Apanhador De Medo
36 Epílogo
Notas iniciais

Rebecca acordou com uma mão gelada em sua testa, verificando se sua temperatura havia se amenizado, a mão foi afastada quando ela abriu os olhos de encontro a luz apagada no teto fazendo-a concluir que o sol já havia nascido, iluminando todo o espaçoso quarto. Quando se adaptou ao espaço e ao tempo, trazendo a sua memória tudo que havia ocorrido, seus olhos se encontraram com os azuis cintilantes de Francis, ele sorriu para ela do jeito que só ele era capaz.
– A febre cessou. Como se sente? – pergunta enquanto ela se senta na cama. A mulher respira fundo, checando se sentia alguma dor, ficou deslumbrada ao perceber que não... Ela não sentia mais nada.
– Que não estou mais a beira da morte. – com a mão direita ela passou a mão no pescoço, pendendo-o de um lado pro outro. Estalou os dedos e por fim sorriu. – Deu certo.
– Agora que você está fora de perigo, eu tenho que ir. – Rebecca fechou a cara. – Eu e Anne partimos hoje à noite para a França.
– O quê? Quando decidiram isso?
– Nós queremos deixar tudo que aconteceu para trás, e ficar em Londres não vai ajudar.
– É impossivel esquecer tudo isso... – começou Rebecca, mas deu uma pausa e suspirou em seguida. – Você está proibido de me esquecer.
– Isso. Isso é impossivel. – acariciou seu rosto. Rebecca deu um pulo da cama ao pensar em Azazel e os outros. Seguiu com a roupa que estava, o short curto e o baby look azul pelo corredor empurrando a porta entreaberta do quarto de Chester, que estava sentando com as mãos sobre o colo, encarando o guarda-roupa.
Um sorriso satisfeito preencheu o rosto de Chester ao ver Rebecca em pé e saudável ao seu lado.
– Eu sabia que você ia sair dessa. – a puxou pela cintura para um abraço, ficaram assim por alguns instantes. Foi ele que se afastou e se dirigiu a porta: — Já está indo? – Francis assentiu. – Eu vou com você. Também estou indo a Londres.
– O que você vai fazer em Londres? – perguntou, desconfiada.
– Agora que meus pais estão mortos e eu estou livre... – Rebecca analisou sua expressão ao falar de seus pais, ela conteu a felicidade ao saber da morte deles em respeito a Chester. – Vou pegar o próximo voô para a Itália. Eu sempre amei Toscana e suas lindas paisagens.
Rebecca soltou o ar pela boca, cruzando os braços.
– Ótimo, você vai me deixar também.
– Quando foi que ficou tão sentimental? – Francis perguntou em um tom divertido.
Ela bufou e passou pelos dois, que a seguiram até a sala de estar.
– Azazel. – ela chamou o homem de costas para ela, ele se virou em milésimos e apenas a observou.
– Você está viva. – diz simplesmente, os punhos se apertando e ela sorri abertamente em resposta.
– Vamos, eu sei que você está doido pra me agarrar neste momento.
– Oh, esperem a gente sair para se agarrarem por favor. – Chester se pronunciou. – Rebecca.
Ela se virou lentamente para o amigo.
– Eu não estou te deixando. – depositou um beijo na testa da mulher, que permaneceu em silencio, não estava gostando de se despedir, mas sabia que era algo necessário para ele. – Vou ligar todos os dias.
Depois dele foi a vez de Francis se despedir. Antes de abraçá-la tirou do bolso do sobretudo um envelope branco e o pôs nas mãos de Rebecca sem dizer uma palavras.
– Até mais. – diz antes de sair porta a fora com Chester. Rebecca encara o envelope.
– Droga, você não está morta. – Joshua entra na sala com a mão no peito, fingindo tristeza.
– Eu penso isso todos os dias quando te vejo. – rebateu.
– Quanto amor, eu não mereço tudo isso. – passou por ela e se sentou no sofá.
– De quem é a carta? – Azazel se aproxima dela, olhando sobre o ombro da morena.
– Anne. – diz já abrindo o envelope. Dessa vez não estava destinado apenas a ela, mas a Azazel também. Olhou-o de baixo e começou a ler em voz alta.
Caros Rebecca e Azazel,
Se estão lendo essa carta é por que conseguiram impedir que Carmen e Joel os matassem. Mas também devem ter descoberto a consequência irredutivel desse plano. Vocês sobreviveram, mas os demais não conseguirão tal dádiva sem o sangue de Azazel e devem concordar comigo que é impossivel salvar sua raça.
Neste momento Rebecca deu uma pausa para encarar Azazel.
Logo só restou um casal de apanhadores... Vocês. E já que não são imortais, os apanhadores serão extintos da face da Terra quando morrerem. Devem estar se perguntando o por quê deu estar lhes escrevendo essa carta. Bom, eu me sinto em divida com a raça de vocês, as bruxas já os fizeram sofrer no passado, pois sabiam do destino que os aguardava. Sejam sábios em sua escolha.
Até qualquer dia,
Anne.
Ao finalizar a leitura da carta, pode-se ouvir uma risada de Joshua.
– Deixa eu ver se entendi... – ele pousou o copo de vidro na mesa. – Ou vocês procriam ou sua espécie some da face da Terra.
– Cale-se seu bastardo. – ponderou apertar seu pescoço, mas Rebecca segurou seu braço.
– Ele está certo Azazel.
– Ao menos que... Você queira dar a incrivel oportunidade para o Troy.
– Troy sobrevive... – ela olhou para Azazel, com uma pontinha de orgulho em seu olhar.
– Não pergunte. – responde se retirando da sala.
•••
A loira se apressava entre as pessoas para chegar até o portão de embarque a tempo. Arrastava uma mala rosa pelo aeroporto e em um momento de distração, esbarrou em alguém alto e também loiro. Aqueles olhos conhecidos a encararam de cima em baixo, ela paralisou.
– Fugindo Abbie? – Troy pergunta com um sorriso no canto dos lábios.
– Atrasada. – ela tenta passar por ele. – Licença! Eu tenho um avião para pegar.
– Eu não achei que tivesse coragem de deixar seus pais para trás. – diz a ignorando e a testando.
– Bem, ele pediram por isso. – retruca firmemente. Então ela não sabia da morte deles. – Agora saia do meu caminho.
– Calminha ai. Eu quero te fazer uma proposta. – segurou em seus braços, a trazendo para perto de si. – Deixe-me levá-la a Alemanha.
– O quê? Você não está morrendo ou...? – ele a interrompeu.
– Sim! Conceda-me esse ultimo desejo antes do inevitável acontecer. – Abbie olhou no fundos dos olhos de Troy, ele segurava sua mão fria. – Então?
– Não me faça me arrepender disso. – ela para de resistir e o puxa para um beijo no meio do aeroporto.
Não muito longe dali, em um café dentro do mesmo aeroporto onde o casal incomum se beijava apaixonadamente, a tv estava ligada em um noticiário famoso em Londres. Mostrando imagens áereas de uma mansão em cinzas, a noticia era: Casal de milionários morre em incêndio misterioso.
– Os bombeiros tiveram dificuldade em apagar as chamas... – a repórter dizia. – Além dos corpos de Carmen e Joel Powelll, foram encontrados alguns homens que faziam a segurança do local... Felizmente os empregados conseguiram sair a tempo.

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