas naquela mansão. No meio das roupas espalhadas achou um short preto quase nos joelhos e uma blusa polo sem mangas da cor verde. Ela olhou pela janela observando o céu azul com poucas nuvens e o sol que fazia, pensou se seria uma boa ideia sair e andar um pouco pelo bairro ou então podia enfrentar logo Azazel e jogar todas as cartas na mesa.
Com esse pensamento abriu a porta do quarto e saiu, a fechando. Ainda de frente para porta, o vento soprou inesperadamente pelas costas e lhe arrepiou dos pés a cabeça fazendo-a olhar para todos os lados, sua sensibilidade a movimentos era aguçada. Mesmo sentindo uma presença estranha, ela se virou em direção à escada e começou a andar. No meio do caminho se virou abruptamente, e de novo não encontrou nada atrás de si, já estava começando a se achar paranoica quando trombou com um corpo não identificado e estático quando se virou de volta.
Ela se afastou, seu alarme de perigo piscando intensamente, sem parar. Ele sorriu. Sim, ele, era um homem, de olhos azuis grandes e assustadores.
– Olá. Acho que não fomos apresentados. – ele disse com um sotaque que fez Rebecca ficar em duvida se ele era inglês ou tinha outra origem.
– Quem. É. Você? – ela disse mantendo sua voz firme.
– Meu irmão não mencionou sua presença aqui. – ele levou uma das mãos à boca.
– Joshua? – ela perguntou observando ele se aproximar.
– E você sabe sobre mim. Interesse. – no outro segundo ele estava a empresando contra a parede, a mão que estava em sua boca antes, agora apertava seu pescoço. Havia lhe pegado de surpresa, e tinha mãos tão firmes que Rebecca, obviamente mais velha que ele, não conseguiu se livrar delas. – O que Chester te disse? Você é a nova namorada dele? Fale-me!
– Ele não sabe de nada. – Joshua afrouxou a mão para olhar quem subia as escadas.
– Solte-a. – Azazel disse com calma. Ele soltou.
– Eu pensei que éramos só nós dois. Ela sabe sobre nós e está próxima de Chester.
– Como? – ele perguntou a Rebecca que passava a mão no pescoço.
– Carmen sabe que ele está na Inglaterra. – ela olhou para Joshua. – Eu ouvi uma conversa dela, de Joel e um homem misterioso.
– O que eles diziam? – foi Joshua que perguntou dessa vez.
– Eles querem impedir vocês de achar Ivan. – ela levantou seu olhar para Joshua. – Ela quer matar você.
– Isso nunca foi segredo pra mim. – ele disse com uma expressão dura como pedra. – Tem certeza que Chester não sabe sobre nada?
– Sim. Carmen mencionou que ele não apresenta perigo, nem eu. Você tem sorte de ela não ser sua mãe, ela é uma vaca. – Joshua riu pela primeira vez.
– Na verdade ela pode ser útil. Obviamente você formou um laço com meu meio-irmão.
– Eu não vou usar Chester a favor dessa causa.
– Fiel. – diz ele. – Mais alguma coisa?
– Na verdade sim. Carmen disse que você merece morrer, como sua mãe, por ser bisbilhoteiro. – aqueles olhos, lhe intimidavam. – O que você fez para ser expulso da família perfeita? – ela olhou de Joshua para Azazel.
– História para outra hora Bond girl. Agora que você já está imersa por toda essa confusão em volta da minha família... E de Azazel. Se você nos abandonar, eu te mato. – ele deu uma pausa para rir. – Mas você não vai fazer isso não é meu amor?
– Eu não vou abandonar Azazel, nem o Chester. Você não me assusta. – mentiu na ultima frase, ele cruzou os braços. – Não sou seu amor. Eu sou Rebecca.
Ela passou por ele e esbarrou em seu ombro propositalmente, desceu as escadas sem olhar para trás. Joshua desceu atrás dela, enquanto Azazel apenas observava do alto das escadas. Ele pegou no ombro dela, ela ficou olhando para os braços dele a segurando, o que lhe fez soltar.
– Calma, se você vai nos ajudar nessa... missão, você tem que manter o foco, sem distrações amorosas.
– O que quer dizer? – ela arqueou as sobrancelhas, ele sorriu. – Se você está falando de Chester, eu já deixei claro pra você que não vou usar meu relacionamento com ele como uma vantagem. Aliás, não existe nenhum... Relacionamento amoroso entre mim e seu irmão.
– Mas existe um relacionamento, você não pode se afastar do nada. E não se afastar dele é uma vantagem para nós você querendo ou não. – disse firme.
– Carmen acha que eu sou inofensiva mesmo sabendo que conheço Azazel, por que isso?
– Isso é muito maior que você. – ele disse misterioso. – Tem a ver com o meu passado e o de Azazel.
– Ela disse exatamente isso. O que você fez? Ela nitidamente tem como prioridade matar você.
– Eu a irritei. – um sorriso cresceu de lado em seus lábios.

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